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Grandes Sons

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Grandes Sons

Super Bock Super Rock, dia 3: Linhas cruzadas


Davide Pinheiro


No último acto do Super Bock Super Rock, o rock foi discutido à mesa sem que uma conclusão definitiva resultasse. É (também) para isto que os festivais servem.

O baptismo do Super Bock Super Rock responde pela tradição e não tanto pela orientação estilística do cartaz. Da menor necessidade de arrumar a música em guetos resulta uma programação tão evocativa - Slash ou mesmo Strokes - quanto adivinhatória (The Vaccines). Na terceira noite, a questão colocada pelos Black Rebel Motorcycle Club - «Whatever Happened To My Rock´n´Roll» encontrou diversas respostas das quais não saiu uma conclusão definitiva.

 

Os Strokes trouxeram um álbum que poucos recordarão - «Angles» - e canções que definiram a década anterior. O jogo refinado de luzes sublinhou a negritude de uma banda em que a pose conta muito. Julian Casablancas comunicou mais com o público do que com o resto da banda e os Strokes cumpriram com o desígnio de elevar a música ao altar das atenções num festival bipolar em que o nível médio dos concertos foi alto e a logística se quedou muitos furos abaixo das melhorias prometidas.

O piloto automático esteve sempre ligado para assegurar possíveis falhas mas, ainda assim, os Strokes triunfaram no Meco com um concerto seguro em que se limitaram a ser iguais a si próprios. Se o presente do rock´n´roll passa por eles, é outra questão. É por demais evidente que o contexto de há dez anos mudou e que a urgência de «Is This It» se perdeu. Numa perspectiva de fim de ciclo, a vinda ao SBSR foi bem sucedida. Mais do que isso, pode ser pedir o mundo a quem já nem Nova Iorque dá.

 

Casablancas elogiou a «lenda» Slash e, apesar de terem sido as canções dos Guns N´Roses as mais celebradas - «Sweet Child O´Mine» e «Paradise City» - há uma grandiosidade que as bandas de rock contemporâneas não têm (porque não querem ou não conseguem) e que o guitarrista recupera. Slash é a antítese de uma cena indie umbiguista em que a música é concebida a pensar em pequenos nichos como se de uma rede social se tratasse (olá Google +). O vocalista Miles Kennedy pode ser um canastrão do rock americano mas o gigantismo de cada riff representa um tipo de entretenimento que se perdeu na última década.

 

Um pouco mais novo mas igualmente nostálgico, Brandon Flowers evocou Kim Carnes com uma versão eficaz de «Bette Davis Eyes» mas aniquilou quaisquer esperanças de recuperar a coolness perdida nos Killers quando se assassinou «Mr. Brightside» com uma versão de feira que diz bem da ausência de filtro desta aventura a solo. Um problema que já vem de uns Killers incapazes de distinguir a linha que separa uns Bon Jovi de uns New Order. Pior que ser rock FM é querer torná-lo pretensioso.

 

Ainda no campeonato da nostalgia, Ian Brown quis competir com Blondie na categoria de «pior concerto em festivais portugueses» na colecção deste ano. O problema não esteve na ausência de canções dos Stone Roses mas na ligeireza com que abordou o concerto, interrompendo uma mão cheia de vezes o alinhamento para se queixar de problemas técnicas. Desrespeitoso para com a sua banda, Brown mostrou-se uma prima donna, desinteressado para com o público e a sua obra. Um euro para cada espectador seria pouco para tanto desleixo e falta de profissionalismo.

 

Felizmente, os Vaccines trouxeram ares de novidade com uma estreia demolidora em que «Post Break-Up Sex» se confirmou como um dos hinos do festival. No campeonato das revelações, venceram os Chromeo e marcaram pontos para um hipotético regresso. Ainda no palco EDP, os Junip confirmaram qualidades e os PAUS deixaram óptimas impressões para um futuro que será certamente ainda mais risonho.

 

De regresso ao palco Super Bock, os Elbow não encantaram embora o desconhecimento do público português não tenha contribuído. «The Seldom Seen Kid» foi o único momento catártico de um concerto em que a escolha de repertório demasiado contido não ajudou. Aos X-Wife coube o «privilégio» de abrir a sessão com um alinhamento baseado no novo álbum «Infectious Affectional» que continua a crescer em palco.

