Sharon Van Etten no Lux: Super Tramp
foto de Patrícia Rosa
por: João Gonçalves - Disco Digital
Um dos melhores discos que 2012 chama-se «Tramp» e é assinado por Sharon Van Etten. No Lux vimos que há muita boa gente em Lisboa que pensa da mesma forma e quis ver como é que Sharon defendia as suas canções em palco. A experiência foi óptima!
A canção «Serpents» é daquelas que entra nas nossas vidas sem pedir licença. Mas sabemos que vem para ficar e graças a ela vamos atrás da história de quem a criou para descobrir o que mais há para ouvir. Assim se chega facilmente a «Tramp», bonito disco deste ano assinado por Sharon Van Etten. (Os mais atentos já a vinham acompanhando desde 2009, altura em que editou «Because I Was in Love», e assistiram à entrada de Sharon no círculo de amigos dos The National, por exemplo).
Reza a lenda que foi a canção "«Love More», do segundo disco «Epic» de 2010, que chamou a atenção ilustres nomes como Bon Iver, Zach Condon (Beirut) ou Aaron Dessner (The National ) que se aproximaram de Sharon ajudando-a a editar novamente este ano.
Na plateia do Lux, o currículo de Van Etten era bem conhecido e arriscamos dizer que a maior parte daquele público também costuma marcar presença nos concertos dos National. Está bom de ver que a cantora se sentiu em casa e partiu para uma actuação tão convicente quanto simpática. A capa, os vídeos, a sonoridade das canções que descobrimos em «Tramp» deixavam adivinhar uma figura mais cinzenta, um ambiente mais escuro, algo mais discreto. Mas a realidade é que Sharon se revela amistosaa, bem disposta e que do alto dos seus 31 anos está feliz por actuar num local em que nunca tinha estado e sentir que tem ali fãs criando um excelente e genuíno ambiente.
As canções em palco não só confirmam a registada em disco como até ganham nova dinâmica tal é a qualidade vocal de Sharon e a competência instrumental da sua banda. Algumas das melhores canções deste ano foram ali apreciadas no momento certo, «Serpents» e «All I Can» servem de exemplo, e até houve um final estrondoso e ruidoso para uma «I´m Wrong» que parecia ser inofensiva e acabou de forma arrebatadora.


