Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Arranca Hoje Super Bock Surf Fest

Os Massive Attack são os cabeças de cartaz da primeira noite do Super Bock Surf Fest que se realiza hoje e amanhã na Praia do Tonel, em Sagres.

Os bilhetes custam entre 25 euros (um dia) e 40 euros (passe para dois dias). Os portadores de passe têm acesso gratuito ao parque de campismo. Estes são os horários completos:

14 de Agosto

19h00 - 19h45 - Manifestos
20h05 - 21h05 - Dub Pistols
21h25 - 22h25 - Asa
22h45 - 00h00 - Morgan Heritage
00h30 - 02h00 - Massive Attack

15 de Agosto

18h40 - 19h30 - Triplet
19h50 - 20h50 - Doces Cariocas
21h10 - 22h10 - Jahcoustix
22h10 - 23h25 - José Gonzalez
23h45 - 01h00 - Groundation
01h30 - 03h00 - Emir Kusturica

José Mário Branco na Culturgest, 30 e 31 de Outubro

Convidado pela Culturgest para criar um espectáculo único e específico para o Grande Auditório, José Mário Branco fará aquilo que sempre fez nos seus álbuns e espectáculos: uma referência – como alguém escreveu, sempre autobiográfica – ao estado em que, no seu sentir, se encontra a sociedade de que faz parte. Tomando como base o mais recente repertório, José Mário Branco decidiu optar por um formato "em tripé" para os músicos que o acompanharão em palco. Primeiro, um conjunto de músicos, todos eles excelentes intérpretes-compositores que o têm acompanhado nos últimos anos nos momentos cruciais: José Peixoto, Carlos Bica, Rui Júnior, Filipe Raposo ou Guto Lucena, instrumentistas de excepção. Segundo, como no seu álbum mais recente Resistir É Vencer (2004), a presença de um quarteto de cordas (liderado pelo jovem Luís Morais, concertino e professor em Viena) irá reforçar o pendor introspectivo que sempre existe quando José Mário Branco nos fala do mundo e da vida. E, terceiro, os convidados muito especiais deste espectáculo: os Gaiteiros de Lisboa (grupo de que José Mário Branco fez parte na sua primeira fase) irão garantir duas componentes sempre presentes na sua música, as partes corais e as percussões. Este conjunto de músicos permitirá apresentar em Lisboa (pela primeira vez, e talvez única) a canção-rap-fleuve Mudar de Vida, escrita para o concerto de Abril de 2007 na Casa da Música, no Porto. Por isso este concerto se chama Mudar de Vida - 2.

José Mário Branco é um artista do seu tempo e da sua comunidade. E este tempo é de introspecção e de eterna busca, mas também de denúncia ("Isto não é sociedade que se apresente") e de acção ("Vamos mudar de vida!").



Voz, guitarra José Mário Branco
Guitarra José Peixoto
Contrabaixo Carlos Bica
Percussão Rui Júnior
Piano, teclados Filipe Raposo
Sopros Guto Lucena
1º Violino Luís Morais
2º Violino Jorge Vinhas
Viola Joana Moser
Violoncelo João Pires
Concepção e direcção musical José Mário Branco
Guião José Mário Branco e Manuela de Freitas

A Europa está a fechar as portas aos Músicos

Muito interessante artigo publicado hoje no Público sobre um problema que cada vez se torna mais grave e revoltante. Em Sines os organizadores já se tinham manifestado com um cartaz na entrada do Castelo, hoje o Público dá uma ajuda a esclarecer o que se passa:

Os africanos e os asiáticos são os que somam mais recusas de vistos para actuar na Europa. Sobretudo se são homens e jovens. As negas acontecem quando já foram compradas passagens áreas e feitas reservas em hotéis. Promotores de festivais começam a desistir de ir buscar músicos longe. Poderá estar em causa uma convenção da UNESCO aprovada pela UE

Festivais sem cabeças de cartaz, confusão instalada, agências à beira da falência. São cada vez mais os músicos estrangeiros, sobretudo de África e da Ásia, que estão a ser impedidos de entrar na Europa. As garantias dadas pelos seus produtores na União Europeia e pelos promotores dos festivais onde deviam participar não são suficientes. E eles são barrados algures no trajecto. Começará a Europa a "baixar os braços" e a desistir de quem vem de longe?

