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Grandes Sons

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Grandes Sons

Silence 4 no MEO Arena: Com sentido

 

 

Emoções ao alto, memórias à solta, casa cheia, banda empolgada e uma noite de celebração de uma carreira. De uma vida.

Os Silence 4 foram um fenómeno musical no fim dos anos 90 em Portugal que se explica facilmente em poucas linhas. Uma versão feliz de um clássico pop dos anos 80 recuperado aos britânicos Erasure, «A Little Respect», alojou-se nos ouvidos mais atentos via rádio e despertou atenções para a banda de Leiria. O disco de estreia além de incluir a versão revelava meia dúzia de canções cantadas em inglês que lhes valeu injustas campanhas de falsos moralistas nacionalistas abrindo inédita discussão sobre música feita em Portugal mas cantada em inglês. Além desses temas, alguns tornaram-se clássicos, havia também uma surpreendente colaboração com Sérgio Godinho e uma canção simples em bom português, como que a mostrar que respeitam a nossa língua. 

 

A exposição radiofónica e televisiva rapidamente elevou os Silence 4 a banda maior no fim de século. Mais de 240 mil cópias vendidas do disco de estreia, coisa raramente vista por cá e actualmente impossível de repetir, catapultaram o quarteto para uma dimensão tão gigantesca que só nomes consagrados da música portuguesa conheciam e antes deles só Pedro Abrunhosa e os Bandemónio, Delfins e Rui Veloso conseguiram atingir. 

Foi com este disco que correram o país de ponta a ponta e tocaram até à exaustão. Seguiu-se a gravação do complicado segundo disco e o êxito repetiu-se embora sem o estrondo da estreia, obviamente. Mais alguns singles bem conseguidos a juntar aos «clássicos» já criados e os Silence 4 pareciam ter ultrapassado bem a árdua tarefa do segundo disco. Mais concertos, muita exposição mediática e actuações emblemáticas de consagração no Coliseu de Lisboa, originou um CD/DVD, e no, na altura, Pavilhão Atlântico. 

 

Sem um fim oficial os Silence 4 desapareciam por morte natural. Deixavam algumas canções intemporais, abriam alas para o sucesso de bandas nacionais a cantar em inglês e revelaram um voz maior para o futuro, David Fonseca arrancou para uma notável carreira a solo. 

Por tudo isto não se pode ignorar os Silence 4 no panorama da música portuguesa. É o suficiente para um regresso em 2014 ? Não, tanto que sempre rejeitaram essa ideia. Mas quando o destino reserva desafios do tamanho de uma vida que são vencidos com valentia só há uma maneira de festejar o sucesso: celebrar a própria vida! Sofia Lisboa lutou pela sua vida com êxito e terá pensado que a fase mais marcante da sua vida terá sido enquanto vocalista dos Silence 4. Quis voltar a cantar aquelas canções, desafiou a banda, convocou o público e transformou tudo num apoio financeiro para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Angariou 30 mil euros, entregues simbolicamente no palco do Meo Arena ao Presidente e a voluntários, agradeceu à sua irmã que doou a medula e lhe salvou a vida, com direito a emocionante abraço público e alertou para a luta.

 

O Meo Arena encheu na noite 5 de Abril, dia marcado pela morte de Kurt Cobain (Nirvana) há vinte anos e de Layne Staley (Alice in Chains) há doze anos, para celebrar a vida e as memórias como só a força da música consegue. Muitos quarentões mas também muita gente nova que estava a nascer quando os Silence 4 começaram. Muitos fãs da banda nunca os tinham visto ao vivo e também por isso este regresso foi compensador.

O concerto foi muito mais marcante pela carga emocional do que pela relevância musical. Se é certo que sobrevivem os tais clássicos, «Borrow», «Angel´s Song» e «My Friends», todos com direito a duas interpretações, mais a tal versão de «A Little Respect»,  que abriu a noite e também teve direito a repetição no fim, há mais algumas canções que escapam à passagem do tempo, «To Give», por exemplo, e «Sextos Sentidos», que teve direito à presença de Sérgio Godinho. Mas não há muito mais para recuperar de um legado que são só dois discos, como recordou David Fonseca ao justificar a repetição de canções. 

 

O concerto foi bem conseguido, começaram num palco despido que se foi enchendo durante o concerto e acabou com um aquário projectado , a recordar a sala de ensaios, um imponente carro pendurado que serviu para David brilhar de megafone na mão em cima do tejadilho em «My Friends» e um farol gigante. Tiveram a boa ideia de colocar um pequeno palco a meio da plateia para recriarem alguns temas não incluídos nos discos em formato acústico e onde aconteceu o momento mais emocionante da noite com Sofia Lisboa a revelar que «Invencible» dos Muse foi o tema que a irmã lhe passou para ajudar na sua luta. Houve interpretação do tema e o tal abraço sentido.

 

Foi uma noite com sentido, emocionante, onde as memórias andaram à solta e, mais importante do que tudo, celebrou-se a vida. A música tem este poder brutal de tirar do baú os Silence 4, arrastar milhares de pessoas e fazer todos felizes. No devido contexto foi um regresso bonito.

 

 

João Gonçalves

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