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Grandes Sons

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Grandes Sons

Paredes de Coura, Dia 3: Regressos, revelações e Riot

Por João Gonçalves

À terceira noite foi de vez. Com a abertura do palco principal, após duas noites de concertos só no espaço Vodafone FM, o Paredes de Coura viveu todo o esplendor de uma primeira noite sem chuva. A casa encheu para aclamar os regressos de dEUS e Temper Trap e desafiar os ouvidos mais sensíveis com os arrasadores Sleigh Bells.
Ganhou vida nova o, até aqui, encharcado Paredes de Coura 2012. Ao fim da tarde percebia-se lna entrada do recinto que os rostos estavam bem mais animados; a motivação era outra e o facto de já podermos procurar o nosso lugar sentado na encosta relvada do palco principal dava logo outra dimensão ao evento.

Percebia-se bem a divisão entre os verdadeiros heróis das duas primeiras noites e os festivaleiros que só chegaram com a abertura do Palco EDP. Os donos de galochas sujas e impermeáveis amarrotados topavam-se à distância pelo ar de alívio. Os recém-chegados comentavam surpreendidos o facto de não terem conseguido comprar nem calçado agrícola nem encontrado casacos impermeáveis. Tudo esgotado. Não chegou a ser preciso, ontem foi noite seca. O que não quer dizer que até sexta não volte a haver festa molhada, ou não estivessemos em Paredes de Coura.

A abertura no palco EDP não podia ter sido mais agradável. Fim de tarde, o verde da relva e das árvores que acolhem músicos e público oferecia uma imagem de cor onde o sol batia e o som dos três irmãos Kitty, Daisy & Lewis era a banda sonora ideal para aquele momento. Ideal mas muito enganadora. Sentados na plateia natural percebemos que muitos foram apanhados de surpresa e ficaram convencidos que estavam a ver uma banda típica norte-americana a mostrar as suas raízes blues country em rock dos anos 50. Mesmo quando a banda mudava de direcção e visitava ambientes quentes como ska ou mesmo reggae pouca gente ali desconfiou que aquela rapaziada é de ... Londres! Aposta arriscada para abertura naquele espaço mas perfeitamente justificada e ganha.

No terceiro dia do Palco Vodafone FM continuou a haver muita vida. No fim de tarde aconteceu a grande revelação com o peculiar Willis Earl Beal a trazer um muito personalizado e solitário híbrido de blues, folk e soul de Chicago. Foi muito bem recebido e até lhe valeu forte elogio de Adolfo Luxúria Canibal via Instagram com direito a foto e tudo. Mas o vencedor da noite foi Patrick Watson que voltou a assinar grande concerto em Portugal e fruto da confiança com que já pisa as nossas terras proporcionou um raro encore (único em todo o Festival?)  a uma plateia rendida.

Dry The River e Team Me passaram mais discretos por aquele espaço mas conquistaram alguns curiosos para as suas causas.

Em ano de comemoração de duas décadas de festival houve cuidado da organização em fazer regressar a Coura algumas bandas que tinham deixado marcas no Minho. Com esse propósito voltaram os Temper Trap que há dois anos surpreenderam ainda antes de «Conditions» se ter tornado um caso sério à escala mundial. Agora com dois discos editados e com uma reputação muito maior os australianos fizeram questão de lembrar a sua estreia por cá em 2010 e entusiasmaram a plateia. O destaque continua a ir para as canções do disco de estreia porque, infelizmente, este novo álbum é um forte tiro no pé. Sempre à procura da batida perfeita em busca de músicas épicas e inesquecíveis, a verdade é que não conseguimos apontar uma única que resulte nem que ultrapasse o que de melhor nos apresentaram na estreia. Aguardemos pelo terceiro passo.

Já os dEUS não precisam de procurar nada na sua música para convencer os seus fãs. Outro regresso a Paredes de Coura muito saudado, encontrámos muitas pessoas que diziam ser este o concerto mais esperado. Os belgas que já este ano assinaram elogiados concertos no Porto e em Lisboa, mostraram-se entusiasmados com este regresso e sentiram, tal como o público, que uma hora de actuação sabe a pouco. Só passaram duas vezes pelo mais recente disco e foram visitando pérolas da sua já longa discografia sempre com o mesmo sucesso. Tom Barman mostra que a sua vivência em Sesimbra dá frutos ao nível da expressão em português e confirma-se como umas das paixões mais antigas e duradoiras do público nacional.

Fora de todo este baralho, o momento da noite vai para o duo Sleigh Bells da aguerrida Alexis Krauss. A banda de Brooklyn entrou a matar e fez estremecer não só o recinto como a vila toda! Com dois interessantes discos editados nos últimos três anos era muita a expectativa como iam colocar em palco toda aquela energia de estúdio. A resposta foi muito rápida: Krauss, à frente de um imponente muro de colunas, tomou as rédeas e liderou um massacre sonoro que na primeira parte do concerto soava tão alto que alguns fãs fugiram das filas da frente. Uma autêntica tareia sempre no limite e dando todo o sentido ao que se conhece dos discos; poder e atitude. Numa palavra: rock! Do bom.

Muito antes de toda esta agitação houve uma hora bem mais tranquila. Os Midlake deixam excelente impressão com esta passagem por Paredes de Coura com o concerto perfeito para um anoitecer calmo. A extensa banda do Texas é convincente em palco, as quatro guitarras usadas de forma superior constroem um universo sonoro pouco habitual mas de resultados práticos tão bons que ficámos com vontade de ir já recuperar o grandioso disco de 2006 «The Trials of Van Occupanther».

Simbolizando bem a variedade que se vive numa só noite em Paredes de Coura tivemos a fechar os alemães Digitalism que cumpriram o propósito de transformar o vale de Coura em pista de dança com o seu electro house. Cumpriram e convenceram.

A festa continua por mais dois dias que se esperam secos como este.

jjoaomcgoncalves@gmail.com

 

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