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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Super Bock em Stock, dia 2: Menina estás à Janelle


T: João Gonçalves F: Duarte Pinto Coelho


Nasceu mais uma lenda na rica história recente de concertos na capital portuguesa. A noite de 4 de Dezembro de 2010 vai ficar perpetuada pela estreia de Janelle Monáe, tal foi a qualidade do concerto num Super Bock em Stock que revelou ainda outros grandes momentos vividos por Junip e Batida.


Ao fim de três Super Bock em Stock já todos sabem qual é o conceito que leva a música a invadir a Avenida de Liberdade no coração de Lisboa: muita oferta em diferentes salas, um mapa com horários em que cada espectador faz o seu roteiro com o objectivo de ver os nomes que mais gosta e a esperança de vir a conhecer novas músicas que enriqueçam ainda mais a experiência. Nesta edição, havia consensos quanto à obrigatoriedade de marcar presença na plateia e a memória de edições passadas dizia-nos que era melhor não facilitar perto do horário de começo dos concertos mais aguardados sob pena de ficar à porta das salas cheias.

É aqui que reside o encanto ou desencanto que pode vir a ganhar mesmo contornos de drama, como vamos ver mais à frente, entre o público deste festival de Inverno que se realiza no Outono.

 

Pelas 21h00, tudo controlado com a chegada de muitos curiosos a dividir-se entre a estação de metro do Marquês de Pombal para ver Márcia a apresentar o seu trabalho a solo com a ajuda do companheiro do Real Combo Lisbonense João Paulo Feliciano e o espaço Bes Arte & Finança, ali mesmo ao lado, a receber Vicente Palma, filho do Jorge que tinha actuado na véspera. Mais abaixo na avenida no terraço do Hotel Tivoli tocava Lula Pena e no Maxime, Nuno Prata. Todos os espaços estavam muito bem compostos de público e é esta a prova do sucesso do formato do festival; há sempre gente interessada nas diferentes propostas.

 

Como o ser humano não tem (ainda) o dom da ubiquidade, temos que que confessar que a rádio oficial do evento dá uma boa ajuda para sabermos o que se passa nos espaços onde não podemos estar já que o estúdio montado no São Jorge permite ir ouvindo os relatos que os nossos companheiros da Antena 3 vão fazendo dos outros concertos. Foi assim que soubemos do sucesso do autocarro que circulou com os Youthless em festa.

 

Na sala 2 do São Jorge, encontrámos um ambiente improvável de intimismo e aconchego a contrastar com a noite fria e chuvosa de inverno que se sentia lá fora. O casal português Domingo no Quarto, conhecidos na banda de Minta, desfilam velhos sambas de figuras consagradas da música brasileira e mantêm fiél uma plateia encantada. Foi o aperitivo para o lendário Marcos Valle que horas mais tarde também iria ser responsável por um grande ajuntamento de uma facção veterana de público na entrada do cinema.

 

Confirmou-se que um dos projectos mais aguardados eram os Junip. José González tem feito o trajecto inverso, vingou a solo e só agora consegue o reconhecimento global do seu antigo projecto colectivo fundado em 1998. Os Junip lançaram este ano o primeiro álbum e o sucesso terá surpreendido o próprio sueco de raízes argentinas. De qualquer maneira, a oportunidade está a ser bem agarrada como se provou pela segura e convincente actuação do quinteto na sala 1 do São Jorge. Tão convincente que a plateia se manteve fiél nos seus lugares tornando lenta a rotatividade de lugares. Criou-se um ambiente tenso para quem ficou «pendurado» nas escadas da rua do cinema reclamando de bilhete na mão por estar a perder o seu concerto de eleição.

 

Nada que se compare com a fila de espera incrivelmente extensa que foi crescendo da porta do Tivoli quase até ao Marquês de Pombal! O problema é que antes da aguardada estreia de Janelle Monáe, os Batida arrebataram de tal maneira a sala com a sua frenética mistura de ritmos angolanos, batidas de dança e danças africanas que os lugares vazios diminuiram abruptamente. Mérito total dos Batida que nos fizeram recordar a grande noite de encerramento do Festival de Sines no Verão passado.

 

Lá fora a interminável fila ganhava contornos pessoais de impaciência à chuva - muitos foram desistindo à medida que Monáe avançava no alinhamento - e até de drama como no caso de um casal que veio de propósito da Cortegaça e que chegou em cima da hora do concerto.

Ainda conseguiram ver meia dúzia de canções daquele que foi o melhor concerto do festival, um dos melhores das três edições e claramente um dos mais convincentes de 2010.

