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Grandes Sons

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U2 em Coimbra: Tudo O Que Não Podemos Esquecer

A 360º Tour aterrou em Coimbra e confirmou-se como o maior espectáculo pop que uma banda tem para oferecer em estádio. Os U2 provaram ser autores da banda sonora das nossas vidas ao longo de mais de vinte canções que nos fazem viajar do liceu até à geração wireless. Tudo adornado com uma produção imponente de luz e som. O concerto do ano!


(foto: Lusa)

 

Pelas 17h00, os arredores do estádio Cidade de Coimbra viam filas gigantes de fãs de todas as idades vindos um pouco de todo o lado e que não arredavam pé do seu lugar oferecendo um cenário caótico a quem ia chegando. Com a abertura de portas a tranquilidade foi devolvida às ruas. Entrar no estádio pelas 20h00 acabou por ser simples e rápido.

Foi chegar e ver os Interpol darem um concerto seguro mas ignorado pela maioria dos presentes.

 

O que significa que as mais de 40 mil pessoas munidas do seu valioso bilhete foram bem cedo com um só propósito; entrar o mais depressa possível e esperar o que for preciso para ver a sua banda de eleição. Tudo sem confusões de maior e com um dia de verão a ajudar.

Faltavam quinze minutos para as 22h00 quando, finalmente, a grande aparição se deu num estádio lotado. Ao som de «Space Oddity» de David Bowie e com as potentes luzes do estádio todas acesas os quatro de Dublin entram sorridentes perante um ensurdecedor aplauso de boas vindas. Durante uns momentos, Bono passeou no corredor circular mais afastado do centro do palco e no meio da plateia às claras. Só com o arranque de «Return Of The Stingray Guitar» ficámos em ambiente de concerto, com a iluminação a vir só do famoso palco em forma de garra.

Não vale a pena teorizar muito à volta dos alinhamentos desta digressão, as canções estão escolhidas e não há espaço para grandes alterações. Basta olhar para o alinhamento do concerto de Sevilha, o último antes das datas nacionais, para constatar que não há surpresas. O grande trunfo de Bono é estudar bem a lição e conseguir comunicar com o público de maneira geograficamente contextualizada fazendo sentir em cada cidade por onde passa que a noite é realmente especial.

 

Quando saudou os fãs com um forte «Briosa» nem houve tempo para sentirmos o desconforto de uma possível gaffe, porque após pequena pausa Bono estendeu a saudação a Lisboa, Braga, Porto e Coimbra, para gáudio dos muitos nortenhos presentes. Sobre Coimbra, disse ser esta a sua primeira visita embora soubesse trata-se de uma cidade com muitos estudantes. «Esta banda nunca foi à universidade», brincou. Nem ele nem The Edge, nem Larry nem Adam. Nem muitos de nós ali presentes que só visitamos Coimbra para ver futebol ou concertos e nunca entrámos no altar estudantil.

 

Ouvir «Until The End Of The World», «I Will Follow» - a mitica canção que Bono escreveu em homenagem à sua mãe falecida com 14 anos que originou o primeiro teledisco - a única música presente em todos os alinhamentos desde sempre - ou «I Still Haven't Found What I`m Looking For» transporta grande parte do público directamente para as angústias e rebeldias dos tempos de liceu. São momentos mágicos intimistas expostos num gigantesco cenário de estádio que não convida propriamente a estas introspecções. É a força que a música dos U2 ainda tem e que faz deles a maior banda das nossas vidas. Mesmo porque a juntar aos clássicos reparamos que sem nos darmos conta os mais recentes «Elevation», «Vertigo» ou «Magnificent» também já fazem parte das nossas vidas.

É o grande triunfo do quarteto de Dublin que entre riscos, erros, e falhas na sua carreira soube sempre reinventar-se e colher canções de todas as suas fases.

 

As cores verdes com que apresentam «Sunday Bloody Sunday» remetem-nos para o orgulho irlandês das camisolas com que os diferentes seleccionados defendem aquele país nos mais diversos desportos, já o intenso vermelho de «Where The Streets Have No Name» pode ser facilmente vestido por qualquer rapaz sem nome presente no recinto. É esta a magia dos U2, apresentam as suas convicções mas deixam espaço para que cada fã sinta à sua maneira as canções.

 

Em relação a outras passagens dos U2 por Portugal podemos dizer que a banda, ou melhor, Bono está menos extravagante, mais concentrado nas músicas e em improvisos que cola genialmente no fim ou no início dos seus temas como aconteceu com «Let it Be» dos Beatles ou numa discreta mas fabulosa passagem por «You`ll Never Walk Alone». Não esquece as mensagem políticas dedicando «Walk On» a San Suu Kyi, a prisioneira birmanesa Nobel da Paz, nem as preocupações sociais com África como se viu antes do hino «One». Tudo com o tempo certo e o contexto apropriado, o concerto dos U2 em 2010 está mais perfeito que nunca.

 

 

Alinhamento:

Return Of The Stingray Guitar
Beautiful Day
I Will Follow
Get On Your Boots
Magnificent
Mysterious Ways
Elevation
Until The End Of The World
I Still Haven't Found What I´m Looking For
North Star
Mercy
In A Little While
Miss Sarajevo
City Of Blinding Lights
Vertigo
I`ll Go Crazy If I Don`t Go Crazy Tonight
Sunday Bloody Sunday
MLK
Walk On

 

1º Encore:
One
Where The Streets Have No Name

2º Encore

Hold me, Thrill me, Kisse me, Kill me

With Or Without You
Moment of Surrender

 

 

 

in Disco Digital

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

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