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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Festival Super Rock Super Bock, Dia 3: Josh, o Homem da noite

 

O melhor ficou guardado para o fim, à terceira noite de festival fez-se história no palco principal com a aparição de uma hora e meia dos Queens of The Stone Age a justificar plenamente a maior enchente desta edição do Meco. Depois disto tudo o resto passou para segundo plano.

O esforço da organização do Festival Super Rock Super Bock em melhorar as condições do recinto e respectivos acessos tinha hoje uma prova de fogo com a presença de uma banda de primeira divisão do rock mundial. Em relação a edições anteriores podemos afirmar que há melhorias à vista tanto no recinto com uma arrumação mais prática na zona em frente ao palco principal, como nos acessos bem concorridos mas sempre fluidos em termos de trânsito. Importantes melhorias que reconquistam a confiança do público que pondera ir ver a sua banda favorita a tão deslocado recinto.

 

Desde cedo que se notou que a última noite ia ser a mais concorrida, não só pelo número alto de T-shirts dos homens que encerravam o palco principal como também pela quantidade de grupos de amigos já sentados ao longo da encosta à espera de acção.

Ao fim de uns dias nesta vida de festivais há a tendência natural para nos desviarmos do óbvio enquanto tentamos apanhar um pouco de tudo o que se passa nos vários palcos e estarmos atentos ao ambiente de cada dia. O óbvio é que há bandas capazes de só por si garantirem o sucesso de uma noite de festival. Os Queens of the Stone Age são uma dessas raras bandas que , pela sua qualidade, conseguem arrastar multidões em busca do riff perfeito.

 

Já estávamos em pleno domingo quando Josh Homme abriu as hostilidades com um arranque que contemplou só «No One Knows» e «My God is The Sun» entre as três primeiras canções. Demolidor

Finalmente vimos a plateia do Meco realmente possuída pelo vírus diabólico do Rock, Josh Homme tinha aqueles milhares todos na mão e todos queriam lhe mostrar carinho e apreço. Uma ligação que resultou num concerto explosivo com a banda em palco a mostrar uma muito boa forma, mesmo que este fosse o último concerto da digressão. As saudades eram muitas de parte a parte, oito anos sem um concerto de Queens of The Stone Age em Portugal até devia ser proibido! O alinhamento foi muito forte e contemplou praticamente  o melhor de cada disco não dando tréguas às incansáveis filas da frente onde , orgulhosamente, assistimos ao concerto.

Josh Homme lidera a sua banda com um carisma cada vez mais raro no rock, tem a pose certa, as falas enquadradas e respira rock por todos os poros e guitarra. Olha para a imensa e mexida plateia com ar satisfeito e parece genuinamente confortável com nova recepção entusiástica do público português.

Não há momentos menos bons no concerto, é tudo óptimo, as canções, as sequências, a entrega, o som e a energia trocada entre palco e plateia fazem deste concerto um dos melhores desta série Super Rock no Meco. Aquela recta final com «I Think I Lost My Headache», «The Lost Art of keeping a secret», «Feel Good Hit of the Summer», «Go With Flow» e «A Song For the Dead» com que se despediram, sem direito a encore, vai ficar na cabeça de muitos milhares de fãs durante muito tempo. O ideal seria trazer o grupo o mais rapidamente possível, não queremos pensar em nova espera de oito anos. De longe o melhor concerto do palco principal desta edição do Super Rock e um dos melhores de sempre ali realizados.

 

Perante tamanho acontecimento torna-se complicado destacar mais concertos desta última noite mas há notas dignas de registo.

Desde logo o surpreendente arranque do Palco EDP ao fim da tarde com os Tara Perdida que gozam de uma vitalidade comovente. Conseguiram a maior enchente destes três dias naquele espaço. Ouvimos o organizador do evento falar em pessoas nas árvores e neste concerto isso aconteceu!

 

Os também portugueses Miss Lava impuseram o seu rock pesado no palco principal e assumiram-me como fãs dos QOTSA enquanto aproveitavam para agarrar a oportunidade de alargar a base de fãs. Outra passagem positiva pelo Festival em português foi da responsabilidade dos Sam Alone and TheGrave Diggers na tenda do palco Antena 3@Meco.

 

Ninguém conseguiu perceber muito bem o que cá vieram fazer os norte irlandeses Ash, mortos e enterrados no séculos passado. O blues de Gary Clark Jr. merece uma nova oportunidade em espaço mais pequeno e em nome próprio, no Meco convenceu mas sofreu da ansiedade instalada em toda a plateia para o concerto seguinte.