 

É uma actuação a preto e branco fiel ao imaginário que conhecemos do teledisco de «Tightrope» que é transportado para palco. Janelle com generosa popa, músicos impecavelmente ensaiados em todos os passos de coreografia e vestidos em fatos pretos de camisa branca. Os passos são ensaiados ao milímetro, todos seguem a artista que representa nos dias de hoje a vitalidade do espírito eterno de mestres como James Brown ou Prince. Tudo o que está no excelente álbum de estreia «The ArchAndroid (Suites II and III)» soa musicalmente perfeito em palco; junte-se a excelência das coreografias abrilhantadas por duas bailarina que tanto são freiras fora do convento como agitadoras de capa negra e temos um fabuloso concerto que nos faz recordar a magia de Prince no Meco no último Verão. Do tecto caiam papelinhos, balões, sempre tudo a preto e branco, do palco reconhecíamos os temas do disco e Janelle não parava quieta ora mostrando dotes de dançarina, ora esperneando deitada no palco, ora invadindo a plateia desafiando o coro dos felizes presentes. Magnífica estreia de Monáe que pintou numa tela uma mensagem de amor a todos nós enquanto cantava e invisivelmente assinou o concerto que ir a imortalizar esta 3ª edição do Super Bock em Stock.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

 

in Disco Digital

 

Super Bock em Stock, dia 1: Stock da Liberdade

T: Marco Moutinho F: Duarte Pinto Coelho


Às vezes as coisas belas têm que ser vistas de forma curta e concentrada. Foi o que aconteceu com Zola Jesus, claramente vencedora da primeira noite do Super Bock em Stock, que ressuscitou a Avenida da Liberdade.


As escolhas feitas do programa, o mais ambicioso e equilibrado, ditaram que os concertos de Kele Okereke e B Fachada com Sérgio Godinho, por exemplo, não tenham sido vistos. Adam Kesher foi cancelado devido a problemas no voo que o deveria trazer a terras lusas. A melhor recepção ao festival, inspirado no festival norte-americano interactivo South By Southwest, foi feita com a corporação Kumpania Algazarra que animou o autocarro Vodafone.

Hoje é a vez dos Youthless cumprirem a mesma função.

 

A noite começou quente e pouco frequentada com o concerto de Jorge Palma, na estação de metro do Marquês de Pombal. Um bom inicio de cerveja na mão, com «Voo Nocturno» pelo festival.

Seguiu-se o one-violino-show Owen Pallett, num Tivoli cheio. O instrumentista apresentou-se imaculado, tal como no passado concerto no Teatro Maria Matos. Pallett, mais uma vez, mostrou todo o seu virtuosismo no violino, teclado e pedais com uma performance tipo pêndulo, onde através dos seus movimentos as extremidades oscilavam entre instrumentos e efeitos para criar loops-polifónicos, fortes e orquestrais. Concerto refinado, pastoral, sob o pretexto do novo EP «Don`t Stop». Com este concerto levantou-se a pela primeira vez questão de, muitos concertos da noite de arranque do festival terem a sua duração encurtada.

 

Bússola (programa) na mão e passagem para o outro lado da Liberdade rumo à sala 2 do São Jorge para ver os dinamarqueses Lars and The Hands of Light. Concerto curto de pop orelhuda, que nos remete para os anos 60, proporcionado pelos irmãos Lars e Line Vognstrup. «The Looking Glass», álbum editado neste ano, é um indie-pop alegre, semelhante a uns Dandy Warhols, com arranjos electrónicos suavizados por componentes acústicas. Mesmo com problemas de som, assumiram a tarefa de divertir o público e objectivo foi concretizado! Conseguiram uma boa recepção por parte do público, principalmente no single «Me Me Me».

 

Um dos pontos fortes deste tipo de festival é catapultar bandas desconhecidas pela maioria do público para salas maiores - exemplo disso mesmo foram os Walkmen que actuaram no primeiro Super Bock em Stock.

