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Grandes Sons

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Grandes Sons

Super Bock Super Rock, dia 2: M.I.A. Del Rey

Davide Pinheiro e João Gonçalves

Lana Del Rey jogou para o trono mas quem tinha as cartas era M.I.A. Da segunda noite de Super Bock Super Rock ficaram ainda óptimos concertos de Friendly Fires e Wraygunn. E desta vez, houve cerca de 20 mil pessoas para os ver.
O segundo dia do Super Bock Super Rock começou praticamente como terminara o primeiro dia. Vazio e com uma banda sem um horário conveniente. Tal como os Hot Chip tinham sofrido com a ausência de público na noite anteriores, também os seus primos da DFA, The Rapture se depararam com uma plateia pouco composta para ver um espectáculo muito similar ao apresentado há pouco menos de um mês no Optimus Primavera Sound. Mesmo não sendo uma banda diurna, responderam com competência. «How Deep Is Your Love», o hino ringtone, acabou por chamar os distraídos mas a grande canção continua a ser «House of Jealous Lovers».
 
O happening da noite e até do festival foi Lana Del Rey. Para quem não recebeu feedback do concerto do Sónar a segurança na voz, o registo intimista e a proximidade com o público foi uma surpresa. A performance horripilante no «Saturday Night Live» já lá vai: a cantora que esteve no Meco nada tem a ver com a figura assustada e temerosa que falhou onde não podia. Aquilo a que se assistiu foi uma espécie de recomeço, uma segunda oportunidade justa para uma voz que, desta vez, não errou.
 
Foi um bom concerto, confiante e afirmativo, que, porém, deixou a nu a fragilidade das canções. E são muitas. Por muitos gestos à Rita Hayworth, por muita pose que encene (antes uma boa representação que uma personagem sem vida), por muito que se aproxime do público e se deixe tocar para mostrar que é real, o repertório de Lana Del Rey é demasiado fraco. Ou dito de outra forma, não sustenta uma personagem que tem agora outro músculo. Falta-lhe o «argumento» para defender a iconografia mas a estreia em Portugal amenizou o ódio que se gerou à sua volta.
 
Surpreendente foi a histeria adolescente nas primeiras filas; Lana Del Rey respondeu de forma tocante e repetiu a visita aos seus fãs, talvez para garantir que é real, de carne e osso. Ouviram-se as canções que todos esperavam - «Video Games», «Born To Die», «Blue Jeans» e «National Anthem» - mas também não havia mais. Quando se comentava uma possível queda, a reacção foi de pé e em frente. Para muitos, representou a manutenção do estado de graça; para todos o resguardo do estado de graça.
 
A ambição foi o trono mas quem tinha as cartas era M.I.A. que limpou a imagem de um concerto pobre no Sudoeste de há dois anos. Então, apresentou-se no mesmo formato, com uma DJ e bailarinos, mas sem uma potência sonora a condizer. Desta vez, a artista do Sri Lanka pôs os «betos» a dançar ao som do subúrbio com ritmos que não são tão estranhos agora como seriam em meados dos anos zero quando se tornou um dos primeiros rostos da viralidade da Internet.
 
O som de M.I.A. representa a rua e as ruas. O caos, o trânsito, a vivência na pele e o apelo aos sentidos. A qualidade do som nem sempre ajudou - um problema que se arrasta há diversos festivais que não apenas o SBSR - mas M.I.A. dominou o público com uma comunicação global que não precisa de muitas palavras para libertar uma mensagem de liberdade e transgressão. Teoricamente, viria apresentar um álbum novo mas, inteligentemente, percebeu que num festival isso pouco ou nada importa. Mais importante é fazer festa. Teste passado com distinção. Melhor concerto da noite.
 
Mesmo sem sopros, os Friendly Fires confirmaram que são uma óptima banda ao vivo e não se trata apenas de energia. Canções como «Hurting» são realmente boas e merecem ser descobertas ou recuperadas (riscar o que não interessa). Se há concertos que valorizam bandas, este foi um deles. Do rock dançável com sensibilidade saiu uma actuação com calor e emoção a pedir um regresso em nome próprio. Ou como as carreiras dependem hoje mais dos singles e do factor de palco do que de um longa-duração.
 
O slogan do Super Bock Super Rock é Meco, sol e rock´n´roll mas a última palavra nem sempre é cumprida no cartaz, também pela ausência de acontecimentos no rock actual (Black Keys e Alabama Shakes são excepções que não anulam a regra). Se olharmos para dentro, o panorama não é diferente pelo que uma banda com um estatuto sólido como os Wraygunn tem hoje ainda mais traquejo naquele que sempre foi o seu habitat natural: o palco.
 
Com argúcia, foram capazes de reconhecer que num festival não vale a pena investir no álbum mais recente quando já poucos ouvidos se dedicam com afinco a um longa-duração. Por isso, concentraram-se em canções com história no mapa recente do rock português - «She´s a Go-Go Dancer» ou «Drunk Or Stoned?», juntaram-lhes dedicatórias às miúdas mais giras do festival, uma versão de «Teenage Kicks» dos Undertones e construiram um concerto rock exemplar. A seguir, os Horrors foram bem recebidos graças ao último álbum «Skying» que mostrou ter uma legião considerável de conhecedores.

 

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