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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Rock In Rio, dia 5: Por um mundo melhor

 

Davide Pinheiro e João Gonçalves - Disco Digital


A música ainda é capaz de motivar esperança e alento. O concerto de Bruce Springsteen foi um épico esmagador e agregador de energia que fica para a história de palcos portugueses.

 

Nunca a mensagem do Rock In Rio - «por um mundo melhor» - havia sido cumprida como no encerramento da edição deste ano. Bruce Springsteen, o «patrão do rock», justificou a enchente no recinto e a paciência de 81 mil espectadores que aguardaram até depois da meia-noite.

Foi um espectáculo de uma consensualidade esmagadora e inigualável no cardápio português recente. Na história do Rock In Rio, apenas a noite de Paul McCartney, em 2004, se assemelhou e, nesse caso, sem proporções tão grandiosas e imponentes, capazes de criar alento popular.

O final épico com «Born In The Usa», «Born To Run», «Glory Days» e «Dancing In The Dark» foi um momento histórico, digno de uma manifestação social que começou na Bela Vista e se irá certamente prolongar no YouTube e, por arrasto, nas redes sociais. Uma sequência das canções memóraveis na história do rock capazes de defender um festival inteiro.

Houve muito mais do que isso, contudo. «Twist and Shout» fechou um alinhamento de desafio permanente em que pedidos populares inesperados foram respondidos com improviso face à «equipa inicial» distribuída imprensa minutos antes de Springsteen e a E-Street Band voltarem a actuar em Lisboa quase vinte anos depois da estreia em Alvalade.

Canções «I´m On Fire» e «Hungry Heart» foram acrescentadas na hora sem que se notassem diferenças. Com a sua música transversal, o «Boss» foi capaz de transmitir uma mensagem unificadora de esperança em que o sonho americano alarga fronteiras e se expande a outras geografias.

Muitas vezes se duvida que as canções ainda tenham capacidade de mexer com o mundo; pois bem, Springsteen demonstrou que elas ainda são capazes de ter um impacto social e de nos fazerem reflectir sem que o carácter espectacular e grandioso se perca. Por todas as razões e mais alguma que se encontre nas próximas semanas, a madrugada de 4 de Junho vai perdurar na memória.

Apesar da vitória por maioria absoluta, o Palco Mundo não teve apenas um patrão. Imediatamente antes, os líderes incontestados do rock português – pelo menos de um ponto de vista histórico – voltaram a justificar a «residência» no festival com uma actuação eficaz embora sem surpresas.

 

Os Xutos & Pontapés não dão maus concertos e têm em «Circo de Feras», «Contentores» ou «A Minha Casinha» réplicas de rock de estádio com a força necessária para serem entoadas por uma vasta multidão. Há muito que não têm um clássico com essa dimensão mas essa é uma questão menor num festival generalista.

 

Já os Kaiser Chiefs regressaram ao Rock in Rio quatro anos depois e sem continuar a não conseguir fazer um êxito que faça esquecer o primeiro disco de 2005. Em compensação, o vocalista Ricky Wilson continua a oferecer momentos únicos a cada passagem por Portugal. Desta vez, fugiu do palco e correu colina acima até à torre do slide . Sem hesitar, fez a ligação aérea ao extremo posto do de microfone na mão perante o delírio e espanto da já vasta plateia. Já quanto à música continuam a viver dos tais êxitos de início de carreira.

 

Os James já têm um largo historial de concertos em Portugal, tendo chegado a ter os Radiohead a abrir um concerto no Restelo, mas nunca tinham pisado o palco do Rock in Rio. Tal como Bryan Adams, a escolha justifica-se plenamente pela excelente relação que sempre mantiveram com o público português e pela respeitável colecção de êxito. Foi sem esforço que Tim Booth e companhia conquistaram a atenção das cerca de 70 mil pessoas que já estavam no recinto pelas 21h00 e que fizeram deste regresso da banda a Lisboa uma enorme festa deixando visivelmente emocionado o vocalista. O momento de maior realce surgiu quando Saul Davies, guitarrista casado com uma portuguesa e até já viveu por cá, se expressou em bom português alertando para os graves problemas sociais que vivemos acabando a desejar boa sorte para o nosso futuro. Agradecemos as palavras e o concerto que nos fez lembrar que temos sempre a música para nos alegrar. Vídeo aqui.

