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Grandes Sons

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Tindersticks no Cinema São Jorge: Pérolas Para Gente Sentada

João Gonçalves, Disco Digital


Regresso triunfal a Lisboa de Stuart Staples e companhia para um concerto intenso que serviu para apresentar o excelente novo disco dos Tindersticks perante uma plateia que esgotou a sala maior do Cinema São Jorge.

 

É sabido que os Tindersticks fazem parte daquele restrito núcleo de bandas que, façam o que fizerem, terão sempre uma sala esgotada pronta para os receber em Portugal. Depois há os que se aproveitam dessa sorte e há os que fazem por alimentar e aumentar o culto apresentando mais e melhor música num registo de respeito mútuo. É este o caso da banda de Nottingham.

 

A juntar à fama de boas actuações os Tindersticks desta vez traziam um trunfo maior chamado «The Something Rain», o melhor disco que editaram em muitos anos. A confiança dos ingleses no seu novo álbum é tão grande que não fazem a coisa por menos e incluem as nove canções no alinhamento! Na verdade acertam em cheio pois os novos temas funcionam na perfeição ao vivo, alguns até ultrapassam as melhores expectativas como foi o caso de «Chocolate» que começa hipnótico e calmo para ir galopando instrumentalmente rumo a um frenesim viciante para terminar outra vez na calmaria tal como se pode ouvir na abertura do novo disco. O outro destaque vai para «Slippin'Shoes», uma pérola melódica movida a saxofone com a voz de Staples a brilhar mais do que nunca. No registo de estúdio é uma das melhores canções que 2012 tem para oferecer, em palco é um momento mágico que reúne tudo de bom que os Tindersticks têm para nos dar.

 

As três primeiras canções da noite evocaram discos antigos, «Blood» do registo de estreia em 1993, «If You're Looking For a Way Out» de 1999 e «Dick's Slow Song» de 1997. Também houve passagem por 1995 com »«Cherry Blossoms». Ou seja, os emblemáticos quatro primeiros discos que agarraram fãs para toda a vida não são esquecidos e continuam a soar muito bem no meio desta lufada de ar fresco que é o novo álbum.

A relação entre público e banda é bonita de se ver e um caso raro entre nós. Em vez de histerismos a toda a hora com palmas descontroladas há todo um silêncio respeitoso durante cada tema. Do palco em vez dos longos diálogos cheios de elogios vem apenas gratidão sincera e discreta. Stuart Staples só se dirigiu ao público para agradecer o carinho e dizer que é um prazer estar por cá, as usual. Até nisto a banda transpira elegância e classe.

Um excelente concerto, um bom disco e culto renovado, assim vão os Tindersticks ao fim de vinte anos de carreira!

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

Disco Digital

 


Gaiteiros de Lisboa no Cinema São Jorge: Regresso às Origens

O Rotas & Rituais arrancou em grande estilo no cinema São Jorge com o regresso dos Gaiteiros de Lisboa aos palcos da capital. Uma viagem de quase duas horas recuperando músicas do passado e lançando já algumas canções do disco novo a ser editado brevemente.

Arrancou a segunda edição do Festival Rotas & Rituais, inserido nas Festas de Lisboa, que este ano é dedicado «à Transumância, cujos trilhos uniram gados, gentes e perspectivas para além das fronteiras». Feliz escolha para a abertura, os Gaiteiros de Lisboa confessaram que já nem lembravam da última vez que tinham actuado na capital, o que não deixa de ser irónico.

A comemorar 15 anos de actividade o grupo passa por uma renovação com a saída de José Salgueiro e a entrada de José Martins. Há disco novo a sair brevemente, e um passado valioso a ser devidamente cuidado. «Sátiro», de 2006, é agora reeditado após ter esgotado a sua edição original. É precisamente no equilíbrio entre as canções dos quatro registos já editados e os caminhos do futuro que está o encanto dos Gaiteiros.

A sala do São Jorge ficou, lamentavelmente, longe de encher mas o público heterogéneo fez questão de aquecer um ambiente já de si muito quente devido à falta de ar condicionado. Alguns espectadores mais afoitos fintaram a preguiça das cadeiras e levantaram-se para dançar festivamente quando os tambores marcavam o alucinante ritmo das gaitas de foles.

Houve apenas um «cheirinho» do novo disco. «Era para ser um pivete, mas só pode ser um cheirinho», explicou Carlos Guerreiro. Foram duas canções, uma delas tem a voz de Ana Bacalhau dos Deolinda mas só no disco, porque apesar da presença na plateia da vocalista, assim como de Sérgio Godinho que também entra no novo disco, os Gaiteiros não chamaram ninguém ao palco.

Uma noite bem passada em que se matou saudades das canções de «Macaréu», «Invasões Bárbaras», «Bocas do Inferno», e «Sátiro», pelo meio com duas versões de José Afonso. Destaque para «A formiga no carreiro» que foi cantada por João Aguardela no disco de tributo «Os Filhos da Madrugada». Hoje à noite será o homem do Megafone a ser homenageado no Musicbox.

É assim que se faz a história da boa música portuguesa, e os Gaiteiros de Lisboa são uma autêntica instituição musical da nossa cultura. Mereciam mais concertos na sua cidade.

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