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Grandes Sons

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Optimus Primavera Sound, dia 2: Anos 90 Blur medidos

 

Dia histórico no Parque da Cidade da Porto, o Optimus Primavera Sound viveu a madrugada mais intensa e emotiva da sua curta vida com a celebração de vida dos Blur perante a maior enchente que já vimos no recinto. Claro que houve muito mais para contar mas este será para sempre recordado como o dia de Damon Albarn e companheiros no Porto.

 

Neste segundo dia cedo se percebe que a afluência ao recinto ia ser mais concorrida, logo pela zona de restauração é visivel a enchente. Não é demais repetir o já dissemos no primeiro dia, este é o festival com melhor oferta gastronómica que conhecemos.

 

Já com os quatro palcos a carburar a toda a força o circuito pedonal mostra toda a beleza natural do recinto verde, encosta abaixo, encosta acima, ouvimos várias conversas que confirmam a mesma teoria, veio tudo com o objectivo maior de ver os Blur. Sem mais demoras vamos então directos ao assunto.

 

Ao fim da primeira hora e meia do mês Junho Albarn, Coxon, James e Rowntree entram em palco e logo se percebe que só uma catástrofe natural ia evitar que o concerto não fosse um sucesso. Avisados pela má experiência da véspera com o som de Nick Cave & The Bad Seeds em que o vento frequentemente nos levava o som de palco para longe, apostámos em descer a encosta para assistirmos ao concerto bem perto do palco. Opção acertada, ouvimos na perfeição todas as secções de sopros e coros ao contrário de quem ficou mais longe.

Damon Albarn e Graham Coxon parecem estar a desfrutar verdadeiramente deste regresso, sem manifestações exageradas mas com a postura certa de quem sabe a importância que a sua música tem para tantos fãs, os Blur criam um elo de cumplicidade perfeito com a plateia. Para quem esteve atento ao alinhamento da passagem por Barcelona não ficou surpreendido com o desfile de clássicos, mesmo porque não se desviaram uma única música em relação ao que apresentaram na manga catalã do Primavera. «Girls & Boys» no arranque deixou tudo num estado graça que não mais terminou. Uma viagem à britpop dos anos 90 em jeito de consagração de uma carreira e de memórias colectivas festejadas a uma só voz. Damon Albarn despejou garrafas de água sobre as primeiras filas, sorriu, aventurou-se de pé nas grades da plateia, foi simpático com o público português e comandou com estilo as operações. Um dos grandes momentos deste reencontro aconteceu quando a meio do concerto se avistam dois grandes pacotes de leite fielmente reproduzidos a partir do inesquecível videoclip de «Coffe & TV» que era tocado no palco. Genial.

A ternura de «Tender», a alegria de «Country House», a genica de «Park Life», a calma de «The Universal», a recuperação de «Popscene», o encosto a Paul McCartney de «Under the Westway», tudo isto resultou num concerto memorável e previsivelmente ganho. O final frenético de «Song 2» foi, mais uma vez, abrilhantado do lado dos fãs que surpreenderam acendendo uma tocha em tons vermelhos para acompanhar aqueles pouco mais de dois minutos mágicos. Épico.

 

Depois foi a debandada geral. Nesta segunda madrugada como não se sentiu tanto frio como na véspera vimos muita gente a permanecer no recinto, enchendo a zona de restauração e a tenda do Palco Pitchfork para um divertido concerto da dupla Glass Candy. Os beats de Johnny Jewel, também alinha pelos Chromatics, contagiam a dança mas é Ida No quem supreende pela negativa no excesso de excitação traduzido em guinchos e gritos, pela positiva pela maneira descontrolada como se entregou literalmente à plateia deixando-se levar em braços deitada por cima das cabeças do público. Óptimo para recuperar da intensidade emotiva dos Blur.

 

Ainda em Maio, isto é, antes da banda mais esperada da noite houve muito para ver e descobrir.

Neko Case no palco Super Bock ao fim da tarde surpreendeu com um look despreocupado revelando a sua paixão por ... pastéis de nata! Em estreia no nosso país mostrou a força da sua voz em terrenos de folk americana e anunciou a edição de um novo disco para breve que será apresentado em Novembro em Portugal. Reencontro marcado, então.

 

Mais cedo no palco ATP, o mais escondido do Festival, os islandeses Ghostigital tiveram na assistência Damon Albarn que esteve envolvido na produção do disco «Division of Culture & Tourism». 

Também os californianos Local Natives deixaram o que contar no Porto. Soubemos que a banda veio mais cedo para o Porto e pediu dicas a jornalistas locais para passeios gastronómicos. Tiveram sorte e gostaram tanto das visitas às caves de vinho do Porto, das francesinhas e dos cachorrinhos do mítico Gazela na cidade Invicta que chegaram a dedicar um tema aos irmãos Oliveira, sendo um deles profissional da rádio pública que tem acompanhado o evento.

 

Por falar na Antena 3, ontem pelas 21h brindaram os seus ouvintes com um directo do palco Super Bock onde Michael Gira montou o habitual banzé sónico e experimental característico dos Swans. Óptimo retrato sonoro do que podemos encontrar neste festival para o resto do país sentir.

Mais atrás, no palco ATP, os Mão Morta assinam um concerto cheio de nervo e retribuem a enchente com um desfiles de clássicos de tirar as respiração e uma performance de Adolfo Luxúria Canibal a fazer esquecer o cancelamento do veterano Rodriguez.

 

No palco principal os Grizzly Bear encantaram os seus fãs com uma actuação segura e entreteram quem já estava a marcar posição para o concerto mais aguardado.

De regresso ao palco ATP deixar a nota sobre a emocionante passagem do resistente Daniel Johnston que continua a incrível luta em palco contra a sua conhecida doença. Também destaque para os renascidos Meat Puppets que provam ser muito mais do que uma mera bandeira grunge e até surpreendem com uma versão de «Sloop John B». Mas o maior destaque vai para a banda de Steve Albini, uma espécie de grupo residente dos Primaveras, que voltou a repetir a excelente actuação do ano passado. Não há Primavera sem os Shellac, isso é certo.

 

Finalmente, uma palavra para o regresso a Portugal dos Metz após dois concertos em Lisboa e Porto no inicio do ano. Na tenda Pitchfork deram uma , ainda, maior dimensão à agressividade de fuzz e feedbacks destes canadianos que editam pela Sub Pop.

Em contraste completo estiveram umas horas antes os Melody's Echo Chamber com um concerto fofinho, palavras ouvidas ao nosso lado.

 

Para a história fica a passagem dos Blur pelo Optimus Primavera Sound naquele que terá sido o dia mais concorrido dos seus cinco dias de vida.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

 

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