 

davidevasconcelos@gmail.com

Super Bock Super Rock, dia 2: Hypes@Meco


foto: José Sérgio/Sol
TEXTO: João Gonçalves


Ao segundo dia o Festival Super Rock Super Bock consegue consagrar o Meco como local de culto de grandes concertos. No dia da maior enchente de sempre no recinto, o trânsito fluiu antes e depois dos concertos. Já o cartaz confirmou-se como o melhor da temporada com concertos para todos os gostos e duas páginas de ouro assinadas por Portishead e Arcade Fire.


Quando um dia se escrever a história dos concertos que foram tão bons que ganharam um estatuto lendário vamos ter seguramente duas bandas que têm três discos editados e acabam de dar o seu terceiro concerto em Portugal. As coincidencias ficam por aqui porque Portishead e Arcade Fire estão em campos diametralmente opostos no que à música diz respeito.

 

Seria possível em 2011 um festival marcado pelas más condições que tem oferecido repetir duas das maiores epifanias dos concertos em Portugal? A noite de sexta-feira provou que sim.

Os Portishead passaram pelo Coliseu há relativamente pouco tempo; soube bem matar saudades mas o ambiente, o contexto, a atmosfera criada à volta da banda de Beth Gibbons durante todo o concerto transportaram-nos directamente para 1998 no então infante Sudoeste. Parecia impossível mas voltou a acontecer a magia esta noite com os Portishead. A diferença é que a plateia trocou as luzes dos isqueiros no ar pela luz dos telemoveis. Os clássicos dos Portishead voltaram a arrepiar a quem presenciou a primeira vez por cá e encantou quem não estava presente em 1998 e passou uma vida a falar dessa noite.

 

Também os Arcade Fire contaram com uma estreia auspiciosa por cá. Aconteceu em Paredes de Coura em 2005 num fim de tarde com uma actuação arrasadora. Repetiram a proeza em 2007 num Super Rock Super Bock quando ainda era urbano e hoje tivemos uma noite de emoções altas a igualar a intensidade do concerto de estreia. A química entre banda e pública foi tão intensa desde o primeiro minuto que se percebeu que para os Arcade Fire aquele não estava a ser apenas só um concerto mais e para a plateia aquela música era tudo o que queriam para deixar a emoção vencer as implicações de um festival com muito pó no ar.

 

Na mesma noite Portishead e Arcade Fire recordaram a magia das suas estreias por cá e logo na noite de maior enchente. Assinaram a meias o tratado que declara que no Meco a música venceu os problemas logísticos. Foram dois concertos seguidos no palco principal que fez parar o espaço secundário permitindo que toda a gente pudesse testemunhar esta aposta vencedora.

 

Com tão importantes cabeças de cartaz o palco secundário soube estar sem bem frequentado. Os maiorquinos LA provaram o quão vasta é a legião de festivaleiros espanhóis e a prata da casa a dar boa conta de si com Paulo Furtado em mais uma excelente prova de vida como Tigerman numa altura que já se fala de um regresso em grande de Wraygunn. Já B Fachada aproveitou para mostrar a suas canções mas não se livrou de uns desafinanços comprometedores.

 

Também em português se completou o resto do palco principal. Noiserv a abrir o dia com uma actuação cuidadada e delicada que agradou aos festivaleiros que iam chegando e embalados pela músicalidade receberam com agrado a actuação de Rodrigo Leão que serviu de banda sonora a muitos que jantavam. A maior expectativa não foi concretizada, Beth Gibbons não subiu ao palco.

 

OS Gift aproveitaram a passagem pelo palco princnipal para promoverem à força toda o seu novo disco. A pop épica e grandiosa resulta bem melhor no palco do que em disco. Apesar de ignorarem alguns dos maiores êxitos conseguiram ter o público sempre do seu lado acabando por se mostrarem à altura do desafio de tocaram no palco principal.

 

Mas a noite foi mesmo de Portishead, Arcade Fire e especialmente de todos aqueles que acreditaram na força das emoções da música ao vivo e que acabaram mesmo por convencer a maior parte dos festivaleiros a regressarem ao Meco nos próximos anos como se viu pela entrega que houve no palco EDP no fim da noite com uma enchente de gente que preferiu dançar ao som dos Chromeo.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

in Disco Digital

Super Bock Super Rock, dia 1: Zambujeira do Meco


  F Luís Martins
T Davide Pinheiro


O primeiro dia do Super Bock Super Rock confirmou a excelência do cartaz e o desconforto do recinto.

