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Grandes Sons

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Optimus Alive, Dia 3: Reencontros celebrados e outros marcados

(Django Django, foto: optimus alive)

Alucinante sucessão de bons concertos no terceiro e último dia de Optimus Alive. Dos Tribes aos Django Django, o grande concerto da madrugada, passaram-se mais de dez horas entre palcos numa celebração incrível de música ao vivo. Triunfos esperados de Phoenix, Tame Impala, Alt-J e surpresas agradáveis com Jake Bugg e Of Monsters and Men.

O Optimus Alive acabou sem que o sol se dignasse a aparecer um único dia. Em compensação a lista de concertos memoráveis é grande e a reputação do festival em termos internacionais não pára de crescer. Passaram por Algés mais de 15 mil estrangeiros com bilhetes comprados em 45 países diferentes. A organização anunciou que passaram pelo recinto nos três dias cerca de 150 mil pessoas. O sucesso do Optimus Alive passa muito pela grande e diversificada oferta musical ao longo de três palcos por onde passam consagrados e projectos que estão a arrancar e na hora certa de os conhecermos.

 

À falta de um nome realmente consensual para fechar em grande o palco principal, os Kings of Leon não o são porque vivem do sucesso de dois ou três hits já requentados, havia uma ponta final de luxo no palco Heineken para a despedida da versão 2013 do festival. Duas das melhores bandas da actualidade regressavam a Lisboa após a triunfante passagem pelo Teatro Tivoli em Dezembro e com os dois melhores discos editados no ano passado. O culto aumentou muito e o espaço da tenda foi pequeno para tanta devoção.

 

Os Alt-J iniciaram o concerto pouco depois das 22h00 e logo nos primeiros momentos perceberam que estavam perante uma plateia profundamente rendida ao encanto do álbum «An Awesome Wave» decorado na ponta da língua da primeira à última faixa. Ambiente quente, muitas mãos no ar a fazerem o símbolo  e a banda de Leeds completamente babada perante tanto entusiasmo. Um daqueles concertos de harmonia perfeita que nem músicos nem público vão esquecer nunca.

Pouco antes das 02h00 entra o grupo que podia subir ainda mais fasquia alta deixada pelos Alt-J. Os Django Django não hesitaram em entrar com tudo aquilo que faz do seu disco algo de tão original e bom. Rock que vai do blues ao psicadelismo num ápice numa viagem bem orgânica marcada pela percussão e guitarras demoníacas. Um concerto de pressão alta com a banda de Londres a dar tudo sempre nos limites e uma plateia descontrolada de tão saciada que estava em ouvir pérolas como «Life´s a Beach» ou «Hail Bop» ao vivo e em comunhão. Foi um final de sonho para quem queria celebrar rock ao vivo, e neste festival a grande maioria dos ocupantes quer muito, antes de voltar à cruel realidade pós-Alive. Mais que um concerto, um espectáculo para encher a alma durante muito tempo.

Os mais resistentes ainda se entregaram ao potente som algo tribal algo massacrantes dos já habituais Bloody Beetroots. São o novo heavy metal para as gerações mais recentes que se entregam fisicamente ao ritual. Impressionante.

 

Para trás fica a memória de um bonito concerto dos Band of Horses entre os Alt-J e Django Django, um interlúdio perfeito, a loucura retratada numa enorme enchente para festejar a presença dos islandeses Of Monsters and the Men que aproveitaram para se afeiçoar (para sempre?) ao público português - apostamos num regresso em nome próprio. Também digna de nota a passagem do norte americano Twin Shadow que convenceu o povo mas trocou-se um pouco ao agradecer usando a palavra saudade em vez de obrigado e comentando que tocar em Lisboa é muito melhor do que Espanha, algo que os nossos vizinho em grande número no festival não acharam muita piada.

Ainda com a luz do dia os portugueses Brass Wires Orchestra, muito dentro do universo da folk pop festiva dos Of Monsters anda Men, animaram as hostes e celebraram o facto de um dos seus membros ter sido pai na véspera. A última nota para o palco Heineken fica para os Tribes e o seu rock britânico simples e eficaz que fez as delícias de quem gosta dos seus dois discos como é o nosso caso.

 

Voltemos ao palco Optimus para dizer que os franceses Phoenix surpreenderam positivamente com um espectáculo muito bem montado à volta do excelente «Bankrupt!», disco editado este ano, que alimenta bem um alinhamento que vai buscar «If I Ever Feel Better», «Everything is Everything» ou «Liztomania» a nos mais distantes e que facilmente convence o público que não nega um pé de dança. Antes disso, pelas 20h00, os australianos Tame Impala deram o seu último concerto desta digressão europeia e conseguiram romper aquela barreira sónica que se adivinhava complicada para os festivaleiros que não os conheciam. O rock sónico em viagem constante ao psicadelismo dos anos 60 sempre a prometer um formato de canção mais tradicional mas que nunca deixa de improvisar pelo menos óbvio, tudo guiado por Kevin Parker feliz com a recepção do público. Nota positiva. 

 

Mais discreto esteve o miúdo de 19 anos Jake Bugg, um fenómeno em terras britânicas, que tranquilamente impôs o seu folk cativante no fim de tarde de Algés. Não vimos ninguém desaprovar aquelas canções com sabor a clássico a fazer lembrar os primeiros passos de Bob Dylan e até apostamos que Jake terá conquistado ali muitos ouvintes para o seu belíssimo disco de estreia. É merecido, confirmou-se como boa aposta.

Antes os portugueses Linda Martini aproveitaram bem a oportunidade de tocarem no palco principal e podem-se orgulhar de terem tido uma fiel plateia pronta a celebrar tantos os temas mais antigos como «Amor Combate» ou «100 metros Sereia» como o novíssimo «Ratos» do novo disco a sair em Setembro. E, já agora, elogios também para o novo projecto de João Vieira dos X-Wife que com a mescla punk funk deu a conhecer bem os White Haus na tenda Optimus Clubbing.

 

Chegou ao fim a sétima edição do Optimus Alive e é aqui que começa a contagem decrescente para a versão 2014 a 11, 12 e 13 de Julho no sítio do costume. Até para o ano.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

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