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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Conclusões da Ausência no Nos Primavera Sound

Foto retirada do instagram do irmão Pedro Gonçalves

 

Foi a primeira vez que faltei à chamada do Parque da Cidade do Porto. Este ano não deu para ir ao Primavera Sound. A conclusão mais previsível é que é doloroso acompanhar o festival à distância. Em tempo de selfies e gastronomia online quase que foi uma tortura actualizar o feed do facebook ou do instagram. Overdose de francesinhas, de sandes da Casa Guedes e bifanas da Conga.

 

Tal como já destaquei a Antena 3 faz um serviço público impecável para quem fica de fora do grande acontecimento das comunidades indies e hipsters. Tenho em conta o que vi e ouvi no site da rádio, o que li nas redes sociais e nos meios de comunicação mais fiáveis acabei por perder dois grandes acontecimentos e alguns bons concertos.

 

No meu caso as perdas verdadeiramente dramáticas aconteceram no dia 1 do concerto quando Kendrick Lamar brilhou e cumpriu expectativas conseguindo até angariar novos simpatizantes para a sua causa e no dia 2 com Charles Bradley a encatar no seu papel de Rodriguez da Soul como oportunamente o Davide Pinheiro diz na Mesa de Mistura.

 

Pena por não ter visto os Darkside, não ter dançado ao som de Todd Terje e não ter posto os olhos nas meninas Haim e Sky Ferreira. Dos concertos que vi dos Pixies e dos The National não doeu tanto porque já os vi mais do que uma vez. As palavras da Lia Pereira na Blitz comprovam a ideia com que fiquei em casa, os National voltaram a ser grandes em palco.

 

Posto isto, espero que os meus amigos tenham engordado bastante com as francesinhas e as iguarias todas ingeridas e que não recuperem depressa. Para o ano a ver se não falho. De qualquer maneira é bom que a organização aposte mais alto nos cabeças de cartaz.

Primavera, A Rádio Sai da Concha

Actualmente a rádio pública mais jovem passa despercebida nos gráficos das audiências e parece não ter um público alvo bem definido. Não é novidade para ninguém que a Antena 3 há anos que não mostra resultados finais ao nível da equipa de profissionais de excelência que a compõe. Estão naquela casa vários animadores, locutores, produtores do melhor que há por cá mas o rumo seguido é algo confuso. A playlist segue tendências de outras rádios que lutam pelo top de audiências em vez de procurar a sua identidade própria e o estilo acaba por não se perceber se é para uma audiência sub-20 ou sub-40 ou outra qualquer.

 

É nesta altura do ano que vemos a rádio de serviço público a dar tudo pelos seus ouvintes e a reencontrar quem realmente gosta de música e quer estar a par do que se passa num importante festival como é o caso do Primavera Sound no Porto. Por estes dias a Antena 3 sai da sua concha fechada para mostrar todo o esplendor e potencial que tem ao fazer chegar até nós o que interessa num evento desta natureza.

Em contraste com o festival que aconteceu na semana passada na Bela Vista que é bem mediatizado pela televisão, não beliscando sequer o grande trabalho e profissionalismo que a RFM, rádio oficial do RiR, coloca no terreno. A verdade é que o Rock in Rio entra pela sala dentro para ser acompanhado confortavelmente no sofá. O Primavera pode ser seguido através do site da Antena 3. É diferente.

É aqui que a rádio mostra tudo o que vale com comentários certeiros, previsões e rescaldos dos vários concertos em vários palcos feitos por quem conhece muito bem o conteúdo. Há entrevistas, há contextualização dos grupos mais conhecidos aos menos divulgados, o que torna uma experiência enriquecedora para quem se interessa e acompanha à distância, certamente com algum desgosto por não poder estar presente, o que se vai passando no Parque da Cidade do Porto.

A Antena3 sobressai no Primavera assim como voltará a estar em destaque no Meco ou em Sines, por exemplo, sempre com emissões de grande qualidade que resultam de muitos anos de experiência no terreno. É de aproveitar antes que volte para a sua conchinha sabe-se lá por quanto tempo.

 

Acompanhem a emissão da Antena 3 no Nos Primavera Sound aqui

 

Se Vais ao Nos Primavera Sound, Não Percas...

