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Grandes Sons

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NOS Alive 2017: A Maturidade Reconhecida e Merecida

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 O NOS Alive chegou à sua 11ª edição e confirma o alcance de uma maturidade reconhecida por público e imprensa.

Ao longo da última década, o Alive, soube crescer, aprender com os erros, teve visão ambiciosa, expandiu-se internacionalmente e isso reflecte-se nos mais de 20 mil festivaleiros vindos do estrangeiro e em mais de uma centena de jornalistas internacionais.

O evento conseguiu o mais difícil dos objectivos, ter uma marca de garantia que leva o público a confiar nos critérios da organização para criar os alinhamentos dos vários palcos. E não falamos só dos tradicionais palcos NOS e Heineken. O palco NOS Clubbing, o Coreto by Arruada, o cantinho acolhedor do EDP Fado Cafe e o espaço da Comédia, acabam todos por serem relevantes, como se pode testemunhar facilmente ao longo do festival com a presença significativa de público em cada um dos espaços.

 

O facto de o festival ter esgotado todos os bilhetes disponíveis para os três é uma proeza que mostra bem a consolidação do NOS Alive junto ao público. A verdade é que o anuncio da presença dos Depeche Mode, Foo Fighters e Weeknd (juntamente com The XX), chegou para garantir casa cheio logo à partida para os três dias.

A tarefa da organização passa a ser mais fácil para completar o cartaz dos vários palcos a partir daqui. A fórmula mantém-se, no palco NOS a abertura do dia cabe a artistas portugueses. Neste aspecto os You Can't Win Charlie Brown foram os que melhor aproveitaram a oportunidade, embora os The Black Mamna e Tiago Bettencourt tenham cumprido as expectativas.

 

DIA 1

 

No dia 1, o caminho até de The Weeknd foi interessante. Os Alt-J regressaram ao palco principal já mais à vontade mas quem os viu em espaços mais pequenos não deixa de ter saudades desses tempos, os Phoenix mostraram-se encantados com o regresso e mereciam ter tido um som mais potente. Os The XX foram, indiscutivelmente, um dos grandes vencedores desta edição do NOS Alive.

Não é fácil passar aquele ambiente tão característico dos discos de estúdio para o palco, mas os The XX fazem-nos com mestria e emoção, contagiam a plateia que parece sempre gigantesca demais para música tão delicada. Um concerto perfeito, é para estes momentos que o público corre a comprar bilhetes, é para viver estas emoções que as pessoas fazem dos festivais um sucesso.

O concerto dos The XX foi de tal maneira bom que, de repente, os primeiros minutos da actuação de Weeknd parecia não conseguir superar o que ali se tinha vivido. Mas Weeknd era o maior trunfo para a primeira noite do festival e rapidamente mostrou ao que veio. Um concerto em crescendo que acabou com todos os hits que fazem dele um dos artistas mais procurados da actualidade. Um som demasiado alto e bruto poderá ter afastado várias pessoas não tão familiarizadas com aquele universo.

 

A tradição manteve-se no Palco Heineken com um público fiel, a maior parte dele indiferente ao que se passava no resto do festival. Rhye encantou, os Blossoms revelaram-se e os nomes mais esperados da noite não desiludiram. Ryan Adams tinha uma multidão respeitosa, rendida e expectante à sua espera, o concerto só podia ser épico. Os Royal Blood desfilaram a sua fórmula certa e segura de rock, alimentando assim uma relação com o público local que está para durar. O concerto de Bonobo foi excelente, musicalmente, visualmente e de ambiente certo. Glass Animals fecharam com estilo a primeira noite.

 

DIA 2

 

A movimentação da larga maioria do público para a frente do palco NOS não enganava, estava tudo ali para celebrar o rock dos Foo Fighters. Os Courtneers devem ter ganho mais alguns admiradores para a sua causa ao fim da tarde, os The Cult mataram saudades aos mais veteranos que são do tempo em que Dave Grohl era só mais um Nirvana e os The Kills sofreram com as dores de crescimento da passagem de um palco mais recatado para o gigante palco NOS. A Dupla não esteve mal, o público que ali estava é que não era o seu e não acompanhou a proposta sempre intensa dos Kills. Tudo ficou resolvido com a aparição da figura mais cool do rock. Os Foo Fighters são uma máquina poderosa e incansável de rock, desfilam clássicos atrás de clássico. Apesar de Dave exagerar nos berros que oferece, o concerto tem um ritmo contagiante. Mesmo que haja diálogos extensos que só alimentam a fama de gajo incrivelmente porreiro que Grohl goza e com proveito. Mais de duas horas de concerto, tudo o que se esperava dos Foo Fighters, tudo o que a banda sempre promete e cumpre. Eficazes.