Seguiu-se o capuchinho-preto da electro-pop atmosférica, a diminuta menina dramática Nika Danilova, isto é Zola Jesus. Drama, muito drama, nas suas expressões em palco, com uma entrada fantástica com uma túnica a tapar o rosto, micro adensando ainda mais a floresta operática. Compreendendo melhor o concerto de Zola Jesus teria sido interessante que houvesse uma tela a projectar o filme obscuro «The Visitor», de 1979, titulo original, em italiano, «Stridulum» e nome do seu EP de relativo sucesso. Uma verdadeira viagem, sob efeitos de LSD, onde cada gesto tinha expressão selvagem, revolta e amor-próprio; muita intensidade para um ser aparentemente tão frágil. Zola remete-nos às performances de uma Siouxsie Sioux ou Kate Bush, acompanhada por um sintetizador negro e cheio de classicismo. Percebe-se a sua formação em ópera na voz e nos movimentos teatrais em temas como «Sea Talk» e «Night», cantando que não tem medo, que está doente, que não tem dinheiro e que tem orgulho em ser sempre ela mesma ao apontar e subir às colunas, ou mesmo entrando plateia adentro, com orgulho e fascínio. Muita, muita intensidade para tanta fragilidade aparente. Monstruosa performance só atenuada pela pouca qualidade de som!

 

A noite terminou, no estacionamento da estação de metro do Marquês de Pombal, com os maníaco-irreverentes Wavves. Já se esperava uma actuação enérgica, tendo em conta a prestação no ano passado na Galeria Zé dos Bois, agora, acompanhados por um som mais furioso e mau de garagem, deram uma matriz ainda mais grunge ao concerto. Letras difíceis de decifrar com Nathan Williams ao volante de uma máquina que debita adrenalina a cada tema. Lembrando com saudade Jay Reatard, os Wavves evoluem a cada álbum e são capazes de destruir tudo. Em «King of the Beach» levaram o público da frente à histeria, com pontapés, murros e muito suor, qual Wrestlmania.

 

marcomoutinho.musica@gmail.com

in Disco Digital

Super Bock em Stock: Programa de Hoje

São Jorge - Sala 1  
Zola Jesus [00h00]
B Fachada com Sérgio Godinho [22h15]


São Jorge - Sala 2
Lars and the Hands of Light [23h15]
The Shoes [21h15]

 

Teatro Tivoli
Kele [23h30]
Owen Pallett [21h45]

Cabaret Maxime
Adam Kesher [23h30]
Pinto Ferreira [21h45]


Garagem Vodafone (Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal)
Wavves [01h30]
The Hundred in the Hands [00h30]


BES Arte e Finança
Hollywood, Mon Amour [22h45]
Tiago Bettencourt [21h00]


Restaurante Terraço do Hotel Tivoli
Spokes [23h30]
Adriana [22h00]


Estação de Metro da Avenida
Jorge Palma [21h00]



Super Bock em Stock - Cartaz Completo

  • Kele Okereke [Bloc Party]
  • Wavves
  • I Blame Coco
  • Zola Jesus
  • B. Fachada + Sérgio Godinho
  • Fugiya & Miyagi
  • Junip
  • Arthouse Big Band
  • Lula Pena
  • Linda Martini
  • Janelle Monáe
  • Owen Pallet
  • Lars and the Hands of Light
  • Marcos Valle
  • The Shoes
  • Domingo no Quarto
  • Batida
  • Adam Kesher
  • Pinto Ferreira
  • The Hundred In The Hands
  • Goose
  • Hollywood, Mon Amour
  • Tiago Bettencourt em Fuga
  • Vicente Palma
  • Adriana
  • Spokes
  • Jono McLeery
  • Jorge Palma
  • Márcia

3º Super Bock em Stock

Informa a Música no Coração:

 

O Super Bock em Stock já dá que falar. À 3ª edição, o festival único no panorama português marca já o calendário de Inverno e é aguardado por todos os que têm participado na vivência de novas experiências, na descoberta de novos nomes, novas músicas, novas sonoridades.

 

Nos dias 3 e 4, primeira Sexta-feira e Sábado do mês de Dezembro, a Avenida da Liberdade em Lisboa volta a ser o ponto de encontro para duas noites de celebração da Música.

Nas duas primeiras edições, foram muitos os que descobriram e viram pela primeira vez The Walkmen, Beach House, Santogold, entre tantos outros.

 

Em 2010 são estes os primeiros nomes confirmados para o 3º Super Bock em Stock:

 

JANELLE MONÁE – Já lhe chamaram diva e visionária. Já a compararam a James Brown e a Aretha Franklin. Tudo motivos para ansiarmos pelos passos de Cindy Mayweather, a personagem andróide que Janelle personifica. O último ‘The ArchAndroid’, já coroado pela crítica de publicações como a Pitchfork, a Paste ou o L.A. Times, é o pretexto para esta estreia absoluta em solo português. Ao vivo, ela é uma explosão de música, soul, movimento. Absolutamente a não perder!

