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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

10 Ideias a reter da Edição dos 10 Anos de Rock in Rio Lisboa

 

Rock in Kids

Verdadeiramente impressionante o número de crianças a circular no Parque da Bela Vista durante os cinco dias do Festival. Vimos criançada ao colo, em carros de bebés, às cavalitas, pela mão e em grupo. E depois há os jovens que ocupam as filas da frente de concertos como o de Ed Sheeran. Neste caso as jovens, vá. É um festival amigo das crianças.

 

Rock in Lisboa

O Festival arrancou em pleno dia de ressaca da final da Champions League que trouxe uma autêntica invasão espanhola. No dia 1 ainda se viram muitos adeptos madrilenos de Real e Atlético na Bela Vista. O mundo tinha os olhos na nossa capital por causa da bola mas durante uma semana Lisboa não saiu do rótulo de cidade da moda. Além da presença dos Rolling Stones, um acontecimento por si só, houve a aparição de Bruce Springsteen, que repetiu a visita no último dia, a presença do Sr. ex Presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton, falou-se num passagem de Mourinho e vimos Daniela Ruah em grandes danças. Nunca Lisboa esteve tão no centro do mundo do espectáculo.

 

Rock in Televisão

A cobertura da SIC Radical transmitiu todos os concertos do palco principal, com a óbvia excepção dos Rolling Stones, numa emissão de cinco dias que merece destaque. Aqui não se discute a estética, o estilo, o ritmo, o guião ou os comentários. O importante é que todos que não puderam/quiseram ir ao recinto viram os concertos que lhes interessava. Com a ajuda das redes sociais acontecem dois fenómenos engraçados;

- facilmente ficamos a saber de pormenores que nos escapam no recinto recebendo sms de quem acompanha em casa ( A Sara Sampaio está aí! Ou O Boss esteve aí outra vez! ) à melhor maneira do que acontece com os jogos de futebol que estamos a ver no estádio ( olha que foi mesmo fora de jogo! )

- muito engraçado ir picando o facebook e o twitter com comentários a criticar tudo e todos, desde quem lhes oferece a transmissão até quem está no recinto, arrasar o cartaz e depois quando está o grupo mais consensual a tocar vibrar digitalmente. Por outro lado, as fãs e os fãs que se dão ao trabalho de ir cedo para as filas da frente para estarem bem perto dos seus ídolos são gozados mas estão a viver a sua vida felizes e não em casa armados em intelectualóides. É só música, pessoal.

 

 

Rock in Wonderwall

Curiosamente, Noel Gallagher estava em Lisboa horas antes do arranque do Rock in Rio. Felizmente foi-se embora sem ir lá. É que assassinar a canção "Wonderwall" pareceu ser o deporto favorito de domingo no parque. Primeiro Robbie Williams, que fez o mesmo a "Song 2" dos Blur para ninguém se ficar a rir, depois Jessie J a entusiasmar-se com um espectacular concerto e embalada pelos acordes também assassinou o tema dos Oasis. O melhor é os irmãos fazerem as pazes e pensarem no Rock in Rio Lisboa 2016.

 

Rock in Boss

Bruce Springsteen tinha dado um dos melhores concertos de sempre, não só do Rock in Rio mas de sempre em Lisboa, na edição de 2012. Em 2014 não foi anunciado no cartaz mas foi dos nomes mais badalados na 6ª edição. Aparição surpreendente e inesquecível durante o concerto dos Rolling Stones, selfies multiplicadas pelas redes sociais e presença na regie para testemunhar o concerto de Timberlake. Lisboa é do Boss.

 

 

Rock in Stones & Justin

Apesar de todas as criticas conhecidas dos puristas anti-Rock in Rio há um facto indesmentível; o Festival tem dado dos melhores concertos que já vimos em Portugal. Paul McCartney, Stevie Wonder, Bruce Springsteen, entre outros, ficaram na memória de todos. Este ano mais dois a juntar a esta restrita lista. O concerto dos Rolling Stones por ter sido o último por cá e por ter corrido tão bem mesmo com senhores com mais de 70 anos em palco. O concerto de Justin Timberlake por ter sido o primeiro por cá e por ter confirmado tudo o que se esperava dele, um espectáculo deslumbrante de música e dança em comunhão com uma enorme plateia rendida. Ambos inesquecíveis.

