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Grandes Sons

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Grandes Sons

Ryan Adams na Aula Magna: So(lo) e mal acompanhado


A estreia de Ryan Adams em Portugal não foi fácil nem para o americano, nem para os fotógrafos, nem para os espectadores mais inquietos. Entre tiradas de humor e percalços com a harmónica, houve versões para todos gostos em mais de duas horas de concerto para uma sala bem composta mas longe de encher.


Ryan Adams é rapaz activo, tem um passado de que se pode orgulhar com os Whiskeytown, banda da linha da frente do chamado alt. country, e apresenta uma colecção de discos a solo (ou com os The Cardinals) de respeito e que ronda a dezena de edições. Quando um homem destes resolve partir para uma digressão a solo munido apenas de uma guitarra e harmónica sabe que tem um grande universo de canções interessantes para despir e partilhar com os seus fãs num ambiente íntimo.

O conceito chamou muitos interessados mas mostrou-se insuficiente para lotar a Aula Magna. Logo à entrada avisos entregues e afixados no local ameaçavam interrupções de concerto caso não fossem cumpridas as ordens do artista no sentido de proibir o uso de máquinas fotográficas e telemóveis captando imagens, vídeos ou para receber chamadas. Isto na era das fotos no Facebook e dos vídeos no Youtube não deixou de causar estranheza.

 

É importante explicar que a reportagem do Disco Digital foi feita a partir das cadeiras mais altas da sala, que ficam longe do palco, e por isso, gerou uma visão privilegiada sobre a maioria dos espectadores. As dificuldades em acompanhar os monólogos de Ryan Adams foram sentidas já que o músico usou sempre um tom muito baixo.

 

Ryan entrou atrasado e depois de se ter ouvido nas colunas novo aviso sobre a proibição de imagens e vídeos. Começou bem ao som de «Oh My Sweet Carolina» até que recorreu à harmónica e espalhou-se ao comprido assassinando a canção. Culpou o instrumento e percebemos que não ia ser uma noite convencional de perfeitas interpretações.

 

À medida que ia avançando no alinhamento vimos a satisfação dos zelosos seguranças da sala de lanterna em punho muito activos a controlar os gestos da plateia, ao nosso lado um casal aproveitou o embalo das canções quase sussurradas para pôr o sono em dia e só quando Ryan se levantou e tocou/cantou com mais genica vimos o casal a despertar.

 

Também vimos uma inusitada movimentação de espectadores a caminho do bar e da casa de banho no intervalo de cada música e ouviu-se alguma tosse a romper o silêncio instalado na sala de cada vez que Ryan se perdia à procura de pautas, letras e outros adereços.

Sempre à vontade com as suas falhas, o americano usou a ironia e o humor para comunicar com a plateia e até mostrou preocupação com a saúde de quem tossia. Conseguiu sempre arrancar risos nas suas intervenções criando a empatia necessária para poder escolher à vontade o que lhe apetecia tocar, fossem temas muito aguardados como «New York New York», «Strawberry Wine», «Come Pick Me Up», ou recorrendo a canções novas desconhecidas.

 

A nível musical diga-se que o concerto andou por momentos de sonolência e por momentos de génio puro só ao alcance de gente com talento incomum como é o caso de Ryan Adams e esses valem o preço do bilhete. Os momentos de humor também ficam aprovados mas genial mesmo seria Ryan Adams arrancar uma versão de «Summer of 69». A sua ironia não vai tão longe.

 

in Disco Digital

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