"Com os artistas africanos a questão é o receio da imigração ilegal; com os árabes o terrorismo", resume Vasco Sacramento, promotor do Festival Med de Loulé, que este ano viu ficarem pelo caminho dois dos seus cabeças de cartaz devido à recusa ou a dificuldades em obter vistos.
O mesmo aconteceu no Serralves em Festa e no Festival Músicas do Mundo, em Sines. No conjunto, em Junho e Julho foram afectados quatro concertos envolvendo três bandas: os congoleses Konono n.º1; os marroquinos Master Musicians of Jajouka e os paquistaneses Asif Ali Khan & Party.
Em escala maior, a situação tem vindo a repetir-se por toda a União Europeia. Nos últimos meses, pelas mesmas razões, não puderam actuar na Europa, entre vários outros, os Kasai Allstars, do Congo, Pierre Akendengué, do Gabão, Ismael Lo, do Senegal, Les Amazones, da Guiné.

Os Master Musicians são os herdeiros de um tradição musical que tem passado de pais para filhos desde há mais de mil anos. São do clã Attar, que fundou a aldeia de Jajouka nas montanhas do Rif. Não são músicos profissionais, pelo menos segundo os parâmetros ocidentais. Serão antes guardiões de "sons primordiais", como escreveu, sobre eles, o escritor beat William Burroughs. Paul Bowles também se rendeu. No ano passado, os Master Musicians estiveram em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, para homenagear o escritor que trocou os EUA e a Europa por Tânger. Há três anos tocaram no festival de Sines.

"Tivemos imensos problemas em obter vistos para eles. Foram obrigados a ir duas sou três vezes ao nosso consulado de Rabat e quando finalmente, já na posse dos vistos, chegaram ao aeroporto de Lisboa, foram detidos pelo Serviço de Estrangeiros durante três horas", conta Carlos Seixas, promotor do festival de Sines.
Jajouka fica a várias centenas de quilómetros de Rabat. Este ano, terá sido acrescentado mais um documento à lista dos exigidos nas duas vezes anteriores. "Quando finalmente se conseguiu marcar uma entrevista no consulado e eles foram lá, pediram-lhes um certificado de actividade profissional passado na área de residência. Demorava dois meses a obter e ia obrigá-los a fazer a mesma viagem mais um par de vezes. Desistiram", conta Vasco Sacramento.
Colapso financeiro
Os efeitos, em cascata, são pesados e perversos. Há agências que apostaram na chamada world music (música do mundo), o sector mais afectado por estas restrições, que estão à beira da falência.

Entre os requisitos obrigatórios para a concessão de vistos figuram actualmente a apresentação das passagens aéreas (que portanto têm de ser adquiridas antes) e das reservas em hotéis. Quando os vistos são recusados, esta despesa redunda automaticamente em prejuízo.
Para circular no espaço Schengen, basta um visto de entrada para um dos países contratantes (quase todos os países europeus; a Grã-Bretanha é uma das excepções). Quando, devido à recusa de um país, se tentam outras porta de entrada, os custos no mínimo duplicam.
Foi o que aconteceu com os Konono n.º1, mais de 25 anos de existência, que misturam uma espécie de trance music local com experimentação electrónica e instrumentos com as mais variadas origens. "Fervilhante", "vulcânica", são alguns dos adjectivos com que a sua música tem sido classificada na Europa, onde têm dois discos de sucesso e várias tournées.
Este Verão, os Konono tinham agendados concertos em cinco países. Em vão. A França, primeiro, e a Suécia depois recusaram-lhes vistos. Só elementos da banda os Konono contam nove. Os Kasai Allstars, também oriundos da República Democrática do Congo, juntam cinco grupos étnicos entre os seus 25 membros.

A belga Divano Production, de Michel Winter, que representa as duas bandas, perdeu cerca de 18 mil euros com o cancelamento das tournées europeias para este Verão e poderá agora fechar portas. "Não é a primeira vez que a Divano é atingida por esta realidade e duvidamos que possamos continuar a nossa actividade, devido a um colapso financeiro", escreveu Winter num e-mail enviado agora aos promotores dos festivais de world music.