 

Rock in Lorde & Jessie

As duas raparigas que enfrentaram a multidão olhos nos olhos traziam desafios diferentes. A jovem que veio da Nova Zelândia é uma das figuras em destaque no mundo do rock mas só tinha a seu favor um single conhecido. A desconfiança de uma actuação demasiado negra e sombria para o ambiente do Rock in Rio deu lugar a uma história de amor entre palco e plateia que ameaça continuar em nova visita. Lorde deu muito mais do que "Royals" e foi a grande surpresa pela positiva do palco mundo.

A inglesa Jessie J também carregava um hit comercial de peso, «Price Tag» mas aproveitou a oportunidade de actuar antes de Timberlake para dar um concerto impressionante ao nível da entrega e atitude. Comunicativa com o público que conquistou palmo a palmo, surpreendente a meter-se com os sisudos seguranças em frente ao palco, irradiou simpatia e foi a grande revelação do Palco Mundo.

 

 

Rock in Desespero Madrugada Dentro

Apesar da muita oferta de autocarros e táxis, da haver ligações para a outra margem até tarde, há um ponto que falha no Rock in Rio; escoar as pessoas o mais rapidamente possível para outros pontos da cidade. De nada serve saber que há barcos à espera no Rio Tejo se não se consegue sair facilmente das imediações do recinto. Todos os dias saímos tarde da Bela Vista e o cenário nunca mudou, filas intermináveis para Táxis e autocarros. Se tivermos em conta que em três das cinco noites de festival era véspera de dia de trabalho dá o que pensar. Não se percebe porque é que o Metro não ajuda com ligações até mais tarde nestes dias.

 

 

Rock in Indie

Foi a grande novidade desta edição. Aposta claro e arriscada em nomes menos conhecidos do grande público, especialmente no palco Vodafone, e a apresentação do grande trunfo indie para cabeça de cartaz da penúltima noite. Os Arcade Fire no Rock in Rio deixou a comunidade indie de cabelos em pé porque não queriam fazer o sacrificio de ir à Cidade do Rock ver uma das bandas mais empolgantes da actualidade. Entre juras e promessas, a verdade é que na noite mais alternativa apareceram quase 50 mil pessoas. Para os padrões do Rock in Rio terá sido meia casa, para a escala de lotação de outros grandes festivais por cá seria uma noite de arromba. Assim, o RiR piscou o olho aos mais cépticos, deu uma demonstração de força à concorrência ( que esteve no terreno, por lá vimos em noites diferentes Álvaro Covões e Luís Montez a passear ) roubando um muito apetecível cabeça de cartaz e levou um público que ainda não tinha entrado no parque da Bela Vista a sair convencido com a actuação dos Arcade Fire que raramente falham ao vivo, eles que, entretanto, há muito deixaram cair o rótulo alternativo conquistando público em toda a linha de gostos e tendências. Caiu a noite de metal, ficou a noite indie.

 

 

Rock in Frio

Lamentavelmente foi um factor constante. Nem a chegada de Junho deu tréguas em noites frias, ventosas e desagradáveis à medida que as horas passavam. Tudo teria sido muito mais agradável com aquele calor que Lisboa tem.

 

Rock in Rio, Dia 5: Final feliz

Impressionante enchente no último dia da 10ª edição do Rock in Rio Lisboa. Lotação quase esgotada para a estreia de Justin Timberlake em Portugal e para a despedida da Cidade do Rock.

 

Pela quantidade de crianças que vimos a circular durante a tarde no recinto pensámos que a romaria de hoje, que resultou em lotação esgotada, teria a ver com o pretexto de ser o dia da criança e que mais do que a música as pessoas quiseram ir passar o dia ao Rock in Rio. Desta vez esta teoria não está de todo certa. Bastou sentir a euforia com que os muitos milhares viveram todo o concerto de Timberlake para se perceber que havia mesmo muita gente ansiosa por o ver ao vivo.

 

O Rock in Rio chegou ao fim com Justin Timberlake de joelhos perante a multidão rendida e a fazer repetidas vénias do palco para a plateia. Ainda ecoava a última canção, «Mirrors», e estava resumida a noite naqueles gestos. Público completamente convencido e artista aparentemente surpreendido e agradecido com tamanha recepção.

Já voltamos a Justin.

