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Grandes Sons

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Grandes Sons

15 anos de FMM Sines: o rescaldo

Com 43 concertos entre os dias 18 e 27 deste mês, o Festival Músicas do Mundo de Sines apresentou o maior programa de música da sua história, uma bonita maneira de comemorar os seus 15 anos de vida. Entre muitos regressos e algumas estreias ficam na memória as actuações de Tamikrest, Bomba Estéreo, Rachid Taha, Asi Ali Khan & Party, Rokia Traoré, Tcheka, Amadou & Mariam (na foto), Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba e, especialmente, do impressionante colectivo Shibusa Shirazu Orchestra.

Mais do que uma tradição já com década e meia, as últimas semanas de Julho são um marco importante no calendário dos melhores festivais de world music como a conceituada revista britânica Songlines tem destacado nos últimos quatro anos.  Organizado com o apoio total da Câmara Municipal de Sines, o FMMviveu este ano uma edição simbólica e emotiva com incertezas quanto ao futuro já que o Presidente actual atinge o limite de mandatos este ano. Este pormenor é relevante e sentiu-se tanto nas mensagens transmitidas nos écrans do Castelo pelo próprio Presidente como no outdoor muito comentado pelos festivaleiros que estava bem perto do castelo pertencente a outras cores políticas. Assim a história da 15ª edição do FMM fica marcada por uma espécie de best of de todos os alinhamentos do festival.

 

Este ano houve significante descida no preço dos bilhetes diários, o palco da praia voltou à Avenida Vasco da Gama para contentamento geral e as obras do ano passado estavam terminadas dentro da área de circulação do festival.

Como notas negativas houve o cancelamento de um dos espectáculos mais aguardados - o indiano Trilok Gurtu não teve sorte com os voos e deixou o arménio Tigran Hamsyansozinho com o seu piano em palco originando uma das agradáveis surpresas do evento. Mais negativa foi a muito notada presença das forças policiais com minuciosas revistas à entrada do Castelo originando filas intermináveis e um sentimento de revolta generalizado entre os cerca de 90 mil espectadores que passaram pelo recinto. Uma vez que o FMM não tem historial de incidentes ou acidentes em edições passadas, uma vez que o concerto de final de tarde no Castelo tem entrada livre e sem revistas, não se entende de todo aquele aparato da GNR que não passou sem uma forte e pertinente crítica dos Gaiteiros de Lisboa aquando do seu concerto na passada sexta feira.

 

Por falar em críticas, o brasileiro Hermeto Pascoal também não se conteve mas porque queria mais tempo em cena e resolveu criticar a organização do festival perante a desaprovação do público. Agradeceram os portugueses Batida, cada vez mais lançados internacionalmente, que aproveitaram para dar um grande concerto madrugada dentro em comunhão com o povo que dançou e pulou fechando da melhor maneira os primeiros três dias de festival.

 

Para trás tinham ficado na memória colectiva os bons regressos de uma dupla de peso do Mali, Amadou& Mariam e Bassekou Kouayeté & Ngoni Ba, Hazmat Modine (EUA) e as estreias convincentes dos franceses Lo´Jo e do congolês Baloji.

 

Na segunda parte no que diz respeito a concertos houve de tudo um pouco como é apanágio do Festival. De realçar que este ano houve uma forte aposta em música feita em Portugal com onze presenças em palco. De Celina Piedade a Carlos Bica, de Custódio Castelo a JP Simões, de Cristina Branco a O Carro de Fogo de Sei Miguel, não faltaram boas amostras do que se faz por cá.

 

Entre quarta, dia 14 de Julho e o nascer do sol de domingo, 28 de Julho, os destaques vão para Tcheka de Cabo Verde, Rokia Traoré, outra escolha do Mali e com um regresso muito saudado, os paquistaneses Asif Ali Khan & Party que deram o melhor concerto do festival para a grande maioria dos que estiveram na última quinta feira no Castelo, o argelino Rachid Taha voltou a montar enorme festa e os colombianos Bomba Estéreo que mostraram todo o seu potencial dançante no palco da praia.