Convenção da UNESCO
Com o imponderável como regra há também promotores que, face ao acumular de cancelamentos e prejuízos, começam a optar por "esquecer" os grupos que vivem longe, privilegiando contratos com aqueles que já residem na Europa.
"[Consciente ou inconscientemente] vamos talvez começar a baixar os braços", advertiu Philippe Conrath, director do festival Africolor, em França, durante um encontro sobre esta questão realizado em Maio, em Angoulême, no âmbito de outro dos grandes eventos da música do mundo, o Festival Musiques Métisses.

Conrath: "É um verdadeiro problema, que quero assinalar aqui. A consequência deste entrave à circulação é que não participaremos no esforço de criação que está a ser feitos nesses países." Carlos Seixas, promotor do Festival Músicas do Mundo, de Sines, aponta o dedo: "Estamos no ano escolhido pela União Europeia como o do diálogo intercultural e a situação está cada vez pior."

As atribulações impostas a estes grupos dão conta de uma história de absurdos, burocracias e abusos, que estará a repetir-se pelos consulados dos países europeus e que poderá constituir uma violação à Convenção da UNESCO sobre Diversidade Cultural, aprovada em 2006 pela União Europeia, adverte Ole Reitov, responsável da Freemuse, uma organização internacional contra a censura na música.

Entre os objectivos consagrados na convenção figura "o reforço das indústrias culturais nos países em desenvolvimento através", entre outros meios, da "facilitação de um acesso amplo das suas actividades, bens e serviços culturais ao mercado global e redes internacionais de distribuição".
Nesta convenção defende-se também "a adopção de um tratamento preferencial para os países em desenvolvimento: os países desenvolvidos devem facilitar trocas culturais com os países em desenvolvimento, garantindo, através das redes institucionais e legais apropriadas, um tratamento preferencial aos artistas e outros profissionais da cultura".

Ninguém atende
França e Alemanha, no espaço Schengen, e Reino Unido, fora dele, estão entre os países que mais entraves e dificuldades colocam à emissão de vistos. "Regra geral há muita boa vontade nos consulados portugueses", contrapõe Sacramento. Geralmente não recusam vistos, tentam acolher bem os requerentes. Mas existe uma "enorme dificuldade em falar com eles". Nas horas de expediente, na maior parte das vezes o telefona toca e ninguém atende. "Começamos com meses de antecedência e o resultado nunca é garantido", acrescenta o organizador do Festival de Loulé.

Esta situação agravou-se com os recentes cortes orçamentais e respectiva redução de meios.
"As pessoas dos serviços consulares não têm capacidade de resposta", constata também Sacramento. Uma consequência: quando acaba por existir uma resposta, não chega muitas vezes em "tempo útil". O calvário burocrático está garantido à partida.
No consulado de Portugal em Rabat, em Marrocos, não existe qualquer registo da passagem dos Master Musicians of Jajouka por lá, este ano, transmitiu ao P2 o assessor de imprensa do secretário de Estado das Comunidades.

Mas a primeira reacção dos serviços ao pedido de informação não deixa de ser reveladora. "Relativamente ao referido grupo não é possível efectuar uma consulta ao processo sem que nos sejam fornecidos os seguintes elementos; nome, n.º de passaporte e data de nascimento de cada um dos membros do grupo." Acrescentava-se depois ainda na mesma nota: "Através da consulta efectuada junto dos serviços consulares da embaixada em Rabat fomos informados que o grupo em questão já era conhecido e que em data anterior lhe teriam emitido vistos para actuação no CCB."

Da parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros a informação que chega é, por sua vez, a que tem sido repetida pela maioria dos seus congéneres europeus: para conceder um visto de entrada, o país "encontra-se obrigado a exigir os requisitos constantes do acervo de Schengen e que são iguais para todos os casos".
Assinado em 1990, o acordo de Schengen visa a adopção de uma "política comum no que diz respeito à circulação de pessoas [no espaço dos países contratantes] e nomeadamente ao regime de vistos".

Schengen com variações
Vertidas para as legislações nacionais, as exigências para obtenção de vistos para o espaço Schengen são aparentemente uniformes: os vários títulos de entrada são os mesmos, assim como os documentos exigidos para a sua concessão, que podem variar segundo o tipo de visto pretendido, mas não de país para país ou de consulado para consulado do mesmo Estado.
Contudo, a experiência no terreno não tem sido esta, sobretudo nos últimos anos, com o endurecimento das políticas anti-imigração e o reforço das medidas de segurança após os atentados de Nova Iorque, Londres e Madrid.