 

No Palco Sunset o último dia de reencontros juntou Carminho e Pedro Luís, a jovem fadista confirmou a sua versatilidade e à vontade em registos fora do fado. Mas foi David Fonseca o responsável pela maior enchente daquele espaço. Juntamente com Mallu Magalhães desfilou os seus êxitos que ganharam muito com a voz quente da brasileira e nem os problemas de som que deixaram o palco mudo mais do que uma vez atrapalhou a bem sucedida reunião.

A festança rija chegaria com Rui Veloso e Erasmo Carlos num concerto de grande cavaqueira em que a experiência se casou com o entusiasmo. Músicos de excelência e canções intemporais fizeram o resto num repasto perfeito.

 

Rock In Rio, dia 4: No país das maravilhas de Stevie

Por: Davide Pinheiro e João Gonçalves - Disco Digital


Ao quarto dia fez-se história no Rock in Rio com a estreia bem sucedida em Portugal do lendário Stevie Wonder. A chuva ameaçou mas a Cidade do Rock manteve-se seca e festiva com o colorido regresso dos The Gift, a beleza incontornável de Joss Stone e o desfile de êxitos de Bryan Adams.

 

A tarde cinzenta e chuvosa ameaçava ensombrar o segundo sábado do Rock in Rio Lisboa 2012. Felizmente para as cerca de 70 mil pessoas que passaram pelo recinto o sol reapareceu risonho no fim de tarde abençoando o encontro entre os Amor Electro e o brasileiro Mosca, responsáveis por uma das maiores enchentes , senão mesmo a maior, no espaço do palco Sunset. Tudo graças à força desse <i>single</i> «A Máquina» deixado estrategicamente para o fecho do concerto.

 

Também a aproveitar a luz solar os The Gift, apresentaram-se em tons muito coloridos naquele que foi o concerto de regresso após uma pausa ditada pelo nascimento da criança de Sónia Tavares. Aproveitaram da melhor maneira a regalia de repetirem um palco principal do Rock in Rio, há um ano actuaram na edição do Brasil, e optaram por explorar os seus temas mais conhecidos e populares sem grandes riscos. A adesão da plateia foi reconfortante para a banda de Alcobaça que regressou assim da melhor maneira aos palcos.

 

Apesar das muitas bandeiras, cachecóis e camisolas com as cores de Portugal que circulavam no recinto, o descalabro que estava a acontecer no Estádio da Luz foi completamente ignorado na Bela Vista. O público preferiu, e bem, render-se à beleza e encanto de Joss Stone em vez de se preocupar com o penalti falhado de Ronaldo ou o auto golo de Pepe. Venceu claramente a inglesa de 25 anos que voltou a encantar no Palco Mundo tal como tinha acontecido há quatro anos. Descalça como sempre, hoje optou por um vestido comprido em vez do vestido curto vermelho que ainda hoje é recordado naquele espaço com saudade. Simpática e competente cantou durante uma hora não fugindo aos êxitos e arriscando mostrar algum material novo.

 

Ao fim de cinco minutos de concerto de Bryan Adams ocorre-nos a pergunta: como é que o canadiano não veio aqui há mais tempo. É que o homem tem a cara do Festival. Simpático, comunicativo e com uma impressionante colecção de mega êxitos que obriga os espectadores a cantarem do início ao fim do concerto, tal a facilidade com que as letras vêem à memória. Repetiu a rábula que fez há uns meses no Pavilhão Atlântico e escolheu uma rapariga da plateia para cantar o «When you're gone». Dessa vez não foi famosa a colaboração daí que desta feita tenha havido o cuidado de direccionar a sorte para Vanessa Silva, cantora e actriz com passagens por programas de televisão. Correu bem melhor do que no Pavilhão Atlântico.

