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Grandes Sons

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Patti Smith no Coliseu dos Recreios: Elevador da Glória

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Um disco tem de ser muito icónico para sobreviver quarenta anos e continuar a mexer com multidões. Uma artista tem que ser muito genuína e militante para estar perto dos 70 anos e ter um Coliseu cheio numa segunda-feira à noite à sua espera para celebrar a força do rock. Patti Smith e «Horses» são dois marcos da história da música que temos a felicidade de poder testemunhar ao vivo em 2015.

O reencontro está marcado para a mesma sala onde, em 2007, se viveu uma grande noite de rock. Já este ano, Patti Smith levou este alinhamento ao Porto no NOS Primavera Sound. Não se podendo falar em efeito surpresa, a verdade é que quando a cantora está em palco há uma energia incrivelmente poderosa no ar. Comparando com a sua última passagem pelo Coliseu de Lisboa há que dizer que estão mais pessoas. Há mais turistas, há mais gente nova e há, claro, os seguidores de sempre. A plateia há oitos anos era sentada, desta vez não havia cadeiras e estava cheia. 

 

O momento era solene, ouvir um dos discos mais emblemáticos dos anos 70 de uma ponta à outra com a sua autora revigorada e Lenny Kaye ao seu lado é arrepiante. Um concerto a pedir que absorvamos todas as canções, todos os seus pormenores, todas as mensagens de Patti, todos os momentos. Talvez por isso, sentimos um regresso ao passado em que as plateias não eram caracterizadas por luzes constantes de smartphones no ar. A grande maioria dos presentes no Coliseu preferiu guardar a experiência na memória cerebral em vez da virtual. 

É este o poder das músicas de Horses. O alinhamento respeitou a ordem do álbum e por isso não constitui qualquer surpresa entre as interpretações de «Gloria» e «Elegia».

 

A intensidade, a entrega e as dedicatórias no meio é que cativaram e emocionaram o público. Patti Smith é agradecida e tem memória, não esquece os seus ideais e mantém as suas convicções. Evoca os nomes dos amigos e ídolos que já partiram, deJimmy Hendrix, a Jim Morrisson, dos Ramones a Amy Winehouse, do companheiro Fred «Sonic» Smith a Tom Verlaine, de Lou Reed a Kurt Cobain. Todos recordados com carinho pelo público que aplaudiu cada nome citado.

 

A maneira autêntica como Patti Smith passa por «Redondo Beach», «Kimberly» ou «Land», só para mencionar alguns momentos, é comovente. Percebemos que o que admiramos nela é a sua capacidade para ser naturalmente punk, as cuspidelas para o chão e as exaltações vocais não enganam, e ao mesmo tempo hippie, as mensagens de mudar o mundo continuam a soar sinceras.

É entre o punk e o hippie que o rock de Patti Smith desagua em viagens poéticas, elogios cantados à cidade de Lisboa e em improvisos.

 

Para a despedida a banda preparou um incrível medley dos The Velvet Underground. Com Lenny Kaye ao comando, sem Patti em palco, e os músicos vestidos discretamente a preto e branco, houve uma viagem ao passado que nos levou o mais perto possível dos lendários clubes de Nova Iorque como o Max's Kansas City. A rápida sucessão de «Rock & Roll» / «I'm Waiting For My Man»/«White Light, White Heat» foi esmagadora.

Como se ainda não bastasse, Patti Smith regressou sorridente e ofereceu mais três clássicos, «Beneath the Southern Cross», «Because The Night» e «People Have The Power». Este último momento fez mais pelas convicções pessoais e políticas do que qualquer comício de qualquer partido em campanha eleitoral. O cunho pessoal de Patti esteve sempre presente, recordou Fernando Pessoa e dedicou o hino «Because The Night» ao falecido pai dos seus filhos. Tudo de maneira natural, nada forçado.

 

A despedida fez-se com uma grande versão de «My Generation» dos The Who. Terminou com Patti a partir as cordas de uma guitarra, qual punk aguerrida, para depois a beijar com a ternura de uma hippie.

Um privilégio assistir a um concerto assim.
 
 
Texto: João Gonçalves
Foto: Leonor Fonseca
in: Disco Digital

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