E na noite de Natal, o Rock n´Roll volta a descer à Terra para aquecer o coração aos solitários. Com as ruas vazias e os espíritos dominados por sentimentos confusos (alívio, paz, depressão, melancolia, tédio), não há nada como o estrépito do som das guitarras e a ameaça de uma voz tecida nas imagens da América profunda. Música fantasiosa para libertar da fantasia.
O anfitrião voltar a ser The Legendary Tigerman, sempre a solo, sempre acompanhado de instrumentos e canções. É um caso raro, este. Um homem convidar os outros, com a sua música, sem alaridos, apenas com a convicção serena de que ela bastará para o sucesso do chamamento. Ora, no repertório do homem-tigre não faltam canções que têm, exactamente, a capacidade de congregar os outros à sua volta. Por exemplo, “Do Come Home” ou “Life Aint Enough For You”. E o mais importante, sobretudo nesta noite, não se impõem a quem as ouve. Deixam-se estar ou acomodam-se às emoções de quem chega. Não se pense que curam, que são uma espécie de lenitivos. The Legendary Tigerman não traz uma mensagem de harmonia ou de paz. Não faltará turbulência e agitação nesta noite.
O rock and roll foi feito para amar, sim, mas também para dançar. O que se pode fazer ao som de Bad Luck Rhythm N´Blues Machine senão dançar? Uma comunhão libertadora para os dias seguintes. Assim será este concerto onde todos serão meninos e rei magos.
INFORMAÇÕES DE BILHETEIRA
Entrada: 15€
Bilhetes disponíveis na Tabacaria Martins e ZDB (Quarta a Sábado das 18h às 23h). A ZDB não aceita reservas para este concerto. Lotação limitada para a noite de 25 de Dezembro.
Uma das estreias mais aguardadas em Portugal vai acontecer pela mão da Zé dos Bois.
Angel Olsen vem a Portugal no dia 8 de Setembro para um concerto em nome próprio, na Trienal de Arquitectura de Lisboa. Depois de já por cá ter passado com o Bonnie Prince Billy, vem agora encantar-nos com as canções do seu aclamado álbum de estreia, Burn Your Fire For no Witness. Bilhetes à venda na Flur Discos e na Tabacaria Martins.
Banhart e Cabic, dos Vetiver, tocam a 27 de Maio no Auditório de Espinho e, dois dias depois, no dia 29, passam pela Sociedade de Geografia de Lisboa, a convite da ZdB. A não perder!
Entrada: 20€ | Bilhetes disponíveis na Flur e Tabacaria Martins
Durante o mês de Janeiro serão muitos e variados os motivos que nos vão obrigar a ir até à Rua da Barroca, no Bairro Alto. O ciclo de concertos 2011 arranca no dia 7 de Janeiro com a actuação de JP Simões. O autor de 1970 irá apresentar-se ao vivo acompanhado pela guitarra eléctrica de Afonso Pais, autor do luxuoso Fluxorama (jazz elegante, sofisticado e sem sebo).
No dia 14 regressa mais uma edição da "Noite às Novas", espaço privilegiado para a descoberta de novos valores: actuarão Rudolfo, EITR, Robert Foster e Alek Rein.
No dia seguinte, 15 de Janeiro, o influente minimalista Phill Niblock actuará ao lado de Gerd Stern e Katherine Liberovskaya. A 20 de Janeiro o "aquário" receberá talvez a maior enchente do mês: vêm aí os Japanther , com o duo Shellshag na primeira parte. De regresso ao produto nacional, no dia 22 actua Nick Nicotine & His Mystical Orchestra, com Mike Styles na abertura. O mês encerra com outro nome grande, no dia 30 chegam os californianos OM, num concerto que vai contar com um solo do potente Gabriel Ferrandini na primeira parte.
O convite à transgressão total que é a música dos italianos ZU regressa à ZDB para nova erupção mutante de sons cruzados, de choque, unificados e particularizados pelo génio em sobressalto de Jacopo Battaglia (bateria), Massimo Pupillo (baixo) e Luca T. Mai (saxofones alto e barítono).
Com raízes profundas na militância punk-hardcore, os ZU abordam o jazz a partir da sua natureza pulsionada (algures entre o fogo de Arthur Doyle e a rajada de Peter Brötzmann), abrindo-o a todo o género de contaminações num jogo de simultaneidades sem fim. Mike Patton e King Buzzo (The Melvins), os mais recentes colaboradores do trio (ambos participam no álbum “Carboniferous”, editado este ano), reflectem exemplarmente essa constante aproximação do grupo a todas as ideias traduzíveis em sons – para marcá-las, para feri-las. MP
O autor de um dos melhores discos de 2008, a Wire até elegeu "London Zoo" como o melhor do ano, vai estar em Lisboa e Porto para dois concertos a 20 de Março no Plano B no Porto, e no dia seguinte na ZdB em Lisboa. The Bug a não perder.
Parabéns à Galeria Zé dos Bois no Bairro Alto. São 14 anos devidamente festejados logo à noite. O Jazz Ao Centro Clube e a Zé dos Bois trazem a Portugal o trio que junta os norte-americanos Sonny Simmons (saxofone) e Bobby Few (piano), duas figuras marcantes da história do jazz contemporâneo, ao japonês Masa Kamagushi (contraixo). O aniversário é marcado também pelo regresso de Josephine Foster.
Josephine Foster é hoje uma das mais talentosas compositoras norte-americanas. Com uma conturbada passagem pela escola de ópera, da qual desistiu pela rigidez do ensino, encontrou nas suas composições a liberdade formal e criativa que tanto ambicionava. Depois de alguns lançamentos caseiros mais ou menos obscuros, gravou enquanto Born Heller, duo que partilha com o contrabaixista Jason Ajemian. No entanto, é com a inclusão de uma canção sua em Golden Apples Of The Sun - compilação curada por Devendra Banhart para a revista Arthur - que chega a um público mais alargado. Em A Wolf In Sheep's Clothing (Locust, 2006), recupera de forma singular o cancioneiro das art-songs alemãs do Século XIX. De regresso ao Aquário, Foster traz-nos o seu mais recente disco, o lindíssimo This Coming Gladness (Bo'Weavil Recordings, 2008).
in ZdB: Extra Golden Dois quenianos, Onyango Wuod Omari e Opiyo Bilongo, e dois norte-americanos, Ian Eagleson e Alex Minoff, estão a dar a melhor festa multicultural do planeta. A celebração chama-se Extra Golden e mistura a música benga do Quénia com o que a pop ocidental tem de mais imaginativo e vanguardista. Ficar em casa e perder isto é ficar irremediavelmente para trás.
Com dois discos já editados pela Thrill Jockey ("Ok-Oyot System" e "Hera Ma Nono", ambos obrigatórios), os Extra Golden querem tudo para toda a gente. São libertinagem rítmica e melódica miscigenada, para dar e receber. Ainda assim, a sua música é autêntica, perguntarão os polícias das chamadas músicas do mundo? É autêntica para eles, e isso chega. Concerto marcado para as 22h.
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