"O visto Schengen permite a circulação no conjunto dos países europeus. Na prática, no entanto, cada país tem a sua própria política, os seus próprios critérios para a passagem de vistos. As regras são muito diferentes em função dos países", testemunhou, no encontro de Maio em Angoulême, Sophie Guênebaut, directora da rede de músicas do mundo Zone Franche.
O agente francês do maliano Mo DJ, Marc-Antoine Moureau, revelou ao Monde 2 qual a resposta que obteve este ano da vice-cônsul de Bamako: "DJ não é uma profissão! Reformule o seu pedido."

O produtor senegalês Assane Ndoye contou ao mesmo jornal que existem casos onde "as autoridades dizem aos músicos para actuarem perante elas de modo a avaliarem se são mesmo profissionais".
Há cinco anos, um conhecido músico congolês foi condenado em França por ter organizado um rede de "imigração clandestina". Por vezes os artistas integram nas suas comitivas gente que não pensa em regressar. Estatisticamente, estes casos são irrelevantes, mas constituem autênticas achas para a fogueira.

Prazos legais
Carlos Seixas fala de "burocracia e má vontade". Vasco Sacramento de "regras arbitrárias". "Num país um consulado pede-nos certificado de rendimentos, noutros não. Depois o processo vem para consulta para Portugal e congela no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que não avisa ninguém e nem repara que os espectáculos podem estar marcados para dali a dias", conta o promotor do festival e Loulé. E desabafa: "É muito cansativo."
Numa resposta por escrito às questões do P2, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) remete para o quadro legal existente, lembrando que, por lei, tem um "prazo máximo de 20 dias" para se pronunciar, emitindo parecer, "findo o qual a ausência de emissão corresponde a parecer favorável". Na nota recorda-se que também o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) tem prazos legais para se pronunciar sobre "cada tipo de visto, sob pena de deferimento tácito".
Os vistos concedidos nos consulados e embaixadas são cinco: de escala, trânsito, curta duração, estada temporária e de residência. Estes últimos dois carecem de parecer obrigatório do SEF. Quando negativo, este parecer é vinculativo.

O SEF sublinha, a este respeito, que se "pronuncia unicamente sobre dois parâmetros: análise do risco migratório e razões de segurança interna, não podendo em circunstância alguma pronunciar-se sobre os documentos que devem integrar o procedimento administrativo, tendente à emissão de vistos, cuja competência instrutória pertence em exclusivo ao MNE".

Vistos para artistas

Os vistos de estada temporária para exercício de actividade profissional - geralmente têm a duração do contrato de trabalho - e de residência para exercício de actividade profissional independente são aqueles que, por norma, são concedidos por Portugal aos artistas, informa também o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Este ano o Ministério francês dos Negócios Estrangeiros instruiu os seus consulados para "facilitarem" a concessão de vistos aos naturais de África que tivessem uma actividade profissional de carácter artístico, cultural, universitário ou de investigação.

No encontro de Angoulême, um conselheiro daquele ministério explicou que estavam disponíveis para "generalizar a outros públicos, como os artistas, o que foi feito para os empresários", atribuindo também a artistas africanos "vistos de circulação" com um prazo que pode ir de um a cinco anos. Durante o período de vigência, os seus portadores poderão viajar para o espaço Schengen sem passagens por consulados e respectivas burocracias e imprevistos.
Ole Reitov, da Freemuse, tem estado a coligir casos de problemas com vistos. O processo deverá acompanhar uma espécie de "livro branco" com propostas de solução que deverá ser entregue nos próximos meses no Parlamento Europeu. A questão estará também na ordem do dia do fórum cultural da rede Eurocities, que decorrerá em Dortmund, Alemanha, no princípio de Setembro, e na Womex de Sevilha, em Outubro, revelou aquele responsável ao P2.

