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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

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Fernando Magalhães: 6 Anos de Saudade!

Faz esta semana 6 anos que faleceu o jornalista Fernando Magalhães. Nunca o esquecerei e são muitas as ocasiões que me lembro dele e sei quantas saudades tenho de conviver e aprender com ele.

Recupero aqui o texto que deixei no antigo Fórum Sons na hora em que tive de encarar a triste notícia. Está actual e serve para o lembrar:

 

Acabo de ver um filme em dvd e vou buscar o meu telemóvel esquecido algures pela casa fora. Reparo que tenho duas chamadas não atendidas do Cristiano. Penso que terá alguma coisa a ver com a troca de bocas sobre a luta pelo título, e sorrio. Pensei melhor e pus-me a pensar que já não eram horas para ele me ligar, ainda por cima num domingo à noite, ainda por cima duas vezes. Resolvo ligar para saber o que se passa. Nisto recebo sms do Filipe Rodrigues... Antes de ler uma estranha sensação percorreu os meus sentidos. Leio que o Fernando Magalhães morreu.
Sem tempo para reagir, atendo o Junqueira. É chocante perceber que perdemos o Fernando.

Os minutos passam, as memórias aparecem em imagens mentais numa velocidade alucinante, as lágrimas aparecem. Penso no fórum, o único espaço onde me apetece ir neste momento. Corro para o computador para saber mais.
Penso no que vou escrever, e resolvo relatar estes minutos tristes que só existem pelas incontáveis horas de humor, amizade, aprendizagem e convívio que o FM proporcionou.

Ando com o filme atrás para me tentar lembrar quando é que comecei a ler crónicas dele. Impossível chegar à data precisa, já uma vez tinha tentado com ele e não chegámos a conclusão nenhuma. Sei que o primeiro texto que me marcou foi a reportagem dele ao concerto-tributo a Freddy Mercury em Wembley, salvo erro no Independente. Uma prosa com um humor e uma lata que me deixaram deliciado. Nunca mais perdi o rasto ao jornalista.
Muito aprendi à conta das suas críticas. Mais recentemente, fim da década passada e início desta, comecei a perceber que só comprava o suplemento musical do Público por causa de alguns escribas, ler as peças do FM era obrigatório.
Por alturas de 1999/2000 comecei a interessar-me a sério por música que até aí não ligava muito. Seguia os conselhos do FM no Público e fui abrindo as portas da Folk e da Electrónica. Era normal levar o Sons debaixo do braço ao sábado para as compras de cd’s.
Por essa altura tenho a sorte de descobrir o Fórum Sons, alojado no site do Público, e em pouco tempo começar a poder comunicar com o Fernando Magalhães. Lembro-me que a primeira vez que vi um texto meu no fórum ser comentado pelo FM, fiquei emocionado, cheguei a escrever lá que era uma honra para mim! Como resposta levei logo um belo gozo à FM, e foi isso que, de certa forma, mudou a minha vida.
Percebi que afinal eu podia conviver com as pessoas que eu mais admirava, que afinal génios como o FM eram acessíveis.

Do convívio no fórum aos primeiros encontros em jantares de noites de concertos, foi um pequeno passo. A empatia com o FM foi logo enorme.
Num ápice o Fernando passou a ser um de nós, um dos habituais participantes nas grandes jantaradas, presença assídua em todos os concertos, ou até só para bebermos uns valentes copos.
Esta aproximação resultou num número elevadíssimo de histórias fabulosas, com o FM por perto não era complicado termos noites memoráveis.
Neste momento recordo-me dum concerto do Rodrigo Leão na Aula Magna. Fiquei ao lado dele bem lá à frente, ao pé dos vips e de outros jornalistas. Vínhamos animados do jantar e aquilo estava a ser um bocado, vamos lá, parado de mais para o nosso estado de alma. Nós íamos rindo e fazendo piadas, perante o natural desagrado dos nossos “companheiros”, mas a coisa estava controlada. Até que eu lhe digo que quem estava ao piano era o Jorge Gabriel e não o Rodrigo Leão. Aí, o Fernando larga uma daquelas gargalhadas, isto numa altura bem calma do concerto. Foi de tal maneira que tivemos de ir para o bar...
Outra: eu, o Junqueira e o Fernando, juntos para assistir a um concerto dos Madredeus numa tenda de circo aquecida. Não estivemos lá dentro nem cinco minutos. Ficámos o tempo todo da parte de fora a beber cerveja e na conversa. Ao intervalo aconteceu o que acontecia sempre, muitas pessoas abordavam o Fernando na ânsia de lhe sacar um comentário sobre o espectáculo. A maneira como ele conseguiu comentar um concerto que não estava a ver foi inesquecível: “Se estou a gostar? Sim, o Ayres Magalhães está muito empenhado, se bem que depois isto com a Teresa é sempre assim, ela faz as coisas parecerem fáceis.”. E pronto lá ia o interlocutor feliz da vida, muitas vezes o Fernando nem sabia ao certo com quem tinha estado a improvisar, mas dava para umas valentes gargalhadas. O Fernando era assim.

