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Grandes Sons

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Grandes Sons

Rock In Rio, dia 5: Por um mundo melhor

 

Davide Pinheiro e João Gonçalves - Disco Digital


A música ainda é capaz de motivar esperança e alento. O concerto de Bruce Springsteen foi um épico esmagador e agregador de energia que fica para a história de palcos portugueses.

 

Nunca a mensagem do Rock In Rio - «por um mundo melhor» - havia sido cumprida como no encerramento da edição deste ano. Bruce Springsteen, o «patrão do rock», justificou a enchente no recinto e a paciência de 81 mil espectadores que aguardaram até depois da meia-noite.

Foi um espectáculo de uma consensualidade esmagadora e inigualável no cardápio português recente. Na história do Rock In Rio, apenas a noite de Paul McCartney, em 2004, se assemelhou e, nesse caso, sem proporções tão grandiosas e imponentes, capazes de criar alento popular.

O final épico com «Born In The Usa», «Born To Run», «Glory Days» e «Dancing In The Dark» foi um momento histórico, digno de uma manifestação social que começou na Bela Vista e se irá certamente prolongar no YouTube e, por arrasto, nas redes sociais. Uma sequência das canções memóraveis na história do rock capazes de defender um festival inteiro.

Houve muito mais do que isso, contudo. «Twist and Shout» fechou um alinhamento de desafio permanente em que pedidos populares inesperados foram respondidos com improviso face à «equipa inicial» distribuída imprensa minutos antes de Springsteen e a E-Street Band voltarem a actuar em Lisboa quase vinte anos depois da estreia em Alvalade.

Canções «I´m On Fire» e «Hungry Heart» foram acrescentadas na hora sem que se notassem diferenças. Com a sua música transversal, o «Boss» foi capaz de transmitir uma mensagem unificadora de esperança em que o sonho americano alarga fronteiras e se expande a outras geografias.

Muitas vezes se duvida que as canções ainda tenham capacidade de mexer com o mundo; pois bem, Springsteen demonstrou que elas ainda são capazes de ter um impacto social e de nos fazerem reflectir sem que o carácter espectacular e grandioso se perca. Por todas as razões e mais alguma que se encontre nas próximas semanas, a madrugada de 4 de Junho vai perdurar na memória.

Apesar da vitória por maioria absoluta, o Palco Mundo não teve apenas um patrão. Imediatamente antes, os líderes incontestados do rock português – pelo menos de um ponto de vista histórico – voltaram a justificar a «residência» no festival com uma actuação eficaz embora sem surpresas.

 

Os Xutos & Pontapés não dão maus concertos e têm em «Circo de Feras», «Contentores» ou «A Minha Casinha» réplicas de rock de estádio com a força necessária para serem entoadas por uma vasta multidão. Há muito que não têm um clássico com essa dimensão mas essa é uma questão menor num festival generalista.

 

Já os Kaiser Chiefs regressaram ao Rock in Rio quatro anos depois e sem continuar a não conseguir fazer um êxito que faça esquecer o primeiro disco de 2005. Em compensação, o vocalista Ricky Wilson continua a oferecer momentos únicos a cada passagem por Portugal. Desta vez, fugiu do palco e correu colina acima até à torre do slide . Sem hesitar, fez a ligação aérea ao extremo posto do de microfone na mão perante o delírio e espanto da já vasta plateia. Já quanto à música continuam a viver dos tais êxitos de início de carreira.

 

Os James já têm um largo historial de concertos em Portugal, tendo chegado a ter os Radiohead a abrir um concerto no Restelo, mas nunca tinham pisado o palco do Rock in Rio. Tal como Bryan Adams, a escolha justifica-se plenamente pela excelente relação que sempre mantiveram com o público português e pela respeitável colecção de êxito. Foi sem esforço que Tim Booth e companhia conquistaram a atenção das cerca de 70 mil pessoas que já estavam no recinto pelas 21h00 e que fizeram deste regresso da banda a Lisboa uma enorme festa deixando visivelmente emocionado o vocalista. O momento de maior realce surgiu quando Saul Davies, guitarrista casado com uma portuguesa e até já viveu por cá, se expressou em bom português alertando para os graves problemas sociais que vivemos acabando a desejar boa sorte para o nosso futuro. Agradecemos as palavras e o concerto que nos fez lembrar que temos sempre a música para nos alegrar. Vídeo aqui.

 

No Palco Sunset o último dia de reencontros juntou Carminho e Pedro Luís, a jovem fadista confirmou a sua versatilidade e à vontade em registos fora do fado. Mas foi David Fonseca o responsável pela maior enchente daquele espaço. Juntamente com Mallu Magalhães desfilou os seus êxitos que ganharam muito com a voz quente da brasileira e nem os problemas de som que deixaram o palco mudo mais do que uma vez atrapalhou a bem sucedida reunião.

A festança rija chegaria com Rui Veloso e Erasmo Carlos num concerto de grande cavaqueira em que a experiência se casou com o entusiasmo. Músicos de excelência e canções intemporais fizeram o resto num repasto perfeito.

 

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