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Grandes Sons

Um pouco de música todos os dias. Ao vivo, em vídeo, discos, singles, notícias, fotos. Tudo à volta do rock e derivados.

Grandes Sons

Ornatos Violeta vão dar mais três concertos

Os Ornatos Violeta acrescentaram novas datas aos já esgotados concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto, marcados para o próximo mês de Outubro. 27 de Outubro em Lisboa e 1 de Novembro no Porto são as novas datas para os concertos de regresso da banda, que anunciou ainda um concerto nos Açores.

Os Ornatos Violeta actuam assim a 25, 26 e 27 de Outubro em Lisboa e a 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro no Porto. O concerto nos Açores vai ter lugar no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada no dia 19 de Outubro.

Os Bilhetes para as novas datas em Lisboa e Porto são colocados à venda este sábado, dia 1 de Setembro e custam entre 25 e 35 euros, com os concertos a começarem às 21h30.

Para o concerto de Ponta Delgada, são prometidas mais informações para breve.

Paredes de Coura, Dia 5: Explosão Violeta

João Gonçalves, Disco Digital


A 20ª edição do Festival Paredes de Coura encerrou com uma das maiores enchentes de sempre acolhendo algumas das melhores propostas musicais nacionais da actualidade e , sobretudo, celebrando o regresso dos Ornatos Violeta.

 

Esta edição do Paredes de Coura foi pensada e trabalhada para transformar os vinte anos do festival numa festa ainda maior do que o habitual. Daí as cinco noites de concertos, o convite para regressarem algumas bandas que deixaram saudades, nunca descurando a abertura de portas a importantes estreias. Nos primeiros anos deste festival o forte do cartaz era a música nacional. Só mais tarde aterraram por aqui os grandes nomes à escala mundial mas sempre com a preocupação de compor os alinhamentos com bandas portuguesas novas e consagradas. O espirito do festival é este e é também por aqui que passa o segredo do sucesso da adesão do público.

 

Nesta última noite esse espirito esteve mais vivo que nunca. A enorme fila que se via ao anoitecer para entrar no recinto assustava vista cá de fora: a grande quantidade de pulseiras azuis, as que davam acesso a um só dia, denunciava uma invasão bem maior que nas outras noites; as T-shirts de Ornatos Violeta eram mais que muitas e as conversas que fomos apanhando no espaço de restauração ou no caminho entre os dois palcos não deixavam dúvidas; veio gente de todo o país (Lisboa foi muito referida) só para testemunhar a reunião dos Ornatos!

 

Para abrir o palco EDP foram chamados os veteranos como que a apadrinharem toda esta cerimónia. Os Ladrões do Tempo juntaram em palco à volta de  Zé Pedro o duo Pedro Gonçalves e Tó Trips dos Dead Combo e Paulo Franco (Dapunksportif, Dias da Raiva). Não inovaram nem aborreceram. Cumpriram e até tiveram direito a regresso ao palco para segunda interpretação de «Mora na Filosofia». O povo estava generoso.

Lugar aos mais novos. A viagem não foi longa para os Best Youth que vieram do Porto para confirmarem que merecem estar na selecção de esperanças da música nacional. Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salina, aproveitaram bem a oportunidade apresentado o EP«Winterlies», que chegou a ser destacado pela Les Inrockuptibles, e foram muito bem recebidos.

 

Melhor ainda estiveram os Capitão Fausto que caminham para uma muito interessante qualidade em palco. Se no disco a banda parece mais contida e a procurar o formato mais imediato e pop para a sua música, ao vivo atiram-se para versões bem mais arrojadas, esticadas e experimentais. A banda vai entrar em novas gravações brevemente ocupando uma adega para uma captação de som diferente. Cá esperamos com curiosidade esse resultado.

 

Os intrusos da noite vieram de Brighton, Inglaterra, e mostraram-se cientes que vinham participar numa festa bem portuguesa. Por isso agradeceram a recepção e até tentaram dar umas aulas de inglês para ganharem confiança. A banda de«Ninja», a irrequieta vocalista que conta ainda com a ajuda nas vozes de mais duas companheiras, montaram a sua colorida festa e serviram para entreter uma plateia que não parava de crescer com o pensamento no concerto de encerramento daquele palco. Nota positiva para a passagem dos The Go! Team que superaram uma tarefa pouco fácil.