"Prevejo dificuldades", diz Carlos Seixas sobre uma eventual aplicação de um tratamento diferenciado aos artistas. Primeira dificuldade: como provar que eles são de facto o que dizem ser? Tanto Seixas como Sacramento recordam que muitos dos músicos que participam nos festivais de world music não são artistas profissionais - podem ser pastores, artesãos, agricultores... - e portanto não podem apresentar a certidão de actividade profissional exigida nos processos de atribuição de vistos.

Os serviços "pedem muitas coisas que nos países pobres são difíceis de obter ou que de todo não existem", constata Carlos Seixas. Aos paquistaneses Asif Ali Khan & Party, que no seu país costumam actuar em festas de aldeia e não pensam sequer em passar recibos (que ninguém pede) foram recusados vistos por não terem provas de autonomia financeira. Isto, apesar dos termos de responsabilidade que foram apresentados pelos seus contratadores europeus, que legalmente podem substituir aquela prova.

Vasco Sacramento não enjeita responsabilidades: "A culpa também é nossa, da indústria musical. Há uma certa inércia. Não temos sabido responder às novas exigências de segurança e imigração." Não está optimista: "Tenho alguma dificuldade em ver como isto se vai desembaraçar."

Em Angoulême, o conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Didier le Bret, aponta limites que continuarão a ter efeitos "muito perniciosos". Mesmo que venham a existir vistos especiais, de maior duração, só irão beneficiar aqueles que as normas e a experiência apontam como representando "um risco fraco ou nulo".
"O problema são os jovens artistas", desabafa, subscrevendo o perfil traçado antes por Conrath. Exemplo tipo que mete medo à Europa, segundo Philippe Conrath: "Homem entre os 18 e os 26 anos."

Entre 2010 e 2015, os 24 países que hoje integram o espaço Schengen deverão começar a exigir que os visitantes de outras partes do mundo tenham vistos com os chamados "registos biométricos". A medida, que já se encontra em vigor para entradas no Reino Unido e nos EUA, poderá tornar ainda mais difícil o acesso à Europa.
As impressões digitais são fundamentais nestes registos e, como é óbvio, só poderão ser recolhidas presencialmente. Neste momento, sempre que alguém fora da UE pretender visitar o Reino Unido tem de requerer um visto e fixar nele novas impressões digitais, mesmo que já o tenha feito poucos meses antes.

O processo repete-se assim em cada novo visto, obrigando a deslocações colectivas aos consulados, o que significa muitas vezes ter de viajar para outro país. É o que acontece em muitos países africanos. Um balanço feito recentemente pelo jornal britânico The Independent: no Mali não existe um consulado britânico, por isso sempre que uma banda daquele país é contratada para actuar na Grã-Bretanha tem de voar primeiro para o Senegal. O grupo de jazz Les Amazones, da Guiné, teve este ano de viajar para Freetown, na Serra Leoa, para tentar obter vistos para os 12 elementos da banda. "Antes podíamos enviar apenas uma pessoa com os 12 passaportes. Agora, por causa das impressões digitais, têm de ir todos", queixou-se o produtor. O visto foi-lhes recusado.

Um visto de entrada no espaço Schengen também não garante acesso a território britânico e o Reino Unido não concede vistos a não europeus nos seus consulados da União Europeia. Há por isso quem tenha de se deslocar, por exemplo, de Paris a Dacar, antes de viajar para Londres.

Carlos Seixas, promotor do Festival Músicas do Mundo, em Sines, conta outra experiência que saiu cara. Com visto português obtido no consulado de Pequim, o "pai" do rock chinês, Cui Jian, estava a iniciar a viagem que o traria a este festival quando foi barrado (com o grupo) no check-in da British Airways. O voo para Lisboa fora comprado nesta companhia, mas tinha uma escala em Londres e os músicos chineses não tinham vistos de trânsito e portanto não podiam pisar solo britânico. "Tiveram de comprar novos bilhetes para um voo que fizesse escala num país Schengen."

Mas não é só a Europa que está a colocar problemas de entrada e também não são só os artistas africanos ou asiáticos que têm sofrido com isso. Músicos europeus e canadianos têm sido impedidos de actuar nos Estados Unidos devido à recusa de vistos de entrada. Por ter cadastro, a britânica Amy Winehouse foi um deles.