Mais de uma hora depois, chegou aquele que todos queriam ver: Stevie Wonder. A lenda viva foi mais masta que blasta, e talvez tenha desiludido alguns milhares que abandonaram precocemente o recinto. Mas ninguém o pode atacar de não ter recordado as canções de maior potencial agregador, incluíndo o xaroposo«I Just Called To Say I Love You». Não terá sido o concerto da vida mas esteve lá a lenda, o virtuoso, o comunicador incansável e o músico inteligente que soube convocar a «Garota de Ipanema» para que se cantasse em português.

 

O início não terá sido brilhante com «Let You Love Come Down», «How Sweet Is» e «My Eyes Don´t Cry» a revelaram-se escolhas demasiado lentas até se chegar aos esperados «Master Blaster» e «Higher Ground». A partir daí, o alinhamento foi melhor doseado com homenagens a Michael Jackson, Bob Marley e Doors a retribuirem todo o amor que foi sendo prestado pelo público. Foi um espectáculo «de músico» em que a carga histórica engrandeceu o momento.Provavelmente, não o voltaremos a ver portanto é caso para dizer: quem esteve, esteve, quem não esteve…

Rock in Rio, dia 3: Os cinco no festival

 

Por: Davide Pinheiro e João Gonçalves - Disco Digital


No dia da grande invasão brasileira, o hino cantado foi o português. A festa foi feita pelas crianças, os Expensive Soul mostraram a sua vitalidade, a estreia dos Maroon 5 correu muito bem, Ivete Sangalo cumpriu a tradição e Lenny Kravitz perdeu-se em solos intermináveis.

 

Depois dos tons negro da primeira noite e da enchente da segunda, o Dia da Criança trouxe um colorido diferente ao recinto do Rock in Rio. Muitos foram os pais que festejaram a data na Bela Vista com os seus descendentes aos quais se juntaram muitos outros contemplados com convites de instituições como foi o caso da Fundação Luís Figo. Assistiu-se a uma louca correria à roda gigante, à montanha russa e a todas as atracções espalhadas pelo recinto.  

 

Já não é novidade para ninguém que este festival cativa o público pela vertente familiar do passeio pelo Parque e que termina com apostas seguras no palco principal de bandas que tenham canções com potencial orelhudo reconhecido por todos sem grande esforço. No entanto, os mais interessados tinham uma excelente oportunidade para ver em palco alguns bons exemplos de música que se anda a fazer por cá.

 

Infelizmente, as actuações dos doismileoito ou d´Os Velhos no palco Vodafone passaram despercebidas, tal como o concerto que juntou os Orelha Negra aos brasileiros Kassin e Hyldon no palco Sunset não conseguiu competir em adesão popular com as filas para brindes, prémios e carrosséis. Ainda assim, os Orelha Negra ainda conseguiram agitar a plateia quando recuperaram alguns êxitos dançáveis dos anos 90 dos Dee-Lite, MC Hammer e Snap! Com o muito aconselhável segundo disco editado há menos de duas semanas, o alinhamento variou entre novidades e canções do primeiro disco em ritmo muito dançável e apropriado ao cenário de fim de tarde.

 

Mais sorte teve Boss AC que com a ajuda da banda de Zé Ricardo atraíu muitos novatos já rendidos ao viral «Sexta Feira (Emprego Bom Já)» e fez render outros êxitos que, pela longevidade, ameaçam tornar-se clássicos como «Baza, Baza».

 

Em jeito de confirmação do outro lado do recinto, os Expensive Soul abriam o Palco Mundo com uma convincente actuação mostrando que o hip hop português está de boa saúde e já apresenta uma respeitável panóplia de êxitos reconhecidos por miúdos e graúdos. A banda de Leça da Palmeira aproveitou a boa onda que sabiamente construiu com a vasta plateia e em jeito de ensaio para a aventura que daqui a uma semana todos vamos viver na Ucrânia e Polónia com a nossa Selecção de futebol, arrancou o hino nacional cantado com convicção para surpresa da enorme mancha verde e amarela.