 

No palco EDP os We Are Scientists deram um concerto mais divertido do que interessante e os !!! vieram da California para inaugurar aqui a digressão europeia onde vão mostrar o novo disco «Thr!!!er». O vocalista Nic Offer voltou a ser o rei em cuecas, ou calções de banho, conseguindo aguentar um considerável numero de fãs mesmo que nos fique a ideia que o balão criativo e original da banda se esteja a apagar neste novo disco.

 

Como as últimas impressões são aquelas que permanecem mais na memória imediata não há dúvidas em afirmar que o Super Rock Super Bock fechou em grande com o recital dos Queens of The Stone Age. Memorável.

Até para o ano Meco.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

Festival Super Rock Super Bock, Dia 2: Miguel na Lateral

Ao segundo dia o sol apareceu no Meco, o público compareceu em bom número, embora muito longe de encher o recinto, e os destaques musicais vão para áreas tão díspares entre si como Miguel e Tomahawk, Black Rebel Motorcycle Club e Samuel Úria. É esta também a beleza dos festivais, a das comparações improváveis.

Comecemos pelo momento que marca este segundo dia de festival no Meco. A estreia de Miguel entre nós aconteceu no palco secundário EDP e apesar de ter atraído algumas dezenas de conhecedores foi ignorado pela grande maioria dos festivaleiros que nem fazem a menor ideia do que perderam. MiguelJontel Pimentel é um rapaz da Califórnia que vive um estado de graça no Estados Unidos da América muito devido ao seu mais recente disco «Kaleidoscope Dream» cheio de pérolas de R&B e nu soul. Para o leitor que ainda está na dúvida perante o artista aconselha-se uma rápida audição e visualização do videoclip de Miguel e Mariah Carey, «Beautiful». Miguel não acusou o toque de estar a actuar ali num canto secundário do Festival e entregou-se de corpo e alma a uma grande actuação acompanhado de banda que esteve à altura. Houve intensidade em «The Thrill» e «Use Me», houve diálogo, conselhos e uma grande vontade de ganhar mais seguidores. Um espectáculo excelente a cumprir as expectativas mais altas. Este pedaço de música negra pode ter aterrado aqui de surpresa mas será este o caminho para equilibrar alinhamentos órfãos de bandas de rock que entusiasmem de verdade. A estreia de Miguel em Portugal foi carimbada com um grande concerto e terá de ser mencionada como um dos grandes acontecimentos deste Super Rock.

 

Olhando para o palco principal em jeito de balanço podemos dizer que foi mais do mesmo com a honrosa excepção para o projecto de Mike Patton. Comecemos por aqui. Pelas 21h30 vemos Mike Patton em palco, o que é sempre positivo seja onde for. O concerto caiu ali como um ovni, os Tomahawk foram desconcertantes sob a batuta de Patton que enche o palco com as suas viagens improváveis que vão da passagem pelo discreto novo disco até temas mais antigos como «Laredo». Patton trouxe, finalmente, alguma irreverência a este Festival ao repetir em loop aos gritos a sequencia "Porra, caralho" que entrou pelas casas dos mais desprevenidos via SIC Radical. Outro bom reencontro com Mike Patton.

 

Antes, os Black Rebel Motorcycle Club tiveram que abrir a noite ainda com luz do dia o que retira muito ambiente aquele rock mais negro. Os norte americanos editaram um novo disco há pouco tempo e estão com energia renovada em palco. Quando regressam a canções de discos mais antigos há uma pequena reacção na plateia ainda pouco composta. Uma passagem pelo Meco descontextualizada mas que merece nota positiva pela entrega da banda.

 

Pelas 23h00 houve reencontro com os Kaiser Chiefs, presença habitual nos nossos festivais nos últimos anos pela garantia de entretimento puro. Continuam a viver dos trunfos todos que o disco de estreia deu a conhecer ao mundo. Há tochada no meio da plateia incendiada pelos clássicos da banda. Desta vez, Ricky Wilson não investiu em nenhum momento inesperado, limitou-se a descer ao fosso no meio do público e comunicou cantando concentrado nas câmaras de tv. São realmente banda de festival e nem precisam de sair do primeiro disco que é de 2005!

 

Depois de termos visto aqui há dois anos Brandon Flowers a actuar sozinho ficámos com a ideia que já não ia haver grande vida para os Killers. Afinal eles estão aí apesar de já não terem um single de sucesso há uns bons anos. A verdade é que foram eles a conseguir mais gente junto ao palco principal até agora e apoiados num espectáculo de efeitos visuais fortes conseguiram aquilo que poucos se podem orgulhar nesta edição: reacção massiva da plateia. Não sabemos explicar esta euforia à volta de uma banda que parece já ter dado tudo  que tinha, mas dá para perceber que continuam em estado de graça como cabeças de cartaz. Um mistério.