 

Um pausa para falarmos do projecto japonês Shibusa Shirazu Orchestra (foto da organização que ilustra este texto) que espantou tudo e todos na penúltima noite do festival. Uma experiência única, daquelas que vale a ida ao Castelo só por si, com mais de três de dezenas de artistas em palco. Musicalmente o projecto até nem é relevante, secção de sopros, percussão, vozes, guitarra, baixo, entre solos e temas mais jazz estendido, nada de especial. A curiosidade está nos artistas que enchiam o palco. Havia duas mulheres a fazer coreografias com bananas, dançarinos semi despidos, uma só de cuecas, um pintor a fazer a sua tela num canto, um vocalista possuído, uma espécie de maestro aluado, enfim um espectáculo que só visto e que conquistou o público pelo inesperado aparato que acabou com um vôo de uma espécie de lula gigante prateada sob a plateia. Inesquecível.

 

Uma palavra ainda para os tuaregues Tamikrest com o seu blues hipnotizante que funciona sempre tão bem neste contexto, a rapper americana Akua Naru com energia para dar e vender e para o conceituado nigeriano Femi Kuit que teve honras de fecho com o tradicional fogo de artificio a iluminar o Castelo em jeito de despedida até 2014. De preferência com a dinâmica do costume e com a filosofia de sempre.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

Os Concertos Voltam Hoje ao Castelo de Sines

18h30 [C] Orquestra Locomotiva (Portugal)
20h00 [P] MU (Portugal)
21h45 [C] Tcheka (Cabo Verde)
23h15 [C] Hassan El Gadiri & Trance Mission (Marrocos / Bélgica / Portugal)
00h45 [C] Nathalie Natiembé (Ilha Reunião – França)
02h45 [P] O Carro de Fogo de Sei Miguel (Portugal)

 

[C] Castelo
[P] Avenida da Praia (ou Vasco da Gama)

 

Para quem não poder estar em Sines a Antena 3 e a Antena 1 vão estar em directo a partir das 22h no Castelo de Sines a transmitir concertos.

Mais Nomes para Sines 2013

Somando-se aos 17 projetos musicais anteriormente anunciados, confirma-se a presença de Femi Kuti (Nigéria), Bomba Estéreo (Colômbia), Dubioza Kolektiv (Bósnia-Herzegovina), Hazmat Modine (EUA), Ondatrópica (Colômbia), Skip & Die (África do Sul / Holanda), Tamikrest (Mali – Povo Tuaregue) e Winston McAnuff & Fixi (Jamaica / França).

 

Mali em Sines: Amadou & Mariam, Bassekou Kouyaté e Rokia Traoré no FMM 2013

Berço de formas ancestrais dos blues e do rock e pátria de alguns dos mais criativos músicos do mundo, o Mali é um país fundamental da geografia da música popular contemporânea. Num momento em que a guerra e o fundamentalismo ameaçam um património imperecível da humanidade, o FMM Sines faz questão de que as primeiras três confirmações oficiais da sua 15.ª edição cheguem do coração sonoro de África.

 

Amadou & Mariam


Amadou & Mariam são um dos grupos africanos mais aclamados na cena internacional. Representam a abertura da música do Mali ao cruzamento com géneros que, sendo hoje assumidos como criações ocidentais, têm afinidades antigas com a África Ocidental: o blues especialmente, mas também a sua descendência no rock e no funk, por exemplo. Estão juntos como casal desde o final dos anos 1970, quando Amadou, um guitarrista rodado em orquestras de hotéis, conhece a jovem cantora Mariam no instituto de cegos de Bamako. Depois de um percurso longo em África, tornam-se conhecidos de um público mais alargado com os primeiros discos com edição internacional, na viragem do século, e sobretudo com a edição de “Dimanche a Bamako”, em 2004. Este disco, produzido por Manu Chao, um dos mais vendidos de sempre da música africana, trouxe-os pela primeira vez ao FMM Sines, em 2005. Em 2013, voltam ao festival com outro disco, “Folila”, nomeado para o Grammy na categoria World Music este ano, e concebido em torno de duas sessões de gravação, uma mais “cruzada”, realizada em Nova Iorque, e outra mais próxima das raízes, realizada em Bamako, exemplo perfeito da sua música simultaneamente antiga e moderna, retro e futurística, orgânica e eletrónica.

