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Grandes Sons

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Grandes Sons

Super Rock Super Bock, Dia 2 : Meco, Chuva e Atrasos

Depois de um arranque com uma noite fria mas cheia de bons concertos, o segundo dia no Meco ficou marcado por uma chuva forte que baralhou as contas à organização, aos artistas e, principalmente, ao público que teve de esperar pelas duas da manhã para ver Eddie Vedder.

 

Pelo palco principal tudo corria bem com a passagem do rock pop fofinho dos cults depois das 20h. A apresentação de «GoOutside» foi o momento mais celebrado e a dedicatória de «I Can Hardly Make You Mine» aos companheiros Sleigh Bells foi a melhor coisa que aconteceu aos últimos neste festival. Já lá vamos.

 

Depois o talento nacional invadiu o Meco. Legendary Tigerman preparou um espectáculo para a dimensão do maior palco do SBSR, trouxe convidados e alargou a base musical. Resultou tudo bem, o novo disco funciona ao vivo, é bem recebido pelo público, mesmo que a maioria estivesse ali para o último concerto da noite. Paulo Furtado foi surpreendido com a chegada de uma chuva que começou refrescante para se tornar forte ao ponto de afastar muitas pessoas em busca de abrigo. Felizmente, em frente ao palco ninguém arredou pé e Tigerman acelerou o ritmo tornando o concerto para o nível de inesquecível. Uma palavra para a presença de Alexd'Alva Teixeira, um vocalista em clara ascensão.

Entretanto no espaço do palco Antena3 já Capicua actuava para uma pequena multidão. O hip hop de Ana foi a melhor coisa que aconteceu no recinto em resposta à chuva. Grande presença em palco, boa comunicação com a plateia e a certeza que estão ali as melhores rimas debitadas da melhor maneira dentro do rap cantado em português. Enorme concerto que orgulhou os fãs e angariou outros tantos para a causa de Capicua.

 

A partir daqui é que começou a ficar mais complicado prever o resto da noite. A chuva fez estragos. A zona de restauração teve que ser fechada devido à queda de um ramo de um pinheiro que chegou a assustar quem ali trabalhava. O pior aconteceu no palco EDP que ficou alagado e teve que interromper o seu funcionamento criando um problema de cumprimento de horários.

 

Alheio a estas complicações Woodkid voltou a repetir a receita vencedora que vimos no Coliseu por alturas do último Vodafone Mexefest. A mesma loucura entre a plateia rendida e a mesma estranheza do nosso ponto de vista. Continuamos a não perceber o porquê de tamanha devoção mas registamos a empatia incrível entre artista e público português.

 

A partir do momento em que se soube que as Sleigh Bells passavam das 22h30 para o fim do concerto do Eddie Vedder começou a agitação. Primeiro no espaço do palco EDP onde a vocalista Alexis Krauss anunciou o adiamento do concerto perante o desagrado dos muitos presentes, depois um pouco por todo o recinto com os festivaleiros a perguntarem-se porque não havia música a acontecer em nenhum palco num festival destes e, finalmente, entre a multidão que aguardava no palco principal a entrada de Eddie Vedder à 1h da manhã. Ao serem informados que só haveria concerto depois de Cat Power terminar a sua actuação no palco secundário o povo reagiu com enormes assobiadelas e vaias.

 

O problema é que o vocalista dos Pearl Jam exige que durante o seu concerto os outros espaços estejam silenciados.

Assim tivemos um concerto de menos de uma hora de Cat Power que apesar da pressa deu para passar por boas canções do mais recente disco. Terminou a oferecer flores a uma plateia pouco convencida com o despachanço.

 

Já passava das 2h da manhã quando, finalmente, chega ao palco principal do Meco Eddie Vedder. Plateia obviamente rendida e Eddie visivelmente bem disposto com o regresso a Portugal.

Apesar das muitas t-shirts dos Pearl Jam este é um concerto bem diferente. O vocalista tem carisma mais do que suficiente para justificar a enorme romaria ao Meco mas a actuação tem que ser vista dentro das limitações minimalistas do universo da banda. É um concerto para espaços pequenos e fechados, Vedder só em Portugal é que acede actuar para tamanha plateia, o alinhamento é restrito às canções dos Pearl Jam que são da autoria de Vedder, aos dois discos  solo e a versões dos seus ídolos. A clássica «Black» não faz parte dos seus alinhamentos a solo mas ontem foi entoada no Meco, resultou mal mas o público cantou na mesma. Nas versões surpreendeu convidando Paulo Furtado para o acompanhar em «Masters of War» de Bob Dylan. Não impressionou mas ficou o momento simbólico. Por falar em guerra, o momento mais significativo da noite foi quando tocou pela primeira vez «Imagine» de John Lennon em jeito de rescaldo da polémico em que se viu envolvido com os fãs israelitas que não gostaram das suas declarações anti-guerra. Se em Israel já não querem saber dos Pearl Jam, em Portugal ninguém se importava de os ver novamente.

O concerto de Eddie Vedder alongou-se para lá das 4h da manhã e os seus fãs só deram conta dos estragos quando tiveram de encarar um trânsito caótico à saída do recinto. Vedder voltou duas vezes ao palco e saiu com largo sorriso. Foi uma madrugada para resistentes, compensadora para os admiradores do homem forte dos Pearl Jam, nada fácil para quem queria alternativas à música do palco principal.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

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