A meio da tarde, já se podia concluir que a segunda visita do outrora cidadino Super Bock Super Rock a terreno selvagem iria provocar uma enchente muito semelhante à registada no ano passado na noite em que o pequeno gigante Prince trouxe a festivais um auditório que mais facilmente se recostaria no sofá.

 

No primeiro dia de SBSR as conclusões não exigiram conhecimentos matemáticos: os concertos comprovaram a excelência do cartaz e o recinto voltou a não responder à exigência de um evento de grandeza europeia. Em que ponto ficamos então?

Ao contrário do ano passado, o SBSR é este ano um Sudoeste mais próximo da cidade mas a larga fatia de campistas instalados no Meco aclara as semelhanças entre os dois festivais. O tecido indie adolescente que falhou o Optimus Alive, por desagrado para com o cartaz ou por falta de capital para financiar todos os desejos, está em peso no Meco com os calções de ganga e os padrões de marinheiro a servirem de prova.

Os melhoramentos efectuados no recinto não são suficientes: é verdade que os parques de campismo e estacionamento cresceram mas o volume de pó é incompreensível - porque não colocar tapetes junto aos palcos? -, a restauração é mínima para 30 mil pessoas, a iluminação é ténue e amiga do jogo do quarto escuro e o número de chuveiros insuficiente. O que é que isto tudo gera? Que um festival com um cartaz belíssimo gere comentários menos simpáticos (com as redes sociais a servirem de escape para o ódio).

 

E é pena porque um concerto certeiro e áspero como o dos Arctic Monkeys merecia inteiro destaque. E o que dizer de um Beirut enorme na combinação de ingredientes? Ou de uma Lykke Li arrasadora desde o primeiro segundo? De uns Tame Impala que apesar de alguns devaneios em excesso se deram a conhecer a «nova gente»? E de um Nicolas Jaar belíssimo na exportação de uma música íntima e individual para o sentimento colectivo?

 

Como no passado, o padrão foi altíssimo como raramente se assistiu em festivais portugueses. Destacaram-se os Arctic Monkeys pela verve adolescente sempre em crescendo, no melhor concerto em solo português desde o primeiro no Paradise Garage. Mas houve todos os outros incluíndo os portugueses Sean Riley & The Slowriders e Glockenwise à altura dos forasteiros.

 

E a fechar a noite, Tim Sweeney e James Murphy a recriarem o ambiente do Lux - o público era muito parecido - com três horas de viagem entre o disco, o house e o tecno à boa escola novaiorquina em que a selecção se sobrepõe à técnica. Algumas divagações do patrão da DFA não foram suficientes para obstar uma questão: onde ouvir uma escolha tão sensível de discos? E para os fãs dos LCD Soundsystem, esteve lá tudo desde Sylvester aos Talking Heads.

 

davidevasconcelos@gmail.com

Disco Digital

17º Festival Super Bock Super Rock começa esta quinta-feira

O festival Super Bock Super Rock (SBSR) começa na quinta-feira, perto da praia do Meco, em Sesimbra, e juntará no mesmo recinto alguns dos nomes mais conhecidos do pop rock independente, como Arcade Fire, Strokes e Arctic Monkeys.

No total estão previstas pouco mais de quarenta atuações em três palcos entre quinta-feira e sábado, mas são as suficientes para fazerem esgotar os passes de três dias.

Também já não há bilhetes para sexta-feira e, de acordo com a organização, os dois restantes dias estão perto de esgotar, sendo que a capacidade do recinto é para cerca de 30.000 pessoas.

 

Diário Digital / Lusa

The Walkmen, Tame Impala, Ian Brown e PAUS no SBSR


The Walkmen, Tame Impala, Ian Brown e PAUS estão confirmados no cartaz do Super Bock Super Rock.

A Antena 3 avança que The Walkmen e Tame Impala tocam a 14 de Julho, respectivamente nos palcos Super Bock e EDP. Dois dias depois, Ian Brown e PAUS actuam neste último, o espaço secundário do festival.

O festival realiza-se entre 14 e 16 de Julho.

Os bilhetes custam 45 euros (um dia) ou 80 (passe para todo o festival).

 

in Disco Digital

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