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Grandes Sons

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Megafone 5 no CCB: Aguardela Para Sempre

João Aguardela estará com aquele sorriso discreto ao ver que o seu querido Megafone ganhou corpo e alma e serve de motivo para reunir à sua volta alguma da melhor música portuguesa feita por admiradores, admirados, e amigos.

O João não ia achar grande piada a uma festa de homenagem, como lembraram os Gaiteiros de Lisboa, mas ia adorar a ideia de termos quatro projectos da melhor música que se faz em Portugal a actuarem na mesma noite no palco do CCB e essa seria a melhor maneira de homenagear e recordar Aguardela. O projecto chama-se Megafone 5, dá continuidade aos quatro volumes gravados nos últimos anos, e conseguiu encher a nobre de Belém com músicos, admiradores, jornalistas, amigos e familiares.

A ideia só por si já era merecedora de todos os elogios, o resultado final foi uma emocionante e inesquecível noite de celebração musical. Os Gaiteiros de Lisboa abriram a noite com «Cruel Vento» e seguiram cantando com a sua alma tradicional. Simbolizaram tudo o que o João adorava das raízes da música popular portuguesa e que reflectiu mais no projecto Megafone. Permitam-me que reinvidique a obrigatoriedade de mais concertos dos Gaiteiros na sua cidade. Eles merecem, e nós também.

Depois vieram os OqueStrada com toda a sua musicalidade original a servir de banda sonora à excelente voz de Miranda que exibiu a habitual irreverência e humor que Aguardela tanto usou nos Sitiados. Amigos de longa data fizeram uma homenagem bem alegre e nem a atrapalhação na colaboração do fadista Tony Paiva, o guardião do fado da Madragoa, atrapalhou a passagem fulgurante dos OqueStrada pelo CCB. Desta vez no palco principal depois de algumas Tascas Beat ao ar livre.

Na segunda parte, após um intervalo de vinte minutos, foi a vez do duo Dead Combo. Apenas e só dois intérpretes de cordas em ambiente intimo e com melodias como «A Janela» ou «Quando a Alma não é Pequena» que muito agradavam a João Aguardela pela sua originalidade e identidade que, segundo Tó Trips, ajudou a criar.

Para o fim ficou o aguardado regresso d`A Naifa aos palcos. Começaram os três músicos em palco. Vestidos de preto e com o lugar que o João habitualmente ocupava vazio mas iluminado com uma luz inquietante. Ao segundo tema a surpresa da noite; para tocar baixo apareceu Sandra Baptista. Arrepiante vê-la no lugar do seu companheiro com a mesma pose, o mesmo estilo, só faltou o cigarro. Foram tocadas algumas das canções mais emblemáticas dos três discos d`A Naifa e que esta noite soaram mais fortes que nunca. Além de todas as emoções naturais numa noite destas há um momento verdadeiramente especial e surpreendente, quando a vocalista Mitó revela que afinal as letras do último disco da Naifa, «Uma Inocente Inclinação Para o Mal», não foram escritas pela tal rapariga fã da banda que não queria protagonismo. Versão que foi aceite por todos, até pelos elementos da Naifa. Menos um... O autor das letras foi o João Aguardela que usou o nome da sua avó como heterónimo! Cresce a vontade voltar a ouvir o disco de novo.

Entre cada concerto recordámos o João Aguardela jovem dos tempos do Rock Rendez-Vous, o líder de longos cabelos dos inquietos e contagiantes Sitiados, e o sereno compositor da Linha da Frente e Megafone. Entre imagens, entrevistas, excertos de concertos, relembrou-se um dos mais carismáticos músicos que Portugal teve. A noite terminou com muitos dos músicos e organizadores no palco aclamados de pé. Sandra Baptista agradeceu e chamou os pais de Aguardela ao palco. O pai, emocionado, também agradeceu a todos, e principalmente, à companheira de sempre do João levando a maior parte dos presentes às lágrimas. Lágrimas de saudade pela figura que pairava no cenário do palco. Saudades que nunca vão deixar Aguardela no esquecimento.

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