 

Não sabemos se os Dead Combo em Portugal já tinham tocado para tanta gente. Era um bocado assustador imaginar a música do duo a impôr-se perante tamanho desassossego no recinto onde habitava um ruído de fundo de muitas conversas de quem só queria que chegasse o momento dos Ornatos. Felizmente, a música dos Dead Combo impôs-se mesmo e acabou por ser um bonito concerto onde deu para perceber que afinal as canções estão mais do que assimiladas sendo que as mais conhecidas tiveram uma reacção tão, ou mais, efusivo do que em concertos em nome próprio que temos assistido. Passagem perfeita para o momento mais aguardado desta edição 2012.

 

Perante uma impressionante enchente os Ornatos Violeta sobem ao palco e sem tocarem uma nota percebem logo a histeria que estava ali montada só para os ver. Arrancaram confiantes para um alinhamento que ia trazer de volta o segundo e último disco «O Monstro Precisa de Amigos». Não deixa de ser irónico percebermos que os Ornatos cresceram em culto e reconhecimento em larga escala precisamente depois de encerrarem funções. Estava ali muito boa gente cujo último disco português que ouviu militantemente foi o «Monstro», tratando mais tarde de passá-lo para gerações mais novas que também estavam ali muito bem representadas e sem idade para terem conhecido a banda há mais de dez anos.

São vinte anos de Ornatos Violeta e dois discos, sendo que o disco de estreia nem foi para aqui chamado podemos afirmar que no encerramento de Paredes de Coura se celebrou um dos melhores álbuns da música portuguesa das últimas décadas. Manel Cruz (voz), Peixe (guitarra), Elísio Donas (teclados), Nuno Prata (baixo) e Kinörm (bateria) cumpriram as expectativas, mostraram estar tão entusiasmados e emocionados quanto a plateia. A cuidada preparação desta noite, com ensaios desde Janeiro, resultou num concerto memorável com algumas surpresas além «Monstro». Soube muito bem ouvir «Tempo de Nascer» recuperada desse excelente disco chamado «Tejo Beat». Passagens inesperadas por «Devagar» e «Como Afundar», já com Manuel Cruz em tronco nu sem guitarra e verdadeiramente endiabrado. Continuaram entre saídas e regressos de palco a surpreender indo até aos primórdios da banda, Cruz falou em 1993, buscar «A Metros de Si».

Objectivamente foi uma noite de emoções largas, fez tudo sentido porque a banda devia a si própria uma celebração destas. Em Outubro há, pelo menos, mais quatro Coliseus e os fãs agradecem.

 

Com todas as atenções voltadaspara o palco principal como já se percebeu, ontem o Vodafone FM esteve mais discreto. No entanto houve suficiente ânimo para aprovar as passagens de Youthless e Best Youth. Mais tarde, os canadianos Memoryhouse já contaram com um assinalável culto de fãs e defenderam bem o seu disco «The Slideshow Effect ». Apostamos que vão regressar e serão grandes por cá. 

Muito concorrido foi o concerto dos irlandeses God Is An Astronaut que largaram o seu rock ambiental e instrumental acolhido entusiasticamente.

Em regime mais  after party pós-Ornatos do que after hours os Chromatics ainda foram a tempo de assinar um dos melhores concertos desta edição do Paredes de Coura. No ar ficaram os acordes de «Running Up That Hill» benzidos por Kate Bush.

 

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

Paredes de Coura, dia 4: Fogo posto

João Gonçalves, Disco Digital


No penúltimo dia a preguiça tomou conta dos festivaleiros que trocaram os primeiros concertos da tarde por banhos de sol, esse bem tão precioso quanto imprevisível em Paredes de Coura. Só depois das 21h00, o recinto apresentava taxa de ocupação elevada e aí foi ver o público entrar para celebrar o regresso de Erlend Oye, venerar Anna Calvi, festejar à grande com os Kasabian e entrar em modo de festa com os Crystal Fighters.

 

Ao quinto dia, finalmente, Paredes de Coura viveu um dia de verão digno de Agosto. Céu limpo, calor e muito sol inspiraram os festivaleiros em diversas actividades. Os que têm transporte próprio foram passear por outras paragens além-vila. Vimos na nossa rota gastronómica de almoço gente de pulseira verde em locais tão díspares como Ponte da Barca ou Viana do Castelo. Quem preferiu não se afastar muito do centro de operações ocupou jardins, esplanadas e as imediações do rio Coura para aproveitar o sol.

