Música no Coração pede desculpa a Tiger Man e já trabalha numa "colaboração futura" À BLITZ, fonte da Música no Coração admitiu erro na sobreposição de concertos. Por seu turno, músico emitiu comunicado - leia-o aqui. Continua a dar que falar o abandono de palco de Paulo Furtado, aka Legendary Tiger Man, no segundo dia do festival Sudoeste TMN.
Perturbado com o volume do som que vinha do espaço Groovebox, o português recusou-se a tocar mais do que música e meia, abandonando o palco, pedindo desculpa aos espectadores e lamentando a "falta de respeito pelos artistas".
À BLITZ, fonte da Música no Coração admitiu que houve um erro.
"Respeitamos a decisão do Legendary Tiger Man de sair de palco. Pedimos desculpa ao artista, foi um erro nosso", afirmou Paula Oliveira.
"Com todas as trocas de horários, calhou um concerto como o dele, mais despido, coincidir com a actuação dos headliners do espaço Groovebox", explicou ainda, antes de revelar que a Música no Coração já se encontra "a trabalhar com [Paulo Furtado] numa colaboração futura".
Por seu turno, Paulo Furtado emitiu um comunicado no qual volta a justificar a sua decisão.
"As razões que me levaram a suspender o concerto e abandonar o recinto do festival são, julgo eu, de fácil compreensão. Devido ao volume de som proveniente do Palco Groovebox durante a minha actuação, era absolutamente impossível para alguém que tenha o mínimo respeito pelo público, por si mesmo e pela sua música, actuar".
"Depois da primeira música isso tornou-se absolutamente claro para mim, e julgo que também para o público presente. Esperei que o som baixasse para níveis razoáveis, e isso não aconteceu".
"Para que compreendam perfeitamente o significado que dou ao cancelamento de ontem, queria apenas dizer-vos que apenas uma vez, em 20 anos de música, eu abandonei um palco sem terminar um concerto. Espero, sinceramente, nunca mais ter que o fazer", remata Paulo Furtado, pedindo ainda desculpa aos convidados Rita Reshoes, Claudia Efe e João Doce e aos espectadores. "Espero que nos encontremos em breve, em circunstâncias mais felizes".
A noite de encerramento do Sudoeste não trouxe nenhuma surpresa que retirasse aos Faith No More o título de melhor concerto. Lily Allen cumpriu na estreia em Portugal.
Perto das duas da manhã de segunda feira, dia 10, ainda muitos milhares queimavam os últimos cartuchos ao som do concerto dos Basement Jaxx. Era a recta final de uma maratona que começou quatro dias antes e que confirmou o Sudoeste como um enorme acampamento adolescente de férias com música pelo meio. Os concertos nem sempre são o mais importante para os sudoesteanos, e por isso, não foi de estranhar a falta de actuações memoráveis para a memória do festival.
Na última noite, a expectativa era grande para a estreia da rebelde Lily Allen. A britânica cumpriu embora só tenha contagiado o público na parte final da actuação quando se soltou mais, e aí foi ver o público de dedo do meio em riste gritando bem alto «Fuck You», canção do novo disco «It`s Not Me, It`s You». Lily provocou co a mensagem que trazia nas costas da sua T-shirt («Love Me Two Times») e pouco mais.
Ainda menos desafiante esteve Amy McDonald que se esforçou por dar corpo a um concerto que viveu à volta do êxito «This Is the Life» Quem nunca desilude em palco é a turma de Marcelo D2 que repetiu a festa vivida há uns anos na anterior passagem do brasileiro pelo Sudoeste. A arte do barulho veio reforçada com temas do novo disco o que foi sinónimo de qualidade acrescida. Nota alta, pois, para mais um concerto do rapper sambista. A maratona do Sudoeste termina deixando a Zambujeira voltar à sua paz natural nos próximos tempos. Para o ano há mais.
Palco Planeta Sudoeste/Jogos Santa Casa Caravan Palace 00h10 Au Revoir Simone 22h50 Bunnyranch 21h30 Virgem Suta 20h30 Anaquin 19h30 Palco Sapo Positive Vibes Pow Pow Movement 02h00 Junior Kelly 00h15 Third World 22h15 Kalibrados 21h00 Freddy Locks 19h45
E ao terceiro dia o Sudoeste ganhou a verdadeira dimensão de um grande festival de música com o regresso dos Faith No More, recebido em delírio.