 

Notas para outros momentos deste segundo dia no Meco que conheceu uma baixa no alinhamento, Ricardo Villalobos por doença. Samuel Úria brilhou no palco Antena 3 @ Meco com muita audiência e ainda teve tempo para cantar com Manuel Fúria e Manuela Azevedo que matou saudades a quem já há muito não ouvia os hits dos Clã.

Como se passa do universo dos Clã para o mundo de Miguel é uma arte que só é possível em modo de Festival!

 

João Gonçalves

in Disco Digital

Festival Super Bock Super Rock, dia 2: Horários

Palco Super Bock  
01h00 - The Killers  
23h00 - Kaiser Chiefs 
21h30 - Tomahawk 
20h00 - Black Rebel Motorcycle Club 

Palco EDP  
00h15 - Miguel 
22h45 - Clã 
21h15 - Midnight Juggernauts 
20h00 - Manuel Fúria e os Náufragos 

Antena 3 @ Meco
 
Ricardo Villalobos - 03h30 
João Maria - 02h00 
Julien Bracht Live - 01h00 
Henriq - 00h00 
Miguel Neto - 23h00 
Samuel Úria - 21h30 
20h00 - Octa Push 

Festival Super Bock Super Rock, dia 1: Meco, Marr e Monkeys

Arrancou na Herdade do Cabeço da Flauta a 19ª edição do Festival Super Rock Super Bock com os Arctic Monkeys a serem os reis da noite, o lendário Johnny Marr a dar uma aula de história de rock britânico e Azealia Banks a estrear-se por cá depois do cancelamento do ano passado.

Desde que o SBSR se mudou para este local o desafio da organização tem sido complicado. Por um lado melhorar as condições do recinto, por outro garantir um cartaz capaz de atrair público que não se importe com a localização nem as condições do evento, como foi hoje o caso dos Arctic Monkeys.

Alterações de relevo no recinto: o forte que abriga convidados e imprensa passou do lado direito de quem desce para o palco principal para o lado esquerdo e um pouco mais afastado do palco, há mais espaços verdes, e o palco EDP foi bastante melhorado em termos de visibilidade.

Hoje devemos ter tido mais gente no recinto do que em qualquer das noites da última edição e os responsáveis foram, sem dúvida, os Arctic Monkeys cujo nome aparecia estampado em dezenas de camisolas de festivaleiros. A vontade para ver a banda de Sheffield era tanta que os antecessores foram ignorados na prática pela plateia principal.

 

Pelas 20h30 as Anarchics aproveitaram muito bem a oportunidade de tocarem em tão luxuoso palco, o principal, e desfilaram o seu disco de estreia «Really?!» com garra e confiança satisfazendo os fãs e ganhando ali mais alguns admiradores. Um bom começo com assinatura portuguesa.

Ainda no reino feminino o Meco viu, finalmente, Azealia Banks subir ao palco depois do cancelamento no ano passado. Ainda esperamos o lançamento do álbum «Broke With Expensive Taste» mas já conhecemos singles dos EP's e são esses que são disparados por um DJ e dançados por duas bailarinas. Teve alguns momentos triunfantes como a passagem por «212», «Van Vogue», ou no fim quando explorou a remistura que ficou conhecida por Harlem Shake que tanta polémica deu com Baauer e que Banks fez questão de relembrar. A passagem de Azealia fica registada como não tendo sido brilhante, faltou público interessado, faltou química e faltou muito calor para justificar aquela falta de roupa de Banks. Mas deixou bons sinais para um regresso com público próprio.

 

Satisfeita que estava a curiosidade de ver como funcionava aqui a Azealia, partíamos para outro tipo de emoções. Nostalgia e recordação dos grandes dias dos The Smiths, tudo centrado na figura de Johnny Marr. Fomos para as primeiras filas sem oposição mas à medida que se ouviam clássicos notávamos que a indiferença da maioria da plateia era absurda. Marr está em boa forma e não só visitou o reportório dos Smiths como se aventurou pelo universo dos The Clash , «I Fought the Law» e dos Electronic, «Getting Away With It». O grande trunfo de Marr é que a sua voz consegue visitar estes diferentes estilos sem que ninguém estranhe o registo. De estranhar mesmo só a apatia do público perante tamanha figura do rock. Johnny deu um belo concerto mas poucos quiseram aproveitá-lo, o que foi pena. Ouvimos um desabafo em jeito de sabedoria popular «estão a dar pérolas a porcos». Era de voltar mas numa sala repleta de fãs. Ficamos a torcer pelo regresso.