Pela 3ª vez o Porto recebe a sua manga do famoso Primavera Sound com sede em Barcelona. Como sempre entre uma cidade e outra caem alguns nomes que seriam muito bem recebidos por cá , desde logo com os Nine Inch Nails à cabeça.

De qualquer maneira o cartaz apresentado para o Parque da Cidade do Porto é mais do que suficiente para voltar a atrair uma multidão na ordem dos 25 mil fãs de música. E é disso que se trata quando se fala dos frequentadores deste festival que é o mais discreto em termos de presença de marcas patrocinadoras no recinto dando total prioridade à música dos palcos.

 

A grande novidade está na mudança do nome por força da fusão entre a Optimus e a Zon que resultou numa marca pouco amiga do naming do evento, Nos Primavera Sound não soa a nada. Apesar da mudança não devem desaparecer da paisagem verde as muitas toalhas laranjas espalhadas que se tornaram quase um símbolo do festival e que eram oferecidas pela Optimus em formato de sacola.

 

Em termos estritamente musicais e olhando para os 3 dias do cartaz a minha sugestão de visita aos vários palcos aqui fica. A não perder:

- Caetano Veloso e Kendrick Lamar, Sky Ferreira, Haim e Jagwar Ma, no dia 1.

- Warpaint, Pixies e Mogwai, Midlake e Trentmoller, Television, Pond, Godspeed You! Black Emperor e Shellac, Darkside e Todd Terje, no dia 2.

- Neutral Milk Hotel, The National e ! ! ! , Lee Ranaldo and The Dust, John Grant e St. Vincent, Charles Bradley, Slint e Ty Segall, Dum Dum Girls, Cloud Nothings e Pional, no dia 3.

 

Uns são mais urgentes que outros, obviamente, isto agora é tudo muito subjectivo. Deixo estas pistas mas devem seguir sempre o vosso instinto.

 

Um dos maiores selos de qualidade deste evento está na área de alimentação. Não é mais do mesmo do que temos noutros festivais. Há iguarias locais vendidas pelas casas típicas que se deslocam para o recinto. Diria que deviam experimentar um pouco de tudo durante os 3 dias mas garanto que não podem perder uma bifana bem picante na Conga nem uma sandes de pernil da Casa Guedes.

Fora do recinto e durante o dia é aconselhável um passeio pela bela baixa portuense e uma visita ao Gazela na Batalha para provar os melhores cachorrinhos do mundo com um fino.

Divirtam-se, encham-se de música e cuidado com a linha.

 

Recordem aqui as duas edições anteriores do Primavera Sound no Porto.

As Minhas 5 Vezes Com os Queens of the Stone Age

 

Uma das minhas bandas preferidas nos últimos 20 anos são os Queens of the Stone Age. Tudo começou em fins dos anos 90 com a descoberta do disco de estreia e foi sempre em crescendo até à euforia vivida com "Songs for The Deaf" de 2002. É aí que começa uma longa história de encontros com o grupo de Josh Homme ao vivo.

A 24 de Novembro de 2002 a ansiedade para os ver em palco era tanta que valeu uma viagem à baixa do Porto para estar no Teatro Sá da Bandeira. O dilema até lá era trocar um jogo oficial do Benfica na Luz por um concerto. Coisa raríssima na minha vida. Basta lembrar que troquei os Nirvana em Cascais por um Benfica - Porto. Ao menos o Benfica ganhou. Desta vez troquei o jogo com o Gondomar pelo concerto. Nem é preciso mais comentários.

 

Este primeiro concerto calhou num domingo à noite o que aumenta o drama com uma viagem de regresso a Lisboa no fim em véspera de trabalho. Os 20 temas que apresentaram em alta rotação e com o som no máximo atravessaram o disco de estreia, o excelente "Rated R" e o recém editado disco da capa vermelha. Uma avalanche sonora que quem assistiu jamais esquecerá. Começaram com "Avon" e terminaram com "Gonna Leave You" já em 2º encore. Foi tão bom que na viagem de regresso só pensava que tinha de arranjar maneira de voltar a ver aquilo.

 

Dia 25 de Novembro de 2002, segunda feira, os Queens of the Stone tinham a 2ª data em Portugal marcada para o Paradise Garage em Lisboa. Estava esgotado. Por sorte ao fim da tarde recebi um telefonema de um amigo que ficou com um bilhete a mais. Nem hesitei e lá fui para nova dose de Rock comandada por Josh e Oliveri. Tão bom como na véspera mas já sem o efeito novidade a funcionar. Tinha encontrado ali uma banda para venerar por muitos e bons anos.

