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Grandes Sons

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Grandes Sons

Nos Alive, Dia 1 : Macacos, Dragões e Cadáveres

À oitava edição o Festival Alive muda de tonalidade em Algés, o forte laranja dá lugar ao discreto branco que se espalha pelo recinto em forma de chapéus fruto da mudança do patrocinador que dá nome ao evento. Logo a abrir, houve lotação esgotada no dia (e noite) mais quente de todas as edições que consagrou duas subidas de divisão, Imagine Dragons das salas para um palco principal e dos Arctic Monkeys para o rock de estádio.

 

Cerca de 55 mil pessoas esgotaram o primeiro dia do NOS Alive. Fazendo render o bilhete, chegaram bem cedo a Algés propiciando uma vistosa enchente já ao final da tarde capaz de tornar o trânsito entre os palcos um IC19 pedeste.

Importava saber ao que vinha tanta gente. As T-shirts denunciavam romaria para ver Imagine Dragons e, principalmente, Arctic Monkeys, sendo que aqui com uma interessante variável em relação às várias passagens da banda por cá, a base de fãs renovou-se e é agora muito mais imberbe. Junte-se o facto dos Lumineers terem uma generosa rotação nas rádios mais ouvidas e temos a explicação para tamanha adesão já que o ambiente no recinto era de gerações diferentes em ameno convívio, isto é , pais e filhos. Claro que ainda há que contar com a generosa presença de público estrangeiro, sempre com destaque para os britânicos, que já é uma imagem de marca do festival.

 

Olhando para o palco pincipal não temos dúvidas em eleger os Arctic Monkeys e os Imagine Dragons como grandes vencedores. No sentido inverso deixamos a interrogação sobre a presença dos Interpol por ali. 

 

Ben Howard teve a honra de abrir o palco NOS Alive ainda o sol se bronzeava pelas 18h00. O londrino foi bem recebido e conseguiu entreter com sua folk melódica do disco «Every Kingdom». Cumpriu. 

 

Com um ano de atraso em relação à edição do disco e dos concertos que deram pelos principais festivais europeus, os norte americanos The Lumineers ainda chegaram a tempo a Algés de partilhar o seu êxito «Ho Hey» em estado de graça além de partilharem uma versão bem conseguida de Bob Dylan enquanto percebiam que o seu disco homónimo também foi bem assimilado em Portugal.

 

Ainda com luz natural num final de tarde verdadeiramente de verão chegaram os Imagine Dragons de Las Vegas. Eles que há um ano deixaram o Coliseu dos Recreios em êxtase sobem agora a um nível superior com a imensa plateia do Alive rendida desde o primeiro minuto. Das primeiras filas com jovens fãs mais excitadas até bem longe do palco há adolescentes e adultos sabedores e entregues às canções de «Night Visions» de 2012. Confirma-se que a banda de Dan Reynolds não dá maus concertos, foram convincentes nos elogios aos locais e até se dedicaram ao desporto oficial desta temporada de festivais, também quiseram destroçar a «Song 2» dos Blur. Passa tudo. Até a contemplação em comunhão de um «hino» de uma operadora de telemóveis concorrente da marca patrocinadora do Alive. Vale tudo pelo bem comum e todos pareceram satisfeitos no fim, banda e público. Pelo que vimos noutros festivais europeus era de esperar que os Imagine Dragons soubessem encarar esta subida de escalão em termos de público. Não falharam, mérito para eles. 

 

Os Arctic Monkeys há muito que deixaram de ser a banda britânica de Sheffield para serem um grupo que o mundo associa mais à escalada norte americana, muito por culpa do «padrinho» Josh Homme. Com um passado de seis passagens pelo nosso país antes de chegarem a Algés, podemos afirmar que temos visto os rapazes a crescerem de fenómeno do Youtube a banda de escala mundial. A pose rocker norte americana de Alex Turner é o farol de um grupo que já não mostra o entusiasmo que vimos no ano passado quando atacavam as músicas de «AM», a mais recente edição, e parecem agora mais em piloto automático viajando pelo sua já respeitável discografia de cinco álbuns de onde podem sempre tirar pérolas prontas a contagiar a geração mais velha alternando com temas mais recentes logo identificados pela nova base de fãs. Os Arctic Monkeys têm tudo, boas canções, boa gestão de carreira, bons em palco, líder carismático e vontade de serem tão grandes como os maiores. É «só» isso que lhes falta, conseguirem dar o passo mais difícil que poucas bandas conseguem, subirem de grandes a maiores. Podem lá chegar mas ainda não estão no patamar dimensional de uns Muse ou Coldplay, por exemplo. 

 

Pelo meio perderam-se uns regressados Interpol que insistem em refazer os sucessos de 2002 e 2004. Para quê? Os discos estão gravados e editados, tiveram a sua relevância na altura e podemos ouvi-los quando quisermos. Um concerto dos nova iorquinos em 2014 é só irrelevante e abre uma janela de oportunidade para falarmos de outro palco.

 

Geralmente no Alive o dilema é gerir a presença em vários espaços quando há oferta de concertos simultaneos. Neste primeiro dia a tarefa até foi simples. No Palco Heineken urgia ver Temples, a banda inglesa confirmou as boas indicações de rock «60's LSD» do excelente «Sun Structures». Boa passagem pelo Alive.

 

Os The 1975 vestiram a pele de cordeiro de banda-de-2014-de-quem-ninguém-se-lembrará-daqui-a-um-ano com o single «Chocolate». 

 

Os Elbow foram a salvação à hora dos Interpol. Excelente oportunidade para ouvir as novas canções do óptimo «The Take Off and Landing of Everything», e matar saudades dos cinco discos anteriores. A banda de Guy Garvey há muito que pede concerto em nome próprio por cá.

 

Único dilema do dia aconteceu com Kelis que não conseguiu contrariar a onda Arctic Monkeys e actuou para poucos resistentes. Foi pena porque o novo disco, «Food», é recomendável como se pode perceber pelo single «Jerk Ribs». 

 

A madrugada foi de festa no espaço do palco Heineken com a banda do austríaco Parov Stelar em ambiente easy listening festivo para pular até passarem o testemunho aos Booka Shade.

 

O caos que ainda se vivia pelas 3 da manhã junto da rotunda fora do recinto que da acesso ao túnel de ligação para o centro de Algés diz bem da grande afluência que teve o primeiro dia do novo Alive.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

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