Até às 23h30 do dia 8 de Agosto, o Sudoeste ainda não tinha vivido um momento verdadeiramente excitante e relevante no que à música diz respeito. O aproximar da hora marcada para a aparição de Mike Patton e seus companheiros trouxe uma movimentação de fãs até agora inédita. O que se viveu depois vai ficar na memória colectiva da edição deste ano e, quiçá, da história do festival. Uma banda, milhares de fãs em delírio, canções que tanto agitam como embalam, uma empatia única entre músicos e admiradores, ou seja o sentimento de comunhão que torna a música tão especial.
O último concerto da banda havia sido há mais de um mês na Finlândia. Por isso, os Faith No More chegavam a Portugal frescos para esta nova etapa da digressão. Foi um reencontro quente com Mike Patton a revelar muito boa disposição logo com uma entrada em cena à Dr. House apoiado na sua bengala. Impecavelmente vestido não demorou muito a soltar todo o seu génio que tanto o transforma em vocalista diabolicamente possuído como o leva a cantar em tom de crooner romântico. Arriscou cantar em português esforçado o tocante «Evidence», perguntou mais do que uma vez quem é que tinha estado no concerto que encerrou actividades em 1998 (quando ainda eram uma banda «real», brincou Patton), desceu às primeiras filas para dar voz ao público e recorreu ao megafone e à habitual maquinaria que nos habituámos a ver nas suas visitas com os Tomahawk e Mr. Bungle. Dois encores nem pareceram muito quando vemos que tudo somado a actuação não passou a hora e meia de duração. A banda pareceu divertir-se, e a plateia agradeceu reagindo, e tolerando todos os devaneios dos Faith No More. Foi muito bom, mas hora e meia ainda soube a pouco.
De qualquer maneira foi a hora e meia que marcou terceira noite do festival deixando para segundo plano todos os esforços competentes dos Jet, Blind Zero e X-Wife. Foi a noite Faith No More, e do resto não rezará a história.
Ainda assim, alguém avise os Blind Zero para evitar versões. Se a leitura para «Where`s My Mind» (Pixies) nada acrescentou ao original, a de «Enjoy The Silence» (Depeche Mode) foi um homicídio digno de Charles Manson.
O concerto nem foi mau mas estes dois momentos tornaram-se demasiado infelizes. Bem melhores, os X-Wife mostraram que a máquina está bem oleada. Os Jet esforçaram-se, berraram, gritaram mas sem consequências de maior.
1. Reunited 2. Land of Sunshine 3. Caffeine 4. Evidence 5. Surprise, You're Dead! 6. Last Cup of Sorrow 7. Cuckoo For Caca 8. Easy 9. Ashes To Ashes 10. Midlife Crisis 11. I Started A Joke 12. The Gentle Art of Making Enemies 13. King For A Day 14. Be Aggressive 15. Epic 16. Just A Man
Ao fim do primeiro tema, Legendary Tigerman abandonou o palco Planeta Sudoeste queixando-se do ruído do espaço Groovebox.
«Ou baixam a puta da música ou vou-me embora», disse Paulo Furtado. A ameaça seguiu por diante e o «homem tigre» só regressou para se despedir do público que se tinha deslocado ao palco secundário para o ver.
O concerto serviria para apresentar o novo álbum «Femina», a editar em Setembro. A acompanhá-lo estariam músicos convidados, entre os quais a actual namorada Rita Redshoes.
Para a história da edição 2009 do Sudoeste fica uma segunda noite dominada pela língua portuguesa. Inevitavelmente, o momento alto foi de Paulo Furtado que virou costas ao fim de uma música!
Não se pode dizer que o cartaz desta segunda noite a nível de palco principal tenha sido especialmente atraente para quem procura nestes festivais contacto com bandas fora do circuito nacional de concertos, mas a verdade é que a presença de Mariza acabou por juntar um número apreciável de festivaleiros. Em ambiente familiar, os «sudoestanos» aderiram aos fados mais balançados e festivos, também porque a fadista fugiu à lógica do caldo verde e do pão com chouriço. Surpresa das surpresas a versão de «Hedonism» dos SkunkAnansie faltou. Mariza há muito que sabe estender o fado ao conceito largo da worldmusic e passou o teste da Zambujeira com distinção.
