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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Bob Marley & The Wailers - Burnin'


Como introdução fica já o aviso que o objecto aqui em análise faz parte dessa ilustre colecção de edições luxuosas que a editora Universal, em boa hora, resolveu criar e denominar de «Deluxe Edition». Quando virem um disco da vossa preferência reeditado com este selo, não hesitem, adquiram logo.

No caso de Bob Marley a colecção vai crescendo e os fãs só podem dar graças a Jah. Agora chegou a vez de «Burnin'» ser alvo de reedição em formato deluxe.

Originalmente editado há 32 anos, «Burnin'» sucedeu ao, também imperdível, «Catch a Fire» e foi a quarta edição dos Wailers.

Fortemente marcado por mensagens políticas e religiosas, este disco deixou para a história do reggae temas imortais como «Get Up Stand Up», «Duppy Conqueror» e é conhecido por ser o álbum que tem «I Shot The Sheriff».

É o último disco em que os Wailers funcionam como um colectivo que abriga Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer, que depois partiram cada um no seu rumo, deixando Marley a comandar o grupo.

Esta edição especial dá a conhecer os dez temas do disco original, com som remasterizado e acrescenta mais cinco temas de bónus: «Reincarnated Souls», «No Symphaty», «The Opressed Song» e duas versões ainda não editadas de «Get Up, Stand Up», o emblemático que marca a abertura de «Burnin'», isto no primeiro disco.

Depois no segundo disco temos a oportunidade de ouvir um concerto nunca antes editado. Trata-se de uma actuação em Leeds (Novembro de 1973). Ao todo são uma dúzia de faixas que proporcionam avaliar a excelente performance dos Wailers ao vivo.

Como é hábito nestas edições, o package é irresistível, com uma qualidade gráfica superior e traz ainda um livrete com um texto explicativo sobre o disco da autoria de Scott Shinder, com as letras todas publicadas.

Verdadeiramente imperdível, não só para a comunidade rasta, como também para todos os que gostam de celebrar a música.

edição: 2005

Nota: 4,5/5

Bilhete Com História ( 4 ) Lulu Blind no Ritz

Numa noite de 13 de Maio concerto marcado para a sala lisboeta Ritz Club ( a propósito, alguém sabe quando é a reabertura prometida? ) a meio da semana.
Os Lulu Blind tinham fama, e proveito, de arrancar sempre concertos contagiantes.
O concerto estava marcado para as 22h, e eu ia assistir para depois escrever para o site Music.Net. À hora marcada a sala estava deserta.
O pior é que o tempo ia passando e pouca gente foi chegando, dava para perceber que naquela noite a coisa não ia correr bem.

Quase à meia noite a banda lisboeta lá deu início ao concerto, na sua frente não estavam mais de 20 pessoas.
Como é evidente não havia grande ambiente, e Tó Trips não aguentou muito tempo a tocar.
Os músicos aproveitaram um intervalo entre temas e ficaram na conversa com os poucos presentes. Deve ter sido dos concertos mais curtos dos Lulu Blind.
Uma noite insólita no Ritz, a 13 de Maio de 1998.

Os Velvet Underground no Lawrence Welk Show em 1968

Calma, não se trata do raríssimo video original da histórica actuação dos Velvet Underground a tocarem "Sister Ray" no popular programa de Lawrence Welk. Ficou conhecida como a primeira aparição dos Velvet para um público vasto e generalista.
O que se vê aqui é uma montagem muito interessante do realizador Darren Hacker, que deu o som dos Velvet às imagens do show de Lawrence Welk.
À atenção dos muitos fãs dos grandes Velvet Underground:

Afinal a Luta Anti-Pirataria é Só Contra Alguns!!

Fantástico! Ficam a saber que aquela fúria toda de nos levarem a todos presos por descarregarmos, e disponibilizarmos músicas e filmes via internet, não é dirigida a todos.
Como se sabe, estamos todos sujeitos a receber cartinhas simpáticas em casa dando conta dos crimes graves que andamos a fazer ao deixarmos que nos copiem ficheiros de faixas de músicas, ou filmes. Ameaçam com multas pesadas e até prisão. O pânico chegou há um mês com os telejornais, e jornais a darem grande destaque ao combate aos criminosos que descarregam música e filmes.