 

Antes subiu ao palco Jessie J para um concerto surpreendentemente consistente. A inglesa que conquistou o mundo ao som de «Price Tag» apresentou-se impecavelmente despida com um vestido de alças bem curto e umas pernas difíceis de esquecer. No fundo foi só a transposição para palco de uma indumentária que vimos em grande número ao longo de todo o recinto em especial no dia de hoje. E nem foi pelo calor porque estes cinco dias foram sempre frios e ventosos. Jessie J entregou-se e aproveitou a oportunidade para brilhar, simpática, comunicativa, conseguiu pôr toda a gente a dançar, inclusivé a actriz Daniela Ruah que viu o concerto na regie. Único ponto negativo foi ter seguido a onda de Robbie Williams e assassinar também «Wonderwall» dos Oasis, provavelmente a música mais abater por estes dias sem sabermos porquê. Bom aquecimento para Timberlake e muitos pontos ganhos.

 

Do lado oposto do recinto outra música reinava. Os Linda Martini deram seguimento à sua presença no palco principal ontem na homenagem a António Variações e hoje arrancaram para um concerto forte e seguro em nome próprio no palco Vodafone. O único contra foi não terem tido uma plateia maior e mais participativa. Deixaram bem a sua marca.

Coube aos ingleses Bombay Bicycle Club fechar o ciclo de concertos no palco secundário. Com o quarto disco acabado de editar tiveram boa recepção de um público conhecedor. Não chegou a ser tão intenso como na véspera com os Wild Beasts mas foi um bom concerto para encerrar as festividades no palco Vodafone.

 

O palco mundo abriu cedo com Kika a aquecer a plateia já bem composta. Depois João Pedro Pais veio desfilar os seus sucessos conhecidos e bem recebidos pelo público. Jorge Palma juntou-se à festa com canções clássicas e sem arriscarem um milímetro animaram o povo num fim de tarde ventoso mas com o sol a brilhar.

 

À hora de jantar aconteceu Mac Miller no Palco Mundo. Rap reciclado e um concerto que não conseguimos perceber. Aparentemente foi aprovado pelas filas dianteiras. E pensar que chegou a estar previsto um concerto de Nile Rodgers a esta hora...

 

Para fechar a escolha recaíu em Justin Timberlake e foi das opções mais acertadas da organização nestas seis edições de Rock in Rio Lisboa. Aconteceu um casamento perfeito entre público e artista. Este festival vive de concertos destes, cantores que tenham a todo o parque na mão, que faça dançar e cantar a multidão do principio ao fim, que a energia da plateia e que contagie tudo e todos.

O espectáculo que o ex ´N Sync trouxe é algo que encaixa na perfeição no conceito do festival. Uma grande banda, coros, dançarinos, tudo de alto nível e um artista completo a defender muito bem as músicas dos seus três discos. Justin deixou por momentos a carreira de actor para nos voltar a lembrar o quão bom performer é. E não foi só nos grandes êxitos que o povo reagiu. Todas as vinte e três canções foram acompanhadas em coro. 

 

Engraçado o momento em que aproveitou «Until the End of Time» para uns toques na «Dancing in the Dark» de Bruce Springsteen que esteve no recinto a assistir ao concerto. Também lembrou Jay-Z com uma versão de «Holy Grail», passou por Elvis Presley em «Heartbreak Hotel», homenageou Michael Jackson com «Human Nature» e guardou para o fim  «What Goes Around... Comes Around», «Suit & Tie» e já no encore «SexyBack» e «Mirrors».

Um espectáculo grandioso a que só faltou um pouco mais de volume na voz de Timberlake. 

 

Um final de festa perfeito com um dos grandes concertos destes dez anos de Rock in Rio em Lisboa. Daqui a dois anos há mais.

 

in Disco Digital

João Gonçalves

Rock In Rio, Dia 4: Arcade on fire

Ao quarto dia o Rock in Rio mudou de figurino musical e voltou-se para o alternativo. Desafiou um público pouco dado aos ares do Parque da Bela Vista e arriscou apresentar nomes que não costumam arrastar multidões da dimensão que o Festival pretende. Resultado: foi o dia de menor afluência ao recinto e muitos fãs de Arcade Fire «contrariados» num espaço que não apreciam. Para a história fica a grande revelação em palco chamada Lorde e novo bom concerto dos canadianos em Portugal.