 

No outro lado do recinto, o dia ficou marcado pelos concertos das Savages, também elas uma máquina de debitar rock selvagem com formato previsível mas sempre convincente. Os Wild Beasts foram os mais reveladores da noite, excelente concerto para um público que até parecia surpreendido com tanta qualidade. Dali para a frente era injusto pedir mais a quem foi rivalizar com os Foo Fighters.

 

DIA 3

 

O mesmo efeito no espaço maior do festival, o público mostrou desde cedo ao que ia e foi ocupando lugar em contagem decrescente para o concertos dos cabeças de cartaz.Os Kodaline e os Imagine Dragons tiveram a tarefa muito facilitada, bastava puxar dos seus hits radiofónicos para receberem aprovação geral de um público que aguardava os Depeche Mode. Tudo certo até às 22h25.

Os Depeche Mode são conhecidos por nunca darem maus concertos mas também por raramente apresentarem todos os seus clássicos de carreira deixando sempre os fãs a chorar por este ou aquele hit. Por exemplo, não houve "Just can't get enough" para ninguém. Eles fazem o que querem e o que lhes apetece em cada uma das suas digressões. E porquê? Porque podem. Porque são uma verdadeira instituição na música, seja ela de estúdio ou de palco. Uma primeira parte mais voltada para as canções do novo disco e uma recta final a visitar clássicos que levam a multidão ao rubro aos primeiros acordes. Forma invejável de Dave Gahan, física e artística, tal como de todos os elementos da banda. Objectivo perfeitamente cumprido pelos Depeche Mode que estão , à vontade, do top 10 de bandas indispensáveis para um cartaz de qualquer festival de topo no mundo inteiro.

 

O facto do concerto mais aguardado da noite, e um dos mais aguardados do ano, ter acabado tão cedo, perto da meia noite, trouxe uma estranha sensação de vazio na área maior do festival. Ficou a ideia que podia, e devia, ter sido preenchida mais uma banda no palco NOS.

A parte óptimo é que deu para assistir com atenção ao excelente concerto 10COTEXAS, com artistas da editora portuguesa Discotexas. Momento único e inesquecível cheio de ritmo disco, pop e rock no NOS Clubbing.

A alternativa à pop previsível que antecedeu a chegada dos Depeche Mode no palco principal era muito valiosa no espaço Heineken. Por isso os concertos de Spoon, Fleet Foxes e Cage The Elephant foram tão concorridos e elogiados ao longo do recinto durante a noite. Muita qualidade junta a confirmar a tradição de concertos superiores naquele canto do NOS Alive.

The Avalanches fizeram a festa na transição do frio dos estúdios para o quente do palco com as suas canções baseadas em samplers ali amplificadas humanamente em formato de banda clássica. Peaches fechou o festival ao seu estilo, extravagante para que ninguém ficasse indiferente.

 

Em 2018 o NOS Alive regressará para defender o prestigio, justamente, conquistado e com a boa pressão de manter o público satisfeito.

 

 

The xx Night + Day na Torre de Belém: TeXXo Beat

 

Foi um sucesso esta aposta de um dia e noite de música escolhida pelos The XX nos jardins em frente à Torre de Belém. Houve grande adesão popular, bons momentos musicais e um concerto inesquecível que os mentores do evento fizeram questão de oferecer aos muitos fãs.

Este dia 5 de Maio, domingo que assinalava o dia da Mãe, fica marcado pela festa Night & Day que os The XX montaram em Belém. Cheirou a abertura de época de festivais de verão.

 

Desde cedo que o relvado foi invadido por grupos de jovens e graúdos, elas desfilando os calções curtos da moda, eles de t-shirts recuperadas da gaveta após um rigoroso inverno. Sentia-se boa disposição no ar e sede de concertos. Dividindo o recinto ao meio temos para a frente da mesa de som e projectores de luz o espaço da plateia mais concentrada no palco principal e que esteve sempre bem composto, e para trás dessa ilha havia mais movimentação entre as laterais onde estavam os pontos de venda de comida e de cerveja além, claro, do coreto, já conhecido do Festival Alive, onde iam passando os conceituados DJ´s nos intervalos de mudanças no palco principal.