Festival Sudoeste 4º Dia: Cortes e cópias

O Sudoeste terminou hoje com um lote de bandas que sabe beber nas referências e criar um som seu. Os Cut Copy foram os grandes vencedores da noite.

Vamos ao mais importante. Os Franz Ferdinand não foram consensuais. Começaram em falso, embora a culpa não tenha sido deles, sem PA e som de palco. Voltaram aos camarins e o regresso trouxe cortes no alinhamento, as canções que todos esperavam e inéditos que, para já, não convecem totalmente.

Percebe-se que há um som muito próprio que continua a beber em referências como os Kinks ou os Gang Of Four e que há uma procura inesgotável de novos recursos como a África mãe. No entanto, a soma das partes ainda não é totalmente satisfatória. Valeram as muitas palmas para salvar uma noite que podia ter sido mais feliz.

Uma dezena de minutos antes de entrar em palco, Alex Kapranos era um espectador atento da estreia arrasadora dos Cut Copy. Capazes de transpor um imaginário que é sobretudo electrónico, os australianos contagiaram tudo e todos com uma força simplesmente arrasadora. Por favor, voltem!

Kapranos foi inteligente na maneira como soube afastar-se do espaço maior do recinto onde tocavam os chatíssimos Shout Out Louds, mais imitadores dos Cure do que os Led On são dos Led Zeppelin. Só falta mesmo o vocalista pintar-se de negro e engordar 20 quilos para ser um sósia do ex-carismático Robert Smith.

Não se percebe como é que os Xutos & Pontapés tocam antes dos suecos da campanha de uma famosa operadora que, por acaso, até (não) patrocina o Sudoeste. Eles são aquela máquina que não falha, capaz de incorporar uma «orquestra de metais», bem afinada. Ao contrário de outros, a reinvenção é uma palavra verosímil, aqui.

Muito bem esteve Jamie Lidell, mesmo sofrendo a forte concorrência dos arquiduques que à mesma hora colocavam o povo em delírio com «Michael» ou «Take Me Out». O espectáculo combina a soul clássica do novo álbum «Jim» e o tecno espacial do primeiro «Multiply». A rever noutro espaço.

Da armada portuguesa, Jorge Palma foi o mais fraco. Visivelmente «tocado», mostrou dificuldades em articular palavras com o pensamento e sons com a banda. Mas o povo apreciou. Palma é o bobo da corte e não se apercebe. O povo canta e ri e a caravana continua a passar.

Os Tara Perdida confirmaram que são um dos fenómenos mais fortes ao nível do público jovem. O mosh teve continuação mais tarde com os Vicious 5 embora o vocalista Joaquim Albergaria continue a ter menos piada que Aldo Lima. A grande desilusão foi o concerto em câmara lenta dos Junior Boys. Os Alpha Blondy encheram a tenda reggae.

Os Led On são certamente uma das melhores bandas de covers do mundo. Músicos de primeira água que nos fazem sonhar com os Led Zeppelin quando fechamos os olhos. Robert Plant, não tenhas cuidado não...

in discodigital

Festival Sudoeste 3º Dia: O fado da vitória

Camané, Deolinda e David Fonseca foram os grandes vencedores de uma terceira noite morna que teve no Planeta Sudoeste o hot spot.

Há três anos, os Humanos assinaram um dos concertos mais memoráveis da história de um festival que já leva uns respeitáveis onze anos. Em 2008, a aventura que recriou António Avariações não é mais do que uma recordação passada mas cada um dos elementos que tornou o projecto viável continua em grande força.

Depois do belíssimo espectáculo dos Clã, David Fonseca e Camané mostraram porque são dois figurões da música portuguesa. O primeiro é um velho conhecido do Sudoeste e já conhece a estrada de cor. De tal maneira, que o alinhamento terminou com uma versão de «A Little Respect», dos Erasure, popularizada pelos Silence 4.

Foi ele quem mais pessoas chamou ao recinto. Ele foi o verdadeiro cabeça-de-cartaz de uma noite que teve em Vanessa da Mata e, principalmente, Nitin Sahwney, dois soporíferos. As versões de «Together In Electric In Dreams», dos Human League e de «Video Killed Radio The Star», dos Buggles, foram igualmente tiros certeiros.