 

Vale a pena voltar atrás no tempo para falarmos deste penúltimo dia de Rock in Rio. Quando foi anunciado o cabeça de cartaz para esta noite as reacções não se fizeram esperar nas redes sociais. A organização resolveu desafiar um publico que desdenha o conceito do festival e mostrar argumentos de peso aos outros grandes festivais locais que, com certeza, fariam as delicias dos seus frequentadores anunciando uns Arcade Fire.

 

O dilema estava instalado na comunidade de gosto musical mais alternativo, chamemos-lhe assim. Por outro lado os Arcade Fire já há muito que romperam as fronteiras do território indie dos tempos de «Funeral» editado em 2004. Não sendo propriamente uma banda mainstream já chegam a um público muito diversificado e a fama de darem excelentes concertos nunca foi defraudada nas anteriores passagens por cá, do Minho ao Meco sairam sempre com mais devotos.

 

A história desta passagem dos Arcade Fire por Lisboa começa na véspera com Win Butler a juntar o seu nome à lista de famosos que nas últimas semanas tem colocado Lisboa em estado graça aos olhos do mundo. O vocalista foi encontrado na noite lisboeta e rapidamente foi adoptado por um grupo de noctívagos que o levaram a meter discos no Incógnito, conhecida discoteca lisboeta. A empatia com os amigos locais foi tão grande que Butler convidou-os para a festa na Bela Vista com passes de backstage que deu direito a entrarem em palco desfilando com as cabeçudas figuras da banda, além de terem entrado em acção com uma introdução portuguesa feita por um dos companheiros da noite anterior. 

 

De tarde falámos com Pedro Alves, foi ele que teve a honra de anunciar a banda, que nos contou que só um acaso louco como este de acabar a conviver com uma das suas bandas preferidas o faria ir parar ao Rock in Rio onde nunca tinha estado tal como o grupo de amigos e amigas que estavam com ele a ver Wild Beasts. Não terão saído do recinto com má impressão do evento já que viram os Arcade Fire em grande forma.

A organização fala em 47 mil pessoas mas pareceram-nos menos. Nunca se circulou tão à vontade no parque e não foi nada complicado arranjar um bom local para ver os concertos no palco mundo. 

 

Entrámos no mês de Junho com os Arcade Fire a provarem todos os créditos que fazem deles uma das melhores bandas em palco. Actualmente é dificil dizer o nome de uma banda mais empolgante para ver ao vivo, obviamente tirando os grupos de nível lendário como os Rolling Stones. 

Os canadianos conquistaram o seu espaço com actuações energéticas onde mais de uma dezena de músicos se diverte entretendo o público, trocam de instrumentos, saltam de posição e vão construindo a cada disco que editam alinhamentos cada vez mais ricos e consistentes. Vão em crescendo sem nunca mostrarem fraquezas e ao mesmo tempo aparentam não ter muito mais ambições do que ser isto mesmo que vimos no Rock in Rio. Querem ser uma banda que garante um tempo bem passado a quem arrisca (o verbo desta vez faz mais sentido que nunca) ir vê-los, não querem ser a maior banda do mundo, com os melhores concertos de sempre. Não nos parece que queiram subir muito mais na escala. 

Claro que assinaram um dos melhores concertos desta edição do festival e adaptaram-se tão bem ao espaço como tinham feito em todas as passagens anteriores por Portugal. Não terão tido todos os seus devotos portugueses na plateia mas o público recebeu-os de braços abertos e gargantas afinadas, nem uma tocha acesa faltou! O alinhamento foi equilibrado revisitando «Funeral», «Neon Bible», «The Suburbs» até ao recente duplo álbum «Reflektor», tocaram 21 canções terminando em apoteose com «Wake Up». Ao som de «Here Comes The Nigh Time» houve os tais cabeçudos em palco, um deles era Lorde a quem também «roubaram» um pouco de «Royals» no arranque de «Normal Person».

 

Falemos agora de Lorde. Ella Marija Lani Yelich-O'Connor tem 17 anos, vem da Nova Zelândia e surpreendeu o mundo com o single «Royals». David Bowie viu nela um futuro brilhante, nas entregas de prémios mais famosos do mundo da música tem sido atracção e deixa-nos a todos na dúvida. Será só uma fugaz passagem pela fama, haverá vida além de «Royals». Pois as dúvidas foram dissipadas no Parque da Bela Vista. Lorde arrancou para um concerto surpreendentemente seguro e convincente. Defende «Pure Heroin» com garra, impõe a sua lei e arrebata toda a plateia para a sua causa. Uma das maiores revelações do Rock in Rio. O regresso ao nosso país não deve tardar.

