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Grandes Sons

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Grandes Sons

Rock in Rio, dia 3: Os cinco no festival

 

Por: Davide Pinheiro e João Gonçalves - Disco Digital


No dia da grande invasão brasileira, o hino cantado foi o português. A festa foi feita pelas crianças, os Expensive Soul mostraram a sua vitalidade, a estreia dos Maroon 5 correu muito bem, Ivete Sangalo cumpriu a tradição e Lenny Kravitz perdeu-se em solos intermináveis.

 

Depois dos tons negro da primeira noite e da enchente da segunda, o Dia da Criança trouxe um colorido diferente ao recinto do Rock in Rio. Muitos foram os pais que festejaram a data na Bela Vista com os seus descendentes aos quais se juntaram muitos outros contemplados com convites de instituições como foi o caso da Fundação Luís Figo. Assistiu-se a uma louca correria à roda gigante, à montanha russa e a todas as atracções espalhadas pelo recinto.  

 

Já não é novidade para ninguém que este festival cativa o público pela vertente familiar do passeio pelo Parque e que termina com apostas seguras no palco principal de bandas que tenham canções com potencial orelhudo reconhecido por todos sem grande esforço. No entanto, os mais interessados tinham uma excelente oportunidade para ver em palco alguns bons exemplos de música que se anda a fazer por cá.

 

Infelizmente, as actuações dos doismileoito ou d´Os Velhos no palco Vodafone passaram despercebidas, tal como o concerto que juntou os Orelha Negra aos brasileiros Kassin e Hyldon no palco Sunset não conseguiu competir em adesão popular com as filas para brindes, prémios e carrosséis. Ainda assim, os Orelha Negra ainda conseguiram agitar a plateia quando recuperaram alguns êxitos dançáveis dos anos 90 dos Dee-Lite, MC Hammer e Snap! Com o muito aconselhável segundo disco editado há menos de duas semanas, o alinhamento variou entre novidades e canções do primeiro disco em ritmo muito dançável e apropriado ao cenário de fim de tarde.

 

Mais sorte teve Boss AC que com a ajuda da banda de Zé Ricardo atraíu muitos novatos já rendidos ao viral «Sexta Feira (Emprego Bom Já)» e fez render outros êxitos que, pela longevidade, ameaçam tornar-se clássicos como «Baza, Baza».

 

Em jeito de confirmação do outro lado do recinto, os Expensive Soul abriam o Palco Mundo com uma convincente actuação mostrando que o hip hop português está de boa saúde e já apresenta uma respeitável panóplia de êxitos reconhecidos por miúdos e graúdos. A banda de Leça da Palmeira aproveitou a boa onda que sabiamente construiu com a vasta plateia e em jeito de ensaio para a aventura que daqui a uma semana todos vamos viver na Ucrânia e Polónia com a nossa Selecção de futebol, arrancou o hino nacional cantado com convicção para surpresa da enorme mancha verde e amarela.

 

Rock in Rio sem Ivete Sangalo não é Rock in Rio. Ivete Sangalo sem «Poeira», não é concerto. A tradição cumpriu-se, Ivete cantou a canção que já é uma espécie de hino alternativo do evento, os seus compatriotas fizeram a festa do costume colorindo a plateia com camisolas e bandeiras não só da Canarinha como também dos principais clubes brasileiros. A surpresa aconteceu quando Ivete, ao piano, cantou «Easy» dos Commodores e popularizada pelos Faith no More. Pelo menos, foi diferente. 

 

Diferente, por ser uma estreia numa noite de repetentes, foi também o concerto dos Maroon 5. Há muito instalados no airplay das rádios e murais, a banda liderada por Adam Levine mostrou como é possível apresentar um espectáculo pop à americana, eficaz e próximo, sem ter que introduzir arquétipos tecnológicos. Apesar da«mancha no currículo» que é o embaraçante «Moves Like Jagger», canções como «This Love», «She Will Be Loved», «Wake Up Call» e «If I Never See Your Face Again» são a pop no seu maior equilíbrio.

 

Além de Levine ser um óptimo frontman, a banda é muito competente. Inventa dentro dos limites, abre-se ao virtuosismo só quando é estritamente necessário e deixa o vocalista brilhar, consciente de quem é a estrela da companhia. Foi o melhor da noite a pedir um regresso que será certamente tão aguardado quanto o foi este desvirginar em palcos portugueses oito anos depois de se terem revelado globalmente.

Por falar em virtuosismo, mas no pior sentido, Lenny Kravitz confirmou a curva descendente de uma carreira já longa e que está agora em erosão. Os óculos escuros, os solos intermináveis e a pose de estrela rock já não colam, sobretudo quando não há novas defesas. Das duas uma: ou Kravitz é mitómano e continua a viver mentalmente de rendimentos do passado - e já lá vão quase quinze anos desde «5» - ou não quer ver aquilo que toda a gente observou. Um abandono geral ao fim de pouco tempo.

 

Tal como os Smashing Pumpkins não justificaram ser a banda de fecho, também Lenny Kravitz demonstrou porque não fez falta a este cartaz. Ao cuidado da organização, não vale a pena insistir num nome que já não colhe consenso nem mediatismo nem é capaz de agregar multidões. Não que tenha mudado assim tanto mas este não é definitivamente o seu tempo e há quantos anos não têm um êxito global?

 

Na Tenda Electrónica, Dyed Soundorom foi discreto mas eficaz e ajudou a lançar uma festa concretizada por Jamie Jones e Maceo Plex em ambiente rave. Por aqui, tudo bem.

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