 

Entretanto, os QOTSA já tinha começada uma história de cumplicidade com o Minho. em 2001 tinham actuado em Paredes de Coura e 2003 voltaram lá. Não estive em nenhum. Mas em 2005 não os deixem escapar e decidi no próprio dia do concerto que não podia faltar ao reencontro com eles. Saí de Lisboa directo a Paredes de Coura sozinho de carro. A audácia foi compensada com um estranho concerto dos Roots, um belo concerto de Pixies e o tal concerto de sonho dos Arcade Fire que entraram no meu radar nessa tarde. O concerto dos Queens voltou a encher-me as medidas.  Foram 16 temas a começar em "Someone's in the Wolf" e com um final apoteótico ao som de "No One Knows". 

 

Três concertos em 3 anos não deixavam adivinhar uma espera de 8 anos até ao reencontro. Mas foi o que aconteceu. Só no ano passado no Meco já com mais dois discos editados, "Era Vulgaris" e " ... Like Clockwork" Portugal voltou a receber os QOTSA. Foi no Festival Super Rock Super Bock e acabou por ser o melhor concerto da edição de 2013 no Meco. No entanto o melhor concerto do SBSR não chegou para superar as memórias dos 3 encontros anteriores. A fasquia tinha ficado muito alta.

 

Nem um ano depois voltei a ver Josh Homme e companheiros, já longe dos tempos de Nick Oliveri e Lanegan em palco, e confirmou-se que as melhores recordações dos QOTSA ao vivo vão ficar ligadas ao inicio da década passada. Foi o menos entusiasmante dos cinco que vi.

Serão sempre os Queens of the Stone Age uma banda que me levará a ir vê-los ao vivo sempre que puder mas já não acredito que superem as expectativas.

 

10 Ideias a reter da Edição dos 10 Anos de Rock in Rio Lisboa

 

Rock in Kids

Verdadeiramente impressionante o número de crianças a circular no Parque da Bela Vista durante os cinco dias do Festival. Vimos criançada ao colo, em carros de bebés, às cavalitas, pela mão e em grupo. E depois há os jovens que ocupam as filas da frente de concertos como o de Ed Sheeran. Neste caso as jovens, vá. É um festival amigo das crianças.

 

Rock in Lisboa

O Festival arrancou em pleno dia de ressaca da final da Champions League que trouxe uma autêntica invasão espanhola. No dia 1 ainda se viram muitos adeptos madrilenos de Real e Atlético na Bela Vista. O mundo tinha os olhos na nossa capital por causa da bola mas durante uma semana Lisboa não saiu do rótulo de cidade da moda. Além da presença dos Rolling Stones, um acontecimento por si só, houve a aparição de Bruce Springsteen, que repetiu a visita no último dia, a presença do Sr. ex Presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton, falou-se num passagem de Mourinho e vimos Daniela Ruah em grandes danças. Nunca Lisboa esteve tão no centro do mundo do espectáculo.

 

Rock in Televisão

A cobertura da SIC Radical transmitiu todos os concertos do palco principal, com a óbvia excepção dos Rolling Stones, numa emissão de cinco dias que merece destaque. Aqui não se discute a estética, o estilo, o ritmo, o guião ou os comentários. O importante é que todos que não puderam/quiseram ir ao recinto viram os concertos que lhes interessava. Com a ajuda das redes sociais acontecem dois fenómenos engraçados;

- facilmente ficamos a saber de pormenores que nos escapam no recinto recebendo sms de quem acompanha em casa ( A Sara Sampaio está aí! Ou O Boss esteve aí outra vez! ) à melhor maneira do que acontece com os jogos de futebol que estamos a ver no estádio ( olha que foi mesmo fora de jogo! )

- muito engraçado ir picando o facebook e o twitter com comentários a criticar tudo e todos, desde quem lhes oferece a transmissão até quem está no recinto, arrasar o cartaz e depois quando está o grupo mais consensual a tocar vibrar digitalmente. Por outro lado, as fãs e os fãs que se dão ao trabalho de ir cedo para as filas da frente para estarem bem perto dos seus ídolos são gozados mas estão a viver a sua vida felizes e não em casa armados em intelectualóides. É só música, pessoal.