 

Também os ingleses Wild Beasts aproveitaram da melhor maneira a convocatória e corresponderam com um belo concerto à maior enchente que vimos na zona do palco Vodafone. 

Antes já os portugueses Capitão Fausto tinham convencido uma plateia bem composta de que são um dos valores seguros da nossa música e provaram que este é um grande ano para eles. Disco bem recebido e concerto à altura. Estão bem lançados.

 

Um dos momentos mais aguardados desta 10ª edição do Rock in Rio envolvia músicos portugueses no palco principal a homenagearem António Variações. Começou muito bem com Gisela João a provar que é enorme em qualquer parte do mundo até na imensadão do palco mundo. «Quero é Viver», «Anjinho da Guarda» e «Adeus Que Me vou Embora», com a ajuda dos Linda Martini, foram os melhores momentos. Depois o factor surpresa nunca se deu bem com o factor emocional e as versões apresentadas pelos Linda Martini e Deolinda nunca chegaram a arrepiar. Mas foram interpretações interessantes quando comparadas com a chega ao palco de Rui Pregal da Cunha que chamou a si todo o protagonismo de uma projecto colectivo que pedia mais discrição e melhor voz. O Herói do Mar entusiasmou-se mas «Dar E Receber» ou «Erva Daninha» não mereciam ser mal tratadas daquela maneira. Ficou a boa intenção e os bons momentos de Gisela João e também Ana Bacalhau que se sentiu à vontade e cumpriu bem a sua parte em «O Corpo é que Paga» ou «É para amanhã».

 

Nest penúltimo dia ainda aconteceu uma estreia, Ed Sheeran tinha uma pequena legião de fãs nas primeiras filas que acolheram um cantor demasiado nervoso para tão grande cenário. Mostrou os seus singles radiofónicos, fez as delicias das jovens admiradores e não deixou marca no festival.

 

in Disco Digital

João Gonçalves

 

 

 

 

 

 

 

Rock in Rio, Dia 3: Rock? É mais bolos

Um dia depois da passagem dos lendários Rolling Stones, a sequência digna podia ter seguido com bom concerto rock dos Queens of The Stone Age mas o povo não deixou e só quis aclamar os Linkin Park num ritual só superado em mistério na vontade de serem alvejados para um DJ lançador de ... bolos! O povo é soberano mas nem sempre é sereno.

 

Num mundo perfeito um dia depois de um concerto histórico estaríamos a contemplar outra actuação que dignificasse o legado do rock ao som dos insuspeitos Queens of The Stone Age. Quase um ano depois de terem encerrado a digressão europeia com o melhor concerto do Super Bock Super Rock 2013, os QOTSA não quiseram estar mais oito anos ausentes e regressaram a Lisboa. Dizem-nos de Barcelona que a banda não veio sozinha já que carregou consigo uma imponente ressaca derivada da tequilha ingerida no rescaldo do concerto na véspera no Primavera Sound. Esta pode ser uma explicação para a postura de Josh Homme que nos pareceu bastante irónico no trato com o público e algo... ressacado. O que não tem explicação é o desprezo que vimos nas primeiras filas. Tentámos assistir ao concerto mais perto do palco mas o ambiente não ajudou. Pais e filhos menores prostrados, alguns até sentados (!!), indiferentes aos ânimos mais exaltados de alguns fãs que se agitavam sempre que o ritmo das guitarras subiam. Dizíamos que não tem explicação mas até tem. No tal mundo perfeito esta seria uma hora de rendição ao rock só que não estamos num mundo perfeito e o Mundo Melhor é composto por fãs incondicionais do nu metal dos Linkin Park. 

 

A juntar a este miserável (sob o ponto de vista dos fãs dos QOTSA, claro) quadro na plateia há que juntar um arranque morno de concerto devido a problemas no som, demasiado baixo e descontrolado, e , naturalmente, falta de entrosamento entre palco e plateia. Só «No One Knows» gerou algum consenso na recta final do concerto. 

Todos estes argumentos juntos resultaram no facto de Josh Homme ter dispensado a interpretação de «In My Head», prevista no alinhamento, e ter encurtado o tempo em palco. Uma oportunidade perdida de se elevar este regresso dos Queens of The Stone Age a patamares de elevados elogios mas o pessoal queria era Linkin Park.

