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Grandes Sons

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Super Bock Super Rock, dia 1: Um inglês em Lisboa e um festival à parte

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No vigésimo aniversário, o Super Bock Super Rock regressou à beira Tejo trocando a natureza do Meco pelo betão do Parque das Nações. As queixas de trânsito e pó no recinto deram lugar a irritações na hora de trocar bilhetes por pulseiras. A disposição dos palcos à volta do MEO Arena primeiro estranha-se mas depois é uma questão de habituação, facilitada por uma boa circulação entre o pavilhão de Portugal e o palco da Antena3 do lado da FIL. A multidão concentrou-se para consagrar Sting no MEO Arena; problemas de som atrapalharam SBTRKT e Perfume Genius, e Noel Gallagher foi curto mas bom.

Em suma, o recinto do 21º SBSR pode ser descrito como uma festa à volta do Meo Arena com vista para o rio Tejo e Oceanário. Entrada de frente para ao Centro Comercial Vasco da Gama, tal como acontece em dias de concertos na maior sala de Lisboa, e várias opções a tomar.

À esquerda o palco, e o estúdio, da rádio oficial do evento, Antena3, onde passam alguns dos nomes nacionais do momento. Em frente, o acesso ao pavilhão, sendo que nas traseiras há a entrada para a Sala Tejo onde funciona o Palco Carlsberg, que só entra em acção depois da meia noite e meia.

Rumando para o lado direito após entrada no recinto encontra-se a zona de restauração com esplanadas convidativas ao convívio em noites amenas, animação aquática na baía do Tejo entre o Pavilhão e o Oceanário com vista privilegiada na varanda do Pavilhão de Portugal onde os convidados VIP convivem, e o palco EDP situado debaixo da famosa pala do Pavilhão de Portugal.

Podemos começar por aí. A passagem de Mike Hadreas já não ia apanhar ninguém de surpresa. Primeiro porque até já tinha tocado neste festival na versão Meco, além de ter assinado um dos grandes concertos do último Vodafone Mexefest; depois porque o projecto Perfume Genius já tem uma forte base de fãs que aguardavam com ansiedade pelo reencontro. O concerto não foi tão frio como no Meco mas esteve longe da intensidade mágica do Cinema São Jorge. O som abafado pela pala traiu o resto das expectativas.

O arquitecto Álvaro Siza Vieira nunca deve ter imaginado que num evento fosse tão elogiado pela sombra que dava aos festivaleiros e, ao mesmo tempo, tão criticado pelo boicote sonoro com que a «sua» pala abafa o Palco EDP. 

O problema estendeu-se aos suecos Little Dragon e, mais dramático, à entidade SBTRKT, uma das grandes atracões deste primeiro dia. Aaron Jerome já não tinha sido feliz na passagem pelo Alive no ano anterior e ainda não foi desta que deu a devida qualidade aos temas do excelente álbum «Wonder Where We Land». As esforçadas interpretações de «Hold On», «Wildfire», «New York, New Dorp», mereciam muito melhor sorte acústica. Soube a pouco, espera-se um regresso em nome próprio em sala condizente. É urgente melhorar o som.

No reino da Antena 3 só propostas nacionais e todas bem acolhidas. Duquesa foi vitima do horário madrugador. Nuno Rodrigues, também vocalista dos Glockenwise, esteve bem a representar o muito aconselhável EP homónimo. Mais sorte teve PZ que contou já com um assinalável número de fãs prontos para celebrar a divertida proposta editada no disco «Mensagens da Nave-Mãe» e, principalmente, para cantarem os refrões de sucessos virais como «Neura» e «Cara de Chewbacca». Os músicos em palco de pijama não enganam quanto à vontade de levar a sério a música na brincadeira. Um sucesso.

Muito mais a sério e com proposta bem mais instrumental, os Gala Drop deram o melhor concerto daquele espaço mesmo que o som não tenha sido o melhor para consagrar o monumental «II», do ano passado.

Finalmente, no espaço maior do festival houve sentimentos contraditórios ao longo da noite. O duo alemão Milky Chance terá estranhado a ausência de público para ouvir o single radiofónico «Stolen Dance» bem mais apropriado para danças pela madrugada dentro do que para as 19h00.

Os The Vaccines já estão habituados a recepções discretas. Tinham passado pelo palco EDP do Meco no auge de «What Did You Expect from The Vaccines?», disco de estreia de 2011. Na altura pouco público mas muito entusiasta num local que disfarçava bem a pouca afluência. No MEO Arena não há como disfarçar uns poucos milhares em tão grande plateia, e o entusiasmo também já não é o mesmo. Nem no palco nem na assistência.

Com a sala tão vazia temia-se o pior perto da chegada de Noel Gallagher. Felizmente, o recinto foi-se compondo e o adepto doManchester City teve uma plateia de números razoáveis. Noel e os High Flying Birds deram um concerto competente e convincente em formato bem mais curto do que tem sido habitual na sua digressão. Dos habituais vinte temas só tivemos direito a catorze que obrigaram a cortar canções dos seus dois discos a solo para juntar hinos dos Oasis como aconteceu com a dose dupla «Champagne Supernova» e «Whatever». O suficiente para agarrar os festivaleiros que por ali passavam e atrair os que faziam tempo no exterior. Junte-se «Digsy´s Dinner», «The Masterplan» e o final com «Don't Look Back in Anger», e temos uma passagem triunfante de Gallagher por este SBSR.

Como muitos dos presentes no MEO Arena na recta final do concerto de Noel já estavam a marcar posição para receber Sting, podemos dizer que foi o melhor aperitivo possível. Ainda com as músicas dos Oasis na cabeça a multidão que quase lotou o pavilhão teve direito a tudo o que esperava do agente dos Police. Um alinhamento antológico deliciou a plateia em ambiente familiar que quase nos fazia esquecer que estávamos no meio de um festival de verão. Com um visual a surpreender pela barba hipster e em invejável frescura física, Sting desfilou triunfante todos os seus sucessos que nos levaram às recordações dos anos 80, com tudo o de bom e de mau que isso representa. A aposta foi ganha como se viu pela única enchente da noite mas houve ali muito boa gente que nem quis saber como era o evento SBSR, foi chegar, ver Sting e ir embora. Como se de um concerto só se tratasse. 

Pela noite dentro, a Sala Tejo acolheu os resistentes que quiseram dançar no Palco Carlsberg com uns pouco convincentes Toro y Moi, e os portugueses Mirror People e Xinobi a rasgar a noite.
 
João Gonçalves
in Disco Digital

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