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Grandes Sons

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Super Bock em Stock, dia 2: Menina estás à Janelle


T: João Gonçalves F: Duarte Pinto Coelho


Nasceu mais uma lenda na rica história recente de concertos na capital portuguesa. A noite de 4 de Dezembro de 2010 vai ficar perpetuada pela estreia de Janelle Monáe, tal foi a qualidade do concerto num Super Bock em Stock que revelou ainda outros grandes momentos vividos por Junip e Batida.


Ao fim de três Super Bock em Stock já todos sabem qual é o conceito que leva a música a invadir a Avenida de Liberdade no coração de Lisboa: muita oferta em diferentes salas, um mapa com horários em que cada espectador faz o seu roteiro com o objectivo de ver os nomes que mais gosta e a esperança de vir a conhecer novas músicas que enriqueçam ainda mais a experiência. Nesta edição, havia consensos quanto à obrigatoriedade de marcar presença na plateia e a memória de edições passadas dizia-nos que era melhor não facilitar perto do horário de começo dos concertos mais aguardados sob pena de ficar à porta das salas cheias.

É aqui que reside o encanto ou desencanto que pode vir a ganhar mesmo contornos de drama, como vamos ver mais à frente, entre o público deste festival de Inverno que se realiza no Outono.

 

Pelas 21h00, tudo controlado com a chegada de muitos curiosos a dividir-se entre a estação de metro do Marquês de Pombal para ver Márcia a apresentar o seu trabalho a solo com a ajuda do companheiro do Real Combo Lisbonense João Paulo Feliciano e o espaço Bes Arte & Finança, ali mesmo ao lado, a receber Vicente Palma, filho do Jorge que tinha actuado na véspera. Mais abaixo na avenida no terraço do Hotel Tivoli tocava Lula Pena e no Maxime, Nuno Prata. Todos os espaços estavam muito bem compostos de público e é esta a prova do sucesso do formato do festival; há sempre gente interessada nas diferentes propostas.

 

Como o ser humano não tem (ainda) o dom da ubiquidade, temos que que confessar que a rádio oficial do evento dá uma boa ajuda para sabermos o que se passa nos espaços onde não podemos estar já que o estúdio montado no São Jorge permite ir ouvindo os relatos que os nossos companheiros da Antena 3 vão fazendo dos outros concertos. Foi assim que soubemos do sucesso do autocarro que circulou com os Youthless em festa.

 

Na sala 2 do São Jorge, encontrámos um ambiente improvável de intimismo e aconchego a contrastar com a noite fria e chuvosa de inverno que se sentia lá fora. O casal português Domingo no Quarto, conhecidos na banda de Minta, desfilam velhos sambas de figuras consagradas da música brasileira e mantêm fiél uma plateia encantada. Foi o aperitivo para o lendário Marcos Valle que horas mais tarde também iria ser responsável por um grande ajuntamento de uma facção veterana de público na entrada do cinema.

 

Confirmou-se que um dos projectos mais aguardados eram os Junip. José González tem feito o trajecto inverso, vingou a solo e só agora consegue o reconhecimento global do seu antigo projecto colectivo fundado em 1998. Os Junip lançaram este ano o primeiro álbum e o sucesso terá surpreendido o próprio sueco de raízes argentinas. De qualquer maneira, a oportunidade está a ser bem agarrada como se provou pela segura e convincente actuação do quinteto na sala 1 do São Jorge. Tão convincente que a plateia se manteve fiél nos seus lugares tornando lenta a rotatividade de lugares. Criou-se um ambiente tenso para quem ficou «pendurado» nas escadas da rua do cinema reclamando de bilhete na mão por estar a perder o seu concerto de eleição.

 

Nada que se compare com a fila de espera incrivelmente extensa que foi crescendo da porta do Tivoli quase até ao Marquês de Pombal! O problema é que antes da aguardada estreia de Janelle Monáe, os Batida arrebataram de tal maneira a sala com a sua frenética mistura de ritmos angolanos, batidas de dança e danças africanas que os lugares vazios diminuiram abruptamente. Mérito total dos Batida que nos fizeram recordar a grande noite de encerramento do Festival de Sines no Verão passado.

 

Lá fora a interminável fila ganhava contornos pessoais de impaciência à chuva - muitos foram desistindo à medida que Monáe avançava no alinhamento - e até de drama como no caso de um casal que veio de propósito da Cortegaça e que chegou em cima da hora do concerto.

Ainda conseguiram ver meia dúzia de canções daquele que foi o melhor concerto do festival, um dos melhores das três edições e claramente um dos mais convincentes de 2010.

 

É uma actuação a preto e branco fiel ao imaginário que conhecemos do teledisco de «Tightrope» que é transportado para palco. Janelle com generosa popa, músicos impecavelmente ensaiados em todos os passos de coreografia e vestidos em fatos pretos de camisa branca. Os passos são ensaiados ao milímetro, todos seguem a artista que representa nos dias de hoje a vitalidade do espírito eterno de mestres como James Brown ou Prince. Tudo o que está no excelente álbum de estreia «The ArchAndroid (Suites II and III)» soa musicalmente perfeito em palco; junte-se a excelência das coreografias abrilhantadas por duas bailarina que tanto são freiras fora do convento como agitadoras de capa negra e temos um fabuloso concerto que nos faz recordar a magia de Prince no Meco no último Verão. Do tecto caiam papelinhos, balões, sempre tudo a preto e branco, do palco reconhecíamos os temas do disco e Janelle não parava quieta ora mostrando dotes de dançarina, ora esperneando deitada no palco, ora invadindo a plateia desafiando o coro dos felizes presentes. Magnífica estreia de Monáe que pintou numa tela uma mensagem de amor a todos nós enquanto cantava e invisivelmente assinou o concerto que ir a imortalizar esta 3ª edição do Super Bock em Stock.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

 

in Disco Digital

 

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