Também em português os Deolinda consumaram o seu êxito. No ano passado tinham contagiado a tenda do palco secundário com a sua leitura contemporânea do fado. Este ano chegaram ao palco principal com algumas surpresas, como a presença de bailarinas e uma secção de sopros. Merecida ascensão, embora não tenham arrastado propriamente uma multidão para o imenso espaço em frente ao palco. Acabaram em cima de um autocarro no meio da multidão num dos momentos mais inesperados e originais da noite.
Shaggy, uma das grandes estrelas do dancehall, pode orgulhar-se de ter recebido um enorme calor humano do público ao qual correspondeu com um concerto que entusiasmou e convenceu a tribo do reggae. De toda a programação do palco Positive Vibes, foi o nome maior de sempre, sinal da capacidade de resposta desta produtora.
Ainda no palco principal há a destacar que foi em português que a noite abriu com Carlinhos Brown. O cartaz era fraco mas, mesmo assim, Madcon e Zero 7 conseguiram estar abaixo dos mínimos exigidos, sobretudo os últimos com um soporífero capaz de adormecer um consumidor compulsivo de RedBull. Muito longe das memórias que tínhamos dos discos com arranjos melódicos, e canções com doces vozes. Agora são só instrumentaisexperimentais desconexos.
E o momento marcante deste segundo dia também foi registado em bom português. Paulo Furtado não se conformou com o ruído que vinha da Groovebox e ameaçou abandonar o palco logo à primeira música. Como o barulho não diminuiu, o concerto de LegendaryTigerman terminou ali mesmo com Furtado a pedir desculpa aos seus fãs e a virar costas ao Sudoeste. Em bom português!
Palco TMN Zero 7 01h45 Deolinda 00h15 Mariza 22h40 Madcon 21h20 Carlinhos Brown 20h00 Palco Planeta Sudoeste/Jogos Santa Casa Legendary Tigerman 01h30 The Pinkertones 23h05 Muchachito Bombo Infierno 22h10 Pastora 21h00 It's Not Not 20h00
Palco Sapo Positive Vibes Soundquake ft. Coornadoor 01h45 Shaggy 00h00 Tok 22h00 Marrokan and the Charly Skank Band 20h45
Groovebox Magazino 03h30 João Maria 02h00 Âme + Henrik Schwarz + Dixon 23h30 António Alves 22h00 DJ Tiago 21h00
Os Buraka Som Sistema arrasaram na noite de arranque oficial do 13º Festival Sudoeste. Foram eles os responsáveis pelo maior ajuntamento no palco principal, pouco concorrido no resto da noite.
Até à aparição da banda portuguesa o palco principal não chamou a atenção dos festivaleiros que nesta primeira noite andaram muito dispersos pelo recinto e parque de campismo. A excepção foi o espaço Positive Vibes onde o «massivo« amante do reggae enche sempre o espaço, mesmo que não veja mais que uma cortina de fumo. Collie Buddz e Anthony B contribuiram para a festa com boas actuações...e vibrações
Mas até o fiel público do reggae abandonou por momentos o seu habitat para se juntar à multidão que recebeu e vibrou com o grande concerto dos Buraka Som Sistema. Hoje, estamos na presença de um grupo habituado às multidões, que apresenta um espectáculo capaz de ombrear com uns Chemical Brothers ou uns Groove Armada. Sem exagero. Com a ajuda dos Tocá Rufar, e com excertos de gente como os Metallica, AC/DC, ou The Prodigy, o diamante negro do disco é lapidado ao vivo e ganha facilmente o título de melhor concerto da noite. Sem grande concorrência, assinale-se.
Para quem já viu os The National em outras ocasiões não deixará de estranhar o facto de terem tido tão reduzida plateia neste seu regresso. A qualidade da actuação merecia muito mais público mas a banda fez valer o famoso chavão «poucos mas bons» voltando a mostrar toda a cumplicidade que tem conquistado com os fãs no nosso país. Mas o Sudoeste não é certamente o anfiteatro ideal para uma música que tem álcool, é certo, mas que pede mais intimidade do que uma tez bronzeada.
Os The Veils não tiveram muitos fãs para poderem convencer ou conquistar, e Macaco tentou animar as hostes mas não foi bem sucedido, por culpa da banalidade das suas canções. No palco secundário, nenhum concerto conseguiu escapar à mediania e o atraso nos horários previstos também não terá ajudado.