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Grandes Sons

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Grandes Sons

Paredes de Coura, Dia 5: Explosão Violeta

João Gonçalves, Disco Digital


A 20ª edição do Festival Paredes de Coura encerrou com uma das maiores enchentes de sempre acolhendo algumas das melhores propostas musicais nacionais da actualidade e , sobretudo, celebrando o regresso dos Ornatos Violeta.

 

Esta edição do Paredes de Coura foi pensada e trabalhada para transformar os vinte anos do festival numa festa ainda maior do que o habitual. Daí as cinco noites de concertos, o convite para regressarem algumas bandas que deixaram saudades, nunca descurando a abertura de portas a importantes estreias. Nos primeiros anos deste festival o forte do cartaz era a música nacional. Só mais tarde aterraram por aqui os grandes nomes à escala mundial mas sempre com a preocupação de compor os alinhamentos com bandas portuguesas novas e consagradas. O espirito do festival é este e é também por aqui que passa o segredo do sucesso da adesão do público.

 

Nesta última noite esse espirito esteve mais vivo que nunca. A enorme fila que se via ao anoitecer para entrar no recinto assustava vista cá de fora: a grande quantidade de pulseiras azuis, as que davam acesso a um só dia, denunciava uma invasão bem maior que nas outras noites; as T-shirts de Ornatos Violeta eram mais que muitas e as conversas que fomos apanhando no espaço de restauração ou no caminho entre os dois palcos não deixavam dúvidas; veio gente de todo o país (Lisboa foi muito referida) só para testemunhar a reunião dos Ornatos!

 

Para abrir o palco EDP foram chamados os veteranos como que a apadrinharem toda esta cerimónia. Os Ladrões do Tempo juntaram em palco à volta de  Zé Pedro o duo Pedro Gonçalves e Tó Trips dos Dead Combo e Paulo Franco (Dapunksportif, Dias da Raiva). Não inovaram nem aborreceram. Cumpriram e até tiveram direito a regresso ao palco para segunda interpretação de «Mora na Filosofia». O povo estava generoso.

Lugar aos mais novos. A viagem não foi longa para os Best Youth que vieram do Porto para confirmarem que merecem estar na selecção de esperanças da música nacional. Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salina, aproveitaram bem a oportunidade apresentado o EP«Winterlies», que chegou a ser destacado pela Les Inrockuptibles, e foram muito bem recebidos.

 

Melhor ainda estiveram os Capitão Fausto que caminham para uma muito interessante qualidade em palco. Se no disco a banda parece mais contida e a procurar o formato mais imediato e pop para a sua música, ao vivo atiram-se para versões bem mais arrojadas, esticadas e experimentais. A banda vai entrar em novas gravações brevemente ocupando uma adega para uma captação de som diferente. Cá esperamos com curiosidade esse resultado.

 

Os intrusos da noite vieram de Brighton, Inglaterra, e mostraram-se cientes que vinham participar numa festa bem portuguesa. Por isso agradeceram a recepção e até tentaram dar umas aulas de inglês para ganharem confiança. A banda de«Ninja», a irrequieta vocalista que conta ainda com a ajuda nas vozes de mais duas companheiras, montaram a sua colorida festa e serviram para entreter uma plateia que não parava de crescer com o pensamento no concerto de encerramento daquele palco. Nota positiva para a passagem dos The Go! Team que superaram uma tarefa pouco fácil.

 

Não sabemos se os Dead Combo em Portugal já tinham tocado para tanta gente. Era um bocado assustador imaginar a música do duo a impôr-se perante tamanho desassossego no recinto onde habitava um ruído de fundo de muitas conversas de quem só queria que chegasse o momento dos Ornatos. Felizmente, a música dos Dead Combo impôs-se mesmo e acabou por ser um bonito concerto onde deu para perceber que afinal as canções estão mais do que assimiladas sendo que as mais conhecidas tiveram uma reacção tão, ou mais, efusivo do que em concertos em nome próprio que temos assistido. Passagem perfeita para o momento mais aguardado desta edição 2012.

 

Perante uma impressionante enchente os Ornatos Violeta sobem ao palco e sem tocarem uma nota percebem logo a histeria que estava ali montada só para os ver. Arrancaram confiantes para um alinhamento que ia trazer de volta o segundo e último disco «O Monstro Precisa de Amigos». Não deixa de ser irónico percebermos que os Ornatos cresceram em culto e reconhecimento em larga escala precisamente depois de encerrarem funções. Estava ali muito boa gente cujo último disco português que ouviu militantemente foi o «Monstro», tratando mais tarde de passá-lo para gerações mais novas que também estavam ali muito bem representadas e sem idade para terem conhecido a banda há mais de dez anos.

São vinte anos de Ornatos Violeta e dois discos, sendo que o disco de estreia nem foi para aqui chamado podemos afirmar que no encerramento de Paredes de Coura se celebrou um dos melhores álbuns da música portuguesa das últimas décadas. Manel Cruz (voz), Peixe (guitarra), Elísio Donas (teclados), Nuno Prata (baixo) e Kinörm (bateria) cumpriram as expectativas, mostraram estar tão entusiasmados e emocionados quanto a plateia. A cuidada preparação desta noite, com ensaios desde Janeiro, resultou num concerto memorável com algumas surpresas além «Monstro». Soube muito bem ouvir «Tempo de Nascer» recuperada desse excelente disco chamado «Tejo Beat». Passagens inesperadas por «Devagar» e «Como Afundar», já com Manuel Cruz em tronco nu sem guitarra e verdadeiramente endiabrado. Continuaram entre saídas e regressos de palco a surpreender indo até aos primórdios da banda, Cruz falou em 1993, buscar «A Metros de Si».

Objectivamente foi uma noite de emoções largas, fez tudo sentido porque a banda devia a si própria uma celebração destas. Em Outubro há, pelo menos, mais quatro Coliseus e os fãs agradecem.

 

Com todas as atenções voltadaspara o palco principal como já se percebeu, ontem o Vodafone FM esteve mais discreto. No entanto houve suficiente ânimo para aprovar as passagens de Youthless e Best Youth. Mais tarde, os canadianos Memoryhouse já contaram com um assinalável culto de fãs e defenderam bem o seu disco «The Slideshow Effect ». Apostamos que vão regressar e serão grandes por cá. 

Muito concorrido foi o concerto dos irlandeses God Is An Astronaut que largaram o seu rock ambiental e instrumental acolhido entusiasticamente.

Em regime mais  after party pós-Ornatos do que after hours os Chromatics ainda foram a tempo de assinar um dos melhores concertos desta edição do Paredes de Coura. No ar ficaram os acordes de «Running Up That Hill» benzidos por Kate Bush.

 

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

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