 

 

Rock in Wonderwall

Curiosamente, Noel Gallagher estava em Lisboa horas antes do arranque do Rock in Rio. Felizmente foi-se embora sem ir lá. É que assassinar a canção "Wonderwall" pareceu ser o deporto favorito de domingo no parque. Primeiro Robbie Williams, que fez o mesmo a "Song 2" dos Blur para ninguém se ficar a rir, depois Jessie J a entusiasmar-se com um espectacular concerto e embalada pelos acordes também assassinou o tema dos Oasis. O melhor é os irmãos fazerem as pazes e pensarem no Rock in Rio Lisboa 2016.

 

Rock in Boss

Bruce Springsteen tinha dado um dos melhores concertos de sempre, não só do Rock in Rio mas de sempre em Lisboa, na edição de 2012. Em 2014 não foi anunciado no cartaz mas foi dos nomes mais badalados na 6ª edição. Aparição surpreendente e inesquecível durante o concerto dos Rolling Stones, selfies multiplicadas pelas redes sociais e presença na regie para testemunhar o concerto de Timberlake. Lisboa é do Boss.

 

 

Rock in Stones & Justin

Apesar de todas as criticas conhecidas dos puristas anti-Rock in Rio há um facto indesmentível; o Festival tem dado dos melhores concertos que já vimos em Portugal. Paul McCartney, Stevie Wonder, Bruce Springsteen, entre outros, ficaram na memória de todos. Este ano mais dois a juntar a esta restrita lista. O concerto dos Rolling Stones por ter sido o último por cá e por ter corrido tão bem mesmo com senhores com mais de 70 anos em palco. O concerto de Justin Timberlake por ter sido o primeiro por cá e por ter confirmado tudo o que se esperava dele, um espectáculo deslumbrante de música e dança em comunhão com uma enorme plateia rendida. Ambos inesquecíveis.

 

Rock in Lorde & Jessie

As duas raparigas que enfrentaram a multidão olhos nos olhos traziam desafios diferentes. A jovem que veio da Nova Zelândia é uma das figuras em destaque no mundo do rock mas só tinha a seu favor um single conhecido. A desconfiança de uma actuação demasiado negra e sombria para o ambiente do Rock in Rio deu lugar a uma história de amor entre palco e plateia que ameaça continuar em nova visita. Lorde deu muito mais do que "Royals" e foi a grande surpresa pela positiva do palco mundo.

A inglesa Jessie J também carregava um hit comercial de peso, «Price Tag» mas aproveitou a oportunidade de actuar antes de Timberlake para dar um concerto impressionante ao nível da entrega e atitude. Comunicativa com o público que conquistou palmo a palmo, surpreendente a meter-se com os sisudos seguranças em frente ao palco, irradiou simpatia e foi a grande revelação do Palco Mundo.

 

 

Rock in Desespero Madrugada Dentro

Apesar da muita oferta de autocarros e táxis, da haver ligações para a outra margem até tarde, há um ponto que falha no Rock in Rio; escoar as pessoas o mais rapidamente possível para outros pontos da cidade. De nada serve saber que há barcos à espera no Rio Tejo se não se consegue sair facilmente das imediações do recinto. Todos os dias saímos tarde da Bela Vista e o cenário nunca mudou, filas intermináveis para Táxis e autocarros. Se tivermos em conta que em três das cinco noites de festival era véspera de dia de trabalho dá o que pensar. Não se percebe porque é que o Metro não ajuda com ligações até mais tarde nestes dias.

 

 

Rock in Indie

Foi a grande novidade desta edição. Aposta claro e arriscada em nomes menos conhecidos do grande público, especialmente no palco Vodafone, e a apresentação do grande trunfo indie para cabeça de cartaz da penúltima noite. Os Arcade Fire no Rock in Rio deixou a comunidade indie de cabelos em pé porque não queriam fazer o sacrificio de ir à Cidade do Rock ver uma das bandas mais empolgantes da actualidade. Entre juras e promessas, a verdade é que na noite mais alternativa apareceram quase 50 mil pessoas. Para os padrões do Rock in Rio terá sido meia casa, para a escala de lotação de outros grandes festivais por cá seria uma noite de arromba. Assim, o RiR piscou o olho aos mais cépticos, deu uma demonstração de força à concorrência ( que esteve no terreno, por lá vimos em noites diferentes Álvaro Covões e Luís Montez a passear ) roubando um muito apetecível cabeça de cartaz e levou um público que ainda não tinha entrado no parque da Bela Vista a sair convencido com a actuação dos Arcade Fire que raramente falham ao vivo, eles que, entretanto, há muito deixaram cair o rótulo alternativo conquistando público em toda a linha de gostos e tendências. Caiu a noite de metal, ficou a noite indie.

