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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

As Minhas 5 Vezes Com os Queens of the Stone Age

 

Uma das minhas bandas preferidas nos últimos 20 anos são os Queens of the Stone Age. Tudo começou em fins dos anos 90 com a descoberta do disco de estreia e foi sempre em crescendo até à euforia vivida com "Songs for The Deaf" de 2002. É aí que começa uma longa história de encontros com o grupo de Josh Homme ao vivo.

A 24 de Novembro de 2002 a ansiedade para os ver em palco era tanta que valeu uma viagem à baixa do Porto para estar no Teatro Sá da Bandeira. O dilema até lá era trocar um jogo oficial do Benfica na Luz por um concerto. Coisa raríssima na minha vida. Basta lembrar que troquei os Nirvana em Cascais por um Benfica - Porto. Ao menos o Benfica ganhou. Desta vez troquei o jogo com o Gondomar pelo concerto. Nem é preciso mais comentários.

 

Este primeiro concerto calhou num domingo à noite o que aumenta o drama com uma viagem de regresso a Lisboa no fim em véspera de trabalho. Os 20 temas que apresentaram em alta rotação e com o som no máximo atravessaram o disco de estreia, o excelente "Rated R" e o recém editado disco da capa vermelha. Uma avalanche sonora que quem assistiu jamais esquecerá. Começaram com "Avon" e terminaram com "Gonna Leave You" já em 2º encore. Foi tão bom que na viagem de regresso só pensava que tinha de arranjar maneira de voltar a ver aquilo.

 

Dia 25 de Novembro de 2002, segunda feira, os Queens of the Stone tinham a 2ª data em Portugal marcada para o Paradise Garage em Lisboa. Estava esgotado. Por sorte ao fim da tarde recebi um telefonema de um amigo que ficou com um bilhete a mais. Nem hesitei e lá fui para nova dose de Rock comandada por Josh e Oliveri. Tão bom como na véspera mas já sem o efeito novidade a funcionar. Tinha encontrado ali uma banda para venerar por muitos e bons anos.

 

Entretanto, os QOTSA já tinha começada uma história de cumplicidade com o Minho. em 2001 tinham actuado em Paredes de Coura e 2003 voltaram lá. Não estive em nenhum. Mas em 2005 não os deixem escapar e decidi no próprio dia do concerto que não podia faltar ao reencontro com eles. Saí de Lisboa directo a Paredes de Coura sozinho de carro. A audácia foi compensada com um estranho concerto dos Roots, um belo concerto de Pixies e o tal concerto de sonho dos Arcade Fire que entraram no meu radar nessa tarde. O concerto dos Queens voltou a encher-me as medidas.  Foram 16 temas a começar em "Someone's in the Wolf" e com um final apoteótico ao som de "No One Knows". 

 

Três concertos em 3 anos não deixavam adivinhar uma espera de 8 anos até ao reencontro. Mas foi o que aconteceu. Só no ano passado no Meco já com mais dois discos editados, "Era Vulgaris" e " ... Like Clockwork" Portugal voltou a receber os QOTSA. Foi no Festival Super Rock Super Bock e acabou por ser o melhor concerto da edição de 2013 no Meco. No entanto o melhor concerto do SBSR não chegou para superar as memórias dos 3 encontros anteriores. A fasquia tinha ficado muito alta.

 

Nem um ano depois voltei a ver Josh Homme e companheiros, já longe dos tempos de Nick Oliveri e Lanegan em palco, e confirmou-se que as melhores recordações dos QOTSA ao vivo vão ficar ligadas ao inicio da década passada. Foi o menos entusiasmante dos cinco que vi.

Serão sempre os Queens of the Stone Age uma banda que me levará a ir vê-los ao vivo sempre que puder mas já não acredito que superem as expectativas.

 

Rock in Rio, Dia 3: Rock? É mais bolos

Um dia depois da passagem dos lendários Rolling Stones, a sequência digna podia ter seguido com bom concerto rock dos Queens of The Stone Age mas o povo não deixou e só quis aclamar os Linkin Park num ritual só superado em mistério na vontade de serem alvejados para um DJ lançador de ... bolos! O povo é soberano mas nem sempre é sereno.

