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Grandes Sons

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MED Arranca Hoje em Loulé



A propósito do arranque do Festival MED reproduzo aqui o trabalho que o D.P. assina hoje no DN sobre este e outros festivais de verão semelhantes.

Arranca hoje em Loulé aquele que é o primeiro grande festival de world music do Verão. O MED abre uma temporada em que este tipo de eventos se multiplicam por todo o País, Lisboa e Porto incluídos. Estaremos na presença de um fenómeno?
"Sim, claro", começa por explicar António Pires, antigo jornalista do jornal Blitz e autor do blogue Raízes e Antenas (que juntamente com o Crónicas da Terra, de Luís Rei, são verdadeiras bíblias para quem se interessa por este tipo de música).
"Não sei se será um fenómeno tão repentino, mas é verdade que estes festivais têm crescido bastante nos últimos anos. Agora estão é mais visíveis. No fundo, é o seguimento dos Intercélticos (um dos mais antigos festivais de world music). Há dezenas deles e há cada vez mais gente a ir", defende.

Falemos de números.
O MED espera aproximadamente 25 mil pessoas, ou seja, mais do que os 20 mil habitantes locais. Em Sines, chegam a passar 25 mil pessoas... por noite. Ou seja, ao nível de alguns dos maiores festivais de rock portugueses (Super Bock Super Rock, Optimus Alive! ou Paredes de Coura, por exemplo).
"Há um crescimento sustentado. Quer Sines quer Loulé estão já na primeira divisão dos festivais de música em Portugal, não só em termos de qualidade mas em termos de público. Tem a ver com um fenómeno global que é resultado do acesso às tecnologias e consequentemente à informação. É o lado bom da globalização", sustenta Vasco Sacramento, que, por exemplo, foi responsável pela programação do palco de world music no Rock in Rio, em 2004. "Isto não se verifica só na música. Nota-se muito na decoração. É frequente ver casas com elementos étnicos. Na gastronomia, há centenas de restaurantes internacionais. No fundo, isto também tem muito a ver com o cansaço de formatos pop/rock. Não gosto de me queixar, mas o elo mais fraco desta cadeia tem sido sempre a imprensa", acrescenta ainda Vasco Sacramento.

António Pires junta ainda outros motivos a este conjunto de factores que justificam o fenómeno. "Os festivais de world music são abrangentes em termos musicais e transversais em termos de gerações. Há muita gente aberta para questões paralelas, não só musicais, mas também sociais, políticas ou energéticas. É um boom que conhece o epicentro nestes festivais."

Mas quem será, afinal, o público destes festivais? Quem se predispõe a acartar com tendas e assentar arraiais num parque de campismo para ver um guitarrista maliano, uma cantora da Venezuela ou o nome maior do rock chinês?
"Há um público de primeira geração que está nos 30 e muitos, 40 e tal e que liga sobretudo aos brasileiros, cubanos e celtas. Depois há uma nova geração atenta aos indianos, aos ciganos, aos magrebinos, essencialmente. Esse público está na casa dos 20 anos, mas vê-se gente de todas as idades." Certo é que a disponibilidade para a descoberta é, necessariamente, diferente daquela que se verifica no festivais de música pop e rock, como explica António Pires. "Há muita gente que não sabe ao que vai e está disposta a descobrir", declara. Contudo, já se notam diferenças face a um passado recente, e se, há uns anos, "as pessoas iam pela experiência", hoje são cada vez mais "os artistas" que vendem bilhetes. "Isso é uma prova maturidade da world music'. Os Ojos de Brujo movimentam muita gente. O Buena Vista criou uma marca", explica ainda Vasco Sacramento, para quem um dos segredos reside, igualmente, na oferta: "Estes festivais oferecem sempre mais do que música. Há uma série de actividades paralelas como a gastronomia e exposições que ajudam a complementar o cartaz." António Pires dá a estocada final: "É muito mais apelativo ir para o Castelo de Loulé ou para Sines do que para um descampado."

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