Então não é que ficamos a saber que cidadãos como o Nuno Gomes e o Petit, jogadores do Benfica e da Selecção, levam consigo dvd's ilegais para verem em estágio?!
Está tudo no site Megafone e veio publicado no jornal Correio da Manhã:

A FEVIP (Federação de Editores de Videogramas) insurgiu-se ontem contra o facto de Nuno Gomes ter afirmado, no ‘Jornal da Noite’ de quarta-feira, na SIC, que levava para estágio os filmes ‘Missão Impossível 3’ e ‘Instinto Fatal 2’, películas essas que, a nível mundial, ainda só estão disponíveis no cinema. Ou seja, segundo a FEVIP, o jogador internacional da Selecção está a ter “aproveitamento de obra usurpada”, algo ilegal. No entanto, aquela entidade não pensa agir judicialmente contra o jogador, mas gostava que o mesmo se retractasse.

O Nuno Gomes está lixado, vai levar uma bela de uma multa, pensei eu.
Qual quê?! Vejam a simpática reacção do director-executivo da FEVIP:

“Não está nos nossos planos meter o jogador em tribunal. No entanto, é verdade que ele está a colaborar com criminosos. Gostávamos de ver o Nuno Gomes a dizer que prefere os filmes originais e estamos dispostos a oferecer à Selecção os filmes que quiserem. É que o que o Nuno Gomes diz possuir não passa de um aproveitamento de obra usurpada, o que é ilegal”, disse Paulo Santos, director-executivo da FEVIP, criticando depois o jogador do Benfica.
“Ele tem de lembrar-se que é um ídolo para muitas pessoas e poderá, deste modo, estar a influenciar essas mesmas pessoas. Há empregos em risco devido a essa pirataria e todos deveriam levar isso em conta. De certeza que o Nuno Gomes, e alguns dos seus colegas, não ganhariam tantos milhões se nós fossemos aos estádios e não pagássemos. Gostaria e acredito que ele se vai retractar e pedir desculpa, já que é uma pessoa de bem.”

Também Petit teve direito a um reparo por parte da FEVIP, embora mais moderado. “Na reportagem foi exibida ainda uma mala do sr. Petit, com um número elevado de DVD, com capas e caixas diferentes das usadas pelas editoras por nós representadas”

Gosto muito da parte: Sr. Petit.
Mas há mais! Ainda segundo o Megafone:

Há alguma semanas, e quando se soube que Diogo Valente seria jogador do FC Porto, uma estação televisiva fez uma reportagem no estágio dos Sub-21 e esse atleta, descontraidamente, chegou ao ponto de dizer com o maior dos desplantes que era um dos roupeiros que vendia os filmes aos jogadores.

A partir daqui qual é a moral com que nos ameaçam com multas e tribubais?!

A Final da Eurovisão



Já que falei da meia final do Festival da Canção da Eurovisão, deixo um comentário à final que se realizou esta noite.
E não é que a Europa elegeu a canção da Finlândia como grande vencedora? Os tais que apareceram num estilo Slipknot, convenceram o Velho Continente e ganharam de maneira clara levando para a Finlândia a organização do próximo Festival em 2007.
Se a tendência for para manter, então sugiro desde já que se convença os Moonspell a concorrerem no próximo ano. É que se a Eurovisão está numa de rock mais pesado nós podemos aspirar a algo de grande. Os Moonspell iriam à Finlândia com as mesmas expectativas de vitória da selecção de Scolari na Alemanha. E nem era preciso bandeira feminina no Jamor.
Os Mr. Lordi venceram com o tema "Hard Rock Hallelujah" somando 292 pontos, esmagando assim alguns favoritos como a Rússia, Suécia ou Irlanda.
Os chatinhos da Bósnia e Herzegovina ficaram em 3º lugar, enquanto os gozões da Lituânia acabaram num honrosos 6º lugar.
As belas meninas da Macedónia, Ucrânia e Moldávia (grande sensação da noite), não chegaram ao topo, mas encantaram os olhos europeus.
As Ketchup de Espanha foram a grande desilusão, só somaram 18 pontos.
Para o ano há mais na Finlândia, quem sabe se numa versão mais gótica do Eurofestival.

