A Orelha Negra já não é um supergrupo pelo currículo de cada um dos envolvidos; o concerto do CCB confirmou que a exigência tem resposta à altura. O selo de qualidade é garantido mas há questões a rever nas novidades apresentadas.
À partida, meia vitória estava conquistada. Apesar de conquistado o hábito de pagar para ver bandas portuguesas, esgotar uma sala com a dimensão do Centro Cultural de Belém, com apenas um álbum para amostra e um segundo para dar a conhecer, é um triunfo para mais tarde recordar.
O crescimento sustentado pela belíssima integração de uma linguagem transversal de música negra numa ideia de espectáculo, em que todas as parcelas são decisivas para o resultado final, encontrou na introdução ao segundo disco da Orelha Negra um nível nunca antes visto.
Se em noites passadas como as do Cinema São Jorge e do Optimus Alive a progressão foi notável, no Centro Cultural de Belém viu-se um espectáculo de exigência suprema em que o jogo de luzes impressionou pela imaginação e coordenação com a banda sonora.
Características que defendem uma personalidade desde cedo encontrada e progressivamente reforçada mas que não deve condicionar a construção das canções. E algumas das novidades que a Orelha Negra tinha guardada não descolam de um formato identificável: uma base essencialmente rítmica casada com samples de vozes negras americanas ou portuguesas.
O regime de excepção surgiu a meio com um par de inéditos negros e soturnos, com guitarras de Francisco Rebelo a fazerem lembrar os Dead Combo: uma primeira soberba e uma segunda menos bem conseguida e a necessitar de uma reavaliação em disco.
Em palco, a já conhecida «A Luta» soou mais madura e independente de «Superman», dos Fevers, de onde é retirado um excerto considerável. E o groove de «A Cura» ou «Blessed» aliviou o stress de uma estreia e trouxe outro conforto à missão. A identidade está definida e é seguro antecipar que um novo disco não vai perder o selo de qualidade.
Os Animal Collective tocam em Lisboa no próximo dia 25 de julho.
A notícia é avançada hoje pelo Ipsilon, suplemento cultural do jornal Público, segundo o qual o concerto vai acontecer no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém.
Linda Martini, Dead Combo e Aurea estão confirmados no cartaz de um novo festival no CCB.
O CCbeat realiza-se entre 19 e 21 de Maio com dois concertos por noite. O preço dos bilhetes varia entre 15 e 18 euros (um dia), 25 e 30 euros (dois dias) e 35 e 40 (passe para todo o festival).
Cartaz:
19 de Maio Dead Combo e a Royal Orquestra das Caveiras Lisbon Underground Music Ensemble
João Aguardela estará com aquele sorriso discreto ao ver que o seu querido Megafone ganhou corpo e alma e serve de motivo para reunir à sua volta alguma da melhor música portuguesa feita por admiradores, admirados, e amigos.
O João não ia achar grande piada a uma festa de homenagem, como lembraram os Gaiteiros de Lisboa, mas ia adorar a ideia de termos quatro projectos da melhor música que se faz em Portugal a actuarem na mesma noite no palco do CCB e essa seria a melhor maneira de homenagear e recordar Aguardela. O projecto chama-se Megafone 5, dá continuidade aos quatro volumes gravados nos últimos anos, e conseguiu encher a nobre de Belém com músicos, admiradores, jornalistas, amigos e familiares.
A ideia só por si já era merecedora de todos os elogios, o resultado final foi uma emocionante e inesquecível noite de celebração musical. Os Gaiteiros de Lisboa abriram a noite com «Cruel Vento» e seguiram cantando com a sua alma tradicional. Simbolizaram tudo o que o João adorava das raízes da música popular portuguesa e que reflectiu mais no projecto Megafone. Permitam-me que reinvidique a obrigatoriedade de mais concertos dos Gaiteiros na sua cidade. Eles merecem, e nós também.