 

OWEN PALLETT – Para os mais distraídos, trata-se do responsável pelos arranjos de violino (e respectiva interpretação) nos dois primeiros álbuns dos Arcade Fire. Discreto mas sublime, ao vivo é mais do que um violinista exímio e um cantor de excepção. Alquimia pura para testemunhar no Super Bock em Stock.

 

LULA PENA – Diz-se que toca um fado a que tira o f e chama ‘phado’. Lula é não só uma das grandes reinventoras do fado, mas também alguém que verdadeiramente o vive e segue vivendo, na tremenda entrega emocional, na voz incomparável.

 

ADAM KESHER – São 5 e são franceses. Depois de uma recepção calorosa da crítica em França e de ganharem terreno além fronteiras, nomeadamente nos EU onde se tornaram embaixadores da electro-pop francesa, trazem o álbum editado já este ano, produzido por Dave One dos Chromeo e que conta com colaborações tão notáveis como Philippe Zdar (Phoenix, The Rapture), A-Trak (Dj de Kanye West) e Pierrick Devin.

 

JONO MCCLEERY – É difícil colocar Jono numa categoria, mas fala-se da sua música como a folk/soul dos nossos tempos. Fortemente influenciado por artistas como Gil Scott Heron e John Coltrane, o cantor londrino é ainda um autor-compositor de excepção, dono de uma voz sumptuosa, às vezes calma e intensa. Traz-nos ‘Tomorrow’, o novo álbum produzido pelo conceituado Fybe, já editado em Inglaterra.

 

O público poderá comprar um passe único, que deverá ser trocado por pulseira na bilheteira do Festival no Cinema São Jorge. O preço mantém-se o mesmo das duas primeiras edições – 40€ para duas noites com três dezenas de concertos.

Festival Super Bock em Stock, Dia 2: Pequenos prazeres

Os destaques desta segunda noite de Liberdade musical na Avenida vão para a grande estreia dos Little Joy, e para os regressos do irreverente Patrick Watson, dos tranquilos Beach House, e de mais uma noite de bonito movimento pedonal entre o Maxime e o Marquês de Pombal.

Optámos por começar por nos juntarmos à família que marca a actualidade da música nacional e vimos João Só e Abandonados a apresentar a sua simples e eficaz aproximação ao rock cantado em bom português na sala mais pequena do São Jorge. Aproveitando o balanço subimos para sala 1 e testemunhámos o excelente momento que vivem os Golpes, banda que tem ligações directas ao projecto anterior. Orgulho nacional bem recebido por uma plateia bem composta que aprovou as canções e a chegada surpreendente do quarteto feminino de percussão Caixas Furiosas.

Entretanto chegavam relatos entusiasmados da actuação do canadiano Mocky no Maxime. Atravessámos a Avenida para acalmar ao som de Beach House. Foi um dos concertos mais aguardados do festival com um número considerável de fãs desde cedo a guardar o seu lugar na plateia. Expectativas cumpridas pela banda de Baltimore liderada por Victoria Legrand sempre a dar as coordenadas certas da dream pop que sai da sua doce voz e do seu teclado. Concerto intimista ameaçado por palmas a compasso dos mais irrequietos que foram duramente repreendidos por um fã mais afoito que os mandou parar. Temas conhecidos e outros do disco a ser brevemente editados recebidos com agrado deram aos Beach House uma passagem segura por Lisboa.

Aproveitámos a comunhão entre os Beach House e o público para descremos a avenida até ao Maxime e assistirmos a um pouco do concerto do luso-iraniano Mazgani que figurou recentemente na lista da Les Inrockuptible como um dos mais recomendáveis novos artistas europeias. Em boa forma, o cantor facilmente convenceu a pequena audiência e agradeceu a amigos, e fãs terem optado pelo Maxime em noite de tanta oferta. Um grupo de jovens raparigas parou ao mesmo ao lado do autor desta crónica e ao fim de 1 minuto perguntavam bem alto «quem era aquele gajo» enquanto procuravam atabalhoadamente no programa que uma trazia na mão. Aproveitámos para voltar à rua onde se caminhava com prazer sem grande frio, sem chuva, e subimos até ao espaço La Caffe onde o pianista Manuel Paulo apresentava a sua nova aventura com a vocalista Nancy Vieira e outros músicos dando som aos aromas africanos. Este projecto chama-se Pássaro Cego e tem o formato de disco/livro. Soube bem, como um café, esta passagem num espaço mais acolhedor, mas estava na hora de regressar ao Tivoli para receber a ansiada estreia dos Little Joy.