Os Artic Monkeys Passaram por Lisboa


Não pude ir ao concerto de 5ª feira à noite dos Artic Monkeys em Lisboa, mas estava com curiosade para saber como se portou a banda querida )versão 2006) do Reino Unido, uma vez que até gosto do álbum "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not".
Pelos vistos a noite foi boa e os rapazes corresponderam às expectativas, e ao histerismo do público que esgotou o Garage!
Segundo diz a amiga Ana Baptista na crónica que escreveu para o Disco Digital até houve soutiens no ar!

"Em consequência o Paradise Garage esgotou (e tornou-se demasiado pequeno para a histeria), venderam-se t-shirts da banda a rodos (apesar de custarem 20 euros), e até houve soutiens atirados pelo ar. "

"
A ajudar à força da música esteve a presença bastante segura em palco, admirável para quem está na sua primeira digressão mundial."

Na Primeira parte os portugueses Vicious Five também convenceram:
"A apresentação podia ter corrido melhor, não fosse uma boa parte do público não conhecer a banda, mas mesmo assim os arriscaram experimentar novas formas de tocar os temas de sempre. A versão de «Fight for Your Right», dos Beastie Boys foi a cereja no topo do bolo… para quem gosta, claro."

Podem ler o texto todo em Disco Digital.

Também a Lia Pereira, igualmente amiga, ficou convencida com a actuação dos Artic. A sua prosa para o Cotonete é esclarecedora:

"os AM instauraram o motim com 'I Bet You Look Good On The Dancefloor' e as excelentes 'When The Sun Goes Down' e 'Fake Tales of San Francisco', tendo esta gerado um dos coros espontâneos da noite e registado o segundo maior abalo no sismógrafo do Garage. No geral, a banda pode orgulhar-se de um concerto quase sem pontos mortos, em que as melodias mais divertidas ('Mardi Bum') se ligaram pacifica e frutuosamente com o andamento veloz de pândegas como 'A Certain Romance', que fechou a noite. Sem encore nem reticências, mas com a certeza de que, desta vez, a verve de narrador britânico não tocou apenas os súbditos de Sua Majestade."

Para ler tudo em Cotonete.

Uma Remix Para Ouvir Já

MONOLAKE / DEPECHE MODE - Suffer Well - Limited Edition, Numbered 7, Mute

Aconselhado pelo amigo Luís Marta, cheguei até a uma remistura bem interessante para um tema do mais recente, e bom, álbum dos Depeche Mode.
É uma remix de Monolake para a última faixa de "Playing the Angel", "The Darkest Star". Muito bem conseguida, confiram aqui:
The Darkest Star - Monolake Remix

Monolake é um alemão dado à música electrónica, e que se define assim:
"My music is about the exploration of sound, rhythm and structure, about the interaction between a sonic event and the space in which it happens.".
Para os apreciadores do género aconselho a audição de uma actuação de Monolake disponibilizada gratuitamente aqui:
A radio concert recorded in Melbourne february 4th 2005 by Monolake

Ainda podem ler uma entrevista a Monolake no site dedicado aos Depeche Mode: Home.

O Festival da Canção

É daqueles eventos que povoam o nosso imaginário ( os sub-25 estão dispensados de ler esta prosa). Quem não se lembra das noites em frente ao televisor a ver ano após ano a canção portuguesa na Eurovisão a tentar fujir do último lugar (salvo raras excepções) com os pontos da Espanha ou de França?

