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Grandes Sons

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PJ Harvey na Aula Magna: Isto é o desejo

Foto@Eduardo Santiago/SAPO Música

 

Na primeira de duas noites em Lisboa, PJ Harvey defendeu em palco «Let England Shake», o disco que deu o mote para um concerto de tons sombrios e ambiente mais folk que rock.

O resultado foi uma noite mágica e inesquecível.


Ver PJ Harvey ao vivo em 2011 é na prática conhecer pessoalmente o seu disco mais recente. Isto são sempre boas notícias para os seus admiradores; para os que conhecem e gostaram do disco é uma experiência que os pode fazer gostar mais ainda de «Let England Shake». Para os que não chegaram a explorar o álbum, resulta a certeza de o ouvirem muitas vezes.

Longe da imagem de indie rocker de salto alto, PJ Harvey hoje apresenta-se discretamente num canto do palco deixando espaço para os seus companheiros respirarem e serem vistos. Veste-se em tons de negro da cabeça aos pés, vai alternando entre a guitarra e a auto harpa ao longo da noite sem nunca sair da sua posição.

 

A aposta é toda apenas e só na música: não há invenções, não há improvisos, não há retribuição à euforia vinda da plateia sempre que o silêncio entre as músicas se instala no palco. PJ está ali para mostrar as suas novas canções e nada mais. Nós só temos que agradecer uma noite assim em que não são precisos diálogos elogiosos com a plateia ou solos desnecessários. Há um clima de contemplação à artista, justo e natural, e ela responde da melhor maneira que sabe, com a sua voz e canções.

 

Este «Let England Shake» torna-se menos pesado e dramático ao vivo do que em disco. O tema à volta da guerra é suavizado com a visão dos músicos ali à nossa frente, o ambiente sonoro remete-nos mais para a folk britânica do que para o rock dos anos 90 com que PJ Harvey conquistou o mundo. E no entanto é tudo tão coerente, tão fluído que nem damos pelo tempo passar à medida que se avança no alinhamento.

É claro que esta viagem pelo mais recente disco teve desvios e outras paragens. Esse é outro mérito deste concerto que consegue recordar «The Sky Lit Up», «Angelene» e «The River» de 1998, «Pocket Knife» de 2004, «C`mon Billy» do saudoso «To Bring You My Love» ou «Big Exit» de 2000 com alguma naturalidade ao longo da noite sem nunca destoar do ambiente criado pelos mais recentes temas.

 

Foram estas recordações que mais entusiasmaram uma plateia completamente esgotada e sempre no limite de um entusiasmo que PJ Harvey foi sempre contendo até à primeira despedida antes do encore, altura em que, finalmente, se dirigiu aos fãs para agradecer. Além desses agradecimentos também apresentou a sua luxuosa banda onde pontificam Mick Harvey e John Parish, dois figurões, e ainda o baterista Jean-Marc Butty. O público aproveitou para soltar as palmas e gritos coroando o momento com uma estrondosa ovação. Grande regresso de PJ Harvey ao nosso país e ainda ficamos com um disco que ganha nova alma após esta belíssima apresentação.

 

João Gonçalves

jjoaomcgoncalves@gmail.com

in Disco Digital

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