 

Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba

Ao contrário de Amadou & Mariam, em que as miscigenações globais são mais ostensivas, Bassekou Kouyaté vive mais perto da fonte dos blues africanos. O seu disco de estreia, “Segu Blue”, baseado em textos sobre a resistência do império Bamana à ocupação colonial, foi considerado o melhor de 2007 nos prémios da BBC e Bassekou, ele próprio, foi eleito o melhor artista africano do ano. Em 2008, esteve pela primeira vez no FMM Sines, num concerto no Centro de Artes de Sines. Natural de uma aldeia perto da cidade de Segu, nas margens do Níger, Bassekou pertence à elite musical do Mali, tendo trabalhado ao lado de génios como Ali Farka Touré e Toumani Diabaté. Com Ngoni Ba forma um quarteto acústico de “ngoni” (tipo de alaúde africano), o instrumento de que é um dos maiores embaixadores e que voz da sua mulher, Amy Sacko, acompanha em disco e em palco. Depois do segundo álbum, “I Speak Fula”, lançado em 2009 e nomeado para um Grammy, regressa ao FMM Sines para apresentar o disco que acaba de lançar no início de 2013, “Jama Ko”, gravado por Howard Bilerman (Arcade Fire, Godspeed You! Black Emperor, Coeur de Pirate).

 

Rokia Traoré

Rokia Traoré

Uma cantautora que derruba todos os estereótipos da figura da “diva africana”, Rokia Traoré representa a expressão mais cosmopolita e vanguardista da música contemporânea do Mali. Filha de um diplomata, teve oportunidade de viajar e isso sente-se sua música, onde se ouve a voz dos “griots”, mas também o jazz, a soul, o rock, a pop, os blues, em formações musicais quase sempre pouco convencionais para a música africana. Desde o seu primeiro disco, “Mouneïssa” (1998), que é amada pelo público e pela crítica. “Wanita” (2000) foi premiado pela BBC e eleito álbum do ano pela fRoots e “Bowmboï” (2003) foi novamente premiado pela BBC. Foi com estes discos na bagagem que se estreou em palcos portugueses no FMM Sines, em 2004. “Tchamanché”, de 2008, o disco com que entrou sem complexos nos blues e no rock, trouxe-a de volta a Sines nesse mesmo ano, para aquele que foi considerado quase unanimemente o melhor concerto da 10.ª edição do festival. A terceira vinda ao festival, este ano, é marcada pelo lançamento mundial de um disco novo, “Beautiful Africa”, produzido por John Parish, agendado para abril próximo.

 

O festival em 2013

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” e outras músicas realizado em Portugal.

Em 2013, o festival acontece entre os dias 18 e 27 de julho e celebra a sua 15.ª edição.

O alinhamento desta edição comemorativa incluirá alguns dos projetos que mais marcaram o FMM ao longo da sua história e artistas que nunca vieram ao festival e que representam o presente e o futuro das músicas com raízes (mas não grilhetas) na tradição.

A estética do cruzamento e da abertura e a ética da convivência e da justiça continuarão a orientar a programação. A dimensão de festa que o festival sempre teve e irá manter não se esgotará em si mesma, procurando contribuir com uma riqueza de expressões, pontos de vista e realidades que ajudem a compreender e a agir sobre o mundo em que vivemos.

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