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Grandes Sons

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Grandes Sons

Faust no Teatro Maria Matos: Corrosão caótica

(Foto Marisa Anunciação via Facebook)

 

Os Faust actuais estão reduzidos a dois membros fundadores embora o seu nome continue a despertar atenções como se viu pela enchente no teatro lisboeta. Quem arriscou não mais irá esquecer a fantástica e caótica noite que os Faust proporcionaram.


O Teatro Maria Matos «vestiu-se» de Galeria Zé dos Bois para receber muitos dos clientes habituais do espaço do Bairro Alto. O nome era de peso e a expectativa enorme.

Expliquemos que estes Faust (há outra formação com outros membros fundadores) de visita a Lisboa são liderados pelo carismático Jean-Hervé Péron e pelo baterista Werner «Zappi» Diermaier. Em palco juntam-se o casal James Johnston (Gallon Drunk, ex-Bad Seeds de Nick Cave) e a multifacetada Geraldine Swayne (pintora, realizadora de filmes independentes) que se encaixam na perfeição com os dois elementos originais.

 

Antes de vermos este alinhamento em palco, fomos surpreendidos com um arranque insólito.

Em frente das cortinas ainda fechadas, dois rudimentares kits de bateria esperavam os músicos enquanto uma voz introduzia a banda mas em vez de ouvirmos os habituais pedidos para desligar os telemóveis e proibir gravações há um apelo à liberdade de gravar e tirar fotos à vontade do público convidando ainda os fãs a conhecerem a banda no fim sugerindo que levassem comida e perfumes!

 

Depois Jean-Hervé Péron e Werner «Zappi» Diermaier sobem da plateia para o palco e tomam conta das baterias em pé, um de cada lado quase sincronizados a que se junta uma voz a declamar um texto em bom português. Sem perder o ritmo o narrador é revelado quando se abrem as cortinas e a banda toma os lugares à volta do «nosso» Tiago Gomes! Estava dado o mote para uma noite diferente em que os inesperados recursos industriais fundiam-se na perfeição com o ruído de feedback e as batidas certeiras de Werner «Zappi» Diermaier.

 

Os Faust em 2010 ao vivo são uma máquina feroz alimentada pela loucura de Jean-Hervé Péron que tanto pode estar em versão calma de baixo na mão como pode andar possuído pelo palco a espalhar gravilha de um balde das obras ou a gritar a agarrado a uma betoneira (sim, houve uma betoneira em palco) que tanto pode girar espalhando mais gravilha em cima do microfone como pode ser perfurada a berbequim! Tudo serve para fazer barulho, até faíscas de ferro derretido que Péron espalhava pelo chão.

 

Um espectáculo completamente imprevísivel que nunca perdeu de vista a sonoridade rock que serviu também de banda sonora para Geraldine Swayne improvisar uma pintura numa grande tela que ficou a decorar o canto direito do palco.

Um verdadeiro caos instalado e espalhado pelo palco do Maria Matos que nunca terá vivido nada assim. Também houve momentos de tensão entre o palco e a mesa de mistura com James Johnston irritadíssimo com o nível muito baixo de som que saía dos instrumentos. Tinha razão mas foi bom que a irritação não tenha chega a Jean-Hervé Péron de berbequim na mão.

 

Como se percebe pelo que já foi contado não é fácil explicar por palavras a experiência vivida e julgo que também não será fácil ao leitor imaginar uma dedicatória a Bob Dylan no meio daquele vulcão sónico e industrial. Mas aconteceu!

 

Antes dos dois encores verdadeiramente arrancados pela plateia houve um final apoteótico com cerca de vinte minutos de construção sonora hipnótica , cavalgante e irresistível. Pura magia musical desordenada mas com sentido.

 

O krautrock é isto.

 

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

 

in Disco Digital

O experimentalismo dos Faust hoje no Maria Matos

Nome mítico do rock experimental alemão, os Faust vão estar hoje no Teatro Maria Matos.

A par com bandas como os Can ou os Neu!, os Faust foram essenciais para o desenvolvimento da música experimental. Da formação que atravessou a primeira metade da década de 70, mantêm-se os multi-instrumentistas Jean-Hervé Péron e Werner «Zappi» Diermaier.

O concerto está marcado para as 22h00.

O preço dos bilhetes é de 15 euros (7,5 para menores de 30 anos).

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