Assim, foi sem surpresa que encontrámos o relvado principal do festival pouco ocupado nos primeiros dois concertos do dia. Para sermos curtos e directos elogiemos a atitude dos festivaleiros que fizeram bem em prolongar o descanso porque, na verdade, os motivos de interesse em termos musicais até a noite cair foram muito poucos.

 

Os novaiorquinos Gang Gang Dance pareceram completamente afastados daquele contexto e optaram por estender as suas músicas em labirínticas sessões de hipnotismo que parecia só resultar com quem estava no palco. Principalmente com o homem da percussão que se passeou pelo palco de toalha de praia ao ombro em alucinados passos de dança. Passaram ao lado dos poucos que os viram.

Depois, os Of Montreal mudaram o rumo sonoro com o carismático vocalista Kevin Barnes a assumir o papel principal. Esforçado, pôs-se em tronco nu, despiu as calças ficando em calções (?) para voltar a vestir a blusa (?) vermelha. Musicalmente não entraram com a mesma convicção. Parecia que a plateia esperava mais e nunca conseguiram realmente agarrar o público, excepção feita aos residentes das filas da frente. Terminaram melhor do que começaram, quando resolveram ter mais intensidade na música do que no teatro do vocalista e aí destacam-se os temas «Plastis Wafers»e «Bunny Ain´t No Kind of Rider». Não deixaram saudades.

 

Já em versão nocturna o palco EDP ganhou vida e acordou o seu anfiteatro pela mão de Erlend Oye. Depois de ter passado há pouco tempo pelo Porto, com os Kings of Convenience, o norueguês quis mostrar a Paredes de Coura o quanto está rendido a este festival após a auspiciosa estreia há um ano. Veio em versão The Whitest Boy Alive e basicamente montou um salão de dança ao som daquilo que podemos chamar de bossa nova nórdica. Toda a música que lhes ouvimos durante uma hora facilmente puxava para um pé de dança, vimos muitos pares a praticar, e sem terem assinado um concerto fascinante conseguiram animar e trazer boa disposição ao espaço cada vez mais bem composto. Ganharam o desafio para facilidade de Erlend que assim ameaça ser presença obrigatória em futuras edições.

 

Quem, como nós, viu Anna Calvi sentada de ar sensível, voz tímida em entrevista à rádio oficial do festival tem dificuldade em perceber como é que a mulher se transforma naquela figura forte, confiante, de guitarra em riste e voz bem projectada umas horas depois em palco. Sem grandes confianças com a plateia, Anna vai direita ao que interessa. Desfila canções do seu muito elogiado e único disco editado (está para breve o segundo) trazendo um ambiente sombrio e sério realçando a força da sua guitarra com estilo. Recorre a algumas versões para completar o alinhamento com destaque para a certeira «Surrender» quando se assinala o aniversário da morte de Elvis Presley e passou desordeiramente por «Wolf Like Me» dos TV On The Radio. Voltou a deixar a boa imagem que registámos há um ano no Optimus Alive. Veremos o que nos reserva o segundo disco.

 

Chegávamos ao fim da penúltima noite de festival sem nenhum enorme concerto para guardar na memória. Tudo ficava nas mãos dos ingleses Kasabian. A banda de Tom Meighan e Sergio Pizzorno tem quatro discos editados em oito anos, embora o último tenha sido praticamente insignificante. Todos têm uma quantidade assinalável de boas canções, algumas com potencial para elevarem o grupo a outra dimensão mas parecem condenados a prisão domiciliária no Reino Unido. Talvez por terem consciência disso mesmo os Kasabian entregam-se de corpo e alma em palcos fora de portas como se viu esta noite. Não ia ser complicado agitar uma plateia ávida de movimento rock e os ingleses fizeram-no com facilidade. Um bom concerto que passou pelos singles mais esperados mas também com surpreendente versão de «Praise You» de Fatboy Slim a abrir caminho para «Lost Souls Forever». Perto de nós discutia-se se íamos ter «Fire» incluída no terceiro disco, «West Ryder Pauper Lunatic Asylum», editado em 2009 e recentemente transformado em hino para os amantes da liga inglesa de futebol. Apostámos que sim. Foi no final do encore que Tom Meighan soltou mesmo o fogo e foi ver Paredes de Coura absolutamente on fire! Ganhámos a aposta. E os Kasabian também. Está na altura de voltarem a Portugal em nome próprio.