A enchente na sala revelava que o público gostou da junção entre Fabrizio Moretti dos Strokes, com Rodrigo Amarante dos Los Hermanos que com a ajuda de Binki Shapiro deram vida ao disco Little Joy. O facto deste encontro ter nascido em Lisboa, na noite em que ambas as bandas participaram num festival da capital, traz uma aura especial a esta estreia. E a verdade é que este terá sido o melhor concerto desta edição do Super Bock em Stock com músicos e público em perfeita harmonia com a música em jeito de celebração. Gritos de Flamengo Campeão, elogios da banda à plateia, tudo em clima de festa que ninguém queria ver terminada. É de esperar novos capítulos desta aventura Little Joy, quer em disco (já há temas novos) quer em concertos por cá.

O regresso à sede deste Festival, Cinema São Jorge, foi em enorme número. De tal maneira que foram muitos os que ficaram à porta da Sala 1 completamente cheia para receber Patrick Watson que protagonizou o concerto mais acidentado da noite. O californiano radicado no Canadá vivia a última noite da digressão e já passeava à largas horas pelo espaço do São Jorge com visível boa disposição e bem acompanhado de cerveja. Com problemas de alimentação eléctrica em palco que o privou várias vezes de iluminação e até mesmo de som amplificado, Patrick Watson sentiu-se como peixe na água e partiu para um concerto em todo semelhante ao que se tinha visto em Março de 2008 na Aula Magna. Só que desta vez a desculpa do corte de electricidade até lhe serviu melhor para cantar com megafone, sem microfone, invadir a plateia com luzes improvisadas, e improvisar versões no meio do público. Surpreendente só para quem não o tinha vista há ano e meio. Encantador para quem só ontem tever contacto com o mundo de Patrick Watson. Para muitos foi o final de festa perfeito, mesmo porque este concerto estendeu-se para lá das 2 da manhã. Quem o ignorou foi à procura dos prazeres dançantes vindos das pistas que Juan Maclean lançava no Maxime. Mais tarde os franceses Kap Bambino foram recebidos no parque do Marquês de Pombal pelos mais resistentes.

jjoaomcgoncalves@gmail.com

in Disco Digital

Super Bock em Stock; Noite 1

Pelas 22h a enorme fila para trocar bilhetes por pulseiras que serpenteava pelas escadas do Cinema São Jorge dissipava qualquer tipo de dúvida quanto ao sucesso de adesão dos lisboetas ao segundo desafio de invadir a Avenida da Liberdade à procura da melhor música entre várias salas.
O sucesso de 2008 repete-se este ano, a fórmula está mesmo aprovada.

No Teatro Tivoli houve atrasos no arranque da noite devido a problemas com o voo da primeira banda o que fez com que a primeira opção fosse ir para a sala 1 do São Jorge ver os Wild Beasts. Os ingleses eram um dos nomes mais esperados do fim de semana. Com o segundo disco "Two Dancers" a figurar nas posições cimeiras da maior parte das listas de melhores do ano na imprensa inglesa, o vocalista Hayden Thorpe apostou forte em palco a convencer os portugueses com a sua voz bem aguda que encaixa na perfeição no rock contido dos Wild Beasts. Aquele tom vocal é coisa para cansar os ouvidos ao fim de uns largos minutos mas ao vivo o resultado final flui muito bem.

O bom começo de noite teve correspondência à altura do outro lado da Avenida onde Ebony Bones! montou enorme algazarra para agrado dos fãs que encheram a sala do Tivoli. Chegou atrasada, com uma baixa no elenco já que uma das dançarinas teve problemas com o visto, mas ao som da mesma introdução de "W.A.R.R.I.O.R." que se ouve no disco "Bone Of My Bones" a mulher entra em modo furacão para não mais parar. O grupo parece saído de uma colorida banda desenhada e a mescla sonora entre o tribal dançante e funk/punk dão o ritmo diabólico que todos na sala pareciam esperar. Plateia de pé em dança frenética, e Ebony a motivar a agitação total chamando uma jovem espectadora ao palco que não deixou mal ninguém e dançou à altura que o momento pedia. Houve versões de "Another Brick in the Wall" dos Pink Floyd, ou "I Wanna be Your Dog" dos Stooges, nem faltando o momento de aeróbica com a vocalista a levar a plateia a correr para a esquerda e para a direita para espanto, e preocupação dos seguranças de serviço. Uma bela festa que deu para queimar calorias da cerveja acumulada.

