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Grandes Sons

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Festival Sudoeste, Dia 4: Os Regressos e as Estreias

A edição 2007 do Sudoeste começou em alta voltagem e veio a perder a gás até ao fim, isto a nível de concertos, claro. Nesta última noite os números de presentes no recinto desceram muito, e à medida que a noite avançava o pessoal desertava, muitos deles a caminho das suas origens porque hoje é dia de trabalho para muitos. As expectativas mais altas estavam à volta do regresso dos James, e da estreia dos National, além da curiosidade em ver as estreias de Trail of Dead e Of Montreal. Alguns momentos ficarão na história do evento.

Comecemos pelo regresso aos palcos dos James seis anos depois da despedida nos Coliseus. Tim Booth mostrou-se descontraído, e completamente ambientado como se regressasse a uma casa cheia de amigos para o receber. Na véspera, o Disco Digital teve oportunidade de o cumprimentar no centro de Vila Nova de Mil Fontes onde Booth passeava contente da vida com a família. Também Saul Davies fez questão de aproveitar o que aprendeu em 4 anos vividos no nosso país para ir falando em português com os fãs. O concerto andou entre o muito bom, o surpreendente, e o mais previsível. Resolveram despachar nos primeiros três temas canções que a maioria queria mais ouvir, «Born of Frustrion», «Tomorrow», e o hino «Sit Down». A partir daí houve um pouco de tudo, recuperação de músicas dos excelentes primeiros (e ignorados) discos da sua carreira para alegria dos fãs que até foram convidados a invadir o palco para dançar, e noutra música tiveram oportunidade de estar com Booth que cantou empoleirado na primeira fila.

Pelo meio houve músicas novas, a anunciar novo disco, e a imagem insólita de ver o vocalista de cábula na mão porque ainda não sabia a letra. Claro que foram os hits que tiveram maior reacção de uma plateia em ambiente familiar. Prometeram regressar no próximo ano.

No palco principal até à chegada dos James passaram muito discretamente os Razorlight, Phoenix, e Albert Hammond Jr.

Nada de realmente entusiasmante, apenas as primeiras filas, compostas pelos respectivos fãs , vibraram. À hora que os Razorlight apresentavam temas dos seus dois discos, mas davam mais nas vistas pelas enormes luzes com o seu nome escrito no cenário do que com o seu rock previsível. Aliás, a essa hora muitos festivaleiros preferiram o encosto ao vidro do espaço de imprensa onde dava para ver o derby lisboeta no Guadiana, e onde festejaram a vitória encarnada.

Um dos momentos mais esperados de todo o Festival era a estreia dos National em Portugal. É grande o culto à volta dos autores dos discos «Alligator» e o recente «Boxer». Já passava das duas manhãs quando muitos resistentes saudaram efusivamente a chegada de Matt Berninger e companheiros, outros partiam tristes por não os ver mas havia uma viagem para fazer. Não foi o concerto brilhante que se aguardava, foi mais a situação em que o público puxou pela banda. Os que estavam ali conheciam todas as letras, e eram fãs incondicionais que aproveitavam a cada minuto o prazer de ouvir ao vivo canções que adoram. Por isso o público ia desculpando evidentes falhas de som, havia alturas em que a voz mal se ouvia, e não levou a mal o desacerto de Matt, e a falta de dos sons de acordeão, por exemplo, que embelezam em estúdio temas monumentais como «Fake Empire».

Apesar da euforia dos fãs presentes na tenda ficou uma sensação de insatisfação no palco Planeta Sudoeste. Espera-se que os National voltem para assinarem uma actuação ao nível da qualidade dos seus discos.

Mas antes dos National actuarem, foi altura de receber pela primeira vez duas bandas que já há muito se desejava ver em palcos nacionais. Primeiro os Of Montreal proporcionaram um espectáculo próximo do memorável. Um concerto dos Of Montreal é muito mais que ouvir apenas uma banda a tocar os seus temas, é ver um espectáculo com um carácter teatral, que alimenta o nosso imaginário mais surrealista e nos hipnotiza. Foi isso que aconteceu ontem à noite, seja pelas projecções em tela, pelas encenações que o líder Kevin Barnes e companheiros produziam (e aqui houve lugar para ninjas, representantes da morte, homens de negócios, lutas e o resto a mente encarregava-se de imaginar).O final com balões a largarem brilhantinas para cima do público foi mágico.

Depois deles estiveram os …Trail of Dead que sofreram com a forte concorrência dos James. Com mais dois membros, ao vivo o seu som ainda parece mais imponente, alternando entre um rock com veia classicista e um pouco de punk que a pouco e pouco foi amealhando curiosos prontos para ouvir um bom rock.

Outra das estreias deste dia foi dos Guillemots, que começaram mornos, mas a partir do single «Trains to Brazil» foi convencendo com as suas canções indie loucas e carregadas de instrumentos, como se cada música fosse a última a ser ouvida.

O palco principal fechou ao som de reggae. As honras foram feitas pelos franceses Babylon Circus que montaram uma bela festa colorida musicalmente com intérpretes de qualidade. Pena o alinhamento deste cartaz ter ficado desiquilibrado não conseguindo segurar o público muito tempo de concerto para concerto. Estes Babylon Circus na noite de Manu Chao teriam tido a recepção que mereciam.

Foram quatro dias em que não faltou a festa, confirmaram-se sucessos e descobriram-se outros potenciais. A enchente que se fez notar no primeiro dia não se alastrou até ao final, mas não faz mal quando se presenciar grandes actuações como de The Streets, Of Montreal, Patrick Wolf, Manu Chao e Damian Marley, todos vencedores nesta décima primeira edição do festival Sudoeste. Para o ano há mais.

in Disco Digital

Nota: Depois de editado e publicado o texto disseram-me que os National já tinham estado em Portugal a tocar em Paredes de Coura em 2005. Desconhecia o facto, e por isso assumo o erro de ter escrito que era uma estreia por cá.

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