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Grandes Sons

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Sérgio Godinho no Coliseu dos Recreios: Na vida real

Texto: João Gonçalves


Os 40 anos de carreira de Sérgio Godinho foram celebrados numa noite de regresso ao Coliseu dos Recreios em que desfilaram memórias de canções em versões actualizadas e novidades de um disco acabado de editar que testemunha a vitalidade de um nome maior da música portuguesa.


Teoricamente, um concerto de Sérgio Godinho na sala de espectáculos mais ilustre de Lisboa, em que se comemoram 40 anos de carreira na noite de ressaca de uma Greve Geral (que até obrigou a adiar este evento por uma noite) era motivo mais do que suficiente para termos um Coliseu esgotado. Infelizmente, a realidade é outra e a versão oficial será que a malvada crise afastou o público; curiosamente a Avenida da Liberdade apresentava um enorme movimento de carros e as esplanadas estavam cheias de «grevistas» a consumir shots. Citando o próprio, «Só Neste País»...

 

Com um contexto social tão agitado podia pensar-se que Sérgio Godinho quereria forçar a mensagem política mas prevaleceu a concentração no essencial: a música. Até porque estas canções já estão cheias de dicas, criticas e observações pertinentes que cada vez nos soam mais actuais como é o caso de «A Vida É Feita de Pequenos Nadas», «Arranja-me um Emprego», «Liberdade», «Etelvina» ou «Só Neste País», que mereciam mais introspecção da plateia e menos palminhas parolas e precipitadas.

 

Godinho prometeu dar nova vida ao seu repertório de sempre e apresentar canções menos conhecidas do novo álbum. Cumpriu e conta com a preciosa ajuda dos Assessores que formam uma forte banda com ricos e bem trabalhados arranjos. Também houve tempo para ver o cantautor sentado na boca de palco em formato individual e acústico acompanhado da sua viola e rodeado da Roda de Choro de Lisboa. Sentiu-se a falta de Bernardo Sassetti na negra como a noite «Em Dias Consecutivos» mas depois uma impressionante sucessão de hinos mais e menos recentes deixou o Coliseu rendido à genialidade de «Parto Sem Dor», «Balada da Rita», «Dancemos no Mundo», «Coro das Velhas» e o «O Primeiro Dia».

Pelo meio, Godinho tirou discretamente o retrato da nação à sua boa maneira, curto e conciso: «Ora vivemos em euforia, ora vivemos em depressão. É este o país reconhecido pelas Nações Unidas». Frase que ilustra na perfeição o jeito com que inteligentemente filtrou canções de vinte discos editados e conseguiu agradar a todos.

 

A recta final foi épica com a recuperação de alguns dos seus temas de marca registada:«O Elixir da Eterna Juventude», «O Homem dos Sete Instrumentos» e «Com um Brilhozinho nos Olhos» que facilmente servia para descrever o rosto da maioria do público que a seguir abandonou o Coliseu.

 

Aos 66 anos Sérgio Godinho mostrou que podemos contar com ele para nos ajudar a pensar através da sua maneira única de falar cantando as nossas preocupações. Assim queiramos ouvir e perceber mais do que aplaudir e conformar.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

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