 

Então e o que é que os californianos trouxeram de novo à Bela Vista após as passagens de 2008 e 2012 por este Parque? Nada de relevante. E nada que preocupasse os seus fãs. Algumas músicas novas do disco «The Hunting Party», a ser editado no próximo dia 17 de Junho e que não parecem trazer grandes novidades ao caminho palmilhado em nu metal que tão bons resultados tem dado ao parque de Chester Bennington e Mike Shinoda. Bastava puxar de um dos vários êxitos em qualquer um dos três actos em que dividiram o concerto e tínhamos as mais de 60 mil pessoas (68.000 segundo a organização) em êxtase de rolos luminosos na mão e cabeleiras vermelhas iluminadas ganhas nos patrocinadores. Há singles que já atravessaram três edições de Rock in Rio e surtem sempre o mesmo efeito, agradar a pais e filhos ao mesmo tempo. Quando já não existe praticamente nu metal os Linkin Park resistem com uma base de fãs desta dimensão. É um fenómeno. Não é rock in strictu sensu mas, lá está, estamos longe de um mundo perfeito. 

 

Até os nova-iorquinos Hercules and Love Affair soavam mais frescos na outra ponta do recinto na Aranha do espaço frio e ventoso da música electrónica. 

 

Na parte final os Linkin Park receberam a visita de Steve Aoki que acabou a mergulhar na multidão. Mais tarde viria a satisfazer os pedidos de muitos cartazes a pedirem «CAKE ME CAKE ME». No fim dos Linkin Park a maioria não abandonou o recinto e Aoki continuou a contar com plateia bem composta. No fundo, há muitos mais a unir estes dois nomes do que aquilo que os separa.

 

Nota ainda para o bom concerto que os brasileiros Capital Inicial deram no palco mundo no fim de tarde com um punk rock muito bem recebido pelas inúmeras bandeiras e camisolas do Brasil avistadas na plateia. 

 

Em sentido contrário soube a pouco a passagem de Blood Orange no palco Vodafone. O produtor de Sky Ferreira e Solange Knowles não foi brilhante na apresentação do interessante «Cupid Deluxe». Mais uma vez o ambiente desinteressado e mais concentrado em voltinhas na roda gigante e afins. A rever em contexto mais apropriado.

 

Desprezando uns Queens of The Stone Age e consagrando outra vez uns Linkin Park com mais do mesmo, assim continuou o Rock in Rio.

 

in Disco Digital

João Gonçalves

Rock in Rio Lisboa, Dia 2: Like a Boss

Quando a organização falava em festejar em grande o décimo aniversário do Rock in Rio Lisboa, estaria a pensar em algo grandioso mas nunca terá imaginado uma cimeira ao mais alto nível entre dois nomes que se confundem com a própria história do rock. Aconteceu com os Rolling Stones e Bruce Springsteen a cantarem «Tumbling Dice»!

 

O segundo dia do Rock in Rio, primeiro de quatro maratonas, viveu o momento mais alto não só do seu 10º aniversário como de toda a sua história em Lisboa. O concerto dos Rolling Stones foi glorioso e as surpresas fizeram a diferença. Que nos desculpem os Xutos & Pontapés que cumpriram o pleno de presenças no evento, Frankie Chavez que defendeu bem o seu novo álbum no palco Vodafone, Rui Veloso que juntou o brasileiro Lenine e Angélique Kidjo num momento marcante a cantarem «Sodade» de Cesária Évora. Que nos desculpem os norte americanos Triptides, Gary Clark Jr. e os portugueses Projecto Kaya mas o que perdurará no tempo será a passagem dos Rolling Stones pelo Parque da Bela Vista.

 

Poucas vezes o Rock do nome do evento fez tanto sentido como nesta noite. Se Keith Richards, Mick Jagger, Ron Wood e Charlie Watts não são o Rock em pessoa então ninguém mais será. Há dois anos quando Adam Levine cantava aqui «Moves Like Jagger» estávamos longe de imaginar que em breve teriamos o próprio Jagger a mexer-se no palco Mundo. 

 

À sexta visita a Portugal a dúvida do costume se levanta em surdina, continuarão eles capazes de aguentar ao vivo o seu próprio ritmo evitando apresentar uma imagem decadente, agora que Jagger, por exemplo, vai a caminho dos 71 anos ? 

Mais uma vez a resposta é a mesma de sempre: estão impecáveis! 

