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Grandes Sons

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Grandes Sons

Afro-Cubism @ L'Auditori Moderna (Barcelona)

 

Sala grande do Auditori de Barcelona a sensivelmente três quartos da sua capacidade, quase cheio portanto para recebê-los, no âmbito do Festival de Jazz de Barcelona.

Como explicar, portanto, o concerto de ontem de Afrocubism? Talvez confirmando um indício que já nos dá o próprio disco, e que de resto foi a base do reportório ao vivo ao longo da pouco mais de hora e meia que durou: Afrocubism nao é fusão de coisa nenhuma, nem o concerto foi o de um grupo de músicas malianos a tocar música maliana junto a um grupo de cubanos a tocar música cubana.

É outra coisa. Aliás, é o mesmo de sempre, é uma mesma música desde o princípio dos tempos e parece é que a distinção entre os estilos de cada um dos lados do Atlântico foi posterior.

 

Dito de outra forma, parece que tanto uns como outros tocam o mesmo - criam o mesmo - mas que se calhar ao Grupo Pátria e a Elíades Ochoa sempre lhes faltou o balafón de Lassana Diabaté ou o n’goni de Bassekou Kouyaté, por sinal as duas maiores figuras solistas do concerto de ontem. Ou que a Toumani lhe completou um pouco mais a viola de Elíades, reencontrada em momentos como o diálogo do extraordinário "Guantanamera" ou a cançao final do concerto “Voy a vivir a la luna”, antes da longuíssima ovação de pé e do contundente encore com “Benséma” e “Para los pinares se va Montoro”.

 

Essa união, essa mesma música original que é mais do que a junção de reportórios tradicionais malianos e cubanos, viu-se no concerto como uma cerimónia de celebração. Viu-se na entrada de mãos dadas entre Toumani e Elíades, na introdução do concerto pelo maestro cubano dizendo que não há barreiras linguísticas quando todos falam o mesmo idioma universal, a música, ou a sua confissão, antes do final, que se queria instalar na lua e que Toumani, quando soube da ideia, disse que iria com ele junto com os demais malianos. Mas sobretudo viu-se no decano (mas em excelente forma) Kassé Mady Diabaté acabar a cantar Benséma entre dois percussionistas do Grupo Pátria, no diálogo entre os bongos e as congas de Jorge Maturell e o tambor de Baba Sissoko ou na solene recepção geral ao solo de kora num dos poucos momentos em que Toumani Diabaté saíu da sombra, da retaguarda na qual esteve durante todo o concerto.

 

No final, enquanto aplaudíamos e dezenas ainda dançavam quase em cima do palco, eles abraçavam-se, saudavam-se entre eles e prometeram regressar aqui, voltar a estar com a “família”. As palavras até são do Elíades Ochoa, nao sao minhas.

 

 

Agradeço ao Tiago Romeu, amigo do Twitter e residente em Barcelona, a partilha da sua experiência numa noite passada com o projecto Afro-Cubism que andou por Espanha mas ninguém por cá se lembrou de os trazer até Portugal.

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