Eu perdi o interesse pelo eurofestival a partir do ano 1990. Sim, foi em 90 que uma representante da antiga Jugoslávia (país que também brilhava nos Jogos Sem Fronteiras, mas isso é outra conversa) deslumbrou os nossos corações (leia-se olhos de adolescentes) com uma presença inesquecível. Uma espécie de Marilyn Monroe com um justo, e vistoso, vestido rosa e salto alto a condizer. Uma imagem que marcou uma geração ao ponto de ainda hoje ser possível encontrar pela internet as imagens de tal actuação.
A imagem “http://www.ndrtv.de/grandprix/images/tajci_1990.jpg” não pode ser mostrada, porque contém erros.
A juntar à fresca e ousada imagem, Tajci (um nome que não engana) interpretou uma canção do melhor pop açucarado da época, com um arranque a fazer lembrar Transvision Vamp.
Se não acreditam nestas palavras façam o favor de descarregar Cokolada, o tema em questão:
Tajci - Cokolada

Para se ter uma ideia do que estamos a falar, Tajci brilhou no ano em que Portugal foi representado por Nucha a cantar "Há Sempre Alguém".
A injustiça da votação não deu a vitória (mais do que merecida) à Jugoslávia, e o júri preferiu a música italiana, com o insonso nome "Insieme: 1992", cantada por Toto Cutugno, que fazia jus ao seu primeiro nome.
Como se pode perceber Tajci foi uma incompreendida pelos espectadores europeus, mas ficou nos coraçoes de todos os rapazes do Velho Continente. Mesmo assim acabou num honrado 7º lugar com 81 pontos, todos dados por júris masculinos, digo eu.
Já agora fica a pontuação de Portugal: 9 pontos. Mais um que Finlândia e Noruega, que ficaram em último.
Para fechar o tema Eurovisão 90, fica a cereja em cima do bolo, o video da interpretação jugoslava:
Video de Tajci - Cokolada

Eurovisão 2006

Tudo isto veio à memória muito por culpa da transmissão da edição do Festival Eurovisão da Canção 2006 a decorrer na Grécia. Calhou ver uma parte e fiquei surpreendido com o formato. O Festival está transformado numa espécie de Liga dos Campeões, hoje jogava-se a pré-eliminatória (a que eles chamam de meia final) com o propósito de afastar uns quantos países da final que decorre no sábado, e onde já estão os habituais favoritos Inglaterra, França, Israel, Alemanha ou Espanha (com um tema das Ketchup que promete fazer furor no verão).
Vejo muitas caras bonitas. Miúdas giras, com pouca roupa, coreografias à MTV, temas a fazerem lembrar Shakira (a representante da Ucrânia é mesmo a Shakira de leste!), Britney Spears (Islândia), J Lo ( Macedónia). Por falar em Macedónia, Elena Risteska é um nome a decorar, talvez a sucessora de Tajci.
Muita cor, muito ritmo, e alguma actuações curiosas. Portugal foi representado pelas Nonstop, miúdas vistosas que não destoaram e com uma canção de refrão orelhudo e em inglês, "Coisas de Nada". Título bem escolhido para o resultado final, já que fomos eliminados.

Mas Portugal é eliminado de forma pouco convincente. É claro que em comparação com a bela música (e intérprete) da Suécia ficamos a perder muito, mas eu vi pelo menos quatro países serem apurados de forma incompreensível.
A Finlândia mandou uma versão inacreditável dos Slipknot!! Mau demais.
A Lituânia é representada por seis rapazes que repetem a frase "We are the winner's of Eurovision" do principio ao fim da música(?)! Até tem piada, aliás o momento foi hilariante, mas daí a serem apurados...
Da Bosnia e Herzegovina vem um Hari Mata Hari tão chatinho que dá sono.
E da Irlanda lá veio um gajo armado em Logan com a cançãozita da tanga.
Todos estes passaram, e as nossas miúdas ficaram de fora! Injustiça.
Ou seja, apesar da imagem moderna do Eurovisão, a injustiça continua como nos bons velhos tempos de Tajci.

A Very Special Acoustic Night With Dave Matthews - Birmingham Academy 13/05/06

O espaço que se segue é da responsabilidade do membro do Fórum Sons, AliveRockBoy.
O rapaz foi atrás de um sonho e voou até Birmingham para assistir a um dos raros concertos de Dave Matthews na Europa.
Eu adorava ver a Dave Matthews Band ao vivo, é um desejo que já vem de longe. Quando vi anunciadas datas para Dave Matthews em Inglaterra pensei que era desta que eu os ia ver, mas os preços elevadíssimos dos bilhetes, e o facto de ser o líder a solo sem a banda por trás, desencorajou-me.
Pedi ao AliveRockBoy que escrevesse uma prosa sobre a sua aventura para poder partilhar com os leitores do Grandes Sons. Pode ser que qualquer dia seja eu a assinar a reportagem de um concerto da DMB, ainda não perdi a esperança. Muito obrigado AliveRockBoy.