 

 

Rock in Frio

Lamentavelmente foi um factor constante. Nem a chegada de Junho deu tréguas em noites frias, ventosas e desagradáveis à medida que as horas passavam. Tudo teria sido muito mais agradável com aquele calor que Lisboa tem.

 

Rock in Rio, Dia 5: Final feliz

Impressionante enchente no último dia da 10ª edição do Rock in Rio Lisboa. Lotação quase esgotada para a estreia de Justin Timberlake em Portugal e para a despedida da Cidade do Rock.

 

Pela quantidade de crianças que vimos a circular durante a tarde no recinto pensámos que a romaria de hoje, que resultou em lotação esgotada, teria a ver com o pretexto de ser o dia da criança e que mais do que a música as pessoas quiseram ir passar o dia ao Rock in Rio. Desta vez esta teoria não está de todo certa. Bastou sentir a euforia com que os muitos milhares viveram todo o concerto de Timberlake para se perceber que havia mesmo muita gente ansiosa por o ver ao vivo.

 

O Rock in Rio chegou ao fim com Justin Timberlake de joelhos perante a multidão rendida e a fazer repetidas vénias do palco para a plateia. Ainda ecoava a última canção, «Mirrors», e estava resumida a noite naqueles gestos. Público completamente convencido e artista aparentemente surpreendido e agradecido com tamanha recepção.

Já voltamos a Justin.

 

Antes subiu ao palco Jessie J para um concerto surpreendentemente consistente. A inglesa que conquistou o mundo ao som de «Price Tag» apresentou-se impecavelmente despida com um vestido de alças bem curto e umas pernas difíceis de esquecer. No fundo foi só a transposição para palco de uma indumentária que vimos em grande número ao longo de todo o recinto em especial no dia de hoje. E nem foi pelo calor porque estes cinco dias foram sempre frios e ventosos. Jessie J entregou-se e aproveitou a oportunidade para brilhar, simpática, comunicativa, conseguiu pôr toda a gente a dançar, inclusivé a actriz Daniela Ruah que viu o concerto na regie. Único ponto negativo foi ter seguido a onda de Robbie Williams e assassinar também «Wonderwall» dos Oasis, provavelmente a música mais abater por estes dias sem sabermos porquê. Bom aquecimento para Timberlake e muitos pontos ganhos.

 

Do lado oposto do recinto outra música reinava. Os Linda Martini deram seguimento à sua presença no palco principal ontem na homenagem a António Variações e hoje arrancaram para um concerto forte e seguro em nome próprio no palco Vodafone. O único contra foi não terem tido uma plateia maior e mais participativa. Deixaram bem a sua marca.

Coube aos ingleses Bombay Bicycle Club fechar o ciclo de concertos no palco secundário. Com o quarto disco acabado de editar tiveram boa recepção de um público conhecedor. Não chegou a ser tão intenso como na véspera com os Wild Beasts mas foi um bom concerto para encerrar as festividades no palco Vodafone.

 

O palco mundo abriu cedo com Kika a aquecer a plateia já bem composta. Depois João Pedro Pais veio desfilar os seus sucessos conhecidos e bem recebidos pelo público. Jorge Palma juntou-se à festa com canções clássicas e sem arriscarem um milímetro animaram o povo num fim de tarde ventoso mas com o sol a brilhar.

 

À hora de jantar aconteceu Mac Miller no Palco Mundo. Rap reciclado e um concerto que não conseguimos perceber. Aparentemente foi aprovado pelas filas dianteiras. E pensar que chegou a estar previsto um concerto de Nile Rodgers a esta hora...