 

Mas a ampla plateia que se juntou ao longo da noite estava ali para celebrar com os seus heróis de rock geracional e os Arctic não defraudaram as expectativas confirmando o excelente momento de forma que vivem. Puxaram dos seus sucessos durante hora e meia e visitaram o novo disco «AM» a sair em breve e cujas letras decoram  o fundo do palco. Nota-se a influencia americana no penteado e vestimenta de Alex Turner, notam-se os desvarios rock ao gosto do «padrinho» Josh Homme mas há ali cada vez mais influências de Nirvana, muito baixo e guitarra. Tudo certo, os Arctic Monkeys parecem bem lançados para uma carreira rock como já não se usa. Motivação dos seus seguidores não falta. Foram os vencedores da noite voltando a repetir o sucesso que já tinham tido ali na passagem de há dois anos.

 

Ainda digno de nota no palco EDP nesta primeira noite foram os concertos dos Toy, os azarados da noite com um razoável atraso à espera das malas perdidas e perda de público para Johnny Marr, os Efterklang que em Dezembro encantaram uma sala do Cinema São Jorge hoje não conseguiram cativar muitos festivaleiros apesar do esforço da banda. O ex-Final Fantasy, Owen Pallett, cumpriu com o seu violino o propósito de aqui trazer o seu reportório mas também sem garantir muito público até ao fim.

Enquanto isso Mazgani triunfava na tenda Antena3@Meco perante muito público conhecedor da sua obra.

 

Fim de primeira noite, já com algum pó levantado, menos que em edições anteriores, mas boa afluência de público, muito mais do que em qualquer noite do ano passado, sem problemas de trânsito e com dois grandes concertos, o de Marr para os mais tradicionalistas e o de Arctic Monkeys para todos os que estiveram no Meco esta noite.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

19º Super Bock Super Rock: Horários dia 1

 

18 de julho  
Palco Super Bock  
01h00 - Arctic Monkeys 
23h20 - Johnny Marr 
21h50 - Azealia Banks 
20h30 - Anarchicks 

Palco EDP
 
00h10 - Toy 
22h40 - Efterklang 
21h10 - Owen Pallett 
20h00 - Kalú 

Antena 3 @ Meco  
04h00 - Ben Klock B2B Marcel Dettmann 
02h30 - Nina Kraviz 
01h15 - Expander 
00h00 - Freshkitos 
23h00 - Kinetic 
21h30 - Mazgani 
20h00 - Trêsporcento 

AlunaGeorge no Lux a 25 de Novembro

Após uma auspiciosa estreia no Optimus Alive, onde deram um dos concertos mais aplaudidos no Palco Optimus Clubbing, os AlunaGeorge vêm a Portugal para o primeiro concerto em nome próprio, dia 25 de Novembro no Lux. Os bilhetes estarão à venda amanhã, às 10h00, nos locais habituais.

 

Optimus Alive, Dia 3: Reencontros celebrados e outros marcados

(Django Django, foto: optimus alive)

Alucinante sucessão de bons concertos no terceiro e último dia de Optimus Alive. Dos Tribes aos Django Django, o grande concerto da madrugada, passaram-se mais de dez horas entre palcos numa celebração incrível de música ao vivo. Triunfos esperados de Phoenix, Tame Impala, Alt-J e surpresas agradáveis com Jake Bugg e Of Monsters and Men.

O Optimus Alive acabou sem que o sol se dignasse a aparecer um único dia. Em compensação a lista de concertos memoráveis é grande e a reputação do festival em termos internacionais não pára de crescer. Passaram por Algés mais de 15 mil estrangeiros com bilhetes comprados em 45 países diferentes. A organização anunciou que passaram pelo recinto nos três dias cerca de 150 mil pessoas. O sucesso do Optimus Alive passa muito pela grande e diversificada oferta musical ao longo de três palcos por onde passam consagrados e projectos que estão a arrancar e na hora certa de os conhecermos.

 

À falta de um nome realmente consensual para fechar em grande o palco principal, os Kings of Leon não o são porque vivem do sucesso de dois ou três hits já requentados, havia uma ponta final de luxo no palco Heineken para a despedida da versão 2013 do festival. Duas das melhores bandas da actualidade regressavam a Lisboa após a triunfante passagem pelo Teatro Tivoli em Dezembro e com os dois melhores discos editados no ano passado. O culto aumentou muito e o espaço da tenda foi pequeno para tanta devoção.