O sonho interrompido

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São mais ou menos 11h40 quando o avião da Ryanair toca o chão do Aeroporto de Stansted. Londres recebe-nos fria e com um céu cinzento como é seu apanágio. Mas para nós, o dia não podia ser mais azul e o ambiente não podia estar mais quente. Depois de ultrapassarmos a má organização da alfândega do aeroporto (não é só cá em Portugal) e depois de termos descoberto que para alugarmos o carro que tínhamos reservado afinal ainda tínhamos de pagar mais umas boas libras por mais uns seguros, partimos em direcção ao destino desejado.
O dia tinha contornos de sonho. Era tudo tão estranho… os carros a andarem do lado contrário, a paisagem vasta e totalmente amarela… nada ali nos era familiar.
Por volta das 16h00 entramos em Birmingham. Passamos à frente da Academia. O ambiente ainda estava pouco mais do que nulo. Estranhamos. Sabíamos que as portas abririam às 18h00 e estamos habituados a ver em Portugal longas filas de espera umas boas horas antes da parede de ferro se abrir para nos dar passagem. Ali não estariam mais de 20 pessoas. Aproveitamos a pouca afluência para irmos almoçar. No regresso o ambiente já se começava a compor. Eram agora 17h00. Faltava pois apenas uma hora para o primeiro momento do dia. Agora a fila já se estendia por umas centenas de metros e ficámos algo tristes por nos imaginarmos bem longe do palco. Quando já se definiam estratégias para furar até lá à frente acontece algo totalmente inesperado. Na parede que acompanhava a fila começam a ser coladas folhas de papel que anunciavam a existência de uma “Fast Track”. Em resumo, era uma nova fila que se formaria e que teria prioridade sobre a fila normal para o concerto. E para entrar nessa fila bastava ir ao Bar da Birmingham Academy beber qualquer coisa. Ao início não acreditámos. Pensávamos ser alguma brincadeira de amigos. Depois, quando um dos seguranças do recinto veio gritar aquilo que estava escrito no papel para toda a fila começamos a achar que talvez fosse verdade. Não fomos todos, não fosse o diabo tecê-las. Alguns de nós foram num instante ao bar saber se era verdade, viram que sim e chamaram os outros. E foi assim que só com apenas uma cerveja (intragável por sinal) me vi com apenas 20 pessoas à minha frente para entrar. Chegam as 18h00 e com ele primeiro grande momento do dia. À entrada, o porteiro diz que será autorizado todo o material de fotografia, vídeo e som que não seja amador. Até nisto o Dave é grande. A escolha do lugar não foi difícil. Bem ao meio, com apenas 3 ou 4 pessoas à frente. Restava esperar e ver quem eram aqueles tais de Subculture que eram anunciados juntamente com Dave Matthews. Às 18h30, as luzes apagam-se. Vai começar o espectáculo. As pulsações sobem. Naquela altura, não sabíamos se os Subculture iam fazer a primeira parte ou se iam tocar com o próprio Dave Matthews. Se o coração disparou, depressa se acalmou. Quem entra na sala é um jovem, sozinho com apenas uma guitarra. Sentado num banco toca durante 45 minutos músicas calmas, de embalar, com boa sonoridade e voz mas tudo muito igual. Simpático, brinca com o público e despede-se rigorosamente às 19h10. Estava feito. Agora a sala seria só para o Dave. Olho à volta. Aquilo não era muito diferente de uma discoteca apinhada. Imaginem num espaço com dois andares em que o segundo é uma varanda. Por baixo da varanda são os bares. No espaço não coberto pela varanda é a pista de dança (naquele caso a plateia). Está cheia como um ovo. À frente estava o palco. O calor também aperta mas isso já não interessa para nada. A impaciência cresce de forma exponencial à medida que os segundos passam. Olho o relógio, são 19:28. Tinham-nos dito que o concerto estava terminado no máximo às 22h00. Não tinham sequer passado 2 minutos quando a música que estava a dar (Jack Johnson) se cala. As luzes voltam a baixar e a festa toma conta do recinto. Dave entra sorridente. Sozinho mas seguro. Ocupa todo o palco. De calças de ganga e camisa azul, apenas com a sua guitarra prepara-se para os seus primeiros acordes. Bartender abre as hostes. O público mostra-se em sintonia com o músico e cantam a letra toda sem uma única falha. Seguem-se Grey Street, So Much to Say, Where are You Going e Smooth Rider. O concerto começa bem. Dave faz questão de mostrar que está bem disposto. Ri-se, conta histórias, faz palhaçadas no palco. O concerto continua. É tempo agora de visitar com mais pormenor o seu álbum a solo. Stay or Leave e Save Me saem seguidas e juntamente com Old Dirt Hill preparam o verdadeiro primeiro grande momento da noite. Dancing Nancies surge com todo o publico a cantar bem alto. Nesta altura as músicas de DM e de DMB alternam-se. É tempo de Some Devil (vê-lo numa guitarra eléctrica, para mim, é estranho). Everyday, Gravedigger, Crush e Lie in Our Graves e So Damn Lucky fecham a primeira parte. Uma primeira parte que deixa Dave Matthews encharcado em suor e o público em êxtase. Até podia ficar por ali que já tinha sido excelente. Mas o público queria mais. E o Dave também.