 

O palco Vodafone FM também não viveu uma noite particularmente entusiasmante, embora até tenha acabado em apoteose. Mas até ao bom concerto dos School of Seven Bells foi tudo muito morno. Suspeitamos que The Wave Pictures, I Like Trains e Deer Tick tenham saído daqui com o mesmo número de seguidores com que entraram.

Com os Crystal Fighters a conversa já foi outra. Aproveitando o embalo da agitação do último concerto no palco principal, os londrinos fizeram render bem o seu disco «Star of Love» conseguindo um muito animado after hours. Só foi pena o som estar tão baixo para quem não se aventurou a furar a multidão até mais perto do palco.

A noite acabou com os In Flagranti menos orgânicos que os Crystel Fighters rematando doses misturadas de electro-disco-afro-rock-funk-dub.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

Paredes de Coura, Dia 3: Regressos, revelações e Riot

Por João Gonçalves

À terceira noite foi de vez. Com a abertura do palco principal, após duas noites de concertos só no espaço Vodafone FM, o Paredes de Coura viveu todo o esplendor de uma primeira noite sem chuva. A casa encheu para aclamar os regressos de dEUS e Temper Trap e desafiar os ouvidos mais sensíveis com os arrasadores Sleigh Bells.
Ganhou vida nova o, até aqui, encharcado Paredes de Coura 2012. Ao fim da tarde percebia-se lna entrada do recinto que os rostos estavam bem mais animados; a motivação era outra e o facto de já podermos procurar o nosso lugar sentado na encosta relvada do palco principal dava logo outra dimensão ao evento.

Percebia-se bem a divisão entre os verdadeiros heróis das duas primeiras noites e os festivaleiros que só chegaram com a abertura do Palco EDP. Os donos de galochas sujas e impermeáveis amarrotados topavam-se à distância pelo ar de alívio. Os recém-chegados comentavam surpreendidos o facto de não terem conseguido comprar nem calçado agrícola nem encontrado casacos impermeáveis. Tudo esgotado. Não chegou a ser preciso, ontem foi noite seca. O que não quer dizer que até sexta não volte a haver festa molhada, ou não estivessemos em Paredes de Coura.

A abertura no palco EDP não podia ter sido mais agradável. Fim de tarde, o verde da relva e das árvores que acolhem músicos e público oferecia uma imagem de cor onde o sol batia e o som dos três irmãos Kitty, Daisy & Lewis era a banda sonora ideal para aquele momento. Ideal mas muito enganadora. Sentados na plateia natural percebemos que muitos foram apanhados de surpresa e ficaram convencidos que estavam a ver uma banda típica norte-americana a mostrar as suas raízes blues country em rock dos anos 50. Mesmo quando a banda mudava de direcção e visitava ambientes quentes como ska ou mesmo reggae pouca gente ali desconfiou que aquela rapaziada é de ... Londres! Aposta arriscada para abertura naquele espaço mas perfeitamente justificada e ganha.

No terceiro dia do Palco Vodafone FM continuou a haver muita vida. No fim de tarde aconteceu a grande revelação com o peculiar Willis Earl Beal a trazer um muito personalizado e solitário híbrido de blues, folk e soul de Chicago. Foi muito bem recebido e até lhe valeu forte elogio de Adolfo Luxúria Canibal via Instagram com direito a foto e tudo. Mas o vencedor da noite foi Patrick Watson que voltou a assinar grande concerto em Portugal e fruto da confiança com que já pisa as nossas terras proporcionou um raro encore (único em todo o Festival?)  a uma plateia rendida.

Dry The River e Team Me passaram mais discretos por aquele espaço mas conquistaram alguns curiosos para as suas causas.

Em ano de comemoração de duas décadas de festival houve cuidado da organização em fazer regressar a Coura algumas bandas que tinham deixado marcas no Minho. Com esse propósito voltaram os Temper Trap que há dois anos surpreenderam ainda antes de «Conditions» se ter tornado um caso sério à escala mundial. Agora com dois discos editados e com uma reputação muito maior os australianos fizeram questão de lembrar a sua estreia por cá em 2010 e entusiasmaram a plateia. O destaque continua a ir para as canções do disco de estreia porque, infelizmente, este novo álbum é um forte tiro no pé. Sempre à procura da batida perfeita em busca de músicas épicas e inesquecíveis, a verdade é que não conseguimos apontar uma única que resulte nem que ultrapasse o que de melhor nos apresentaram na estreia. Aguardemos pelo terceiro passo.