 

Rock in Rio sem Ivete Sangalo não é Rock in Rio. Ivete Sangalo sem «Poeira», não é concerto. A tradição cumpriu-se, Ivete cantou a canção que já é uma espécie de hino alternativo do evento, os seus compatriotas fizeram a festa do costume colorindo a plateia com camisolas e bandeiras não só da Canarinha como também dos principais clubes brasileiros. A surpresa aconteceu quando Ivete, ao piano, cantou «Easy» dos Commodores e popularizada pelos Faith no More. Pelo menos, foi diferente. 

 

Diferente, por ser uma estreia numa noite de repetentes, foi também o concerto dos Maroon 5. Há muito instalados no airplay das rádios e murais, a banda liderada por Adam Levine mostrou como é possível apresentar um espectáculo pop à americana, eficaz e próximo, sem ter que introduzir arquétipos tecnológicos. Apesar da«mancha no currículo» que é o embaraçante «Moves Like Jagger», canções como «This Love», «She Will Be Loved», «Wake Up Call» e «If I Never See Your Face Again» são a pop no seu maior equilíbrio.

 

Além de Levine ser um óptimo frontman, a banda é muito competente. Inventa dentro dos limites, abre-se ao virtuosismo só quando é estritamente necessário e deixa o vocalista brilhar, consciente de quem é a estrela da companhia. Foi o melhor da noite a pedir um regresso que será certamente tão aguardado quanto o foi este desvirginar em palcos portugueses oito anos depois de se terem revelado globalmente.

Por falar em virtuosismo, mas no pior sentido, Lenny Kravitz confirmou a curva descendente de uma carreira já longa e que está agora em erosão. Os óculos escuros, os solos intermináveis e a pose de estrela rock já não colam, sobretudo quando não há novas defesas. Das duas uma: ou Kravitz é mitómano e continua a viver mentalmente de rendimentos do passado - e já lá vão quase quinze anos desde «5» - ou não quer ver aquilo que toda a gente observou. Um abandono geral ao fim de pouco tempo.

 

Tal como os Smashing Pumpkins não justificaram ser a banda de fecho, também Lenny Kravitz demonstrou porque não fez falta a este cartaz. Ao cuidado da organização, não vale a pena insistir num nome que já não colhe consenso nem mediatismo nem é capaz de agregar multidões. Não que tenha mudado assim tanto mas este não é definitivamente o seu tempo e há quantos anos não têm um êxito global?

 

Na Tenda Electrónica, Dyed Soundorom foi discreto mas eficaz e ajudou a lançar uma festa concretizada por Jamie Jones e Maceo Plex em ambiente rave. Por aqui, tudo bem.

Rock in Rio Lisboa 2012: 2ª Volta

Palco Mundo 
Lenny Kravitz
Maroon 5
Ivete Sangalo
Expensive Soul

Palco Sunset
The Black Mamba + Tiago Bettencourt
Orelha Negra & Hyldon + Kassin
Boss AC & Zé Ricardo + Paula Lima + Shout
Orquestra Todos

Eletrónica
Jamie Jones
Maceo Plex Live
Dyed Soundorom
Kings of Swingers: Renato Rathier + Mau Mau
Magazino
José Belo + Zé Salvador

Rock In Rio, dia 2: Já levantou poeira

Foto: Rock in Rio
Texto Por: João Gonçalves


Noite de regressos e reencontros no Rock in Rio que despertaram a curiosidade de mais de 80 mil pessoas. O Parque da Bela Vista esteve cheio este sábado muito por culpa de uns Linkin Park que corresponderam às expectativas.

 

Por um dia, o Parque da Bela Vista fez lembrar a saudosa Feira Popular, sendo que além das tradicionais ofertas apresentava nomes de respeito para um fim de noite em beleza. A este apelo quiseram dizer presente mais de 80 mil pessoas, o dobro da véspera, que fizeram um«manguito»à austera Troika e investiram num bilhete para um sábado diferente.

 

A maioria não vem só pela música, esses são os poucos que entram e correm para a frente do palco principal não se importando com mais nada. A maior parte quer conhecer o recinto, ir atrás dos brindes, espreitar todas as zonas, ver e ser visto. Até ao pôr do sol, o ritual a que poucos fogem na zona mais alta do recinto passa por tentar levar para casa umas cristas rosas, uns sofás insufláveis, espreitar com inveja para a tenda VIP, aguardar em filas para brindes, andar na montanha russa e depois na roda gigante, descer a Rock Street, tirar fotos e fazer upload nas redes sociais. Este é o ritual de uma enorme multidão sempre em movimento até ao cair da noite.

