Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Super Bock Super Rock, dia 1: As sessões do deserto

Davide Pinheiro e João Gonçalves

Os problemas do pó no recinto e do acesso a Herdade do Cabeço da Flauta foram resolvidos mas não pelas melhores razões. A fotografia da primeira noite do Super Bock Super Rock é a de um cenário desolador de público que contagiou as bandas.
O tema de todas as conversas no primeiro dia do Super Bock Super Rock não foram os concertos mas sim o vazio de público. Razões? Carteiras que não esticam e cada vez mais se contém, um cartaz inferior ao da concorrência directa do Optimus Alive e a imagem negativa que o festival deixou desde que se mudou para o Meco.
 
Ironicamente, a virtude das duas edições anteriores, o cartaz, é o maior defeito deste ano; não por não haver bandas com relevância mas pelas divergências geracionais. Por exemplo, Peter Gabriel dirige-se a um público que já não vai a festivais de rock com um espírito «adolescente» enquanto Skrillex é um ídolo teen do microblogging que também não veio em comitiva para o Meco. Pelo menos, não num número suficientemente grande para um cabeça-de-cartaz.
 
O primeiro desafio do festival foi vencido. A relva sobreviveu sem problemas e o recinto ganhou uma nova cara, mais verde. É verdade que a pouca afluência de público (a olho nu não estariam dez mil almas) ajudou a concretizar esse objectivo mas esse foi um passo necessário dado com eficácia.
 
Nesta quinta-feira - e a antecipação do festival para um dia de semana também não ajudou - os Incubus falharam onde podiam ganhar: o desafio à geração de 90. Foi um concerto sem chama, no máximo cumpridor, em que o auge foi uma imitação da Pantera Cor-de-Rosa por Brandon Boyd. O sexo feminino ganhou um pretexto para colorir os sonhos mas, se mais provas fossem necessárias, percebeu-se porque razão os Incubus ficaram presos no tempo. Os êxitos de há uma década são os mesmos: «Pardon Me», «Nice to Know You» e «Wish You Were Here». O resto é palha para encher jogos de cartas.
 
Não menos decadentes estão os Bloc Party que apesar de terem surpreendido ao apresentar uma versão de «We Found Love», de Rihanna, mostraram que não deviam ter voltado ao activo. Em palco, viu-se uma banda sem emoção, química ou vontade, que deveria ter conservado a memória intacta em vez de regressar. Há um álbum novo previsto para Agosto mas isso pouco ou nada interessou e os Bloc Party foram os primeiros a desentusiasmar-se. Se em 2004, surgiam como uma banda de revivalismo fresco, oito anos depois são um corpo ligado à máquina, arrasado pelo tempo. Kele, volta para a electrónica!
 
E a fechar o palco maior, os Hot Chip sofreram, e de que maneira, com a debandada geral e deram um concerto à dimensão da lotação com que se depararam. Prometiam uma celebração mas nem chegaram a atirar os foguetes, tal a pressa com que despacharam hinos de pista como «Ready for the Floor» ou o novo «Night & Day». Mas se não havia (quase) ninguém para apanhar as canas, que culpas lhes podemos atribuir? Há dois anos, perante um contexto diferente tinham feito a festa. Agora nem festinhas.
 
Nem tudo foi mau, bem pelo contrário. Como os Chromeo no passado, os Battles agigantaram-se num palco teoricamente mais pequeno, mas com ouvidos mais dedicados, e deram um concerto de virtuosismo e ideias em que os dois álbuns são passados em revista com a dimensão experimental perfeita e necessária para um festival. Não havia muita gente para os ver e ouvir mas quem arriscou, não saiu a perder. Foram os vencedores da noite para uma imensa minoria que também «celebrou» Bat for Lashes, uma performance em crescendo, e os Alabama Shakes.
 
Quanto a estes últimos, ilustres representantes de um rock´n´soul canónico, levam o prémio de revelação, não tanto pelo espectáculo que se limitou a reproduzir as boas canções do álbum «Boys & Girls» mas porque a sua presença no SBSR abriu um bom precedente. «Hold On», o single foi o segundo tiro de um alinhamento sem sobressaltos em que o registo on the road foi cumprido por músicos que parecem saídos de uma bomba de gasolina algures na Route 66.
 
 Na tenda electrónica, Dâm-Funk foi o Prince do boogie a quem faltou outro tipo de reacção popular para que o mercúrio dos termómetros subisse. A seguir, os Apparat trouxeram abstraccionismo, dinâmicas e tensões que, apesar da beleza intrínseca, não foram a melhor companhia para os restantes ritmos. Flying Lotus desiludiu, não por sua culpa, mas por se apresentar como DJ em vez de live act. E os Magnetic Man fizeram muito para contrariar a pouca potência do PA mas os graves nunca chegaram a ser «sub». No mínimo, mereciam mais som e gente para ouvir a sua estreia em Portugal. Uma sina deste SBSR.

1 comentário

Comentar post

redes sociais

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Links

actualize-se

Festivais

  •  
  • sirva-se

  •  
  • blogues da vizinhança

  •  
  • músicas do mundo

  •  
  • recordar João Aguardela

  •  
  • ao vivo

  •  
  • lojas

  •  
  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2008
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2007
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2006
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D