 

Cumprem um alinhamento que já era conhecido após o concerto de Oslo no inicio da semana que marcou o arranque da versão europeia desta digressão, Jagger continua um mestre de cerimónia irrequieto, com pedalada para percorrer os corredores do palco para os lados e para a frente no meio da plateia e os clássicos sucedem-se a velocidade vertiginosa que não damos pelo tempo passar entre «Jumping Jack Flash», «Wild Horses», «Honky Tonk Women», até «Brown Sugar».

 

Para quem viu passagens anteriores dos Stones por cá pode confirmar que a grande diferença para esta apresentação é que não tem tantos adereços como figuras insufláveis e maior aparato pirotécnico. Ironicamente foi hoje que achámos a banda mais unida, a tocarem mais perto uns dos outros e com os de satisfação de sempre de quem gosta mesmo do que faz. Jagger fez questão de falar muito com o público, arranhou o português, disse que Portugal poderia vencer a Copa batendo a Inglaterra na final e não se cansou de puxar pela plateia.

 

Houve Mick Taylor em palco em «Midnight Rambler». Houve Gary Clark Jr em «Respectable», houve Coro Ricercare de Lisboa em «You Can't Always Get What You Want» mas o que está a correr mundo neste momento é video e as imagens de Bruce Springsteen com Stones à quarta música da noite! Já se tinha comentado na imprensa durante o dia que o Boss estava por cá, a filha estuda em Lisboa, tal como Bryan Adams que jantou com Mick Jagger há duas noites, mas não deixou de ser a grande surpresa da noite e até de todo o festival.

 

Olhar para a imensa plateia, estiveram mais de noventa mil pessoas na Bela Vista, quando Jagger atravessa a passadeira vermelha em forma de língua andando por cima da multidão e ver a reacção eufórica da multidão é sempre emocionante. Bandeiras da Argentina, Espanha, Cuba, Grécia, além das mais óbvias portuguesas e brasileiras, dão um colorido especial ao cenário, assim como alguns cachecóis dos novos campeões europeus e nacionais de futebol. Mostra o quão diversificado é o público desta instituição do Rock. Também a diferença de idades é curiosa, vimos crianças ao colo e vimos muitos cabelos brancos. Verdadeiramente dos 8 ao 80, esta noite de Festival.

 

Mais do que os jantares mediáticos de Jagger por Lisboa, logo divulgados nas redes sociais, a aparição de Bruce Springsteen, dois anos após a sua coroação no mesmo palco, é que vai correr mundo. Desta vez é a imprensa estrangeira a contar a história de um reencontro em Lisboa entre dois nomes maiores da música Rock. A capital continua em grande. Os Rolling Stones parecem ser eternos e é deles o carimbo de qualidade e o selo de inesquecível nesta 10ª edição do Rock in Rio.

 

In Disco Digital

João Gonçalves

Rock In Rio, Dia 1: Reinou o sultão do swing

A 10ª edição do Rock in Rio Lisboa arrancou este domingo em Lisboa e o Parque da Bela Vista já registou uma grande afluência de público que aclamou Robbie Williams e a inevitável Ivete Sangalo.

(Foto: AgenciaZero.net )

 

O recinto não apresenta grandes surpresas para quem já conhece a Cidade do Rock de outros anos. Mudam os stands dos patrocinadores e os desafios radicais. Este ano a maior atracção é saltar de alturas consideráveis para um enorme colchão de ar. Todos os brindes são avidamente desejados, todas as filas fazem parte da decoração do festival.

 

Neste primeiro dia apesar de boa afluência de público a circulação no Parque fez-se sempre sem grande dificuldade. Longe, portanto, da grande enchente que se espera na próxima quinta feira. 

Era fácil identificar o público, metade brasileiros à espera de Ivete, quase metade (44% segundo a organização) para ver Robbie Williams e os restantes dividiam-se entre espanhóis em manga curta indiferentes ao (muito) frio que se fez sentir desde o final da tarde e famílias a circular em jeito de passeio na Feira Popular. Dos espanhóis podemos dizer que estavam visivelmente ressacados da grande noite futebolística mas entregues à cerveja mantinham genica e acenavam mostrando as duas mãos abertas lembrando a 10ª Liga dos Campeões.

