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Grandes Sons

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NOS Alive, Dia 2: Vitória das tendas na guerra dos palcos

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Circulou-se melhor no segundo dia do Alive. O cabeça de cartaz mais apetecido já passou e agora sobra espaço na área do palco maior, ao invés entre as duas tendas do lado oposto o trânsito é mais intenso. A oferta dos palcos alternativos ao principal é muito mais apetecível, entre descobertas recentes, velhos conhecidos e propostas portuguesas há muitos vencedores a anunciar neste dia dois.

Propor os Marmozets pelas sete e meia com o seu rock nu metal inócuo, incomoda mais os ouvidos do que cativa a atenção de alguém. Chegar às nove da noite e ver os australianos Sheppard a tentarem sair do anonimato só ultrapassado quando tocam o êxito radiofónico «Geronimo» dá direito a comentários interessantes como este que ouvimos ao nosso lado: «Geronimo?! Pá, então vão tocar à Festa do Avante».

Só pelas dez e meia da noite se viu uma plateia reunida com foco digno da grandeza do palco NOS. Infelizmente, os Mumford & Sons são já uma saudade de si próprios. Triunfaram neste mesmo evento em 2012 no auge da popularidade do álbum «Babel». Assumiram uma mudança de rumo apresentada no recente disco «Wilder Mind». 

Só eles parecem contentes com a nova estética, o público mostrou-se indiferente às novas músicas e só celebrou os temas que recordaram a outra passagem dos londrinos por ali. Duvidamos que saiam deste labirinto com grande vitalidade.

Assim, foram os veteranos Prodigy a oferecer um concerto digno do grande espaço do NOS Alive. Nunca falham quando são chamados a incendiar com batidas pesadas, rimas agressivas e temas que marcaram os anos 90 e que sobrevivem até hoje. Keith Flint continua possuído em palco, apesar dos quase 46 anos, Maxim Reality não dá descanso a ninguém e a máquina infernal de sons fortes deixam a plateia, ávida de festa e desafio, saciada. 

Em cinco canções no arranque do concerto foram avistadas várias tochas e outro material pirotécnico no meio dos festivaleiros em danças tribais e descontroladas. Foi a melhor resposta aos hinos «Firestarter» ou «Breathe». O novo disco dos Prodigy foi só um pretexto para uma celebração de libertação de adrenalina que ainda não se tinha visto naquele espaço.

Se os pontos de interesse do Palco NOS foram poucos, a tenda Heineken e NOS Clubbing compensaram ao longo do dia. 

Triunfal passagem de alguns dos mais interessantes projectos musicais que Portugal tem para apresentar actualmente. Todos com discos novos, todos com plateia generosa e conhecedora. Moullinex, em banda, contagiou a tenda com o recente «Elsewhere» devidamente aprovado pela plateia dançante ao som «Take a Chance», single irresistível deste ano.

A Batida de Pedro Coquenão está mais viva do que nunca. Quem passava pelo palco Clubbing ficava contagiado com as sonoridades africanas e juntava-se ao público que festejava as propostas mais recentes de «Dois». Os turistas não percebiam as letras mas adoravam o som e o ambiente.

Ao anoitecer o palco Clubbing recebeu uma enorme enchente para ouvir Capicua. Mesmo em dificuldades físicas, Ana Fernandes não deu tréguas e agarrou a multidão do principio ao fim. Valete apareceu como convidado e apelou para que Capicua não se afaste do hip hop nacional. Reiteramos o pedido. A recepção dos festivaleiros fala por si.

O melhor deste segundo dia estava guardado para Palco Heineken. Algo que é muito recorrente ao longo dos últimos anos no Festival de Algés. Desta vez foram os Future Islands a inscrever o seu nome entre os grandes vencedores na rica galeria que esta tenda já guarda.

Concerto incrível de Samuel Herring que comanda a banda norte americana. Entrega total do vocalista em total harmonia com a multidão que mostrou conhecer a obra dos Future Island. Um grande concerto que teve como ponto alto a passagem por «Seasons», tema que abre o excelente disco «Singles» do ano passado. Uma das actuações que marca esta edição do Alive e que fica a pedir regresso em nome próprio.

O efeito surpresa em James Blake já não é grande porque o londrino já conquistou o seu espaço nas preferências do muito público que o descobriu em passagens anteriores por cá e nos seus dois discos editados em 2011 e 2013. A força da sua tranquilidade quase intimista a impôr-se ao caos sonora que soava lá ao fundo no palco dos Prodigy chegou para conquistar uma vasta plateia que não poupou carinho a Blake. Sem dificuldade, um dos melhores momentos musicais do Alive 2015. Uma confirmação que recomenda nova visita mas num concerto só seu.

Para terminar a longa noite na tenda maior, muita expectativa para rever Róisín Marie Murphy. Será a eterna voz dos Moloko apesar da já longínqua e bem sucedida carreira a solo. Talvez por isso mesmo, o resultado final não tenha sido tão efusivo como se esperava. Os festivaleiros queriam mais canções conhecidas dos discos anteriores e não tanto desfile de «Hairless Toys». Nem uma alterada «Pure Pleasure Seeker» elevou os ânimos. Róisín deu o que queria dar e indiferente às expectativas divertiu-se em palco.
 
Texto: João Gonçalves
 
Foto: Arlindo Camacho
 
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