Já os dEUS não precisam de procurar nada na sua música para convencer os seus fãs. Outro regresso a Paredes de Coura muito saudado, encontrámos muitas pessoas que diziam ser este o concerto mais esperado. Os belgas que já este ano assinaram elogiados concertos no Porto e em Lisboa, mostraram-se entusiasmados com este regresso e sentiram, tal como o público, que uma hora de actuação sabe a pouco. Só passaram duas vezes pelo mais recente disco e foram visitando pérolas da sua já longa discografia sempre com o mesmo sucesso. Tom Barman mostra que a sua vivência em Sesimbra dá frutos ao nível da expressão em português e confirma-se como umas das paixões mais antigas e duradoiras do público nacional.

Fora de todo este baralho, o momento da noite vai para o duo Sleigh Bells da aguerrida Alexis Krauss. A banda de Brooklyn entrou a matar e fez estremecer não só o recinto como a vila toda! Com dois interessantes discos editados nos últimos três anos era muita a expectativa como iam colocar em palco toda aquela energia de estúdio. A resposta foi muito rápida: Krauss, à frente de um imponente muro de colunas, tomou as rédeas e liderou um massacre sonoro que na primeira parte do concerto soava tão alto que alguns fãs fugiram das filas da frente. Uma autêntica tareia sempre no limite e dando todo o sentido ao que se conhece dos discos; poder e atitude. Numa palavra: rock! Do bom.

Muito antes de toda esta agitação houve uma hora bem mais tranquila. Os Midlake deixam excelente impressão com esta passagem por Paredes de Coura com o concerto perfeito para um anoitecer calmo. A extensa banda do Texas é convincente em palco, as quatro guitarras usadas de forma superior constroem um universo sonoro pouco habitual mas de resultados práticos tão bons que ficámos com vontade de ir já recuperar o grandioso disco de 2006 «The Trials of Van Occupanther».

Simbolizando bem a variedade que se vive numa só noite em Paredes de Coura tivemos a fechar os alemães Digitalism que cumpriram o propósito de transformar o vale de Coura em pista de dança com o seu electro house. Cumpriram e convenceram.

A festa continua por mais dois dias que se esperam secos como este.

jjoaomcgoncalves@gmail.com

 

Paredes de Coura, dia 2: Milhões de Chuva!

in Disco Digital por:João Gonçalves


Ainda a meio gás e só com o palco secundário a funcionar, os verdadeiros heróis das primeiras duas noites de Paredes de Coura não foram Stephen Malkmus, Japandroids , Friends, ou outra banda que tenha passado pelo palco Vodafone FM. Os heróis deste arranque de festival foram os ... festivaleiros (!) por resistido a um verdadeiro dilúvio que transformou o recinto habitualmente verde em lama. A organização recompensou a resistência estóica ao disponibilizar os lugares do parque de estacionamento coberto para dormida menos molhada.

 

Já se sabe que Paredes de Coura sem chuva é como um cão sem pulgas. Não é possível. O que não se esperava, nem se desejava, era que nas primeiras vinte e quatro horas de evento a intempérie não desse o menor descanso aos milhares que acamparam desde cedo nas imediações do recinto. Na descida da vila para a entrada no recinto, o outfit festivaleiro primava pela diferença. Os calções curtíssimos das miúdas ainda lá estavam mas o calçado eram agora galochas agrícolas a preços comentados entre os 5 e os 15 euros. Já eles, na sua maioria, também se aprentavam de calções, bem mais compridos e muitos de banho. Nos pés, sacos de plástico em volta dos sapatos numa tentativa de meter menos água nos pés, muitas capas impermeáveis, algumas de patrocinadores deste e de outros festivais, outras compradas na vila.

Da tradicional entrada no recinto feita sempre a descer até ao espaço do palco secundário vivemos aquela que será a experiência mais próxima do que se vive em Glastonbury tal é a quantidade de lama no caminho. A cada queda descobriam-se plateias laterais meio escondidas a rirem do azar de outros e com comentários à Jogos Olímpicos, incluíndo notas artísticas.

