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Grandes Sons

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Grandes Sons

Super Bock em Stock, dia 1: Stock da Liberdade

T: Marco Moutinho F: Duarte Pinto Coelho


Às vezes as coisas belas têm que ser vistas de forma curta e concentrada. Foi o que aconteceu com Zola Jesus, claramente vencedora da primeira noite do Super Bock em Stock, que ressuscitou a Avenida da Liberdade.


As escolhas feitas do programa, o mais ambicioso e equilibrado, ditaram que os concertos de Kele Okereke e B Fachada com Sérgio Godinho, por exemplo, não tenham sido vistos. Adam Kesher foi cancelado devido a problemas no voo que o deveria trazer a terras lusas. A melhor recepção ao festival, inspirado no festival norte-americano interactivo South By Southwest, foi feita com a corporação Kumpania Algazarra que animou o autocarro Vodafone.

Hoje é a vez dos Youthless cumprirem a mesma função.

 

A noite começou quente e pouco frequentada com o concerto de Jorge Palma, na estação de metro do Marquês de Pombal. Um bom inicio de cerveja na mão, com «Voo Nocturno» pelo festival.

Seguiu-se o one-violino-show Owen Pallett, num Tivoli cheio. O instrumentista apresentou-se imaculado, tal como no passado concerto no Teatro Maria Matos. Pallett, mais uma vez, mostrou todo o seu virtuosismo no violino, teclado e pedais com uma performance tipo pêndulo, onde através dos seus movimentos as extremidades oscilavam entre instrumentos e efeitos para criar loops-polifónicos, fortes e orquestrais. Concerto refinado, pastoral, sob o pretexto do novo EP «Don`t Stop». Com este concerto levantou-se a pela primeira vez questão de, muitos concertos da noite de arranque do festival terem a sua duração encurtada.

 

Bússola (programa) na mão e passagem para o outro lado da Liberdade rumo à sala 2 do São Jorge para ver os dinamarqueses Lars and The Hands of Light. Concerto curto de pop orelhuda, que nos remete para os anos 60, proporcionado pelos irmãos Lars e Line Vognstrup. «The Looking Glass», álbum editado neste ano, é um indie-pop alegre, semelhante a uns Dandy Warhols, com arranjos electrónicos suavizados por componentes acústicas. Mesmo com problemas de som, assumiram a tarefa de divertir o público e objectivo foi concretizado! Conseguiram uma boa recepção por parte do público, principalmente no single «Me Me Me».

 

Um dos pontos fortes deste tipo de festival é catapultar bandas desconhecidas pela maioria do público para salas maiores - exemplo disso mesmo foram os Walkmen que actuaram no primeiro Super Bock em Stock.

Seguiu-se o capuchinho-preto da electro-pop atmosférica, a diminuta menina dramática Nika Danilova, isto é Zola Jesus. Drama, muito drama, nas suas expressões em palco, com uma entrada fantástica com uma túnica a tapar o rosto, micro adensando ainda mais a floresta operática. Compreendendo melhor o concerto de Zola Jesus teria sido interessante que houvesse uma tela a projectar o filme obscuro «The Visitor», de 1979, titulo original, em italiano, «Stridulum» e nome do seu EP de relativo sucesso. Uma verdadeira viagem, sob efeitos de LSD, onde cada gesto tinha expressão selvagem, revolta e amor-próprio; muita intensidade para um ser aparentemente tão frágil. Zola remete-nos às performances de uma Siouxsie Sioux ou Kate Bush, acompanhada por um sintetizador negro e cheio de classicismo. Percebe-se a sua formação em ópera na voz e nos movimentos teatrais em temas como «Sea Talk» e «Night», cantando que não tem medo, que está doente, que não tem dinheiro e que tem orgulho em ser sempre ela mesma ao apontar e subir às colunas, ou mesmo entrando plateia adentro, com orgulho e fascínio. Muita, muita intensidade para tanta fragilidade aparente. Monstruosa performance só atenuada pela pouca qualidade de som!

 

A noite terminou, no estacionamento da estação de metro do Marquês de Pombal, com os maníaco-irreverentes Wavves. Já se esperava uma actuação enérgica, tendo em conta a prestação no ano passado na Galeria Zé dos Bois, agora, acompanhados por um som mais furioso e mau de garagem, deram uma matriz ainda mais grunge ao concerto. Letras difíceis de decifrar com Nathan Williams ao volante de uma máquina que debita adrenalina a cada tema. Lembrando com saudade Jay Reatard, os Wavves evoluem a cada álbum e são capazes de destruir tudo. Em «King of the Beach» levaram o público da frente à histeria, com pontapés, murros e muito suor, qual Wrestlmania.

 

marcomoutinho.musica@gmail.com

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