Já num âmbito mais “private” aqui do fórum, foram com ele as tiradas mais engraçadas e históricas de sempre. O Homem-árvore, a lenga lenga de voltarmos ao fórum antigo, as listas intermináveis, as fases pós 16h30, o vendedor de bonecas insufláveis, o 10/10 na hora aos Mr. Bungle, os Dat Politics e a pop francesa, o Magnólia...
Acho que dava para fazermos um livro sobre tudo isto.
Lembro-me de uma noite má que passámos em Setúbal, num jantar de anos dele, que tinha corrido lindamente tal como tantos outros que ali fizemos, ao irmos para o carro, juntamente com o Nuno Proença, fomos assaltados por um grupo de 6 ou 7 anormais. Como eu ofereci resistência até à última, os rapazes ficaram enervados e “apertaram” com o Fernando, que largou facilmente um saco de com cd’s enquanto me dizia que não vali a pena arriscar. No fim, eu consegui salvar o meu auto rádio, mas ele ficou sem os cds, ainda me lembro do comentário: “ao menos vais a ouvir música para Lisboa”.

Outra faceta do Fernando era o seu lado lagartão. Eu que o via como um homem da música, aos poucos fui percebendo o quanto o homem sofria com o Sporting. E , claro está, o que ele rejubilava com os desaires do Benfica. Num célebre Benfica-Alverca, que o Alverca venceu por 1-2, estava a jantar com pessoal do fórum em Setúbal. O FM estava ao meu lado, e fartou-se de gozar com a situação. Ainda hoje me lembro que me fez rir com um comentário dele: “Pá, ó João, mas o Alverca não é vosso satélite?! Porra, já estou mesmo a ver amanhã a darem a vitória ao Benfica, vão alegar que com a pressa de começar o jogo, e como os jogadores são todos do mesmo clube, trocaram as camisolas, o Benfica são os azuis. O tal azul à Benfica...”
O FM pertencia à minha lista verde de sms’s. Sempre que o Sporting vacilava lá ia sms para ele. O que vale é que ainda recebi alguns “trocos” bem engraçados...

Vou sentir muita falta, revolta-me saber que isto ficou por aqui. Que não posso mais dar boleia e ficar na conversa com ele entre a redacção do jornal e a casa dele, que já não vou mais às pretas do Baleal com ele, que não vou ver aqueles fabulosos óculos a animarem qualquer espaço, que não o vou ver em Sines...

No meio de tanta coisa vivida com o Fernando, que tenho na minha memória, tenho aqui ao meu lado um objecto que me enche de orgulho: a gravação das duas horas do programa que eu e o Vítor Junqueira fizemos na rádio Voxx só com o Fernando Magalhães. Não sei se não terá sido das últimas aparições dele na rádio, mas sei que foi um programa que me deixou satisfeito e muito orgulhoso. Posso agarrar neste cds e mostrar a qualquer pessoa, com o maior orgulho do mundo.

Da mesma maneira que os escritos dele sobre música, futebol (lembro-me bem das prosas que ele publicou no Fórum em vésperas do Sporting quebrar o jejum), ou humor, me deixaram marcas, houve um texto que ele publicou no fórum por alturas do seu divórcio que me deixou sem palavras durante dias. E sei que foi a partir daí que o nosso Fernando se foi abaixo. Sempre acreditei que mais tarde ou mais cedo ele iria reaparecer em grande num qualquer concerto...
Só posso prometer que nunca o esquecerei, que sempre o mencionarei como uma das pessoas mais fantásticas que conheci. Um “ídolo” que se tornou num compincha de momentos fabulosos e que marcam a minha vida.
Até sempre, Grande FM!

Este post foi editado por J.G. em May 16 2005, 02:30 AM.

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