 

Muitos aproveitaram e ficaram no palco Sunset onde uma aliança antiga agitava uma plateia rendida aos clássicos de Xutos & Pontapés e Titãs. Zé Pedro afirmou ser esta a verdadeira banda luso-brasileira e a reacção entusiasta do público deu-lhe razão. Os Xutos vão voltar ao recinto no palco principal mas este fim de tarde trouxe certamente um gozo diferente.

 

Um pouco mais abaixo, os portugueses Nobody's Bizness do alto do castiço coreto montado a meio da Street Rock atribuíam um genuíno sentido ao cenário de Nova Orleães. O seu desfile de blues não deixava ninguém indiferente à passagem e o resultado foi uma bonita plateia mutante indiferente aos sons dos outros palcos.

 

Com o cair da noite todas as atenções se viram para o palco principal. Desde logo se percebeu que a plateia era muito jovem com a guerra das T-shirts a ser ganha pelos Linkin Park, embora longe do consenso da véspera à volta dos Metallica. A dúvida estava em perceber se esta geração ainda reconhecia os êxitos de Limp Bizkit e The Offspring. 

 

A banda de Fred Durst teve uma surpreendente e calorosa recepção com o aparecimento de muitos fãs ávidos de recordar canções com mais de 12 anos! É estranho ver Fred Durst aos 41 anos a cantar «My Generation» mas a verdade é que resultou e pelos vistos o nu metal sobrevive. Ou então, acabou de entrar no retropolitano!

 

Os Offspring repetiram a receita de há quatro anos e apostaram tudo durante numa hora de concerto nos seus temas mais conhecidos que parecem ter virado clássicos do rock dos anos 90. A reacção efusiva da plateia a «Self Esteem» ou «Pretty Fly (For a White Guy)» foi impressionante. Os californianos perceberam que podem viver desses rendimentos e assumem o passado para garantir o presente. Teoricamente, vinham apresentar o novo álbum mas ninguém quis saber...

 

Quando os Linkin Park entram em palco percebe-se que são eles a razão daquela multidão que enche o vale em frente ao palco e sobe até lá bem ao fundo onde fica a tenda VIP. Apesar de terem um novo disco quase a sair, basearam o seu alinhamento em temas mais antigos desfilando todos os êxitos que o público queria ouvir. A química entre a banda e os fãs mantém-se intacta e intensa. Dois momentos que marcam este regresso a Portugal; uma breve, mas muito acertada, passagem por «Sabotage» dos Beastie Boys em jeito de tributo a Adam Yauch e a oferta de um cachecol do FC Porto ao vocalista Chester Bennington aquando da sua habitual visita às filas da frente que depois lhe valeu uma monumental assobiadela quando no regresso ao palco o mostrou. Perante este desagrado rapidamente Chester largou o cachecol e voltou à música. Acabaram em grande com «Papercut» e «One Step Closer».

 

A debandada que se verificou após a saída de cena de Mike Shinoda e companheiros não deixava dúvidas quanto aos vencedores da noite. Mesmo porque Billy Corgan fez questão de dar razão a quem virava costas ao recinto antes e durante a actuação dos renovados Smashing Pumpkins.

 

Um dia. Corgan afirmou que nunca iria viver dos rendimentos dos discos antigos da banda. Hoje ouviram-se várias dessas canções e percebe-se que o líder e único elemento original dos Smashing Pumpkins acabou por ceder mas fá-lo de maneira contrariada, desmotivada e em contornos de frete. Quem os viu em Cascais em 1996 não merece esta tortura! Não mereceram fechar a noite como cabeças de cartaz.

 

Fim do primeiro acto do Rock in Rio Lisboa 2012. Ivete Sangalo ainda não chegou mas já se levanta muita poeira no Parque da Bela Vista.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

Rock In Rio, dia 1: Homens de Negro

Foto: Rock in Rio
Texto por: Davide Pinheiro e João Gonçalves

 


O Rock in Rio Lisboa 2012 abriu em tons de negro cumprindo a regra de dedicar um dia à única tribo resistente: a do metal. Os Metallica foram reis incontestados de uma noite sem surpresas.