 

Para fechar a escolha recaíu em Justin Timberlake e foi das opções mais acertadas da organização nestas seis edições de Rock in Rio Lisboa. Aconteceu um casamento perfeito entre público e artista. Este festival vive de concertos destes, cantores que tenham a todo o parque na mão, que faça dançar e cantar a multidão do principio ao fim, que a energia da plateia e que contagie tudo e todos.

O espectáculo que o ex ´N Sync trouxe é algo que encaixa na perfeição no conceito do festival. Uma grande banda, coros, dançarinos, tudo de alto nível e um artista completo a defender muito bem as músicas dos seus três discos. Justin deixou por momentos a carreira de actor para nos voltar a lembrar o quão bom performer é. E não foi só nos grandes êxitos que o povo reagiu. Todas as vinte e três canções foram acompanhadas em coro. 

 

Engraçado o momento em que aproveitou «Until the End of Time» para uns toques na «Dancing in the Dark» de Bruce Springsteen que esteve no recinto a assistir ao concerto. Também lembrou Jay-Z com uma versão de «Holy Grail», passou por Elvis Presley em «Heartbreak Hotel», homenageou Michael Jackson com «Human Nature» e guardou para o fim  «What Goes Around... Comes Around», «Suit & Tie» e já no encore «SexyBack» e «Mirrors».

Um espectáculo grandioso a que só faltou um pouco mais de volume na voz de Timberlake. 

 

Um final de festa perfeito com um dos grandes concertos destes dez anos de Rock in Rio em Lisboa. Daqui a dois anos há mais.

 

in Disco Digital

João Gonçalves

Rock In Rio, Dia 4: Arcade on fire

Ao quarto dia o Rock in Rio mudou de figurino musical e voltou-se para o alternativo. Desafiou um público pouco dado aos ares do Parque da Bela Vista e arriscou apresentar nomes que não costumam arrastar multidões da dimensão que o Festival pretende. Resultado: foi o dia de menor afluência ao recinto e muitos fãs de Arcade Fire «contrariados» num espaço que não apreciam. Para a história fica a grande revelação em palco chamada Lorde e novo bom concerto dos canadianos em Portugal.

 

Vale a pena voltar atrás no tempo para falarmos deste penúltimo dia de Rock in Rio. Quando foi anunciado o cabeça de cartaz para esta noite as reacções não se fizeram esperar nas redes sociais. A organização resolveu desafiar um publico que desdenha o conceito do festival e mostrar argumentos de peso aos outros grandes festivais locais que, com certeza, fariam as delicias dos seus frequentadores anunciando uns Arcade Fire.

 

O dilema estava instalado na comunidade de gosto musical mais alternativo, chamemos-lhe assim. Por outro lado os Arcade Fire já há muito que romperam as fronteiras do território indie dos tempos de «Funeral» editado em 2004. Não sendo propriamente uma banda mainstream já chegam a um público muito diversificado e a fama de darem excelentes concertos nunca foi defraudada nas anteriores passagens por cá, do Minho ao Meco sairam sempre com mais devotos.

 

A história desta passagem dos Arcade Fire por Lisboa começa na véspera com Win Butler a juntar o seu nome à lista de famosos que nas últimas semanas tem colocado Lisboa em estado graça aos olhos do mundo. O vocalista foi encontrado na noite lisboeta e rapidamente foi adoptado por um grupo de noctívagos que o levaram a meter discos no Incógnito, conhecida discoteca lisboeta. A empatia com os amigos locais foi tão grande que Butler convidou-os para a festa na Bela Vista com passes de backstage que deu direito a entrarem em palco desfilando com as cabeçudas figuras da banda, além de terem entrado em acção com uma introdução portuguesa feita por um dos companheiros da noite anterior. 

 

De tarde falámos com Pedro Alves, foi ele que teve a honra de anunciar a banda, que nos contou que só um acaso louco como este de acabar a conviver com uma das suas bandas preferidas o faria ir parar ao Rock in Rio onde nunca tinha estado tal como o grupo de amigos e amigas que estavam com ele a ver Wild Beasts. Não terão saído do recinto com má impressão do evento já que viram os Arcade Fire em grande forma.

A organização fala em 47 mil pessoas mas pareceram-nos menos. Nunca se circulou tão à vontade no parque e não foi nada complicado arranjar um bom local para ver os concertos no palco mundo. 