 

Os Alt-J iniciaram o concerto pouco depois das 22h00 e logo nos primeiros momentos perceberam que estavam perante uma plateia profundamente rendida ao encanto do álbum «An Awesome Wave» decorado na ponta da língua da primeira à última faixa. Ambiente quente, muitas mãos no ar a fazerem o símbolo  e a banda de Leeds completamente babada perante tanto entusiasmo. Um daqueles concertos de harmonia perfeita que nem músicos nem público vão esquecer nunca.

Pouco antes das 02h00 entra o grupo que podia subir ainda mais fasquia alta deixada pelos Alt-J. Os Django Django não hesitaram em entrar com tudo aquilo que faz do seu disco algo de tão original e bom. Rock que vai do blues ao psicadelismo num ápice numa viagem bem orgânica marcada pela percussão e guitarras demoníacas. Um concerto de pressão alta com a banda de Londres a dar tudo sempre nos limites e uma plateia descontrolada de tão saciada que estava em ouvir pérolas como «Life´s a Beach» ou «Hail Bop» ao vivo e em comunhão. Foi um final de sonho para quem queria celebrar rock ao vivo, e neste festival a grande maioria dos ocupantes quer muito, antes de voltar à cruel realidade pós-Alive. Mais que um concerto, um espectáculo para encher a alma durante muito tempo.

Os mais resistentes ainda se entregaram ao potente som algo tribal algo massacrantes dos já habituais Bloody Beetroots. São o novo heavy metal para as gerações mais recentes que se entregam fisicamente ao ritual. Impressionante.

 

Para trás fica a memória de um bonito concerto dos Band of Horses entre os Alt-J e Django Django, um interlúdio perfeito, a loucura retratada numa enorme enchente para festejar a presença dos islandeses Of Monsters and the Men que aproveitaram para se afeiçoar (para sempre?) ao público português - apostamos num regresso em nome próprio. Também digna de nota a passagem do norte americano Twin Shadow que convenceu o povo mas trocou-se um pouco ao agradecer usando a palavra saudade em vez de obrigado e comentando que tocar em Lisboa é muito melhor do que Espanha, algo que os nossos vizinho em grande número no festival não acharam muita piada.

Ainda com a luz do dia os portugueses Brass Wires Orchestra, muito dentro do universo da folk pop festiva dos Of Monsters anda Men, animaram as hostes e celebraram o facto de um dos seus membros ter sido pai na véspera. A última nota para o palco Heineken fica para os Tribes e o seu rock britânico simples e eficaz que fez as delícias de quem gosta dos seus dois discos como é o nosso caso.

 

Voltemos ao palco Optimus para dizer que os franceses Phoenix surpreenderam positivamente com um espectáculo muito bem montado à volta do excelente «Bankrupt!», disco editado este ano, que alimenta bem um alinhamento que vai buscar «If I Ever Feel Better», «Everything is Everything» ou «Liztomania» a nos mais distantes e que facilmente convence o público que não nega um pé de dança. Antes disso, pelas 20h00, os australianos Tame Impala deram o seu último concerto desta digressão europeia e conseguiram romper aquela barreira sónica que se adivinhava complicada para os festivaleiros que não os conheciam. O rock sónico em viagem constante ao psicadelismo dos anos 60 sempre a prometer um formato de canção mais tradicional mas que nunca deixa de improvisar pelo menos óbvio, tudo guiado por Kevin Parker feliz com a recepção do público. Nota positiva. 

 

Mais discreto esteve o miúdo de 19 anos Jake Bugg, um fenómeno em terras britânicas, que tranquilamente impôs o seu folk cativante no fim de tarde de Algés. Não vimos ninguém desaprovar aquelas canções com sabor a clássico a fazer lembrar os primeiros passos de Bob Dylan e até apostamos que Jake terá conquistado ali muitos ouvintes para o seu belíssimo disco de estreia. É merecido, confirmou-se como boa aposta.

Antes os portugueses Linda Martini aproveitaram bem a oportunidade de tocarem no palco principal e podem-se orgulhar de terem tido uma fiel plateia pronta a celebrar tantos os temas mais antigos como «Amor Combate» ou «100 metros Sereia» como o novíssimo «Ratos» do novo disco a sair em Setembro. E, já agora, elogios também para o novo projecto de João Vieira dos X-Wife que com a mescla punk funk deu a conhecer bem os White Haus na tenda Optimus Clubbing.

 

Chegou ao fim a sétima edição do Optimus Alive e é aqui que começa a contagem decrescente para a versão 2014 a 11, 12 e 13 de Julho no sítio do costume. Até para o ano.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

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