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Grandes Sons

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Grandes Sons

Vodafone Mexefest, dia 2: Welcome to the Django


Traçámos um trajecto ambicioso para esta segunda noite de Festival e o resultado foi uma maratona recompensadora de boa e variada música em espaços tão diferentes como o terraço do Hotel Avenida, a Igreja de São Luís dos Franceses ou o clássico espaço do Tivoli Forum. Bandas portuguesas em bom plano, algumas revelações, a confirmação de Michael Kiwanuka e a consagração dos Django Django.

Muito do sucesso pessoal na experiência de uma noite do Mexefest passa por um bom trabalho de casa a planear o que se quer ver e na disposição de mobilidade entre o Rossio e o eixo Cinema São Jorge - Tivoli Forum. No factor mobilidade há que elogiar a imensa ajuda que as muitas carrinhas que a organização pôs a circular na Avenida serviram a missão de correr os vários espaços. Recorremos várias vezes a estas boleias.

 

A noite na baixa lisboeta está muito bonita, viva e concorrida. Há luzes de natal a enfeitar a Praça D. Pedro V e o largo da Ginjinha a servirem de cenário a muitas conversas entre festivaleiros que escolheram jantar por ali na zona dos famosos frangos assados e das bifanas dos pequenos tascos característicos. Foi dali que começámos a viagem.

 

A Igreja de São Luís dos Franceses encheu-se para receber Aldina Duarte e Júlio Resende. A fadista ao fim da primeira canção quebra o gelo confessando que mesmo que não tivesse aparecido ninguém cantaria na mesma porque era um sonho de sempre actuar numa Igreja. A voz do fado acompanhada com piano resulta em momentos mágicos naquele espaço sagrado. São estes concertos que fazem do Vodafone Mexefeste um festival tão especial.

 

Ali ao lado na Casa do Alentejo um salão bem composto festejava o rock blues da Nicotine´s Orchestra que trouxe um pouco do bom ambiente do Barreiro Rocks a Lisboa. Ia animado o concerto liderado pelo carismático Nick Nicotine mas tivemos de subir apressadamente a Avenida da Liberdade para ver um dos cabeças de cartaz.

 

Michael Kinawuka regressava a Portugal depois da passagem por Oeiras em Julho, daí não ter estranhado a enchente na sala que tradicionalmente acolhe os principais concertos do Mexefest. Foi um concerto ganho à partida com o público rendido ao disco «Home Again», uma das grandes revelações do ano na área da soul. O músico britânico de 24 anos roda seguramente as canções do álbum e enche a sala com a sua voz quente. Passa por «May this Be Love» de Jimi Hendrix, uma das suas maiores influências, com distinção. A missão é cumprida sem grande esforço e com alguns prolongamentos instrumentais desnecessários.

 

Nova descida para conhecer ao vivo o muito promissor novo projecto de João Branco Kyron (Hipnótica). Os Beautify Junkyards chegaram-nos ao ouvido há uns meses via BBC6 Radio e é em terras britânicas que têm tido maior atenção com a editora independente Fruits de Mer a apostar neles. Apresentaram-se no terraço do Hotel Altis da Avenida num espaço intimista e com uma vista deslumbrante para a Praça dos Restauradores. Confirmaram as excelentes indicações deixadas no EP já conhecido e apesar de não terem uma multidão à espera contaram com a ilustre presença da filha do Presidente da República na plateia.

 

Após esta boa descoberta atravessámos a rua para medirmos a pulsação à recta final do concerto dos Batida na Estação Vodafone FM no Rossio. Festa total, público a mexer contagiado com o ritmo africano bem recortado e ilustrado no palco onde desfilaram vários convidados como Dama Bete em grande forma. O final mais que perfeito com «Alegria» foi irresistível e atrasou a nossa partida para o outro grande acontecimento do Festival.

 

Recorrendo à boleia da carrinha Vodafone rapidamente subimos para o Tivoli ainda com o som de Batida na cabeça. Uma impressionante fila à porta confirmava que ia começar a banda mais esperada da noite. Sala completamente cheia com grande ambiente, tarefa facilitada para o quarteto escocês que aproveitou para arrasar. Os Django Django editaram outro dos grandes discos do ano, por isso 24 horas depois de vermos ali os Alt-J é um privilégio testemunharmos a explosão sonora da banda de Edimburgo ao vivo. Tudo o que o que descobrimos no álbum homónimo é reproduzido em palco. Das batidas orientais ao rock mais básico, as variações rítmicas sucedem-se em poses quase tribais. Só não entendemos esta obsessão tão portuguesa de puxar pelas palmas a tentar acompanhar batidas impossíveis. Como alguém desabafava no Twitter: «demoraram 10 segundos a aparecer a porra das palminhas». Foi uma demonstração de força e talento confirmando que em «Django Django» moram as sugestões musicais mais estimulantes de 2012. Tal como na véspera com os Alt-J, este foi um concerto na hora certa.

 

Recuperados da estrondosa passagem dos Django Django decidimos descer novamente à estação do Rossio para rever os The Very Best. Escolha acertada já que voltámos a encontrar os ritmos africanos à solta. Quentes ao ponto de estarem de t-shirt e até em tronco nú esta junção Londres - Malawi resulta muito bem em concerto e eleva «MTMTMK», o disco editado este ano, a um nível superior. A entrega e simpatia do grupo destacou-se ainda mais com os elogios que deixaram aos Batida.

 

Nova corrida até ao cinema São Jorge para vermos um pouco dos Efterklang de quem ouvimos vários elogios ao longo da noite de um público cada vez mais atento e informado. A sala estava cheia e confirmou-se que os dinamarqueses têm por cá uma interessante legião de fãs. Foi o concerto mais morno que assistimos mas não podemos dizer que tenha sido uma desilusão. Registámos bons momentos instrumentais e canções em crescendo bem conseguidas. A plateia adorou e acabou de pé a celebrar as músicas do colectivo de Copenhaga.

 

A festa continuou no Ritz Club com Moodymann e no Cabaret Maxime com artistas da editora Enchufada.

O conceito do Vodafone Mexeste está mais que aprovado, duas noites em que a baixa lisboeta ganha ainda mais vida com a circulação de cerca de 10 mil pessoas atentas às novidades musicais e que se despedem dos concertos de 2012 da melhor maneira. Balanço muito positivo com as passagens de Alt-Je Django Django a contarem directamente para o topo das listas de melhores concertos do ano.

 

T: João Gonçalves

in Disco Digital

Michael Kiwanuka, Django Django e The 2 Bears no Vodafone Mexefest

O festival de música Vodafone Mexefest regressa a Lisboa, nos dias 7 e 8 de Dezembro, para revelar novas tendências e fazer mexer a cidade com o melhor da nova música nacional e internacional.

 

Os primeiros nomes do cartaz deste ano são Michael Kiwanuka, Django Django, Gala Drop, Escort e The 2 Bears. A restante programação será conhecida muito brevemente.

 

Os bilhetes para o Vodafone Mexefest mantêm-se nos 40 euros e dão acesso a todos os concertos dos dois dias do festival, em todas as salas.

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