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Grandes Sons

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Super Bock Super Rock, Dia 3: (L)Amar Kendrick!

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O melhor ficou mesmo guardado para o fim. O terceiro dia do SBSR 2016 marca a diferença entre um dia normal de festival e um acontecimento. O que se viveu no MEO Arena depois da meia-noite não tem par. Uma multidão consagrou Kendrick Lamar como Rei do Parque das Nações e além-Tejo. Foi o culminar de um dia inesquecível cheio de sugestões musicais arriscadas e certeiras. Fica para a história como um dos melhores da longa vida do Super Bock Super Rock.

 

O aparato policial, a apertadíssima revista de segurança à entrada que originou enormes filas a meio de mais uma tarde tórrida à beira Tejo, anunciavam um dia diferente. Sentia-se uma vibração boa no ar, o ambiente era de felicidade, os festivaleiros circulavam com grande movimento entre os vários palcos, os sorrisos constantes e lia-se na mente de todos: era o dia do encontro mais esperado com Kendrick Lamar. 

Anos e anos a tratar a cultura do hip hop de forma sempre diferente, com receio e sem se saber se era algo de nichos, modas ou de massas. Não era preciso mas ontem ficou provado que o movimento não é lateral, não é geográfico, não é de bairro nem de segredos. Podem não ter dado por isso mas hoje a música mais ouvida em stream, Spotify por exemplo, não é rock. É hip hop. Mesmo que as rádios mais ouvidas não se atrevam a passar o que toda uma geração absorve, o hip hop está lá.

A aparição de Kendrick no SBSR teve logo impacto com o público a esgotar os bilhetes deste dia com antecedência. A maior enchente que o pavilhão principal do festival registava à hora marcada para o arranque do concerto não deixava dúvidas. Toda uma geração ancorada estava ali para celebrar, agradecer, participar e acarinhar K-Dot, que aos 29 anos tem o mundo aos seus pés. 

A entrega, a concentração, o compromisso com Kendrick encara este desafio é o esperado. A qualidade superior da banda de suporte formada por guitarra, teclados, bateria e baixo, estão à altura do momento e dão sentido à omnipresente citação de George Clinton que ilustra o cenário: «Look both ways before you cross my mind».

O que eleva este concerto de excelente para o nível histórico é a resposta e entrega popular. Absolutamente impressionante a comunhão entre palco, plateia e bancadas. Cerca de duas dezenas de milhar a debitarem todas as letras do principio ao fim, tudo, mas mesmo tudo, de braços no ar sincronizados com Kendrick. Várias músicas acompanhadas com saltos imparáveis dando a ideia que o chão do MEO Arena era um imenso colchão de molas.

Kendrick está habituado a ser recebido com euforia por esse mundo fora mas até ele estava impressionado com esta festa. Ele que nos parece incrivelmente humano e simples apesar de sentirmos que estamos a viver algo de transcendente. Ele que fez questão de conhecer um dos jovens mais idolatrados do nosso país nos dias de hoje, conviveu com o campeão Renato Sanches que partilhou o momento fotograficamente no seu Instagram.

Lamar quis ouvir o povo chamar pelo seu nome enquanto lhe fazia vénias, ao melhor estilo de um deus dos relvados. Lamar ficou em silêncio com a sua banda para dar voz à loucura de uma geração que vive dias felizes ao sentir que testemunham a mudança de um triste fado de um país que está a mostrar ao mundo a sua força pela via desportiva. O título europeu de hóquei em patins tinha acabado de ser conquistado mas ainda é o cântico que imortaliza o feito de Éder que é cantado perante alguém que é a inspiração sonora e literária de todos ali presentes.

Fica complicado, para não dizer impossível, expressar aqui o quão grandioso foi este concerto de Kendrick Lamar com o seus súbditos. Por arrasto, torna-se muito injusto para todos os músicos que ajudaram a tornar este dia tão especial nos diversos palcos relegá-los para um espaço secundário menor, mas quase todos eles partilham da nossa opinião que o rei foi mesmo Kendrick.

Obrigatório destacar o bom concerto dos Orelha Negra a caminho do terceiro disco e com um desfile pedagógico de ritmos e batidas que constroem o futuro do passado. No mesmo caminho o regresso dos De La Soul a Lisboa também ficou marcado, especialmente, por recordações de temas que mudaram a história do hip hop e que ainda hoje contagiam multidões: «Me Myself and I» acima de todos.

No palco da Antena 3 houve sempre muito público interessado e conhecedor das propostas para este dia. Slow J e Mike El Nite aproveitaram o momento e terão angariado mais fãs para as suas causas. Os Salto e, especialmente, o tributo A Purple Experience, liderado por Moullinex, que juntou nomes como Selma Uamusse, Samuel Úria, Marta Ren, Best Youth ou Da Chick merece repetição numa noite só para ouvirmos as canções de Prince bem tratadas pelos seus contemporâneos nacionais.

Também é de pensar uma nova oportunidade para apresentar excelente ideia de reinterpretação do disco «Psicopátria» de 1986 que marca a carreira dos GNR. Aqui só deu para uma curta visita, a proposta merece um momento só para si sem ser no meio do furacão Lamar.

Já Capicua teve mais povo à sua frente, embora o espectáculo se mantenha praticamente o mesmo que vimos em vários festivais do ano passado, a mensagem é sempre festejada porque não sabe fazer maus concertos e jogava no seu habitat sonoro.

Também Kelela deixou saudades e regresso desejado após a estreia na ZDB.

O SBSR arriscou muito na construção do cartaz à volta da figura maior, Kendrick, e ganhou a aposta. Foi uma autêntica overdose de boa música a encerrar a 22ª edição que ficará marcada por este dia histórico e por um cartaz diversificado que, como raras vezes observámos, jogou em várias frentes e a todas agradou.

 
João Gonçalves para o Disco Digital

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