 

No Parque da Bela Vista, o negro dominante nada tem a ver com as perspectivas que se afiguram para a Grécia e, por ricochete, para Portugal e até Europa: as inúmeras camisolas dos Metallica voltaram a invadir o recinto demonstrando a fidelidade dos adeptos da música pesada. Mas ainda antes da invasão do peso, foi possível observar uma recriação das casas de Nova Orleães onde cada prédio apresenta o seu negócio: da comida de autor até a eventos de venda de perfumes, discos, roupa, chocolates, e até testátuas humanas ao lado de um ilusionista. Nesta rua, um coreto recebeu bandas como os Melech Mechaya que trouxeram cor com ritmos klezmer a provocar rodas de dança na plateia. Bem cedo, a mancha negra a dissipar-se em contraste com o ambiente do palco Sunset.

 

Também a destoar dos tons da estação, o escritor Valter Hugo Mãe (agora maíusculo), surgiu vestido de branco, ao lado dos Mão Morta no primeiro concerto desta edição do evento. Uma alteração no alinhamento do cartaz que apanhou muita gente de surpresa impossibilitada de ver o encontro entre os bracarenses e os «irmãos» Mundo Cão e Governo. Apesar disso, o palco esteve sempre muito concorrido e atingiu o auge quando os alemães Kreator tomaram conta do palco desfilando clássicos da sua discografia e recebendo o convidado Andreas Kisser, guitarrista dos Sepultura.

No palco maior, os Sepultura surpreenderam com a colaboração dos franceses Tambours do Bronx que com as suas brutas batucadas conseguiram dar uma nova vida em palco a canções que têm na sua raíz esta força tribal como é o caso de «Roots Bloody Roots» e até dos clássicos «Refuse/Resist» ou «Territory».

 

Os Mastodon confirmaram a sua pujança em torno do seu mais recente disco e à semelhança do que fizeram há poucos meses no Coliseu de Lisboa focaram-se em temas mais recentes em vez de recuperar o passado. Convenceram o seu público e terão ganho mais uns quantos entre os mais conservadores fãs de Metallica.

 

Seguiu-se outra confirmação mas em sentido contrário. O regresso dos Evanescence foi tão escusado quanto aborrecido. Este metal romântico já não faz sentido mas Amy Lee finge que não se passaram uns bons anos desde a última vez que esteve no festival. Uns bons quilos depois, Amy já não entusiasma ninguém nem com o êxitos de lágrima fácil como «Bring me to Life» que mereceu um esclarecedor comentário de um fã de Metallica : «Ah, eram estes que tocavam isto?!». Pois...

 

O tempo foi castigador para Amy e a sua trupe mas pelos Metallica passa muito suavemente. Em mais uma celebração de rock pesado, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo voltaram a cumprir a sua função e percorreram o famoso «Black Album» sem se encerrarem naquele que foi o disco responsável pela aproximação entre o metal e os refrões.

Canções desse álbum como «Enter Sandman», «Sad But True» e «The Unforgiven» continuam a arrepiar mas, verdadeiramente, o concerto dos Metallica só diferiu de outros em Lisboa pela adrenalina da primeira parte do alinhamento. De resto, revisitou uma carreira de grande fôlego em que o passado é cada vez mais pesado que o presente. 

«Enter Sandman» voltou a motivar fogo-de-artifício; «One» foi guardada para o encore e «Seek and Destroy» encerrou um espectáculo que foi perdendo todos aqueles que dependiam de transportes públicos.

 

Ou seja, no palco principal nenhumas dúvida quanto à eficiência dos Metallica, os responsáveis pela presença de 42 mil pessoas, poucas quanto à prestação dos Mastodon, algumas sobre os Sepultura e muitas quanto ao regresso de Evanescence.