 

O ritmo de desfile de bandas foi sempre intenso e sem quebras. Entre coreto e palco principal nunca houve silêncio.

Falava-se em mais de dez mil pessoas no recinto e o número até deve ter sido mais alto. Muitos estrangeiros presentes, a fazer lembrar o ambiente do Alive do ano passado, algumas caras conhecidas do mundo da televisão e música nacional e muitos fãs.

Musicalmente temos de destacar a passagem de John Talabot que contou com a ajuda de Pional em palco para apresentar o disco «Fin» editado no ano passado e que passou ao lado de muita boa gente. Altura ideal para aconselharmos o seu consumo, tal como se viu hoje em Belém a música do catalão Talabot até faz dançar as pedras da Torre. Um momento grandioso foi a presença dos dois XX, Jamie e Romy, para recriarem ao vivo a Blinded Remix que Talabot e Pional fizeram para «Chained». Mágico.

 

Os Chromatics voltaram a deixar excelentes impressões em palco tal como aconteceu no ano passado em Paredes de Coura. Os norte-americanos da editora Italians Do It Better continuam a fazer render o excelente álbum «Kill For Love» muito apreciado pela plateia como se provou na recepção entusiástica a cada tema. O final de actuação com a versão de «Hey My My (Into The Black)» de Neil Young é absolutamente arrebatador.

 

Mais cedo os portugueses PAUS fizeram por justificar o generoso convite dos The XX e retribuíram em palco com grande desempenho a simpatia que os ingleses transmitiram numa mensagem que a banda de Joaquim Albergaria partilhou com o mundo via facebook. 

Mount Kimbie talvez tenha sido o nome mais discreto durante a maratona de concertos no palco principal . O duo britânico até tem trunfos fortes no disco de 2010 «Crooks and Lovers» e está em vias de editar novo disco pela prestigiada Warp mas não deixou grandes marcar neste dia.

Via-se que a festa era dos XX, além da aparição no concerto de Talabot, houve espaço para Jamie XX passar uns discos no coreto agitando os fãs. Claro que o ponto alto era o concerto dos The XX. Ficámos até com a ideia que houve muitas pessoas a chegarem em cima da hora da subida ao palco dos actores principais deste dia. Não que isso tenha evitado as enormes filas que se formaram para todas as bancas de comida e cerveja. Ninguém pareceu incomodado com as longas esperas, parecia até que já havia saudades destes rituais próprios de Festivais de verão.

O melhor elogio que nos ocorre dizer sobre a actuação dos The XX é esta: se todo este evento tivesse sido reduzido apenas ao concerto deles já teria valido muito a pena ter acontecido.

 

Os The XX conseguiram em pouco mais de uma hora encher-nos a alma, os olhos e a mente de boa música e um ambiente único devido à excelente combinação entre fumos e jogos de luzes. Por vezes criava-se um tecto de cor e névoa por cima de nós ao som dos temas dos dois discos editados e assimilados por uma considerável legião de fãs que reconhece cada canção aos primeiros sinais e cantam todas as músicas do principio ao fim. De «Try» a «Angels» não houve momentos maus. A cumplicidade do trio em palco é enorme, a postura de Romy e Jamie mais na frente do palco é equilibrada e a simplicidade com que interpretam as suas músicas é encantadora.

 

Por momentos olhamos para fora do recinto e anotamos que se tudo fosse tão positivo dali para fora como estava a ser ali dentro, tínhamos a Torre de Belém devidamente iluminada para ser o destaque da noite. Mas não, nem iluminada e nem uns projectores a apontarem-se uns X´s, como alguém ao nosso lado sugeriu. É uma visão simbólica, no jardim ocupado por artistas que sabem passar a sua mensagem há uma celebração festiva da música, dali para fora é a escuridão. A escuridão em que o povo cada vez se sente mais perdido e por isso anseia por dias de festa como o de hoje. Após o memorável concerto dos organizadores, que não se cansaram de elogiar Lisboa e os seus fãs, ainda houve como brinde uma actuação de DJ dos senhor James Murphy. Uma honra, um luxo ter um nome destes a fechar um domingo especial e que marca o arranque destas festas XX que terão a seguir a versão de Berlim e Londres. A versão lisboeta foi um sucesso.

 

João Gonçalves

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