 

Entrámos no mês de Junho com os Arcade Fire a provarem todos os créditos que fazem deles uma das melhores bandas em palco. Actualmente é dificil dizer o nome de uma banda mais empolgante para ver ao vivo, obviamente tirando os grupos de nível lendário como os Rolling Stones. 

Os canadianos conquistaram o seu espaço com actuações energéticas onde mais de uma dezena de músicos se diverte entretendo o público, trocam de instrumentos, saltam de posição e vão construindo a cada disco que editam alinhamentos cada vez mais ricos e consistentes. Vão em crescendo sem nunca mostrarem fraquezas e ao mesmo tempo aparentam não ter muito mais ambições do que ser isto mesmo que vimos no Rock in Rio. Querem ser uma banda que garante um tempo bem passado a quem arrisca (o verbo desta vez faz mais sentido que nunca) ir vê-los, não querem ser a maior banda do mundo, com os melhores concertos de sempre. Não nos parece que queiram subir muito mais na escala. 

Claro que assinaram um dos melhores concertos desta edição do festival e adaptaram-se tão bem ao espaço como tinham feito em todas as passagens anteriores por Portugal. Não terão tido todos os seus devotos portugueses na plateia mas o público recebeu-os de braços abertos e gargantas afinadas, nem uma tocha acesa faltou! O alinhamento foi equilibrado revisitando «Funeral», «Neon Bible», «The Suburbs» até ao recente duplo álbum «Reflektor», tocaram 21 canções terminando em apoteose com «Wake Up». Ao som de «Here Comes The Nigh Time» houve os tais cabeçudos em palco, um deles era Lorde a quem também «roubaram» um pouco de «Royals» no arranque de «Normal Person».

 

Falemos agora de Lorde. Ella Marija Lani Yelich-O'Connor tem 17 anos, vem da Nova Zelândia e surpreendeu o mundo com o single «Royals». David Bowie viu nela um futuro brilhante, nas entregas de prémios mais famosos do mundo da música tem sido atracção e deixa-nos a todos na dúvida. Será só uma fugaz passagem pela fama, haverá vida além de «Royals». Pois as dúvidas foram dissipadas no Parque da Bela Vista. Lorde arrancou para um concerto surpreendentemente seguro e convincente. Defende «Pure Heroin» com garra, impõe a sua lei e arrebata toda a plateia para a sua causa. Uma das maiores revelações do Rock in Rio. O regresso ao nosso país não deve tardar.

 

Também os ingleses Wild Beasts aproveitaram da melhor maneira a convocatória e corresponderam com um belo concerto à maior enchente que vimos na zona do palco Vodafone. 

Antes já os portugueses Capitão Fausto tinham convencido uma plateia bem composta de que são um dos valores seguros da nossa música e provaram que este é um grande ano para eles. Disco bem recebido e concerto à altura. Estão bem lançados.

 

Um dos momentos mais aguardados desta 10ª edição do Rock in Rio envolvia músicos portugueses no palco principal a homenagearem António Variações. Começou muito bem com Gisela João a provar que é enorme em qualquer parte do mundo até na imensadão do palco mundo. «Quero é Viver», «Anjinho da Guarda» e «Adeus Que Me vou Embora», com a ajuda dos Linda Martini, foram os melhores momentos. Depois o factor surpresa nunca se deu bem com o factor emocional e as versões apresentadas pelos Linda Martini e Deolinda nunca chegaram a arrepiar. Mas foram interpretações interessantes quando comparadas com a chega ao palco de Rui Pregal da Cunha que chamou a si todo o protagonismo de uma projecto colectivo que pedia mais discrição e melhor voz. O Herói do Mar entusiasmou-se mas «Dar E Receber» ou «Erva Daninha» não mereciam ser mal tratadas daquela maneira. Ficou a boa intenção e os bons momentos de Gisela João e também Ana Bacalhau que se sentiu à vontade e cumpriu bem a sua parte em «O Corpo é que Paga» ou «É para amanhã».

 

Nest penúltimo dia ainda aconteceu uma estreia, Ed Sheeran tinha uma pequena legião de fãs nas primeiras filas que acolheram um cantor demasiado nervoso para tão grande cenário. Mostrou os seus singles radiofónicos, fez as delicias das jovens admiradores e não deixou marca no festival.

 

in Disco Digital

João Gonçalves

 

 

 

 

 

 

 

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