De regresso, já com uma t-shirt, continua bem disposto e com vontade de conversar. Pede ao público silêncio e que o ajude naquela música dedicada à irmã. É a hora de Sister. A tão aclamada versão de All Along The Watchtower tem tanto de fantástica como de tenebrosa. Dave Matthews despede-se do público, promete regressar brevemente com “the rest of the guys”, acena, sorri e finalmente vira costas e sai do palco. Algures pelo meio, um cachecol de Portugal voa para o palco. Ele olha para ele não percebe o que é e ignora-o. Já temos uma missão para quando ele vier cá. O cachecol passa pelas mãos de um técnico de som que o coloca dobrado em cima de um banco junto ao chá que ele está a beber. A sensação de que o concerto poderia ter chegado ao fim invade-nos. Mas logo se percebeu que não seria assim. O público continua a exigir mais. Com toda a sua força bate com os pés no chão. O delírio acontece quando Dave regressa ao palco. Para o fim estavam reservadas mais duas potentes. Too Much surge mais calma que o normal, mas bem suportada pelo público. Depois… bem depois era o esperado. O que não evita que o púbico quase entre em histeria. Todos juntos cantamos palavra a palavra a letra de Crash Into Me. Do primeiro ao último acorde. No fim, com a sensação de missão cumprida, público e artista despedem-se com gritos, acenos, apertos de mão, juras de amor e muitas palmas. Depois… bem… depois foi digerir o pós concerto da maneira possível ao som de Radiohead que passava nas colunas do recinto. À saída, tempo para a típica compra de t-shirts e para as últimas fotos. Do concerto, fantástico a todos os títulos fica apenas uma crítica. Em alguns momentos de algumas músicas sentiu-se a falta, pelo menos, de mais uma guitarra. Ah grande Tim… onde andavas tu?

O dia seguinte, passado em Londres algures entre as margens do Rio Tamisa e o Hyde Park o grupo tenta digerir o dia anterior como pode. As músicas passam na cabeça de todos e não raras vezes nos encontramos os quatro a cantar em voz alta a mesma música.

São mais ou menos 9h40 quando o avião da Ryanair toca o chão do Aeroporto de Francisco Sá Carneiro. O Porto recebe-nos quente e com um céu azul. A cinzenta Inglaterra ficava para trás e com ela um fim-de-semana que agora, à distância de alguns dias, parece simplesmente perfeito demais para ter acontecido. Foi um sonho. Mas um sonho que ainda não acabou. Está apenas interrompido. Resta saber até quando…

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