Seguiu-se uma pequena meditação para decidir os próximos passos. Espreitar os Wave Machines no Maxime, ou tentar o Hotel Tivoli para testemunhar o momento de Samuel Úria?
A questão logística da espera pelo elevador que nos leva ao Terraço do Hotel onde acontecem os concertos empurrou-nos para outro espaço. Os relatos pouco entusiasmantes sobre o concerto dos Wave Machine decidiram o regresso ao São Jorge para conhecer os Voxtrot.
Boa escolha.
Os Voxtrot é um quinteto que habita em Austin, no Texas, e apresentam o som rock clássico de boa gente com Costello ou Dylan com um cunho muito próprio.. Foram conquistando a sala rapidamente, e acabaram por ter a plateia rendida a vibrar a cada canção já com toda a gente de pé e com fãs ilustres e entusiasmados nas primeiras filas como Miguel Ângelo, dos Delfins.
Estenderam o concerto por "pedido" do público e foram a boa surpresa desta primeira noite de Super Bock em Stock.

Quem descesse à Sala 2 podiam aderir ao filme "Laudamus Vita" dos portugueses Easyway que era projectado enquanto a banda tocava a banda sonora.
Lá fora o tempo ajudou, a chuva deu tréguas e andava-se bem pela Avenida. Os mais resistentes subiram-na em direcção ao parque de estacionamento do Marquês Pombal para dançarem ao do groove dos Orelha Negra e de Marcelinho da Lua.
Hoje há mais movimentações na Avenida.

Segunda edição do Super Bock em Stock hoje e amanhã

A Avenida da Liberdade recebe hoje e amanhã o festival Super Bock em Stock por onde irão passar trinta bandas e artistas.

Teatro Tivoli, Cinema S. Jorge (salas 1 e 2), Cabaret Maxime, LA Caffe, Restaurante Terraço do Hotel Tivoli e o Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal são os espaços onde se irão realizar os concertos. O bilhete único custa 40 euros e dá acesso a todos os espectáculos, na medida da lotação de cada sala.

Cartaz par ahoje e horários:

Hoje
Teatro Tivoli
22h00 - Ebony Bones
23h30 - The Legendary Tiger Man

São Jorge Sala 1
21h30 - Wild Beasts
23h15 - Voxtrot

São Jorge Sala 2
21h00 - Bass Off
22h30 - Mikkel Solnado & Gabriel Files
00h30 - Easyway

Maxime
21h00 - Anaquim
22h00 - Wave Machines
23h45 - Blacklist

LA CAffe
21h30 - Os Quais
23h00 - Frankie Chavez

Restaurante Terraço Hotel Tivoli
21h15 - Federico Aubele
22h45 - Samuel Úria

Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal
01h00 - Orelha Negra
02h00 - Marcelinho da Lua

Festival Super Bock em Stock; Horários

4 de Dezembro

Teatro Tivoli
22h00 - Ebony Bones
23h30 - The Legendary Tiger Man

São Jorge Sala 1
21h30 - Wild Beasts
23h15 - Voxtrot

São Jorge Sala 2
21h00 - Bass Off (Termómetro Unplugged)
22h30 - Mikkel Solnado & Gabriel Files
00h30 - Easyway

Maxime
21h00 - Anaquim [novidade no cartaz]
22h00 - Wave Machines
23h45 - Blacklist

LA CAffe
21h30 - Os Quais
23h00 - Frankie Chavez

Restaurante Terraço Hotel Tivoli
21h15 - Federico Aubele
22h45 - Samuel Úria

Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal
01h00 - Orelha Negra
02h00 - Marcelinho da Lua

5 de Dezembro
Teatro Tivoli
22h15 - Beach House
23h45 - Little Joy

São Jorge Sala 1
21h30 - Os Golpes
23h00 - The Invisible
00h45 - Patrick Watson

São Jorge Sala 2
21h00 - João Só e os Abandonados
22h15 - Oioai
00h00 - Piano Magic

Maxime
21h15 - Mocky
22h45 - Mazgani
00h00 - Juan Maclean (DJ set)

LA Caffe
21h30 - Luísa Sobral
23h00 - Pássaro Cego

Restaurante Terraço Hotel Tivoli
22h00 - Noiserv
23h15 - Piers Faccini

Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal
00h45 - Kap Bambino
02h00 - Dr. Ramos
23h00 - Zé Pedro DJ

O bilhete único (dá acesso a todas as salas) custa 40 euros.

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