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Grandes Sons

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Grandes Sons

Paredes de Coura, dia 2: Milhões de Chuva!

in Disco Digital por:João Gonçalves


Ainda a meio gás e só com o palco secundário a funcionar, os verdadeiros heróis das primeiras duas noites de Paredes de Coura não foram Stephen Malkmus, Japandroids , Friends, ou outra banda que tenha passado pelo palco Vodafone FM. Os heróis deste arranque de festival foram os ... festivaleiros (!) por resistido a um verdadeiro dilúvio que transformou o recinto habitualmente verde em lama. A organização recompensou a resistência estóica ao disponibilizar os lugares do parque de estacionamento coberto para dormida menos molhada.

 

Já se sabe que Paredes de Coura sem chuva é como um cão sem pulgas. Não é possível. O que não se esperava, nem se desejava, era que nas primeiras vinte e quatro horas de evento a intempérie não desse o menor descanso aos milhares que acamparam desde cedo nas imediações do recinto. Na descida da vila para a entrada no recinto, o outfit festivaleiro primava pela diferença. Os calções curtíssimos das miúdas ainda lá estavam mas o calçado eram agora galochas agrícolas a preços comentados entre os 5 e os 15 euros. Já eles, na sua maioria, também se aprentavam de calções, bem mais compridos e muitos de banho. Nos pés, sacos de plástico em volta dos sapatos numa tentativa de meter menos água nos pés, muitas capas impermeáveis, algumas de patrocinadores deste e de outros festivais, outras compradas na vila.

Da tradicional entrada no recinto feita sempre a descer até ao espaço do palco secundário vivemos aquela que será a experiência mais próxima do que se vive em Glastonbury tal é a quantidade de lama no caminho. A cada queda descobriam-se plateias laterais meio escondidas a rirem do azar de outros e com comentários à Jogos Olímpicos, incluíndo notas artísticas.

 

Com todo este cenário pode pensar-se que os concertos ficaram para segundo plano e foram pouco concorridos. Nada disso! Durante o dia, a organização ainda colocou a hipótese de passar todas as actuações para o palco principal mas no fim imperou a vontade de poupar aquele espaço na esperança que no terceiro dia tudo seja mais seco.

Com isso, o palco Vodafone FM esteve sempre muito concorrido e ninguém queria sequer ouvir falar em cancelamentos; todos os concertos se realizaram nos horários previstos.

 

O destaque vai para aqueles que seriam os outsiders do cartaz da segunda noite, os americanos Tune-Yards que trouxeram um inesperado ambiente tropical no meio da tempestade. Excelente estreia entre nós com uma entrega imensa da exótica vocalistaMerrill Garbus que fez da apresentação do muito aconselhável disco «Whokill» um ritual tão quente que até fez o milagre de parar a chuva por algum tempo.

 

A mesma sorte não tiveram os Japandroids que decidiram (muito bem) atacar a intempérie com rock puro, duro e selvagem. Quem os ouvia ao longe sem conseguir ver bem o palco não queria acreditar que todo aquele som frenético era construído apenas por duas pessoas. O dúo não hesitou em mostrar tudo o que vale e defenderam convincentemente os seus dois discos, «Post Nothing» (2009) e «Celebration Rock» deste ano. A plateia aprovou e agradeceu gritando o nome da banda no final.

 

Outra mulher que se saiu bem nesta noite foi Samantha Urbani. A líder dos Friends apresentou o belo disco de estreia « Manifest!» editado há poucos meses e econtrou uma boa recepção entre festivaleiros que sabiam as letras ou que só queriam dançar. Passaram com distinção pelo Minho e deixaram expectativas altas para um regresso.

 

Quem já pensa a sério em próximos passos são os PAUS. A banda portuguesa tem estado imparável este verão aparecendo a tocar muito e bem nos principais palcos do país e não só. Hélio Morais confessou em entrevista à Antena 3 antes de subir ao palco que está previsto um regresso a estúdio em Setembro para procurar novos sons, na esperança que saiam algumas composições prontas a serem apresentadas o muito aguardado concerto no CCB lá mais para o final de Outubro. Em Paredes de Coura aproveitaram para exibirem a excelente forma em que se encontram e a confiança com que Joaquim Albergaria anunciou ao povo que não era uma chuvinha qualquer que parava Coura foi suficiente para incendiar uma plateia ávida de festa. Excelente concerto, grande empatia com o público e genial momento que fica na memória quando Albergaria puxou do tema «Umbrella» de Rihanna para cantar a solo com o público.

 

Finalmente, falemos do nome mais aguardado da noite. A estreia de Stephen Malkmus podia ter acontecido sem surpresa no palco principal de Paredes de Coura mas ao ser desviado para este espaço concentrou em si todas as atenções. Afinal era o homem dos Pavement que se estreava a tocar em Portugal. Um pouco antes das 22h40, hora prevista, Malkmus arrancou para um concerto que correspondeu às expectativas. Com uma imagem mais leve, cabelo cortado e com um ar algo desconfiado daquela plateia que se mostrava indiferente à enorme molha que apanhava lá desfilou temas da sua carreia a solo. Bem acompanhado do seus Jicks entusiasmou mais quando passou pelo recente álbum «Mirror Traffic» mas pareceu nunca conseguir (querer?) elevar o momento a grande celebração. Não desiludiu mas fica-nos a dever nova visita menos contida e longe da chuvada que pareceu intimidar mais quem estava no palco do que quem festejava na plateia já empapado.

 

Hoje arranca o palco principal e espera-se que a chuva dê tréguas para os três dias de Festival que aí vêm.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

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