À mesma hora, os Deolinda comprovavam que o fenómeno é mesmo para valer. Ana Bacalhau é uma estrela do presente. Ignorá-la é como desconhecer o vinho do Porto. Ela canta, dança, desafia, enfim, uma verdadeira performer capaz de reinventar o fado. O recinto esteve cheio do princípio ao fim.

Depois, foi o genial Camané, nervoso com a estreia em modo fadista no Sudoeste mas sempre seguro do seu repertório. Carlos Bica foi o convidado inesperado que abrilhantou uma actuação com uma alma que conquista tribos variadas. E até houve direito a pedagogia com a explicação de que «no fado não se batem palmas».

Igualmente importantíssima foi a primeira vez dos Pontos Negros a prometer um dos melhores discos nacionais para a colecção Outono/Inverno deste ano. As novas canções são assombrosas com especial destaque para o último tema que só não será single se as Twin Towers de Benfica cairem.

Do resto, pouco rezará a história. Brandi Carlile foi tão inconsequente quanto a sua música deixa escapar. No Kubik, tudo correu sobre rodas tal como era esperado. Tiago Bettencourt não convenceu apesar do imenso público feminino. Richie Spice perdeu o avião e ficou em terra.

in disco digital

Festival Sudoeste 2º Dia: My Chemical Brothers

A morte lenta na segunda noite do Sudoeste só foi interrompida no final do concerto de Goldfrapp. Depois, vieram os Chemical Brothers e o vento mudou...

Definitivamente, a melancolia não se dá bem com festivais. Que o digam os eternos em palcos portugueses Tindersticks, descontextualizados perante um público com fome de farra e pão com chouriço. O efeito da banda de Stuart Staples foi em tudo semelhante ao dos The National, no último Optimus Alive! 08. LSD precisa-se...

Mas vamos ao que interessa. De regresso às comparações, o espectáculo (sim, é mais do que um mero concerto) dos Chemical Brothers produziu os mesmos resultados dos Daft Punk há dois anos. Luz, cor e som em perfeita sintonia. Um alinhamento perfeito. Uma verdadeira discoteca a céu aberto. E o Boom só começa segunda-feira.

Antes, Goldfrapp deu um cheirinho (não literal) do que podia ter sido um regresso auspicioso. E só não o foi porque o arranque sonolento conseguiu afastar pelo menos vinte por cento daqueles que tinham cometido o obséquio de abandonar a tenda para justificar o preço do bilhete do Sudoeste.

Sejamos sinceros, a música é cada vez menos um factor aliciante. Basta percorrer o parque de campismo a qualquer hora do dia para se perceber que esta é a zona onde tudo que se passa. As bandas são apenas um apêndice de toda uma envolvência que tem a praia e a Zambujeira do Mar como cenário principal.

Se Yael Naim deu, provavelmente, o concerto mais fraco da noite, Rita Redshoes pediu meças à concorrência e mostrou-se perfeitamente capaz de tocar mais tarde. As canções são serenas, por vezes lembrando até o oeste...americano, mas há uma noção de espectáculo perfeitamente à altura do que vem lá de fora. A internacionalização está mesmo aí...

No Planeta Sudoeste, os Tetine podem ter tocado para meia dúzia de corajosos mas surpreenderam pelo arrojo. Merecem voltar noutras condições. O mesmo não se pode dizer da praga Cidinho & Doca, dupla que conseguiu transformar o espaço num ambiente de baile de finalistas de favela. Só que desta vez não houve tiros.

A expectativa produzida pela poliglota Nneka não se traduziu completamente devido a problemas de som. Mesmo assim, e com inteligência, a alemã deu a volta ao texto e foi agarrando quem por ali passava, invariavelmente de copo de cerveja na mão. Rosália de Sousa passou praticamente despercebida.