Depois vieram os OqueStrada com toda a sua musicalidade original a servir de banda sonora à excelente voz de Miranda que exibiu a habitual irreverência e humor que Aguardela tanto usou nos Sitiados. Amigos de longa data fizeram uma homenagem bem alegre e nem a atrapalhação na colaboração do fadista Tony Paiva, o guardião do fado da Madragoa, atrapalhou a passagem fulgurante dos OqueStrada pelo CCB. Desta vez no palco principal depois de algumas Tascas Beat ao ar livre.
Na segunda parte, após um intervalo de vinte minutos, foi a vez do duo Dead Combo. Apenas e só dois intérpretes de cordas em ambiente intimo e com melodias como «A Janela» ou «Quando a Alma não é Pequena» que muito agradavam a João Aguardela pela sua originalidade e identidade que, segundo Tó Trips, ajudou a criar.
Para o fim ficou o aguardado regresso d`A Naifa aos palcos. Começaram os três músicos em palco. Vestidos de preto e com o lugar que o João habitualmente ocupava vazio mas iluminado com uma luz inquietante. Ao segundo tema a surpresa da noite; para tocar baixo apareceu Sandra Baptista. Arrepiante vê-la no lugar do seu companheiro com a mesma pose, o mesmo estilo, só faltou o cigarro. Foram tocadas algumas das canções mais emblemáticas dos três discos d`A Naifa e que esta noite soaram mais fortes que nunca. Além de todas as emoções naturais numa noite destas há um momento verdadeiramente especial e surpreendente, quando a vocalista Mitó revela que afinal as letras do último disco da Naifa, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal», não foram escritas pela tal rapariga fã da banda que não queria protagonismo. Versão que foi aceite por todos, até pelos elementos da Naifa. Menos um... O autor das letras foi o João Aguardela que usou o nome da sua avó como heterónimo! Cresce a vontade voltar a ouvir o disco de novo.
Entre cada concerto recordámos o João Aguardela jovem dos tempos do Rock Rendez-Vous, o líder de longos cabelos dos inquietos e contagiantes Sitiados, e o sereno compositor da Linha da Frente e Megafone. Entre imagens, entrevistas, excertos de concertos, relembrou-se um dos mais carismáticos músicos que Portugal teve. A noite terminou com muitos dos músicos e organizadores no palco aclamados de pé. Sandra Baptista agradeceu e chamou os pais de Aguardela ao palco. O pai, emocionado, também agradeceu a todos, e principalmente, à companheira de sempre do João levando a maior parte dos presentes às lágrimas. Lágrimas de saudade pela figura que pairava no cenário do palco. Saudades que nunca vão deixar Aguardela no esquecimento.
Filho do lendário afro-beat Fela Kuti, o nigeriano Seun Kuti herdou do seu pai a música de fusão, entre o jazz, o funk e os ritmos africanos. Dirige a banda Egypt 80 e a suas canções revelam a sua preocupação pelas graves questões políticas e sociais que afectam a África, mas nem por isso perdem a energia e a alegria que caracterizam o afro-beat.
Oriundo do Níger, um dos países mais pobres do mundo, o grupo Etran Finatawa é uma formação de tuaregues e wodaabe, dois povos nómadas com culturas e sonoridades muito diferentes que coabitam nesta região africana. A música dos Etran Finatawa (literalmente “as estrelas da tradição”) combina a riqueza de duas linguagens: tradicionalmente, os wodaabe não utilizam instrumentos e centram-se na voz e ritmos que convidam à dança; por sua vez, os tuaregues sempre recorreram a violinos e tambores para animar as suas músicas e danças. Amanhã à noite a não perder depois das 22h.
Recorde aqui a passagem dos Etran Finatawa pelo FMM Sines, em Porto Covo) em 23 de Julho de 2007.
Fica o recado dos Terrakota que acutam no CCB de borla no domingo à noite: Atenção é daqueles concertos que começa á hora certa. Portanto vai mesmo arrancar ás 22 h. Dentro do contexto da iniciativa, os Terrakota irão tambem levar a cabo 2 oficinas : a primeira de SABAR , no sábado 22 ás 16 h e a segunda de PERCUSSÃO no Domingo ás 17 h . Apareçam !!! precisamos da vossa força.
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