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Grandes Sons

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17º FMM Sines - O Triunfo do Mali

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Chegou ao fim a 17ª edição do Festival Músicas do Mundo de Sines com o tradicional fogo de artificio no Castelo e a noite mais longa do ano daquela cidade com uma multidão a dançar em frente ao palco da Praia Vasco da Gama até ao nascer do sol. Foi o ano mais concorrido em termos de público e com as apostas sonoras mais arrojadas de Porto Covo a Sines.

 

Foram mais de cem mil pessoas que passaram pelo FMM entre 17 de Julho e a madrugada de 26 de Julho. Números impressionantes que deixam a organização optimista para as próximas edições. Com tanta procura, os bilhetes vendidos garantem a manutenção da qualidade de um cartaz sempre inovador e manter o Festival longe das garras dos patrocínios de grandes marcas.

Mesmo assim a organização deve olhar com cuidado para o que se passa na última noite de concertos no Castelo, de longe a mais procurada, onde já é quase impossível seguir com atenção concertos mais intimistas, como foi o caso de Toumani e Sidiki Diabaté e suas koras. Na parte mais afastada do palco, perto dos bares, a concentração de público que não se interessa minimamente pelas propostas musicais e só ali vai para as selfies, beber uns copos e meter a conversa em dia, é deprimente e revoltante. São dores de crescimento, bem sabemos, mas a presença de um número já considerável de chapéus das marcas de bebida no recinto são um importante alerta para quem quer manter o FMM longe dessa feira de marcas vista nos maiores festivais do país.

 

Apesar das desvantagens que uma enchente sempre traz, as propostas musicais vencem sempre pela entrega da grande maioria dos festivaleiros que está ali para descobrir, ver ou rever e encher a alma.

Por falar em rever, uma nota importante deste último dia de Festival foi o reencontro proporcionado pela organização entre Salif Keita e Orlando Julius que já não se viam há 23 anos!

 

Se olharmos de uma forma geral para esta edição, podemos afirmar que a noite mais empolgante foi a de quinta feira quando o Castelo viveu uma sequência de concertos inesquecível. A banda que Damon Albarn descobriu no Mali, Songhoy Blues, arrasou confirmando a excelência do seu disco de estreia e a sua entrega em palco. Uma pena não terem sido eles a fechar o Castelo no sábado.

Ana Tijoux não acusou a responsabilidade de actuar a seguir e arrancou outro dos concertos marcantes desta edição, com o seu rap/ hip hop sul americano, a chilena aproveitou para ganhar muitos seguidores por cá.

A mistura feliz entre nigerianos e britânicos conhecida por Ibibio Sound Machine fez o resto da festa no dia 23 de Julho no Castelo, o mais forte musicalmente.

 

A noite de sexta foi menos concorrida que a última mas recebeu a proposta portuguesa deste ano para horário nobre em euforia. Capicua, já recuperada da mazela que vimos no NOS Alive, aproveitou para desfilar os sucessos de «Sereia Louca» e «Medusa» sem nenhuma dificuldade em conquistar a plateia.

Trabalho mais complicado para o indiano Niladri Kumar que antes e só com a sua sitar tinha de arrastar o encantamento das primeiras filas até lá atrás onde o desinteresse reinava. Já os belgas Flat Earth Society venceram por esmagamento no inicio da noite. Com enorme contingente instrumental em palco a cavalgar por experimentações jazz não deixavam ninguém indiferente ao forte som.

No fecho da penúltima noite apareceram os vencedores, Canzoniere Grecanico Salentino é o nome do colectivo italiano que pôs o castelo a dançar, dentro e fora das muralhas.

 

Voltando à última noite há que destacar o concerto dos Moriarty, um encontro entre norte americanos e franceses que navegam muito perto do blues, folk e country, sons facilmente identificados e por isso bem recebidos.

A cimeira entre pai e filho do clã Diabaté foi um dos pontos mais altos deste FMM, as duas koras proporcionaram momentos mágicos a Sines e nem faltou uma aula do maestro Toumani a explicar como é tão simples tocar o instrumento de 21 cordas. Vimos que sim apesar de sabermos que não é nada fácil. Encantador.

A ligação ao Mali continuou com a entrada de Salif Keita e a sua banda que arrancaram para um concerto bem festivo abrindo caminho para o afrobeat irresistível do nigeriano Orlando Julius com os britânicos The Heliocentrics que tinham a tarefa facilitada pelo momento do fogo de artificio logo nos primeiros minutos de actuação.

 

Numa edição que só teve como contratempo o cancelamento da presença de Ernst Reijseger, houve muitas propostas mais alternativas e fez-se sentir a falta da visita de projectos tuaregues. Destaque para a aposta em músicos lusófonos, como é tradicional neste festival. Janita Salomé, Elida Almeida, Dona Onete, passaram por Porto Covo, Ricardo Ribeiro, Aline Frazão, Bruno Pernadas, Blacksea Não Maya + DJ Marfox, animaram os palcos da praia e do castelo em Sines.

 

Mais de uma semana cheia de música que fez do eixo Porto Covo - Sines o centro das músicas do Mundo. O FMM Sines confirma-se como um dos melhores festivais do género a nível mundial e promete voltar para o ano com a mesma qualidade e ousadia.

 

João Gonçalves

in Disco Digital

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