 

Num mundo perfeito um dia depois de um concerto histórico estaríamos a contemplar outra actuação que dignificasse o legado do rock ao som dos insuspeitos Queens of The Stone Age. Quase um ano depois de terem encerrado a digressão europeia com o melhor concerto do Super Bock Super Rock 2013, os QOTSA não quiseram estar mais oito anos ausentes e regressaram a Lisboa. Dizem-nos de Barcelona que a banda não veio sozinha já que carregou consigo uma imponente ressaca derivada da tequilha ingerida no rescaldo do concerto na véspera no Primavera Sound. Esta pode ser uma explicação para a postura de Josh Homme que nos pareceu bastante irónico no trato com o público e algo... ressacado. O que não tem explicação é o desprezo que vimos nas primeiras filas. Tentámos assistir ao concerto mais perto do palco mas o ambiente não ajudou. Pais e filhos menores prostrados, alguns até sentados (!!), indiferentes aos ânimos mais exaltados de alguns fãs que se agitavam sempre que o ritmo das guitarras subiam. Dizíamos que não tem explicação mas até tem. No tal mundo perfeito esta seria uma hora de rendição ao rock só que não estamos num mundo perfeito e o Mundo Melhor é composto por fãs incondicionais do nu metal dos Linkin Park. 

 

A juntar a este miserável (sob o ponto de vista dos fãs dos QOTSA, claro) quadro na plateia há que juntar um arranque morno de concerto devido a problemas no som, demasiado baixo e descontrolado, e , naturalmente, falta de entrosamento entre palco e plateia. Só «No One Knows» gerou algum consenso na recta final do concerto. 

Todos estes argumentos juntos resultaram no facto de Josh Homme ter dispensado a interpretação de «In My Head», prevista no alinhamento, e ter encurtado o tempo em palco. Uma oportunidade perdida de se elevar este regresso dos Queens of The Stone Age a patamares de elevados elogios mas o pessoal queria era Linkin Park.

 

Então e o que é que os californianos trouxeram de novo à Bela Vista após as passagens de 2008 e 2012 por este Parque? Nada de relevante. E nada que preocupasse os seus fãs. Algumas músicas novas do disco «The Hunting Party», a ser editado no próximo dia 17 de Junho e que não parecem trazer grandes novidades ao caminho palmilhado em nu metal que tão bons resultados tem dado ao parque de Chester Bennington e Mike Shinoda. Bastava puxar de um dos vários êxitos em qualquer um dos três actos em que dividiram o concerto e tínhamos as mais de 60 mil pessoas (68.000 segundo a organização) em êxtase de rolos luminosos na mão e cabeleiras vermelhas iluminadas ganhas nos patrocinadores. Há singles que já atravessaram três edições de Rock in Rio e surtem sempre o mesmo efeito, agradar a pais e filhos ao mesmo tempo. Quando já não existe praticamente nu metal os Linkin Park resistem com uma base de fãs desta dimensão. É um fenómeno. Não é rock in strictu sensu mas, lá está, estamos longe de um mundo perfeito. 

 

Até os nova-iorquinos Hercules and Love Affair soavam mais frescos na outra ponta do recinto na Aranha do espaço frio e ventoso da música electrónica. 

 

Na parte final os Linkin Park receberam a visita de Steve Aoki que acabou a mergulhar na multidão. Mais tarde viria a satisfazer os pedidos de muitos cartazes a pedirem «CAKE ME CAKE ME». No fim dos Linkin Park a maioria não abandonou o recinto e Aoki continuou a contar com plateia bem composta. No fundo, há muitos mais a unir estes dois nomes do que aquilo que os separa.

 

Nota ainda para o bom concerto que os brasileiros Capital Inicial deram no palco mundo no fim de tarde com um punk rock muito bem recebido pelas inúmeras bandeiras e camisolas do Brasil avistadas na plateia. 

 

Em sentido contrário soube a pouco a passagem de Blood Orange no palco Vodafone. O produtor de Sky Ferreira e Solange Knowles não foi brilhante na apresentação do interessante «Cupid Deluxe». Mais uma vez o ambiente desinteressado e mais concentrado em voltinhas na roda gigante e afins. A rever em contexto mais apropriado.

 

Desprezando uns Queens of The Stone Age e consagrando outra vez uns Linkin Park com mais do mesmo, assim continuou o Rock in Rio.

 

in Disco Digital

João Gonçalves

Festival Super Rock Super Bock, Dia 3: Josh, o Homem da noite

 

O melhor ficou guardado para o fim, à terceira noite de festival fez-se história no palco principal com a aparição de uma hora e meia dos Queens of The Stone Age a justificar plenamente a maior enchente desta edição do Meco. Depois disto tudo o resto passou para segundo plano.

O esforço da organização do Festival Super Rock Super Bock em melhorar as condições do recinto e respectivos acessos tinha hoje uma prova de fogo com a presença de uma banda de primeira divisão do rock mundial. Em relação a edições anteriores podemos afirmar que há melhorias à vista tanto no recinto com uma arrumação mais prática na zona em frente ao palco principal, como nos acessos bem concorridos mas sempre fluidos em termos de trânsito. Importantes melhorias que reconquistam a confiança do público que pondera ir ver a sua banda favorita a tão deslocado recinto.