O palco reggae continua cheio. Para quem entra no recinto, pode até parecer que é este o espaço com os maiores artistas. Mas não. Desta vez, Al Borosie foi uma bela surpresa enquanto Beenie Man confirmou créditos. O Kubik comprovou ser uma boa aposta para um público mais específico.

in disco digital

Sudoeste dia 2: Horários

Palco TMN

Dynamics - 03h10 / 04h00
Chemical Brothers - 01h10 / 02h40
Goldfrapp - 23h40 / 00h40
Tindersticks - 22h10 / 23h10
Yael Naim - 21h05 / 21h50
Rita Redshoes - 20h00 / 20h45

Palco Planeta Sudoeste

Cidinho & Doca - 00h50 / 01h50
Nneka - 23h30 / 00h30
Rosalia de Sousa - 22h10 / 23h10
Moinho - 20h50 / 21h50
Tetine - 19h30 / 20h30

Palco Positive Vibes

Zion Train - 02h00 / 04h00
Beenie Man - 00h15 / 01h45
Al Borosie - 22h00 / 23h30
The Most Wanted - 20h45 / 21h30

Kubik

Rui Vargas - 2h30 / 05h
Sue Ellen - 01h30 / 02h30
Magazino - 00h30 / 01h30
Nuno Reis - 23h / 00h30
Mary B - 22h / 23h

Festival Sudoeste, dia 1: O Sudoeste do Mali

A noite que marcou o arranque dos concertos no palco principal do Sudoeste ficou marcada pelas sonoridades da chamada música do mundo com destaque para o Mali de Toumani Diabaté, e Tinariwen. Björk reencontrou-se com o público português aquecendo a fria noite alentejana que não foi suficiente para afastar os muitos milhares de festivaleiros, com destaque para a enorme presença de espanhóis, que se espalharam pelo recinto.

Chegados ao fim da tarde ao local constata-se logo que o recinto foi revisto, e melhorado. O piso com erva bem alta vai disfarçando a tradicional poeira, a organização do espaço bem melhorada com um local para restauração alargado e coberto, e na ponta contrária ao palco principal um triângulo de opções entre a tenda do Planeta Sudoeste- na prática o palco secundário, o palco Positive Vibes sempre cheio de fãs do reggae, e a zona dada às batidas electrónicas transformada numa bonita discoteca ao ar livre. Tudo espaços bem mais preenchidos que a plateia do palco principal.

E no palco maior quem brilhou intensamente foi a islandesa Björk que assinou um dos melhores concertos da época festivaleira. Visualmente muito dinâmico, e colorido, com a cantora em excelente forma bem enquadrada em vistosos jogos de luzes, o concerto ficou marcado pela transformação das suas canções mais emblemáticas com roupagens bem electrónicas bem dançantes como foi o caso de «Army of Me», ou a grande «Hyperballad». Surpresa geral com a aparição do Rei da Kora, como lhe chamou a cantora, Toumani Diabaté, em palco para tocarem «Hope». O concerto terminou com o simbólico «Declare Independence», já no encore, e que já foi dedicado ao Tibete, isto em véspera de arranque dos jogos olímpicos na China. O concerto do Festival até à data.

Toumani Diabaté antes de chegar ao palco principal tinha brilhado com a sua banda no palco Planeta Sudoeste. O mau som, e a inexplicável indiferença do público perante tão ilustre figura, não ajudaram a tornar o concerto inesquecível.
A juventude esteve sempre mais virada para o palco da entrada principal onde se entregavam aos sons e fumos do reggae, e onde brilharam os franceses Dub Inc., assim como para os devaneios electrónicos do espaço Kubik onde Gui Borato levou ao delírio os amantes das batidas dançantes.

Voltando ao palco principal destaque para o regresso dos Tuaregues Tinariwen ao nosso país. Em relação ao concerto de Setembro no CCB o grupo apresentou-se com as vocalistas que dão mais alma à actuação, mas o ambiente frio com que foram recebidos não os fez soar tão encantadores como já os sentimos. Cumpriram a sua tarefa bem melhor que os Balkan Beat Box de quem se esperava um fecho de noite bem animado, mas a repetitiva fórmula sonora acabou por não convencer os resistentes das filas da frente.

Bem recebidos foram os portugueses Clã ao principio da noite, que actuaram depois dos brasileiros Natiruts, e que continuam a mostrar a boa forma que registaram no mais recente disco da banda.
A primeira noite já lá vai, seguem-se mais três de festa no Sudoeste.

redes sociais

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Links

actualize-se

Festivais

  •  
  • sirva-se

  •  
  • blogues da vizinhança

  •  
  • músicas do mundo

  •  
  • recordar João Aguardela

  •  
  • ao vivo

  •  
  • lojas

  •  
  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2008
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2007
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2006
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D