 

P.S. Nota negativa para a ausência de comunicação na alteração dos horários dos concertos de Mão Morta com Pedro Laginha, Mundo Cão e Governo, e Mastodon. Nota muito negativa para o Metropolitano de Lisboa que após não ter prolongado o serviço até às 04h30 voltou a falhar ao encerrar a estação de Chelas antes das 01h30 previstas. Uma questão a resolver urgentemente.


Rock in Rio: Concertos do Palco Principal em Directo no Sapo

 

Os concertos do palco principal do Rock in Rio vão ser transmitidos em directo  em dois sítios, no Sapo http://rockinriolisboa.sapo.pt/   e em http://www.youtube.com/rockinrio

 

 

Na próxima segunda feira serão disponibilizados os quatro concertos de hoje e de amanhã no sítio do Sapo vídeos http://videos.sapo.pt/rockinrio

 

As transmissões são exclusivas para Portugal.

Rock in Rio começa hoje com os Metallica

O Rock in Rio regressa hoje ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, onde se farão ouvir os sons do heavy metal e rock pesado, com os Metallica, Mastodon, Mão Morta ou Ramp.

 

É a quinta vez que Lisboa acolhe o festival de música, criado pelo empresário brasileiro Roberto Medina, e o arranque é feito com os Metallica, que regressam ao Rock in Rio depois das edições de 2004 e 2008.

O grupo de James Hetfield e Lars Ulrich deverá interpretar na íntegra o álbum «Metallica», também conhecido como«The Black Album», editado em 1991, e que inclui alguns dos temas mais conhecidos, como«Sad but True»,«Enter Sandman»,«Nothing Else Matters»e«The Unforgiven».

Os Metallica, que estão a preparar um filme em 3D, serão os últimos a subir hoje ao Palco Mundo, depois das atuações dos Mastodon, Evanescence e dos brasileiros Sepultura, que se apresentam com os Tambours du Bronx.

 

As portas do recinto abrem às 16:00, hora a que começam as primeiras actuações na Rock Street, um dos novos espaços do recinto, no qual é recriada uma rua de Nova Orleães, nos Estados Unidos.

No palco Sunset, os primeiros a actuar, às 17:00, são os portugueses Ramp e Teratron, seguindo-se os Mão Morta com Pedro Laginha, dos Mundo Cão, e de Kreator com Andreas Kisser.

 

Na área da música eletrónica, entre os convidados estão o DJ holandês Johnny Deff, a dupla inglesa Chase & Status e os portugueses Tha Lovely Bastards, com Mad Mac e o actor Nuno Lopes.

A par destes palcos haverá ainda curtas actuações num espaço da Vodafone, contando hoje, por exemplo, com Miss Lava e Bisonte, rock e metal nacionais.

 

O Rock in Rio Lisboa prossegue no sábado e na próxima semana, entre os dias 1 e 3 de junho.

Entre os cabeças de cartaz dos restantes dias estão Smashing Pumpkins, Linkin Park, Lenny Kravitz, Stevie Wonder, Bryan Adams, Bruce Springsteen e Xutos & Pontapés.

 

O recinto, arborizado e com um anfiteatro natural, tem capacidade para cerca de 90 mil pessoas.

A organização sugere o uso de transportes públicos para aceder ao recinto, existindo um plano alargado de horários, uma vez que as portas do recinto fecham às 04:00, e as avenidas de acesso ao local estarão com trânsito condicionado.

De acordo com a autarquia, o trânsito estará cortado nas avenidas Dr. Arlindo Vicente, José Régio, Marechal António de Spínola, e estará condicionado, exceto para moradores e transportes públicos, nas ruas João Palma Ferreira, Luísa Neto Jorge, Pedro Cruz, Ferreira de Castro, Ricardo Ornelas, Rui Grácio e avenida Francisco Salgado Zenha.

 

No parque da Bela Vista está instalado um centro médico e um posto de saúde, e a organização aconselha o consumo de água, roupa adequada às temperaturas e calçado confortável, porque a maioria das ocorrências, em anos anteriores, relacionaram-se com desidratação, entorses e excesso de álcool.

 

De acordo com o Instituto de Meteorologia, as temperaturas em Lisboa oscilarão entre os 15 e os 23 graus.

 

 

Diário Digital com Lusa

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