 

Com todo este cenário pode pensar-se que os concertos ficaram para segundo plano e foram pouco concorridos. Nada disso! Durante o dia, a organização ainda colocou a hipótese de passar todas as actuações para o palco principal mas no fim imperou a vontade de poupar aquele espaço na esperança que no terceiro dia tudo seja mais seco.

Com isso, o palco Vodafone FM esteve sempre muito concorrido e ninguém queria sequer ouvir falar em cancelamentos; todos os concertos se realizaram nos horários previstos.

 

O destaque vai para aqueles que seriam os outsiders do cartaz da segunda noite, os americanos Tune-Yards que trouxeram um inesperado ambiente tropical no meio da tempestade. Excelente estreia entre nós com uma entrega imensa da exótica vocalistaMerrill Garbus que fez da apresentação do muito aconselhável disco «Whokill» um ritual tão quente que até fez o milagre de parar a chuva por algum tempo.

 

A mesma sorte não tiveram os Japandroids que decidiram (muito bem) atacar a intempérie com rock puro, duro e selvagem. Quem os ouvia ao longe sem conseguir ver bem o palco não queria acreditar que todo aquele som frenético era construído apenas por duas pessoas. O dúo não hesitou em mostrar tudo o que vale e defenderam convincentemente os seus dois discos, «Post Nothing» (2009) e «Celebration Rock» deste ano. A plateia aprovou e agradeceu gritando o nome da banda no final.

 

Outra mulher que se saiu bem nesta noite foi Samantha Urbani. A líder dos Friends apresentou o belo disco de estreia « Manifest!» editado há poucos meses e econtrou uma boa recepção entre festivaleiros que sabiam as letras ou que só queriam dançar. Passaram com distinção pelo Minho e deixaram expectativas altas para um regresso.

 

Quem já pensa a sério em próximos passos são os PAUS. A banda portuguesa tem estado imparável este verão aparecendo a tocar muito e bem nos principais palcos do país e não só. Hélio Morais confessou em entrevista à Antena 3 antes de subir ao palco que está previsto um regresso a estúdio em Setembro para procurar novos sons, na esperança que saiam algumas composições prontas a serem apresentadas o muito aguardado concerto no CCB lá mais para o final de Outubro. Em Paredes de Coura aproveitaram para exibirem a excelente forma em que se encontram e a confiança com que Joaquim Albergaria anunciou ao povo que não era uma chuvinha qualquer que parava Coura foi suficiente para incendiar uma plateia ávida de festa. Excelente concerto, grande empatia com o público e genial momento que fica na memória quando Albergaria puxou do tema «Umbrella» de Rihanna para cantar a solo com o público.

 

Finalmente, falemos do nome mais aguardado da noite. A estreia de Stephen Malkmus podia ter acontecido sem surpresa no palco principal de Paredes de Coura mas ao ser desviado para este espaço concentrou em si todas as atenções. Afinal era o homem dos Pavement que se estreava a tocar em Portugal. Um pouco antes das 22h40, hora prevista, Malkmus arrancou para um concerto que correspondeu às expectativas. Com uma imagem mais leve, cabelo cortado e com um ar algo desconfiado daquela plateia que se mostrava indiferente à enorme molha que apanhava lá desfilou temas da sua carreia a solo. Bem acompanhado do seus Jicks entusiasmou mais quando passou pelo recente álbum «Mirror Traffic» mas pareceu nunca conseguir (querer?) elevar o momento a grande celebração. Não desiludiu mas fica-nos a dever nova visita menos contida e longe da chuvada que pareceu intimidar mais quem estava no palco do que quem festejava na plateia já empapado.

 

Hoje arranca o palco principal e espera-se que a chuva dê tréguas para os três dias de Festival que aí vêm.

 

jjoaomcgoncalves@gmail.com

Atenções Viradas para Paredes de Coura


Digitalism, Capitão Fausto, Ladrões do Tempo, In Flagranti e Sunta Templeton completam o cartaz do 20º Festival EDP Paredes de Coura.

 

Com excepção dos Digitalism, que vão encerrar o palco principal no dia 15 de Agosto, as novas confirmações actuam no Palco Vodafone FM: In Flagranti a 16, Capitão Fausto, Ladrões do Tempo e Sunta Templeton a 17.

O bilhete diário para 13 e 14 de Agosto custa 25 euros enquanto para 15, 16 e 17 de Agosto tem o preço de 40 euros. O passe tem o preço de 80 euros e dá direito a campismo.

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