 

O grande nome desta noite de abertura era Robbie Williams e a dúvida quanto à escolha de alinhamento manteve-se durante a tarde entre os mais atentos aos recentes concertos. Iria Robbie seguir à risca uma apresentação de clássicos da música norte americana ou escolhia um alinhamento diferente para o Rock inRio ? Seguiu pela última via e abriu com «Let me Entertain You». Não podia ser mais honesta a abertura. Robbie apresentou uma aula de como bem entreter o público. Valeu tudo! 

Impecavelmente vestido de smoking, comunicativo, imperial em palco dominando a plateia olhos nos olhos e acompanhado por uma excelente banda, Robbie tem a postura irreverente, provocatória e irónica que lhe permite recorrer a clássicos do Rock à Pop, a standards dos anos 30 até a êxitos dos nossos dias. Acima de tudo só Robbie tem lata para colar «Empire State of Mind» de Jay-Z e Alicia Keys com «New York, New York» em versão Sinatra londrino. Depois assalta os Blur e serve-se de «Song 2» com saltos e tudo, já depois de ter sacado «Wonderwall» aos Oasis com pose à Liam e recurso ao teleponto. Como vimos Noel na noite lisboeta na passada sexta feira esperamos que o Gallagher não tenha ficado cá para ver o Robbie e tenha regressado a casa após a final da Champions. Para bem de todos porque a versão foi muito fraquinha.

Entreter é o verbo que o ex-Take That leva à risca e sabe como agitar o povo, «Hit The Road Jack» e «Shout», que os Greenday também costumam revisitar, são irresistíveis. Até «Minnie The Moocher» vem à baila representando bem esta versão swing cada vez mais vincada no quarentão Williams. Robbie divertiu-sedivertindo tudo e todos, foi às filas da frente tirar selfies, distribuiu beijinhos, posou para fotos e despediu-se com «Feel» e «Angels». Se considerarmos o alto número de versões a que recorreu podemos considerar que houve batota mas se nos lembrarmos que o que interessa é entreter o povo aí Robbie saiu vencedor.

 

Não é fácil acontecerem grandes surpresas musicais no Rock in Rio mas a passagem de Paloma Faith foi uma revelação! Uma espécie de Barbie muito simpática dotada de bela voz e com gosto virado para a música Soul. Esforçou-se por falar português, explicou que estava adoentada mas não quis perder esta oportunidade e fez bem porque terá saído daqui com muitas pessoas interessadas em descobrir os seus três discos. Fez tudo bem, encantou com a sua banda e aproveitou bem esta passagem pelo Palco Mundo. 

Ponto em comum entre a loura Paloma e a loura Aurea chama-se Pharrel Williams. Ambas cantaram temas creditados pelo homem que não estando no cartaz está omnipresente no recinto com a sua voz a ser ouvida em muitos espaços de animação. 

«Can't Rely on You» foi a canção que Paloma Faith cantou enquanto Aurea, umas horas antes, terminava o seu concerto com Boss AC ao som de «Happy». Uma boa forma de coroar uma colaboração que correu muito bem com ambos a desfilarem as suas canções mais emblemáticas com grande aceitação da plateia. 

 

No palco Vodafone o colectivo Cais do Sodré Funk Conection desfilou groove com mestria e surpreendeu com uma versão de «Mãe Negra» de Paulo de Carvalho. Mais tarde Silva percebeu que os seus compatriotas só queriam saber de Ivete e que o seu público até era composto maioritariamente por portugueses que reconheceram alguns dos seus temas mais mediáticos. Bons momentos perto da roda gigante.

 

Depois da meia noite a festa ficou a cargo da madrinha do Rock in Rio. Ivete reinou como sempre, mostrou-se em boa forma e não se esqueceu de dar parabéns a Cristiano Ronaldo (mostrou uma camisola do Real de CR7) e Marcelo mostrando apreço pelo Real Madrid. Ela que amanhã, dia 27, também estará de parabéns pelo 42º aniversário, fechou com a adrenalina do costume este primeiro dia de Rock in Rio.

 

João Gonçalves in Disco Digital

Rock in Rio Lisboa - Dia 1: Horários

Palco Mundo  
Ivete Sangalo - 00h00
Robbie Williams Swings Both Ways - 22h00
Paloma Faith - 20h30
Boss AC e Aurea - 19h00

Palco Vodafone  
Silva - 20h00
Cais Sodré Funk Connection - 18h00
The Hound - 16h45

Eletrónica  
Pretty Lights - 3h00
DJ Ride - 01h45
Claptone - 00h45
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