 

Desde cedo que se notou que a última noite ia ser a mais concorrida, não só pelo número alto de T-shirts dos homens que encerravam o palco principal como também pela quantidade de grupos de amigos já sentados ao longo da encosta à espera de acção.

Ao fim de uns dias nesta vida de festivais há a tendência natural para nos desviarmos do óbvio enquanto tentamos apanhar um pouco de tudo o que se passa nos vários palcos e estarmos atentos ao ambiente de cada dia. O óbvio é que há bandas capazes de só por si garantirem o sucesso de uma noite de festival. Os Queens of the Stone Age são uma dessas raras bandas que , pela sua qualidade, conseguem arrastar multidões em busca do riff perfeito.

 

Já estávamos em pleno domingo quando Josh Homme abriu as hostilidades com um arranque que contemplou só «No One Knows» e «My God is The Sun» entre as três primeiras canções. Demolidor

Finalmente vimos a plateia do Meco realmente possuída pelo vírus diabólico do Rock, Josh Homme tinha aqueles milhares todos na mão e todos queriam lhe mostrar carinho e apreço. Uma ligação que resultou num concerto explosivo com a banda em palco a mostrar uma muito boa forma, mesmo que este fosse o último concerto da digressão. As saudades eram muitas de parte a parte, oito anos sem um concerto de Queens of The Stone Age em Portugal até devia ser proibido! O alinhamento foi muito forte e contemplou praticamente  o melhor de cada disco não dando tréguas às incansáveis filas da frente onde , orgulhosamente, assistimos ao concerto.

Josh Homme lidera a sua banda com um carisma cada vez mais raro no rock, tem a pose certa, as falas enquadradas e respira rock por todos os poros e guitarra. Olha para a imensa e mexida plateia com ar satisfeito e parece genuinamente confortável com nova recepção entusiástica do público português.

Não há momentos menos bons no concerto, é tudo óptimo, as canções, as sequências, a entrega, o som e a energia trocada entre palco e plateia fazem deste concerto um dos melhores desta série Super Rock no Meco. Aquela recta final com «I Think I Lost My Headache», «The Lost Art of keeping a secret», «Feel Good Hit of the Summer», «Go With Flow» e «A Song For the Dead» com que se despediram, sem direito a encore, vai ficar na cabeça de muitos milhares de fãs durante muito tempo. O ideal seria trazer o grupo o mais rapidamente possível, não queremos pensar em nova espera de oito anos. De longe o melhor concerto do palco principal desta edição do Super Rock e um dos melhores de sempre ali realizados.

 

Perante tamanho acontecimento torna-se complicado destacar mais concertos desta última noite mas há notas dignas de registo.

Desde logo o surpreendente arranque do Palco EDP ao fim da tarde com os Tara Perdida que gozam de uma vitalidade comovente. Conseguiram a maior enchente destes três dias naquele espaço. Ouvimos o organizador do evento falar em pessoas nas árvores e neste concerto isso aconteceu!

 

Os também portugueses Miss Lava impuseram o seu rock pesado no palco principal e assumiram-me como fãs dos QOTSA enquanto aproveitavam para agarrar a oportunidade de alargar a base de fãs. Outra passagem positiva pelo Festival em português foi da responsabilidade dos Sam Alone and TheGrave Diggers na tenda do palco Antena 3@Meco.

 

Ninguém conseguiu perceber muito bem o que cá vieram fazer os norte irlandeses Ash, mortos e enterrados no séculos passado. O blues de Gary Clark Jr. merece uma nova oportunidade em espaço mais pequeno e em nome próprio, no Meco convenceu mas sofreu da ansiedade instalada em toda a plateia para o concerto seguinte.

 

No palco EDP os We Are Scientists deram um concerto mais divertido do que interessante e os !!! vieram da California para inaugurar aqui a digressão europeia onde vão mostrar o novo disco «Thr!!!er». O vocalista Nic Offer voltou a ser o rei em cuecas, ou calções de banho, conseguindo aguentar um considerável numero de fãs mesmo que nos fique a ideia que o balão criativo e original da banda se esteja a apagar neste novo disco.

 

Como as últimas impressões são aquelas que permanecem mais na memória imediata não há dúvidas em afirmar que o Super Rock Super Bock fechou em grande com o recital dos Queens of The Stone Age. Memorável.

Até para o ano Meco.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

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